Coleção pessoal de Amontesfnunes
PAPO P'RO AR
Ouço em meus ouvidos
... Um zumbido...
Um tilintar dos anos
misturando, meus planos tinidos.
O tempo me tingiu...
E eu agora, carrego o tranco e a presencia
dos meus... Velhos cabelos brancos...
Eu tenho deitado-me,
sob meus desalentos e os sonhos, já não
me trazem, mais aquele gargalhar...
Quantas e quantas vezes em sono,
eu sinto a presencia do pesadelo,
e ao acordar me sinto...
Sonhando de papo p'ro ar.
Antonio Montes
NÃO SEI
Eu sei, eu sei...
Ouvi a voz,
era a minha vez,
e eu passei...
Agora, não sei, não sei!
Não sei se eu terei vez,
nem sei quem fez a vez...
Tudo que eu sei,
quando chegou a minha vez,
... Eu passei.
Antonio Montes
ROUBO
Roubaram a minha bolsa,
junto foi as promissoras,
tantas!
Mas não levaram as contas,
donas d'essa carranca...
Que tanto me afronta.
Antonio Montes
SÃO MISTÉRIOS
Toque a porta para abrir
filme o filme, olhe passar o filme
pipoque a pipoca que póca, que póca...
Vamos comer, vamos assistir...
E dai... O mundo é aqui,
é assim, por ai, dai e d'aqui.
O mundo é para tu, para ti...
É para mim... Não sai, não saia dai!
Não insista! Não terás para onde ir...
Se vamos, se não vamos?!
Fica assim... Para que, insistir!
Vamos sair por ai? Tu vai? pra onde?
Vai a pé, de carroça ou de bonde...
Eu não quero, eu te espero?!
Eu não quero, eu não te espero!
... Parecem sérios, são mistério...
Das heras, são mistérios dos mundos
desde de, os tempo dos cleros.
Mesmo com tanto mistério assim...
Sem ter para onde ir, não quero adeus,
nesse intimo meu, não quero partir...
Eu não quero partir!
Partir, não partir...
Não altera os mistérios meus...
Não quero, eu não quero partir,
pelo amor de Deus!
Antonio Montes
PONDERA A FERA
pondera, ponderou a fera, da nova era
depois, engasgou-se com a tela entalada
na traquéias da goela.
Pondera... Se pintou com a poluição
tingiu a esfera colorida...
Opacando a visão do grandioso olhar.
A fera, combaliu os olhos da nevoada vida
sentindo os sentidos, esfriando
os típanos e tampando os ouvidos.
Antonio Montes
ORAÇÃO DA ALMA
O silencio é a oração
da nossa alma...
É nele que, navegamos
pela, eternidade de Deus.
Antonio montes
PONTO
Quando Deus criou a vida
fez do momento um trampolim
para o futuro...
É d'ele que, todavia
... Içamos o nossos vôos,
para as marcas do passado.
Antonio Montes
MURIÇOCA
A muriçoca, mutuca, soca
... Seu ferrão soca p'ra pior
devora, saúde soca e poca...
Poca, pipoca e nos faz anzol
e os passos, não podem andar.
Soca, mão de pilão e pipoca
pipoca e poca a pipoca no ar
para fazer uma passoca
soca pilão, p'ra cima soca
com a molecada a vadiar.
Soca, soca essa joça
em nossa volta tudo soca
soca a casa de Jacó
soca a palhoça na roça
soca o fogo em dia de sol.
Maré de rio, trilho poça
peixe bagre e jiripoca
bolo puba da mandioca
casa de índio já foi oca...
Flecha e arco de cipó.
Muriçoca, jiripoca, roça
chocando o seu paladar
rodando, engenho, carroça
taboca, fossa, e chocar,
na roça, pena de cocás.
Antonio Montes
AÇOITE NEGREIRO
Nasce a índia nasce a negra
jogam o laço e as cobiças, atiça
... E a cima da pele morena
na rua com sua noite escura
nasce a cura do capeta.
Pé de morro, pé de plano, Socorro!
grito no cume da vida, é estorvo
sem alforria p'ra inocente, doutor
só para mim que sou negro, sou autor...
Vou pagar... Vou pagar com minha dor.
E a lama? Foi pra mim o que sobrou
dos gritos abafados de uma noite
censura enclausurada do horror
o goro o show... O mal do olho,
flecha no peito expressão do senhor
O som amargo, que a vida amargou.
Minha barra me barra na barraca
e roda nas águas, que morro derribou
minha esperança, feita de velha lata...
se amassa e enferrujam amassadas
na calada, da noite calada.
Minha garrafa sem vinho, teve cartas...
Bilhete de pedido, socorro, salvação
fiz oração sob escuro de um porão
lúridos, escondidos dos tinidos
e dos ouvidos, do meu terrível irmão.
Já fui negro no negreiro sem amor
tive esposa, tive filho meu senhor!
Que as águas e o vento me levou
sobrou para mim, esperança iludida
e o mourão, açoitando a minha dor.
Antonio Montes
TINA DA TINA
Tina, oh Tina!
Cada presepada tonta,
que a Tina atina
que mesmo sem ser hora pronta
ela as vezes desatina.
Outro dia a dona Tina
entrou na tina... Na tina por sina,
com Água
... Saiu pingando sem pinga,
sem toalha, molhada, toda espuma,
e foi mostrando o sorriso
como se não fosse nada.
Se não e de ti, p'ra que carranca
nada é da sua conta!
não se faz de tonta,
se é minha ah apronta
me roga praga.
Tina oh Tina!
Eu me lembro ainda,
você pequena, menina
olhares por riba
e o povo dizia... A tina tem sina
tem auto estima
a Tina tilinta e pinta com sua tinta
os seus cento e trinta.
A Tina acredita no que pinta!
Assim como na poesia da sua rima
... E o poema que em ti, tilinta.
Antonio Montes
A MALA DO MALA
O mala, com a mala, embala
... Pelas marés do mar,
pelos ventos em sua cara...
Já é costume o mala,
carregar a mala, com ela um dia...
O mala em sua ingeria, levou bala
agora, o mala com essa mala
as vezes fica mudo
as vezes se cala, não fala
e nós e que pagamos o preço
pelos adereços d'essa mala.
Essa mala, já levou bala
navegou pelo ar
flutuou pelas águas
e o seu dono, não esta nem ai!
Se essa mala afundar, ele cala,
pois na mala, nada é dele,
e o povo, só sabe reclamar sem cara.
O dono da mala, se apertar encara
pois sabe, que tudo se resolve na fala
e agora, ele tem a proteção da mala!
Com a mala, ele compra tudo
o mundo e as poses de cambraias
e depois, poderá mudar de lugar
desde que tenha...
As chaves da mala.
Antonio Montes
REBULIÇO DE TEMPO
Oh meu espelho... Não precisava ser
tão duro! na sua pureza tão pura!
Quando sobressai, da sua tela escura,
mostrando-me como sou, fazendo rebuliço
de sentimentos em mim, empurrando-me
sobre o tempo para assistir o meu fim.
Oh meu espelho! todavia tens a mágica
de fazer o tempo escorregar pelas lacunas
dos sonhos e as vezes, até repugnar-me de
mim mesmo! Mostrando-me, de como eu era
n'aquela foto amarelada a qual está como
rede, pendurada na parede... A mesma foto
que as aranhas, telham as suas telhas, e fica
assim como se estivessem representando
as telhas da minha vida.
Falem o que quiserem falar, mas o meu
espelho é... O vermelho da sinceridade!
Ou quem sabe... O sinistro da obscuridade!
Todas as vezes que olho nele, ele mostra-me
o que meus olhos não querem ver...
As rugas da derme, as verrugas do tempo
essa carranca que desbanca o meu alento...
Mostra-me que outrora, eu era assim
como verde... Tinha ar e tinha sede...
Todo dia eu era visitado pela alegria!
Hoje tal qual como estou, assim desprovido
do amanhã. Com passos curtos pela
estrada da vida, eu estou murchando...
Murchando como se fosse folha a secar
exposta sob o ar.
Hoje o tempo que eu almejo, é o mesmo
que repugno-me, uma espécie de amor
e ódio... É meu espelho, te confesso... Que,
o mesmo tempo que eu preciso
para seguir adiante, é o tempo que você
me esboça acabando comigo,
criticando-me triunfante e triturando-me diante da esperança.
Antonio Montes
DORMINDO ACORDADO
No rascunho rascunhado
rascunhei todo condado
sem nunca sair do lugar...
Em sonho, sonhei deitado
voando solto e alado
com sentimentos ah voar.
Com olho abertos sonhando
dormindo estava acordado
com os sonhos ah me levar.
Me encontrei alem do mar
nos braços que estavam cá
sem pensar em acordar.
Antonio Montes
VIVER DA CIDADE
As cidades vivem...
Em seus edifício, suas casas,
ruas ruínas, esquinas, frios e brasas...
Suas mãos entrelaçadas suas tranças
com suas, esperanças e suas sinas
... Olhares tristes e felizes
de suas, adoradas crianças.
As cidades vivem...
Seus dias de glorias
dias de luzes, noite de escuridão!
Com seus barulhos seus entulhos
seus gritos, lixos e seus caprichos
suas caretas, alegrias e suas dores,
seus pânicos, medos e horrores.
Vivem dias de angustia, dia de cão
vivem também... Dias de doutores!
Dias de promessas e dia de oração
... Vive um dia de cada vez!
Uma semana, um ano, um mês...
Tudo aquilo, que carregam em sentimento
um momento, para cada um de vocês...
As cidades vivem acordadas
e acordam dormindo...
Vivem dias de feriados e trabalhos
seus pés descalços, seus sapatos
seus olhar franco... Risos, largos e falsos,
vivem o manhã de planos e sonhos
vida de enfado, pesadelos medonhos
vivem as horas e os dias que vem vindo.
Antonio Montes
AOS TOMBOS
Balngo-bango, maribondo
na carreira eu me arrombo
sobre poeira e aos tombos
na fumaça me escondo.
Eu vou por ai aos pombos
em ditongo, orangotango
dança o tango no losango
cozinhando ao fogo brando.
Se não dê, parto pro cano
espatifando os tímpanos
vou seguindo assim os planos
como faço com os anos?
Antonio Montes
DORMIREI CONTIGO
Dormirei contigo,
sim, em pensamentos pode ser...
Mesmo que eu não te tenha em meu lençol
mas, se você está comigo!
Assim, toda meiga como flor
O meu amor terá a cor...
Do majestoso amanhecer de sol.
Antonio Montes
FERRÃO DE MARIBONDO
No pedaço do serrado
andava eu, desconfiado
e o maribondo me ferrou.
Um contra gosto à mim, imposto
me pegou marcando posto
com seu ferrão me marcou.
Tudo aqui, tornou-se fato
acusar já é disparato
mesmo o que, o vídeo mostrou.
Sabemos, sabemos...
No comando é só desvio
há eles isso é pavio
p'ra ganhar o seu amor.
Antonio Montes
BICICLETA NA VIDA
O menino da bicicleta...
Não se aquieta!
Sempre frenético,
pedala como se fosse um atleta
... Empina, rodopia...
Rascunha zero no chão
se cai, nem faz cara feia
e sai, aos abraços com o vento
nadando na emoção.
O menino da bicicleta...
Adora o seu, ie, ieh ieh,
rodando por ai...
Parece gente grande,
zanzando em suas contas
e sonhando com faz de conta...
Só quer saber de correr,
perde a hora dormir
perde o tempo de comer
... Passa o dia divagando
e quando chega a noite...
Já vai sonhando com o amanhecer.
O menino da bicicleta
parece adulto
zanzando sem hora certa
... Vai p'ra cima
vai p'ra baixo
igualzinho uma peteca.
Antonio Montes
ESPREITO FIM
A morto estava, morto
Com sua seriedade pálida...
Não sorria
não mexia nada!
A morte estava solta...
Corria pela vida
adentrava pelas banalidades
e loca... Carregava navalhas
sob dentes da sua boca.
Antonio Montes
