Coleção pessoal de Amontesfnunes

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LOURO VERDE

Entre um papaco e outro
o louro verde lá do alto
esta fazendo curupaco.

Esse louro é todo verde
porque te chamam de louro
se o loiro para ti e sede.

Se seu verde é todo verde
podiam te chamar de verde
loiro não tem, em sua rede!

Mas esse louro fala e chora
se chega ou se vai embora
chora sem saber da hora.

Também dá tchau e assovia
desce do agora e do jirau
e gira ali todos os seus dias.

Esse louro todo verde
incomoda com toda aurora
em sua forma de bom dia.

Baila com sua algazarra
vê o sol, faz grande farra
saldando-o com alegria.

Esse louro, na moldura vista
silenciou-se em seu silencio
e na pintura do artista.

Agora na escassez dos seres
contem seu nome na extinção
nos louros gosto dos prazeres.

Esse louro... Quer café
... Pediu café!
Orou sua fé de pouca fé
e logo mais, pediu o pé.

Antonio Montes

PÁSSARO PRESO

Esse pássaro na gaiola
prendido por seu enrola
esta ali sem aceitar.

Todavia ele esta insistindo
e você não dá ouvido
o que ele quer, é só voar!

Essa grade que tu fez
satisfaz, somente a sua vez
e você, não quer escutar.

Passarinho esta diluído
todos seus dias em perigo
já não contenta em chorar.

Passarinho, passarinho...
Eu sou assim como tu
tosaram as minhas asas
e quando eu cai em casa
me proibiram de voar.

Minha vida é brasa em tino
comandada pelas farras
dos carrascos de passarinhos.

Antonio Montes

MEU PAÍS

Onde esta você meu país...
Aonde você esta!
Infectado pelos ratos
que não param de te roubar
todavia te surrupiando
e depois vão desviando
pouco a pouco para lá.

Onde esta você meu país?!
Você aonde esta...
Com facínoras comandando
só calhorda no comando
o que será do seu futuro
e das crianças o que será?

Perdesse a credibilidade
diante dos olhos seus
nada mais em ti é verdade
cadê o olhar do nosso Deus?!

Onde esta você meu país...
Você aonde esta?!
Na cede... Ninho de cobras
enrolando o paladar
seu tempero eles te roubam
só para expor o gastar.

Roubar agora é desvio
ponte aera da perdição
esperança perdeu seu pavio
apagando a nação.

Onde esta você meu país
você aonde está?!
Me diga p'ra onde você foi
pois preciso te achar.

Antonio Montes

ESTRANHO TROFÉU

Era noite...
Como se fosse andorinhas
eu vi um bando de corujas,
voando sobre minha rinha.

Sobre a qual, lá eu estava...
Peleando com a morte
... Disputando a vida
e a dádiva taça da sorte.

Mas não sabia que:
O troféu da vida querida...
Era o abraço forte da morte.

Antonio Montes

PAUTA DO NOSSO AMOR

Depois dos momentos
... Sentimentos!
A lua se escondeu nos pensamentos
o que restou, foi... O rascunho,
amassado do nosso amor.

Com ele...
Os gráficos dos gemidos, a dor...
As silabas dos segredos tímidos,
inebriando as recordações
e nos envolvendo ao pavor.

Nas, antigas tramas da volúpia...
depositamos nossos enredos,
e a anciã deturpada dos nossos anseios...
Estacionou sob as reticências
junto as pautas pautadas,
dos nossos meios.

Partilharemos nossa historia...
E iremos ver as marcas folheadas,
dos nossos rastos e arrastos,
sobre a lama das nossas vontades!
Só ai então...
Iremos perceber, as lacunas
das nossas verdades.

Antonio Montes

BREVE SUTILEZA

Me leve, assim leve
como uma folha seca
ao vento, leve
ou como um leve...
Pensamentos,
em sentimento breve.

Me leve, leve...
Como sentir alem da cerca,
com leveza, me entregue,
n'essa leve sutileza...
Na beleza de ser breve.

Com o seu leve, me leve...
Assim leve sem sentir
me leve depois me entregue
no mundo leve de mim.

Antonio Montes

VIAS RUÍDAS

Se o rato vai roer, roa
o Rei, rema em roupa boa
e não se molha na garoa.

Se Roma, roeu os seus...
Com, dentadura e ditaduras, roeu
... Roeu cristãos e os hebreus.

Pelas ruas ruídas dessa vida
que todavia se vive poluída
tudo no mundo esta roendo
por mãos e vozes bandidas.

Antonio Montes

DIVERGÊNCIA

Na cozinha...
Pulo... Gato
perco o sono
embarco amargo
e pago o pato...
Que saco!

O gato...
Quebrou os pratos
lavados
enxugados...
Espelhado com trapo.

E lá na poça d'água
... É com o sapo...
Que se faz de fraco,
de manhã sedo
em seu buraco...
Fazendo sebo.

Com sua gula... Pula,
pula sem segredo,
em salto alto
pelos escalpos
do velho asfalto.

Antonio Montes

SANTA?

Quanto em seu canto, se espanta
no escuro com sua manta
cai hoje amanhã, levanta
quantas santas a noite é santa?

Quando canta os seus encantos
no pranto com o seu canto
ou, segredo se levanta...
Quantas santas a noite é santa?

Nos sonhos todos despidos
em cálido pulo do muro
cochichos aos pés dos ouvidos
ouvindo tudo do mundo...

Quantas santas hoje são santas
com tantas flechas ao futuro
com chamego em seu olhar
e um amanhã inseguro.

Antonio Montes

OLHAR QUE ME DEU

O olhar que tu me desse,
era amor, e era amor...
Piscou com olhos em prece
os meus então te amou.

Vi o horizonte em ti...
com cores do meu arco-íres,
almejei seu mundo p'ra mim...
para me tornar incrível.

O olhar que tu me desse...
Era só meu, era só meu!
Com amor de rígido cerne
distante de grande adeus.

Vi minha lagrima rolar
pelas saudades de você
o cupido atirar a flecha
e o amor ah te querer.

O olhar que tu me desse...
Era p'ra mim um jardim,
fulgor que hoje me aquece
amor, assim... Só p'ra mim.

Antonio Montes

ESSE MORTO

Esse morto, não morre mais
apesar dos avanços secular e tecnológicos
esse morto, esta morto...
Assim como morte de muitos mortos
que morreram a milênios atrás.

Esse morto de olhos fechados,
corpo gelado, coração parado...
Esse morto, agora seguro,
já teve passado, planejou futuro
sobre os mundos dos muros.

Esse morto, ah esse morto!
quando vivo estava morto...
Em seus desespero, em seu gostos
agora morto esta vivo
pelos jornais que te saldam
como se fosse aborto.

Esse morto, um dia vivo morreu...
zanzou pela vida a fora,
assim como morto que viveu.

Antonio Montes

GINGA DA VIDA

Dos piores o pior
nos palcos, acorda o nó
d'aquela rasteira o pó...
É tanta gente enjambrando
pelo mundo cafundó...
São canoas no balanço
em milhas, milhar e nó.

Da madeira o cerne duro
desvio, com velho palitó
na manobra o inferno
sob o claro olho do sol...
É tanta gente se dando bem
e se afundando no mar
águas que ninguém conhece
prece p'ra regenerar.

Do umbigo a fadiga,
com sua ginga me diga...
quanto é que fico santo
se nunca posso gingar...
A minha vida é encanto
no canto, p'ra quem esta,
sempre do lado de lá...

Antonio Montes

EPITÁFIO

Vou rimar, remando no rio
remando , remo em Roma
n'essa vida, que rima a vida
no remado que desengoma.

Remarei, as margens do tempo
tempo assim, de balanços pardo
balançarei, as asas do sentimento
nesse mundo de fundo gago.

Vou rimar ao momento que voa
para rima mostrar-me o poema
rimarei por vida, breve e boa
o epitáfio, que registre o tema.

Antonio Montes

SOBRINHO

Um sobrinho que é...
Gente sem gente
que tudo inventa
que passa o pé
gente não agüenta
o seu ato, repente.

Querendo ser gente
as vezes indecente
burla água quente
esta atrás, e a frente
e se faz de inocente.

Antonio Montes

PODE NÃO PODE

Se eu não posso...
Me esforço
Se eu posso...
Seu ócio.
Você não pode...
Meus ossos,
meu oficio
meu negocio.?

Antonio Montes

BÚSSOLA DO QUERER

Transformei esse amor em navio
e a nossa ancora, eu arremessei
sob o cais do meu peito.

Senti o vento da ansiedade
balançar as bandeirolas da emoção,
e atraquei-me a esse amar...
Com as cordas da minha feição.

Como se fosse chuva...
Jorrei, minhas lagrimas ao nó d'essa
tensa paixão, e hoje, eu te firmo...
Como tic, tác do meu coração,
como bússola do meu querer, o qual...
Os ponteiros dos meus sentimentos
estarão sempre, pontuando você.

Antonio Montes

APORTA
O que me porta
se me resta cinzas,
se amanhã...
Não terei horta
nem porta.
Antonio Montes

SINAIS GRÁFICO

Sou maiúscula, sou minúscula,
vogal, sei lá... Consoante
sou um tanto, quanto caduca
mosquito, anta, elefante.

As vezes, sou imbecil...
dona de mim, na explicação
lousa giz, todos me viu
no bilhete do coração.

Ocasião, com circunflexo
acento... Grave, e til
quem sabe, trema apóstrofo
assim na gráfica... Quem não viu?

Você viu... Eu vi!
todos viram os sinais
que não obedeceu estão por ai...
Nos sinais das capitais.

Antonio Montes

TATO DO SABER

Ao nascer...
Nasce o que se vê
ao crescer... Como parece!
Agora, quanto a ser...
Isso já, não acontece.

O que parece...
Nunca foi... E não, não é!
N'essa sociedade, perdida...
Não sei... Não sei, se é mulher.

Já se esgueira pela vida...
Aquilo que nunca foi, mas não foi!
A sociedade esta perdida...
homem, mulher... O que foi?

Se você não sabe, não sei,
o que um dia... Pode ser?!
por essa vida minha tateie
o tato do meu saber.

Antonio Montes

ASAS QUEBRADAS

Passarinho das asas quebradas,
não vive no ar, isso...
Porque não pode voar.

Diante da solidão...
Perambula pelo chão,
e arrasta a vida, há chorar.

Passarinho, passarinho...
Um dia, a suas asas irão colar
e você... Treinando vai decolar.

Me leve contigo, me ensine...
Eu quero voar por esses perigos,
e esquecer, o meu castigo.

Eu quero pousar meus sonhos
sobre as flores e o sol do amanhã
e lá... Viver feliz e amar.

Antonio Montes