Coleção pessoal de Amontesfnunes

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MUNDO OVO

Meu cavalo corredor
pelos trilhos, pelas tardes
vai marchando ao por do sol
para matar as saudades.

Todo dia voa aos ventos
galgando seu arrebol
entrega-se aos sentimentos
no tempo do por do sol.

Vai cavalo em sua chama...
Chamegando de paixão
pela poeira, pela lama
com fogo em seu coração.

Cal vague em seu por do sol
em cada noite um dia novo
disfarça do povo o anzol
nesse nosso mundo ovo.

Antonio Montes 2

POR DO SOL

Essa luz, que brilha e me ilumina
de sedo, meio dia e ao por do sol
me assina essa sina é a mina rima
minha esperança, meu alvo farol.

Pinta as cores de todos meus dias
e as flores do meu verde jardim
espanta a minha sombra e agonia
e acalanta, essa tristeza em mim...

Meu por do sol, oh meu plainar!
Aconchego dos sonhos meus
amanhã, traga-me o meu amar.

Volte meu rei sol, com minha luz
me faça feliz, sorrir e cantar
não deixe, apendicular meu chorar.

Antonio Montes

AFAGO DAS ASAS

Sempre existirá oceanos,
se saciando com os pássaros
... Isso, sem sair do lugar!
Enquanto longe de mim...
A felicidade, aterriza em suas
horas... Momentos de angustia,
permeiam o meu coração,
e meus sentimentos...
afogam-se em solidão.

Antonio Montes

APOS ESCURO

Não interessa o quanto
a noite seja tenebrosa;
quando o dia amanhece...
O sol aparece,
e com sua luz majestosa...
Irradia poesia de alegria
e prosa.
Antonio Montes

ILHAVO PARDO

N'aquela entrevista da revista...
Tudo, estava a vista!
O relapso da exposição
o fiasco do ponto tonto
aquele jeito todo feito
da vista d'aquele artista.

Nos moinhos do mundo...
Tinha pista do rascunho,
no ilhavo e desconchavo
na tinta sobre o branco,
o bravo com seu entravo...
E o brado, impondo punho.

O brando, todavia vencendo...
O desencanto talhou a vontade
em todo pranto, necessidade!
Um trisco cheio de rabisco,
tudo estava em seu canto!
O plano em pano branco
e o mastro expondo verdade.

Antonio Montes

SAGACIDADE

A casa onde nasci...
Não tinha calçada
água encanada
não tinha escada...
Nem apito de nada.

Não tinha pinta, nem tinta
mas tinha um trilho
que levava a cacimba
e logo abaixo a bica fresca...
Tinha nascentes de água.

A casa onde nasci...
Tinha um terreiro, só p'ra mim
... Ali eu rodava pião!
Pulava corda e amarelinho
n'aquele tempo tão bom...
encanto sem televisão.

Um cantinho na saudade
da toalha colorida
Aquele cheiro de café!
aquela essência de vida...

O lugar onde nasci
é um canto na verdade...
lembranças, com encanto!
Verdade, com sagacidade.

Antonio Montes

SAGACIDADE

A casa onde nasci...
Não tinha calçada
água encanada
não tinha escada...
Nem apito de nada.

Não tinha pinta, nem tinta
mas tinha um trilho
que levava a cacimba
e logo abaixo a bica fresca...
Tinha nascentes de água.

A casa onde nasci...
Tinha um terreiro, só p'ra mim
... Ali eu rodava pião!
Pulava corda e amarelinho
n'aquele tempo tão bom...
encanto sem televisão.

Um cantinho na saudade
da toalha colorida
Aquele cheiro de café!
aquela essência de vida...

O lugar onde nasci
é um canto na verdade...
lembranças, com encanto!
Verdade, com sagacidade.

Antonio Montes

FEITO INSATISFEITO

A ocultação da sua presencia
sobre a ires dos meus refletores...
É o manto, da minha solidão
... Que cobriu alegria do meu ser
e desde então...
Os sentimentos de amores...
Vaga pela arritmia do meu peito
aonde, esse meu triste coração...
bate forte insatisfeito
pelo feitos de você.

Antonio Montes

ATLETA

Não sou atleta, nem jogo bola!
Mas sou bom de bicicleta...
Com duas rodas;
atiro ao tempo, meu desalento
e vou me lendo, muito atento.

Rodar me roda e me incomoda!
Na descida todo dia
rodas, rola e enrola horas...
Protegendo, minha alegria.

Há quem diga, que fadiga!
Na subida, quem me diga...
Galgando metro em desalentos
sua corrente, é meu tento
e com esses... Ranger de dentes
Vou pelo meio, desse meu tempo.

Voou com asas, dos sentimentos
lá para cima, que nem peteca
pelas correntes, desses meus ventos
se perco o breque, ela não breca.

Antonio Montes

BICICLETA

Qualquer hora d'essas...
Vou concertar, a minha bicicleta!
e sair por ai...
Pela descida, subida e divertir
E vou sonhar pela noite
e sorrir de alegria...
vou colocar em açoite
todos marasmos dos meus dia.

Com vento no rosto...
Descerei o mês de gosto
com gosto, bem disposto.

Farei ciúmes ao boto
peixe rosa... Que mal gosto!
uma cor no lado oposto.

Antonio Montes

ABELHAS

Abelhas e suas aldeias
zoam pernas de centopéia
centenas de milhares cheias
abelhas novas, abelhas velhas.

Lá no sopé do morro
pelo campos e pirilampos
voam, abóiam em estouros
ferroada em couro, retrancos.

Abelha, colméia e mel...
Tanto encanto com flores!
Polens na áurea do anel
juntando assim, os amores.

Quanto cuidado ao quartel!
Sua rainha... Um magistral,
procria no dia de aranzel
ainda faz, geléia real.

Abelhas, canto e encanto
relíquia, milagre e segredo...
Guardados a quatro cantos
um manto vivendo, o sedo.

Antonio Montes

OURO É TOLO

O ouro, já não reluz...
Como reluzia ah tempos atrás.
Nesses dias de hoje...
Até a luz, vai reluzir, e se desfaz.
Aquela alegria que escancarava
com a verdade de um sorriso
também, já não existe mais.

Tudo que era para ser preciso,
tornou-se indeciso, até para o céu,
para o infinito juízo, e planos,
a certeza da fé...
É uma flecha vagando ao tendeu.

Ouve um tempo...
Em que existia ouro
e o mal agouro, era de tolo
Hoje, todos os tolos, são bobos
e o ouro, é estouro de tolo.

Antonio Montes

COBRANÇA

Eu passo...
Por esse pasto vasto do mundo
vejo o estreito e efeitos profundos
provocados pelos feitos imundos...
Penhasco em pedaços
desmoronamentos de cachos,
unhadas em sufoco, por poucos,
cordas nos pescoços.
Sentimentos estão se tornando
cacos, pouco a pouco...
O mundo cobra o troco.

Antonio Montes

A RESTA

Tudo que me resta
desse amor amigo...
É amar contigo, no castigo
desse amar bandido
que inebria os nossos corpos
no integro do abrigo escondido...
Com volúpia, com castigo,
provocando estampido...
Ao ouvido, em frenesi contigo.
Antigo perigo... Em libido
embebido com, paixão,
sacudidos de chama
disparado, pulsando coração.
Digo o que digo desse amor
feitos bandidos, e o que me resta
... É amor e amar contigo.
As vezes pela fresta, presta
vontade desembesta,
fogo na testa,
n'aquelas vezes escondidos...
Paridos alívios.

Antonio montes

DANURAS DO MAR

A ilha era de areia...
E o mar... De ondas,
e com sua maré cheia...
Ele vinha se debatendo
com sua bravura...

Parava no cais, fazendo
espumas e danuras
todas... Duras...
Urrando como se fosse lobo
tremendo como se fosse medo
em um taco de sombra
na calçada de noite escura.

Ali havia o mar...
Fazendo paetês e brumas...
Se dissipando sob lua cheia,
bradando o choramingar do lobo
banhando os corpos
das mais belas sereias.

Antonio Montes

PERFAZER

Do vinho eu trago um cheio trago...
Uma taça e meia telha outra cheia
saudades me permeia... E nesse
cabo, eu me afago... E me acabo.

Do milho um sopro, gosto verde...
Quando assado, cozido cural
pamonha, paixão em meu varal...
Uma vontade, me enche a sede.

Uma sede na cede que me cerca
em seu emaranhado arredondado
nos seus lados e bicos, eu me acabo.

Dou- me, com essa dança de lado
bailarino em notas, passos errado
eu me acabo, no passado desse fado.

Antonio Montes

TELA DA JANELA

Da tela da minha janela...
eu vejo o tempo com suas ondas
como se fosse, cortejo de banda
tocando horas minutos e momentos,
ou... como se fosse um jogo de dama
com tabuleiro todo demarcado
onde nos somos as pedras prontas para
sermos manipuladas.
Todavia sendo roladas, p'ra lá e p'ra cá,
sem tomar tento da partida
nem o ponto onde chegar.

Da tela da minha janela...
Eu vejo o sol todo em pedacinhos
demarcado pelo arame do mundo
envolvido nas telhas dos sentimentos...
Eu vejo a tabuleiro sendo manipulado
pelas feras do poder, onde elas
é que fazem as cartas e as regras...
Elas é que coloca-as cartas sobre a mesa.
Vejo os pequenos tentando sobressair
das garras de um esquema posto
sobre eles mesmo no qual eles são
apenas a peça do tabuleiro e como tais...
são jogados para lá e para cá...
Feitos de bobos, por todo tempo,
pelo tempo todo.

Da tela da minha janela...
Eu vejo as ruas e as calçadas
os passos, passadas e passarinhos
eu vejo o tempo demarcado pela tela
e a minha saudade toda em pedacinho.

Antonio Montes

O TROCO

O trocado...
que você me deu
... Como troco;
foi pouco,
foi muito pouco
o trocado seu...

Todo esse troco pouco
você me ofendeu...
E tornou-se ainda mais
pouco... Todo troco
que agora é meu.

Antonio Montes

MEUS OLHOS

Com meus olhos,
eu sigo os pássaros
em passos...
E passo pelo caminho.

Por onde eu passo
eu acho...
O rumo d'aquilo,
que não me deixa taco...
Para que eu possa,
andar sozinho.

Com meus olhos...
Madorna me sonda
na sombra...
Onde meu rosto,
perde o vinco e o brilho.

E com meu sonho vago
eu vago, no tempo vasto
aonde a fé...
Me permeia sob os trilhos.

Antonio Montes

DURO MUNDO

Mundo duro
roubos sem rumo
político que só faz surrupiar.

Eu não me acostumo
e pago os prumos
do mundo, que só me faz levar.

Vida fita
se ajeita enrica
aqueles que não gosta de pagar.

Honesto acredita
que um dia sem roubo
na vida, ainda vai poder enricar.

Antonio Montes