Coleção pessoal de Amontesfnunes
ALMA
Alma penada,
vaga sem vaga
como vaga avatar...
Sem pena, nada,
as vezes fada
no seu lance de voar.
Alma penada...
Por ai despenada
em desprezo, finda,
mas, até sabe chorar...
Vive com nada
no mundo despenada
anda passadas
mesmo sem saber andar.
Antonio Montes
BELA JANELA
Tantas janelas! Belas...
N'elas, um sonhos uma lagrima,
um mundo... Em cada uma d'elas,
um olhar p'ra fora, no qual, ao mesmo tempo...
Sentimentos no interior,
caminham pelo alento e desalento.
Tantas janelas...
Um sol em cada uma d'elas! Lá fora...
Buzinas, latas, barulhos ensurdecedor,
lá dentro... Sentimentos de: simples...
Especialista, juiz, pastor, padre e doutor,
Lá fora terror, lá dentro, dor...
Lagrimas e sonhos que afagam
e uma formação de duvidas sob amor.
Tantas janelas, n'elas, traidores...
de tempo
de sonhos frios e quentes
de esperanças e de gente inocentes.
Tantas janelas fortes...
Em suporte de barro, concreto
de: Lata, madeira, lona, esteira
Tantas janelas...
Janelas que nunca rascunhou
um ponto no horizonte
mas que todas elas projetam...
Três ponto e também virgula
projeta a próxima linha d'essa
riqueza, que vaga pela linha
d'essa vida que se chama vida.
Antonio Montes
DOIS CAROÇOS
Dois caroços nos seus olhos
colado no rosto meu
cisma de tempo passado
mascas no couro colado
que bisturi do medico roeu.
Hoje só resta saudade
sob a tela plana do espelho
explanação da verdade
a qual me tinha em cheio
em meio aos meus devaneios.
Dois caroços nos seus olhos
marcam a desconfiança sua
denegrindo a minha imagem
no foco da fuleragem
aos ventos soltos das ruas.
Antonio Montes
O DESVIO
Cadê segurança...
Cadê saúde, estudo,
tudo que seria p'ra ser...
Cadê sociedade
massacrada pelo esquema
esquema desse mundo...
O que faz acontecer?
A baixa salarial
elevação de imposto
sobe tudo, todo tempo
pedágio de contra gosto.
Tudo tem que pagar
até portais de igrejas
salvação de alma falsa
periga ah que não seja.
Paga p'ra comprar o seu
depois paga p'ra manter
paga p'ra falar com Deus
antes paga p'ra morrer.
É tanto paga que paga
tudo p'ra ser desviado
isso que se paga aqui
para em outro reinado.
Antonio Montes
MEUS OLHOS
Meus olhos não tem garras...
Não faz trapézio, nem escala
mas, vaga solto pelo tempo
como se fosse potro no campo
Em seu tiro, atira-se ao longe
bisbilhotando seu encanto.
Meus olhos quando tromba,
sobre o caule d'aquela arvore...
Rapidamente, escala para copa
uma vez lá, verifica flores e frutos
rodeia as folhas, e passeis pelo verde
então ele se da conta, que a flora...
É o meio responsável pela sede.
Meus olhos, mira, de norte a sul
de leste ah oeste, sobre os montes...
Depois visita o arco-íres colorido
sobe o azul do céu, para em seguida....
Pousar sobre o horizonte e perceber
que o mundo sem verde, seria
um escarcel, um degredo para saúde
um grude tingindo o céu.
Ao olhar toda essa peripécias
meus olhos se da conta
de que não sabe pular
e sem voar, inicia a sua descida.
Como se tivesse, desfrutando a vida...
Tão logo se estica, galopa pelos prados
atira-se sobre o horizonte
e vai parar na cachoeira da serra
lá por detrás da cortina da neblina,
ele toma banho na cerração
do amanhecer, e jorra partícula de
alegria no totem do meu coração.
...Tem horas que meus olhos...
Vaga pelas cores e sai por ai
cantarolando de felicidade
e pulsando com os amores
da nossa verdade.
O olhar dos meus olhos...
Não tem peso nem medidas
não se esconde atrás do mundo
nem nunca deturpa a vida.
Antonio Montes
NOITE TOSCA
A noite é bicho macho...
Que permeia sombras
causa enredo e medo
faz festas de arromba.
É bicho espantador...
Onde, homem treme
esconde segredos
e a fêmea geme.
A noite é bicho mágico....
Gambelador de miragem
brinca com visão ótica
apresenta suas visagens.
Vento, sopra na porta
tick no pensamentos
jugular pula com horta
timpanos e sentimentos.
A noite quando loca...
Vidraça estilhaça raça
Bala perdida tiro na roupa
coração bate na boca.
Portão, portas aos chão
estouro de cadeado
disparo no coração
mensagens... Recados.
Vago pela noite tosca
é um ato lambrecado
uma secura pela boca
um medo escorregado.
Antonio Montes
JANELA DO EDIFÍCIO
Não sou pássaro...
Não tenho asas, nem sei voar
Mas aqui, no apartamento desse edifício
... Eu pairo sob alturas, e vivo sobre o ar.
Pela janela desse apartamento
meus olhos perambulam o horizonte
e se perdem, pelas ruas, prédios,
luminosos e placas de latas e voltam a vagar
sob o ar, onde o oxigênio do tempo se
mistura com a poluição de fumaça.
Aqui desse apartamento, no meu sedo...
Eu vejo o sol galopando sobre as paredes
dos prédios e o horizonte camuflando-se
sob as sombras do meu tédio...
Eu vejo pássaro vindo da sua mecânica
zumbindo em suas carenagens brancas,
transportando vidas e bombas para
estraçalhar, sua carrancas franca.
Da janela desse edifício...
Eu vejo o transito impedido
Permeando viadutos e pontes
e ao longe, um crepúsculo sob o tempo
de uma tarde sombria, aonde arranha
céus gigantes e casas se camuflam
sob horizonte.
Eu vejo a lua se esgueirando sobre os
telhados, aflorando em seu reinado,
e como se fosse espelho, ela faz
demonstração do São Jorge, dragão
espada e aquele seu cavalo branco.
Aqui de cima, eu fico observando os
mares da vida... Da para ver o semáforo
da encruzilhada assinalando os sonhos
e fazendo do pesadelo, uma parada...
Dá para sentir os pulmões da vida
embebidos pela poluição e stress...
Doentes de bronquites, pneumonia
e outras mazelas clinicas.
Da janela desse edifício...
Dá para ver... Rostos cansados disputando
lugar sob a fila do ônibus e metro, esses
rostos estão voltando do trabalho
da para ver também, rostos apressados e
enfadados correndo para seus empregos.
com medo de perder a hora e embaralhar
seus planos... Da para ver e sentir o mundo
os pergaminhos e os dogmas inventados
por esse ser humano.
Antonio Montes
FLOR DO PECADO
A minha flor do pecado
são beijos doces molhados
com corpo todo tremendo
com fôlego todo afobado.
São buchichos ao ouvidos
sofreguidão com segredo
muitos afagos atrevidos
e chamegos sob enredos.
A minha flor do pecado
é a silhueta do corpo seu
frenesi, bobo abestalhado
zunindo no tino meu.
A minha flor do pecado
treme e geme o coração
me deixa assim estonteado
desembestando em paixão.
Antonio Montes
MEU CASTIÇAL
No fundo do nosso castiçal
... Havia peixes, sereias,
havia jardins com pássaros e pétalas de flor
... Até céu havia...
Céu com estrelas e lua!
Havia lençol prateado
No qual para ti registrei
sentimentos de amor enluarado
que de saturno lhe dei.
No fundo do castiçal que eu te dei...
Havia até uma batalha
de corais no fundo do mar.
Corais cheio de cores
arco-íres e beija-flores...
Transbordando com meu amar.
Antonio montes
COMO EU
João! João vive como eu...
Pobre assalariado,
fincado no emprego
comida, todavia simples
desagregado da liberdade
nunca tem tempo!
Para viver em total felicidade.
João, mora como eu...
Mora em casa simples...
As vezes desmorona,
as vezes seu bairro se alaga...
João paga... Paga, esgoto,
luz, paga água...
Comida, bebida
condução e aluguel
paga tudo, nunca tem nada!
O João passa como eu...
Sempre na falta do mundo
passa por emprego, pela fome
passa por ai com esperança
passa desempregado
passa até mesmo...
A vergonha de ser homem, homem
em um país que os mandantes
são lobisomens e esses animais
tem auxilio para tudo, tudo...
Até mesmo para desviar
todo o nosso tesouro, e depositar...
Nas terras de outros homens
João morre?
Sim! Sim, o João morre como eu...
Sem dinheiro para ser enterrado,
bramura silenciosa
poucas lagrimas... Morre em
uma casa desprovido de riqueza
sobre uma cama apertada,
duas tabuas como mesa
e bocas bocejando p'ra você...
Coitado, uma pessoas tão boa!
Homem integro
um nobre ser.
Antonio Montes
O GIGOLÔ
O gigolô do bangalô
vive a custa da sua flor,
suspira através d'ela...
Com olhar pela janela
e palavras de meu amor.
Piscou, pisca quando vela
ao beneficio da sua tutora
vez em quando arandela
trás uma flor p'ra donzela
e cachaça protetora.
Vai a farra e se esbalda
esbarra na sua amada
volta assim como fada
para casa da mandala
vai sonhar com a doutora
O gigolô de profissão
é peça na sua mão
manipula a paixão
que vive no coração.
Coitado é bem tratado
outros braços da caricia
trabalha como diabo
no intimo da sua malicia.
O gigolô do bangalô
é bambo em seu gingado
conta ponto com o pranto
e rir do seu rebolado.
Antonio Montes
MENINA SOLTA
A menina que nunca foi minha
um dia, foi de João...
Singela, de amor inocente
em labaredas de paixão.
Com chamego perenal
decaída em sua chama
Maria ainda pequena
tinha seu fogo carnal.
A menina que nunca foi minha
já tinha doce, já tinha rima
corpo de mulher, ar de menina
por paixão, já tinha sina.
Era doce como pólen
atraindo, colméia de abelhas
tinha sua pele mole
em seu fulgor de centelha.
Antonio Montes
O QUE FICOU?
Perguntaram-me,
o que ficou do meu amor...
Ficou o gosto de flores
nas haste do meu jardim,
aroma de chuva molhada
na varanda do meu verão.
O arco-íres de cores...
Sob o céu da minha saudade
o riso da nossa alegria
no quarto da recordação.
Ficou, eu... E a solidão
e a tritura dos meus sentimentos
as recordações de uma paixão
em um mundo, triste e tenso.
Ficou as lagrimas da vida
molhando o ar meu amar
e, todas as musicas preferidas
que choro ao escutar.
Do nosso amor ficou você
imperatriz dos sonhos meus
e a tristeza desse querer
depois do seu triste adeus.
Antonio Montes
DUVIDAS COM A MORTE
Morte, oh morte... Ninguém quer lhe beijar
... Mas você beija... E beija sem amar!
Em sua anciã insaciável, beija e leva
e quando acaba de beijar... Deixa lagrimas,
saudade e sentimentos de trevas.
Morte, oh morte!
Que mania é essa de ser insatisfeita?!
Anda, lado a lado como se fosse sombra,
não dar ouvidos a nada e ainda
assombra o ato no qual estronda,
como se fosse bomba.
Morte... Você poderia me dizer...
Com qual cor jeito e forma, você vai
me convencer? Como vem quando vem?
Poderia me dizer, se quando vir
irá me levar de: dia, noite, tardinha
ou será ao amanhecer?
Estarei serio, triste, ou na alegria?
... Tirar, você me tira, sua caduca...
Mas nunca tira as minhas duvidas.
Não me tome por mal gosto
... Me diga com qual rosto
você vem buscar o meu gosto?!
Em qual meio irá me pegar?
estarei dormindo, ou acordado?
Em qual estação será?
Será sol ou será chuva...
Dá para tirar, as minhas duvidas!
Com certeza você veio da ditadura
ou faz parte de algum planalto
planeja sem dizer, e aprova
e quando menos percebemos...
Já fazemos parte do seu fardo.
Antonio Montes 01/06/17
MINHAS ASAS
Faça... Pode fazer
o que quiser fazer, faça
... Com as minhas asas.
Mas, é triste te informar
que você nunca irá... Nem
voará com a minhas asas
Se quer sonhar, pode sonhar
mas nunca irá acordar para voar.
Antonio Montes
CHORA!
Se você quer chorar, agora
Então chora
Não precisa agora...
Esconder o seu chorar.
Esconder só porque...
nesse momento
os olhos do tempo
se faz aurora.
Se você quer chorar
n'essa hora, chora!
Pode chorar...
Chora sem demora...
não é feio o choro
quando chora por amar.
Antonio Montes
NOITE TENSA
Tensa noite, noite...
Uma sombra no canto
... Gritos, pedido de socorro
ladrar de cachorro
estampido, estouro
ao escuro, desencanto.
Cidade ao pé do morro
um desencanto desacato
eu cato um olhar arregalado
catando medo, olho
Pela brecha, do segredo
eco se calam.
Ao golpe da foice tenso...
Boca se fecha sem fresta
e ao secreto, tudo se dissipa,
com o primeiro tempo.
Antônio Montes
POETA
O poeta voa em seu turbilhão,
e as asas de seus poemas
um dia... Pousarão no chão.
Antonio Montes
EXAME
Aquele menino, de um mês
mesmo e ainda tez...
Não precisa fazer,
o exame de inglês...
Mas, para a sua sensatez
sem querer fazer,
um dia, chegou a sua vez
e nesse dia...
O menino de um mês
seu exame, ele fez.
Antonio Montes
COSTELA OCA
Eu não queria concorrer
com o barro... Barro de Adão,
que ele não me ouça,
se bem, que Adão...
Em sua fé, cedeu a Deus,
partes, de sua costela oca...
Deus? Ah, Deus...
Com aquele pedaço de costela
pensou logo na cabocla,
cabocla mulher, fez Eva...
Impecável, toda insossa
donzela, singela, bela moça.
Assim que ela nasceu...
Deus lhe deu um nome
e Eva ao nascer...
Nasceu fazendo planos
tramando, de que um dia...
haveria de ser, homem.
Antonio Montes
