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"Desistir é fácil. Difícil é amar com coragem o suficiente para lutar enquanto existe esperança."

"O amor busca caminhos. A renúncia apenas aceita que não há mais caminho. São coisas diferentes."

“Morada nas Palavras”

Há amores que moram numa casa.
Conhecem o barulho das chaves na porta, o café dividido pela manhã, os pequenos desentendimentos, o silêncio confortável de quem já não precisa dizer nada para permanecer.
E há outros que nunca recebem um endereço.
Não porque tenham sido menores. Talvez justamente porque a vida não lhes concedeu espaço suficiente para acontecer.
Então eles procuram outro lugar para morar.
Uma carta.
Uma página.
Uma frase escrita no meio da madrugada.
Kafka e Milena encontraram esse lugar.
Não tiveram uma vida inteira lado a lado. Tiveram distância, espera, desejo e palavras. Muitas palavras. E talvez cada carta enviada fosse uma tentativa de diminuir alguns quilômetros entre dois corações que a realidade insistia em manter separados.
Há algo profundamente romântico e doloroso nisso.
Quando não podemos tocar alguém, começamos a tocar através das palavras.
Escrevemos “saudade” quando gostaríamos de dizer “fique”.
Escrevemos páginas quando desejaríamos apenas alguns minutos de presença.
E colocamos dentro de um envelope aquilo que os braços não conseguiram alcançar.
Talvez por isso certas cartas de amor sobrevivam tanto tempo.
Elas não guardam apenas aquilo que aconteceu.
Guardam aquilo que poderia ter acontecido.
Os encontros imaginados.
As manhãs que nunca chegaram.
Os abraços adiados.
A vida que permaneceu esperando do outro lado da possibilidade.
E existe saudade até daquilo que nunca vivemos.
Essa talvez seja uma das formas mais misteriosas da saudade: sentir falta de uma vida que nunca chegou a existir.
Kafka e Milena partiram.
As mãos que escreveram aquelas cartas desapareceram. Os olhos que esperavam por elas também.
Mas as palavras ficaram.
Continuaram atravessando anos, fronteiras e gerações até chegarem às mãos de pessoas que eles jamais conheceriam.
Talvez porque algumas palavras se recusem a morrer quando foram escritas com sentimento suficiente.
E penso que certos amores sejam assim.
Não encontram uma casa.
Não encontram o tempo certo.
Às vezes nem sequer encontram um final.
Encontram apenas uma página em branco.
E ali permanecem.
Porque quando a vida não oferece lugar para um amor morar, às vezes resta à palavra abrir a porta.


Crônica baseada no livro Cartas a Milena - Franz Kafka

Saudades dói demais, aperta o peito, embarga a voz quando a gente menos espera, ao falar de quem partiu para além do pôr do sol. A gente se consola dizendo que é apenas um até breve, mas quando a gente pensa no abraço que não pode dar, no alô que não vai ouvir, nos olhos que não brilham mais ao te ver, a serenidade dá lugar à ansiedade, e é aí que grita forte a saudade.

O tempo não nos falta; nós é que o desperdiçamos com aquilo que julgávamos eterno. Dedicamos horas ao que pouco importava e negamos minutos a quem talvez só precisasse de um gesto. Um dia, o silêncio nos ensina a diferença — mas, nessa altura, o tempo já não aceita devoluções.:::

Entre tantos planetas, talvez eu passe a vida na Terra, conhecendo os outros apenas por meio da ciência, dos cientistas e das descobertas da NASA.

Todos somos prisioneiros de ações ⁠irregulares e consequências passadas, E acreditamos que vivemos o contexto
"Ser feliz", Mas somos prisioneiros ao ponto de viver 70% da vida no trabalho; 15% com quem amamos; 15% aguardando com desgosto nossa morte. Vivemos para Viver, ou Sobrevivemos para Morrer?

Quem uma vez conheceu o amor não tolera o peso da solidão;
e quem longamente habitou a solidão já não alcança o sentido do amor.


O amor afasta o homem da solidão,
mas a solidão, quando profunda, obscurece o entendimento do amor.

Você será odiado por saber e perceber demais, mas não fique calmo
ou ache-se esperto.
Às vezes quem vai te odiar, é quem mais você ama.

Eu não quero mais chorar ou lamentar-me por ti
Tenho outro "amor" que me espera
Um amor simples e fácil,
doce e ao mesmo tempo amargo,
pois não tem o teu gosto.


Se o destino não houvesse de ser tão cruel
E o tempo perdoasse quem ama
O verdadeiro e mais puro amor serias tu

Ela cansou.
Cansou de acreditar
que as pessoas poderiam mudar.
Que um dia iam olhar pra ela
e ver o valor que ela sempre viu nelas.

Cansou de esperar respeito
que nunca chegava.
De esperar um "eu gosto de você"
que morria na garganta dos outros.

Cansou da humilhação.
Da ironia disfarçada de brincadeira.
Do tom de voz que diminui.
Da mão que aponta e do dedo que acusa.

Cansou de mendigar amor.
De mendigar atenção.
De se fazer pequena pra caber
no espaço apertado que davam pra ela.

Ela conviveu com gente
que só sabia agredir.
Que só sabia diminuir.
Que tratava com falta de respeito
como se fosse normal.

Mas um dia ela entendeu:
Amor não se implora.
Respeito não se pede duas vezes.
E quem gosta de verdade, cuida.

Então ela parou.
Parou de esperar.
Parou de provar.
Parou de sangrar pra ver se alguém notava.

E começou a se escolher.
Porque ela cansou dos outros.
Mas não cansou de si.

E agora ela caminha sozinha,
mas de cabeça erguida.
Porque quem aprende a se respeitar,nunca mais aceita menos.

Acredite que amanhã será melhor que hoje,se você pensar coisas boas, coisas lhe acontecerão.
Nossos pensamentos são imã e atraem todas as vibrações do universo.A felicidade é plena quando elevamos o nosso pensamento para bem.Portanto crie seu mundo imaginário de acordo com seus desejos e todo universo vai se unir a você.
Seja o melhor de você!
Seja o melhor pra você!

*O Uniforme da Virtude*


O jornal apareceu no meu jardim numa manhã em que eu não estava esperando por notícias.


Não era assinante. Nunca fui muito chegado a jornais, principalmente depois que descobri que as tragédias do mundo chegavam mais rápido pela internet e as mentiras continuavam chegando no mesmo ritmo.


Peguei o jornal pela ponta, como quem recolhe alguma coisa suspeita.


Levei para a varanda.


Sentei na cadeira velha e coloquei os pés sobre o parapeito. O gato estava deitado no degrau. Olhou para mim. Miou.


Parecia perguntar:


— Você vai realmente ler isso?


Não respondi.


Ele se espreguiçou, virou de costas e foi cuidar de assuntos mais importantes. Provavelmente dormir.


Abri o jornal.


Na primeira página havia um cidadão sorrindo.


Era um dos homens que ocupavam um dos cargos eletivos daquela nova cidade. O sorriso tinha aquela medida exata que os fotógrafos gostam. Nem alegria demais, nem preocupação demais. Apenas o suficiente para parecer humano.


Ao lado da fotografia, um título falava sobre dignidade humana.


Li.


O homem defendia respeito, inclusão, empatia, tolerância e todas aquelas palavras que hoje aparecem juntas com a mesma facilidade com que antigamente se escrevia “atenciosamente” no fim de uma carta.


Continuei lendo.


Não havia nada errado com o que ele dizia.


Esse era justamente o problema.


O sujeito tinha aprendido a dizer tudo certo.


Fiquei alguns minutos olhando para o papel.


Pensei que talvez eu estivesse ficando velho demais para certas coisas. Talvez o problema fosse comigo. Talvez fosse apenas implicância de um homem que já viu muita gente falar bonito antes de fazer alguma coisa feia.


Mas então lembrei que tratar alguém com respeito nunca foi o problema.


O problema começa quando a virtude vira uniforme e a consciência passa a usar crachá.


Parei de ler.


O gato voltou.


Sentou ao meu lado.


Olhou para o jornal.


Depois olhou para mim.


— É — eu disse. — Também achei estranho.


Voltei ao texto.


O homem falava sobre uma sociedade mais humana. Era uma boa ideia. Quase bonita.


Só que eu conhecia aquele tipo de discurso.


A cidade continuava cheia de gente que passava por moradores de rua sem enxergá-los. Velhos continuavam conversando sozinhos dentro de apartamentos silenciosos. Crianças aprendiam cedo que certas coisas eram vendidas antes mesmo de serem compreendidas.


E nós continuávamos medindo pessoas.


Pelo salário.


Pela aparência.


Pelos seguidores.


Pela utilidade.


Pela capacidade de nos servir.


Depois chamávamos aquilo de sociedade civilizada.


Talvez fosse por isso que a expressão “politicamente correto” tivesse adquirido tanta importância.


Não porque respeito fosse ruim.


Respeito é necessário.


O problema é quando a palavra passa a substituir o comportamento.


Trocaram a ética pela etiqueta.


É mais fácil.


Etiqueta exige apenas que você saiba onde colocar o garfo.


Ética exige que você saiba onde colocar a própria crueldade.


E isso dá trabalho.


Continuei lendo.


O político falava sobre empatia.


Eu pensei em quantas pessoas conhecia que publicavam frases sobre empatia e não conseguiam ouvir cinco minutos de alguém que discordasse delas.


Era uma coisa curiosa.


A crueldade havia aprendido gramática.


A hipocrisia descobrira o vocabulário da inclusão.


A mentira tinha feito faculdade.


E eu não estava completamente fora disso.


Foi aí que a leitura começou a ficar desagradável.


Porque é fácil apontar o dedo para o sujeito da fotografia.


Mais difícil é olhar para a própria mão.


Eu também já fui injusto.


Já tratei pessoas como inconvenientes porque estavam atrapalhando meu dia.


Já concordei com alguém em público e pensei o contrário em silêncio.


Já me calei diante de uma covardia porque falar custaria alguma coisa.


Já fui educado quando deveria ter sido honesto.


E talvez essa seja uma das formas mais discretas da hipocrisia.


Não mentir para os outros.


Mentir para si mesmo com boas maneiras.


Fechei o jornal.


Fiquei olhando para o jardim.


O gato tinha encontrado uma sombra e dormia dentro dela.


Ele não precisava escrever sobre dignidade.


Não precisava defender ninguém.


Não precisava publicar uma frase bonita.


Se alguém o incomodasse, ele simplesmente iria embora.


Talvez houvesse alguma sabedoria nisso.


A verdadeira decência nunca precisou de cartilha.


Ela aparece quando ninguém está olhando.


Quando você poderia humilhar alguém e decide não fazê-lo.


Quando poderia esmagar e prefere não usar a força.


Quando discorda sem precisar transformar o outro em inimigo.


Quando ninguém está fotografando.


Quando não existe plateia.


Quando não existe recompensa.


Talvez seja aí que começa o caráter.


Todo o resto pode ser teatro.


E o teatro sempre foi um esconderijo confortável para quem tem medo de ser visto sem maquiagem.


Voltei a abrir o jornal.


A fotografia continuava ali.


O sorriso também.


Pensei que talvez o homem da fotografia acreditasse sinceramente no que havia escrito.


Isso também me incomodou.


Porque seria mais fácil se ele fosse apenas um canalha.


Mas ninguém é apenas uma coisa.


Nem eu.


Nem ele.


Nem o sujeito que fala sobre moral enquanto pisa no outro.


Talvez o maior escândalo do nosso tempo não seja a existência de pessoas ruins.


Elas sempre existiram.


O problema é outro.


Aprendemos a vestir a roupa da virtude.


Aprendemos quais palavras provocam aplausos.


Aprendemos quais indignações rendem aprovação.


Aprendemos a parecer bons.


E, em algum momento, esquecemos de perguntar se ainda somos.


Olhei novamente para o gato.


Ele abriu um olho.


— Você tem alguma opinião sobre isso?


Ele fechou o olho.


Justo.


Talvez a humanidade pudesse aprender alguma coisa com os animais.


Eles não costumam fingir que são melhores do que são.


Nós fazemos o contrário.


Construímos discursos para esconder nossos dentes.


Chamamos isso de civilização.


Chamamos de progresso.


Chamamos de consciência.


Às vezes, talvez seja apenas medo de admitir que continuamos sendo animais assustados, egoístas e famintos por aprovação.


A diferença é que agora sabemos escrever sobre isso.


E escrever bem sobre humanidade não torna ninguém humano.


Fechei o jornal de vez.


Coloquei-o sobre a mesa.


O gato continuava dormindo.


Fiquei ali, olhando para ele e pensando que talvez eu tivesse passado a manhã inteira procurando hipocrisia nos outros para não precisar encontrá-la em mim.


Essa foi a parte que mais me incomodou.


Porque a consciência também sabe usar uniforme.


E, quando quer, sabe até sorrir para a fotografia.

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Estou com tanto ranço do Flávio Bozonaro que, quando me propõem rachar as despesas, não aceito! Afinal, não apoio Rachadinha!

O conhecimento é a síntese da unidade dos fatos; é na sua práxis que a verdade se revela.

O Céu Pode Esperar
──── ♡ ────
Quando a morte vier me buscar,
não acenderei nenhuma vela,
não rezarei por salvação,
nem implorarei por um lugar entre os santos.


Que os anjos chamem.
Que os portões do paraíso se abram.
Que o infinito me ofereça suas estrelas.


Eu ainda direi não.


Porque o que é o céu
quando seus olhos não estão lá?
Que valor existe na eternidade
se nela eu tiver que esquecer o som da sua voz?


Então, se a morte me levar,
eu atravessarei seus corredores escuros
com seu nome preso entre os dentes,
como uma última oração.


E se Deus me perguntar
por que abandonei o paraíso,
eu responderei:


“Porque ela ficou para trás.”


E voltarei.


Mesmo que seja tarde.
Mesmo que eu tenha que atravessar o inferno.
Mesmo que meus ossos se desfaçam
e minha alma seja condenada a vagar.


Eu voltarei.


Porque há amores
que não pertencem ao céu.


Há amores que nasceram no escuro,
cresceram entre feridas
e aprenderam a chamar a eternidade
de lar.


E se para ficar ao seu lado
eu tiver que morrer mil vezes,


então que a morte tenha paciência.


O céu pode esperar.

A verdadeira prosperidade não aceita moedas de humilhação; o banquete do orgulhoso é feito de pratos vazios.

Acredito que o amor seja uma luz, entristeço-me em vê-la muitas vezes fundida.

Não aceite conselhos de quem ainda não sabe curar feridas.