Chuva
DESAJUSTADO SOCIAL
Eu rabisquei seu nome dentro de um coração
Num beco sujo da cidade
Mas me assustei e ocultei essa paixão
Num segredo com sete chaves
E de bem longe eu te vejo e explodo de emoção
Furtando meu mundo perfeito, assim como ladrão
Eu fico louco de desejo ,estranha sensação
De ver você,em meio a sombras geométricas
E eu me atirei sem rumo (e sem direção)
Numa fria chuva de Abril
E eu bem sei,até certo ponto"cê" tinha razão
Eu não me ajusto a sociedade
Um zé ninguém que sem trabalho vive num porão
Aos trinta e cinco de idade
Mas me conheço e me respeito com a mesma proporção
Do amor que eu sinto em meu peito e escrevo essa canção
E fecho os olhos quando canto em meio a multidão
Vejo você...naquela noite ela não estava não .
E eu me atirei sem rumo (e sem direção)
Numa fria chuva de Abril
Não existe algo que me pertença, nada que se ostenta
Só um punhado de poemas e meu violão
Também não sou do tipo de homem que pensa
Que possa valer a pena, uma mulher que se compra...
Até sonhei com a gente de mão dada no centrão
Vem da minha vida fazer parte
Mas acordei com a saliva fria num balcão
Foi tudo um simples disparate
O advento da poesia traz transformação
Com três acordes e a essência ensaio o meu refrão
E as luzes do palco da vida afastam a escuridão
Vejo você, num dia claro e lindo de verão
E não mais andei sem rumo (e sem direção)
Numa fria chuva de Abril.
Já nem sei se volto atras, já nem sei se quero mais e o violão lá fora sozinho agora abandonou e vai caindo a chuva, na minha vida é temporal.
" Ultimamente venho sentindo muitas
saudades; saudade daquela conversa
matinal, saudade das noites chuvosas
e frientos, saudade do teu sorriso e da
tua presença, saudade da malicia da
sedução...saudade de ver você ao
meu lado!
Demétrio Mota.
ALGUM CANTO
ainda que longe
planalto de Todos Los Santos
hei de me anelar
na tua griz juba
ser sol, sal y chuva
tatear a tua beleza
piano em teu riso
tu-eu (o banzo)
eu-tu (encantos)
afetados
n'algum
canto
Se você está lendo essa frase, ainda dá tempo. Nunca diga: eu deveria ter tomado aquele banho de chuva e sentido a liberdade na pele. Deveria ter ligado para aquele amigo distante e reconectado nossos laços. Deveria ter dito 'eu te amo' mais vezes e mostrado o que realmente sinto. Deveria ter seguido meu coração mais frequentemente e vivido minhas verdadeiras paixões. Ainda dá tempo de a vida ser simples antes que seja tarde demais.
PARADOXO
O vento fresco emaranha seus cabelos,
Outrossim, arrefece minha alma.
Os pingos do céu atalham seu deleito,
Todavia, atenuam minha rotina.
A semana vagarosa aborrece-o,
Contudo, para mim, é fugaz.
A terra enfada-o, entretanto,
Renova-me. O simples desinteressa-o,
Ainda assim, enobrece minha vida.
Eu acabei de trocar uma ideia com o Pedrão,
Santo piedoso da crise hídrica,
Falei pra ele espirrar só lá para as bandas das secas represas.
Mesmo rezingando,
Um tanto ressabiado,
Ele até que concordou,
Mas sabe como o velho é teimoso e esquecido né?
São Pedro é f...
Nem jogando pedra para o alto adianta agora,
Ele se esconde entre as jovens nuvens carregadas de impaciência com ele,
"No oceano da vida, navegar sozinho pode ser prazeroso na mesma proporção que doloroso; A vista azul do infinito e esperança pode também se tornar cinza e turva igualmente; Devemos trabalhar, para que possamos enxergar além, tanto do azul quanto do cinza."
Sob a luz do sol, caminhamos,
nas mãos a esperança do amanhã.
Há dias em que o céu brilha claro,
os seus raios dançam na pele, no coração.
Mas às vezes, o céu escurece,
as nuvens pesam, ameaçam chuva.
Gotas caem, lavam as tristezas,
os medos dissolvem-se, escorrem pelo chão.
E outras vezes, as tempestades rugem,
ventos ferozes, relâmpagos que rasgam.
Os trovões iluminam o caminho
que, mesmo tortuoso, seguimos firmes.
Há dias em que a terra treme,
o chão abre-se, tudo se abala.
Nesses momentos, agarramo-nos,
buscamos forças nas raízes profundas.
Apesar de todas as tormentas,
de cada chuva, de cada tremor,
sabemos que o sol desponta
e renasce a esperança em cada flor.
Assim é o amor, a nossa jornada,
um ciclo de luz e de sombra.
Mas no fundo, em cada alvorada,
sabemos que o sol sempre volta.
À noite sigo as luzes da lua ou das estrelas; durante o dia os raios solares me mostram a direção correta; em tempos de chuva, é melhor se encantar com os pingos que varrem a ignorância humana.
...
Hoje, quando meus olhos choveram, deixei o sol brilhar dentro de mim. Olhei ao redor e as lágrimas secaram no meu sorriso.
Correm os rios, nasce o sol que aquece e ilumina...
Sopra o vento que atenua o calor do meio dia.
Hora cai a chuva, noutra hora ela cessa e faz germinar a semente.
A vida é um ciclo... É brisa que sopra,
é flor que desabrocha. É gente que chega, é gente que vai.
É paixão que surge, amores que vem, outro dia se vão...
Ei! Há dias de choros e sorrisos.
Contudo não percamos a fé.
Pois cada dia uma esperança se renova. Vivanos!
(Carlos Figueredo)
Por que te olho tanto?
Eu fico me perguntando isso, será que eu tenho medo de te esquecer?
Será que eu só quero que você olhe de volta?
Será que eu estou mapeando o seu rosto?
Será? Será?
Eu não sei.
Eu não sei porque te olho.
Mas eu sei, eu sei como eu te olho.
Eu te olho como o nordestino olha para céu bonito pra chover.
Eu te olho como o paulista olha pra um dia limpo.
Eu te olho como um artista olha o quadro dos seus sonhos, como um chef olha um pranto pronto, como se olha o por do sol, a chuva na janela, a neve a montanha, como se olha para um grande amor.
Eu sei eu sei, mas eu sou assim, melodramático, já tentei ser diferente, mas não consigo, e eu sei porque não consigo eu não consigo porque não quero.
A verdade é que me faz bem, te olhar, te amar.
Amar, tá aí outra coisa que não sei explicar.
Mas até hoje nunca ouvi falar de alguém que soube.
Más sei como te amo.
Te amo, como o paulista ama um dia de folga, como um nordestino ama a terra molhada, como um poeta ama a musa tão sonhada.
Te amo.
CHOVE LÁ FORA, MAS HÁ DE CESSAR...
Chove lá fora, vejo a vidraça chorar,
Como meu coração também se molha de aflição,
Chove lá fora, a chuva mansa, água incessante,
Como é também a tristeza que me vence...
Chove lá fora, meu coração é árido,
Como um campo rachado, angústia sem remédio,
Chove lá fora, se molham as flores,
Molham-se nesta água mágica e incolor...
Chove lá fora, a janela revela pessoas apressadas,
Como lhes vai à alma? Como a minha?
Talvez seca, talvez molhada,
Em busca da liberdade, das cores do arco-íris...
Chove lá fora, a chuva nem me deixa ao menos adormecer,
Nem mesmo me anestesiar dentro dessa melancolia,
Chove lá fora, eu sem sono, sem travesseiro,
Somente introspectivo, envenenado, tenso...
Chove lá fora, não consigo fazer um verso,
Cantar, fantasiar ao menos um amor singelo,
Chove lá fora, água persistente, contínua,
Faz-me apenas conversar comigo...
Cessa a chuva lá fora, vejo a esperança renascer,
Nascendo junto com o céu anil, para me reconduzir,
Cessa a chuva lá fora, vem também o vento, vem o sol,
Como amiga e companheira, reluzindo a dourada justiça,
Sedando-me, me fazendo dormir...
Lá fora chove muito, Vou para a rua e tento Chamar seu nome e não vejo ninguém, Só vejo a imagem de um trem. Vindo em minha direção, Entro em desespero, choro, Rezo para Deus me ajudar Nessa hora. O trem se aproxima Cada vez mais, e agora chegou O meu fim, por um momento Tudo ficou escuro. Fechei os olhos lentamente E o trem parou bem na Minha frente, foi sorte neste Dia minha gente. No dia seguinte a Chuva parou de repente E invadiu o meu peito Iminentemente. Meu coração já Estava ficando carente, Tanta gente nesse mundo E ele escolheu justo você que sempre foi Incoerente. Que tanto me humilhou, Que tanto me desprezou, minha Mão sangra de ódio e rancor, Eu sinto dor pelo seu amor. Sem coração, você não Merece ser feliz com Ninguém ,coitado do homem Que namorar com você. Tu vai deixar ele Na sarjeta como fez Comigo, mal ele sabe que está Dormindo com o inimigo.
Sua vida se acabou Ordinária, perdeu sua chance De ser feliz, agora segue o Rumo da razão.
Na espiral dos sentimentos, chorei à sua partida. Era um prenúncio do esperado. O vendaval desta espiral bagunçou tudo e, aos poucos, está colocando tudo em seu devido lugar. Esse vendaval levantou a poeira que um dia foi ao chão junto com as minhas lágrimas. A lágrima era perene e, junto a ela, um rio com águas puras se formara.
Na espiral dos sentimentos, chorei à sua vinda. Já era algo premeditado pelo destino. Desta vez, havia um redemoinho nesta espiral, ele acompanhava a pauta musical mais linda que já ouvi até agora. Neste redemoinho, pude ouvir a tua melodia. Ao som das teclas do piano, naveguei na sinfonia tão desejada por aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de navegar em águas puras, verdadeiras.
Na espiral dos sentimentos, chorei com sua estadia. Agora, nesta espiral, havia uma tempestade. Jorravam os orvalhos sóbrios em direção à imensidão de tudo aquilo que o vento irá percorrer um dia. Flutuei levemente como uma folha ao cair da árvore. Foi o meu melhor voo! Decolei sem medo em direção ao vento.
Na espiral dos sentimentos, chorei com o nosso encontro. Já sei que um dia o destino se encarregaria para que este momento acontecesse. Aqui, um vento leve faz morada nesta espiral. A doce e leve calmaria chegou. Um bálsamo. A lágrima desse encontro representou os tantos desencontros dos ventos vindos do sul. Estamos à deriva em busca da tão sonhada bússola.
Na espiral dos sentimentos, chorei, e continuo chorando. Desta vez, com nuvens formadas com as lágrimas que chorei um dia. Uma chuva intempestiva me invade, ela me faz renascer. Começo a dançar no vendaval. Poucos irão perceber o arco-íris que se formou durante esta tempestade. E, raramente, irão perceber como a espiral dos sentimentos chorou comigo. As sensações que permeiam estes momentos não é um mistério para quem já dançou na chuva um dia.
A certeza de que vai chover, leva-os a anunciar aos que estão por perto para que se proteja e não molhem, mesmo que a nuvem seja muito pequena.
Potentosa a lua cheia vigiando minha volta.
Um luzeiro na cor amarelada das lamparinas projetava contornos nas árvores e na beirada da pedreira.
Meu pensar naufragava nos desesperos passados.
A vacaria magra parindo um fim de seca amargo e difícil.
Atinei no capim de palmo brotado no sereno e falei pra dentro:
há de chover,
novembro já vem colorir de esperança essas bandas dos gerais.
Firmei meus olhos:
a D20 mastigava vagarosamente os poucos quilômetros faltantes. Já era quase em casa.
