Cheiro
Como a chuva levanta o cheiro da terra, assim é o homem que prega, testemunha e ensina a verdade e dela vem a manifestação da justiça, da paz e da vida.
Toda vez que eu te cheiro faz o meu corpo se agitar, toda vez que eu te cheiro eu estremeço sem parar, e foi assim te cheirando que fomos nos amar.
Cheiro
Ah! Esse meu olfato
ele é muito cruel comigo
Se o teu cheiro é diferente do meu
e é gostoso, alucino
sou amante enlouquecida
Quando cotidianamente
misturado ao meu
perco o fascínio
ganho um amigo
Se o teu cheiro
for misturado ao de outras
serás indesejável
terás cheiro de cachorro molhado
Para mim
estarás amaldiçoado.
Bibliosmia
O cheiro… ah, o cheiro de você.
Não é só cheiro. É o resto do mundo.
O cheiro da descoberta, o odor almiscado do que se ignora,
do que ainda falta.
É cheiro de livro novo.
Você é o odor do não dito.
Entre os dedos, suas páginas se abrem.
A palavra toma corpo, o verbo se faz carne.
Eu quero conjugar o que está entre as palavras,
capa, bordas. Ir até as margens da linguagem, onomatopeias.
Seu gênero é esse, eu sei: fantasia e suspense. Experiência sensorial.
Respira, você. E eu também respiro, exalo.
É o amor que se disfarça de saber,
ou saber que se dissolve em desejo?
A capa é corpo fechado. O que não se diz.
Aberta, toque. Você é o que não se lê.
Um aroma úmido,
um pequeno nada,
exala o singular cheiro de terra molhada.
Composto de chão de terra, britas e
fragmentos do cotidiano.
O perfume da chuva
tem aroma de óleo de sândalo,
restaura lembranças
ao passo que apaga os rabiscos do chão.
Perfuma o vento
no entardecer das cores,
limpa a lousa da calçada e da vida,
hidrata nossa esperança
e restaura nossos sonhos.
Jardim Gonçalense
“Quando sai do quintal de mim,
descobri um jardim de margaridas.
Lugar onde a brisa mansa toca às flores
das flores com a mesma suavidade que
toca meu peito.
Seu cheiro suave e suas pétalas alargadas
de bem-me-quer, me seduziram.
Foi lá que notei que as tais margaridas,
para serem assim, tinham varias flores dentro de si.
Nessa inflorescência percebi
que minha única flor
continha todo meu jardim.
Logos
Em grego PALAVRA também é resultado. Não só um escrito, é ação. Além de invadir os ouvidos a palavra é ingerida pela boca. Tem gosto, tem cheiro, tem inteiração. Lendo a versão original de escritos que falam acerca do criador, percebi que para o verbo se fazer carne, profetas precisam ser poetas.
"Quando vc passa eu sinto cheiro de chuva, porque é sempre inverno no
meu coração..."
☆Haredita Angel
18.01.2012
(Blog: as coisas que eu gosto)
"O Natal tem cheiro de amizade, fraternidade, solidariedade,
carinho, compreensão, união...
Essas coisinhas que ficaram
meio esquecidas, sabe?
Enfim, o Natal tem cheiro de Amor,
de FAMÍLIA REUNIDA ao sabor de muitos sorrisos e regado à menino Jesus!
-Feliz Natal a todos!
Haredita Angel
24.12. 17
Dentro e fora
Tua voz encanta;
Teu cheiro toma conta;
Tua boca, faz ferver;
Teu corpo, vira raiz do meu;
O teu adeus, aprisiona, enraivece e enlouquece o meu eu.
Humm, o cheiro de cereja no gosto dos teus lábios. Um cheiro de mel como a carne deve ter. O vermelho do morango, um cheiro no ponto da mordida. O cheiro da comida gostosa de ver.
Meu físico, cheiros, cores, calor, texturas de coisas, gostos e afins que se fixam na memória ou trazem-na por lembranças, alcançadas por processo físico também, alterando o estado do meu ser nestes prazeres dos sentidos. Sentimentos e emoções lidos ou escritos na memória e entendidos como o não físico, mas ainda que não tocados pelas minhas mãos, da criação à sua consumação, pura natureza física do meu ser, mesmo que apenas memórias, sentimentos e emoções.
Enquanto piso no duro chão, afundo nos pensamentos que degolam minha alma criando um mar de lágrimas, sem ondas, sem cheiro, sem uma lua pra iluminar.
Circunstâncias
Hoje descobri que não conheço seu cheiro, descobri que minhas mãos estão tão longe quanto o sol que distante, some no horizonte. Se eu tivesse longos cabelos, certamente estariam voando sobre o vento graças aquela forte rajada que arduamente bateria em meu rosto, enquanto, sentado em frente à porta, ouviria a canção do suspiro de minha alma que a cada nota cravavam meu corpo como flechas de sensações. Gelidamente, os pingos de chuva me congelariam e me solidificariam como concreto, transformando aquela singela paisagem monocromática em um campo de batalha, onde minhas armas seriam aquelas mãos machucadas juntamente com essa voz rouca. Acho que conquistar a lua é tão difícil quanto colecionar estrelas, que voar sem asas é tão irreal quanto sentir o calor do abraço do frio, que carregar uma montanha nos braços é tão impossível quanto contar todos os grãos de areia. Tudo é distante, tudo fica distante, talvez essa injusta felicidade que me ponho é à beira do meu desespero, instigando ainda mais esse temor do que está a minha frente. Como uma pedrinha sobre o deserto, lá estou... Como uma folha sobre o imperturbável rio, lá estou... Como a luz do poste que intensamente brilha na noite em que o trem rapidamente passa sobre seus trilhos, lá estou, trancado entre as grades dos meus pensamentos, incapaz de andar, simplesmente por não possuir esse direito.
