Cerrado

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e de repente o cerrado amanheceu
o sol está lá fora para o seu apogeu
a cidade acorda para mais um dia
os pássaros já estão em euforia
e a vida novamente num mais um
BOM DIA!

Luciano Spagnol
Cerrado goiano

⁠VELHA PAIXÃO

Enfim, depois de tanto ido no cerrado
Tantos arredores, e dores no coração
Eis que ressurge noutra a velha paixão
Nunca perdida, e ao desejo amparado

É bom sentir o teu perfume ao lado
Com o sussurrar brando e, sensação
Antiga. É bom estar tão apaixonado
E ter-te comigo nesta doce emoção

Se tive no caminhar aquele engano
Tive também o olhar de um querer
Sem disfarçar, burlar ou ser insano

Paixão: sentir que a vida não explica
Que só vai ter, tendo no vário viver
E quando tem, o amor se multiplica!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
17/06/2021, 08’20” – Araguari, MG

⁠A velha porteira no cerrado
De madeira e de saudade
Compondo verso calado
E da recordação, suavidade
Suspiros ao coração, alado...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

PINDORAMA

Brasil, país da natureza.
Amazônia, que beleza.
O cerrado, muito lindo.
Fauna e flora exibimos.

Poluição, não muito falada,
Queimadas, sempre ignoradas,
Desmatamento não precisa de solução.

Não falamos dos humanos,
Sociedade não é nossa identidade.
Problemas sociais não temos que saber,
Apenas fauna e flora devem aparecer.
E só a parte bonita, sem os problemas noticiar.

Afinal, a terra de Santa Cruz é o país perfeito,
Futebol e samba são o nosso leito.
Não é permitido demonstrar defeito.

Fome e pobreza não são nossa razão,
Racismo e machismo não têm opção,
Elitização e capitalismo não são problema nosso.

É melhor nem falar nada,
Afinal, o carnaval tá chegando,
Época de festa e dança
Quem se importa com nossa desimportância?

Retilíneo traçado
Capital Federal e do cerrado,
Primeira dama do país
Esperança planejada,
Cidade-Parque e Niemeyer
Capital Mundial das Águas
Um voo em asa sul e asa norte
Lua com estrelinhas adjacentes,
.
Não me espere nas esquinas...

⁠Brasília, cidade moderna e ousada,
Cortando o cerrado com suas avenidas,
Sob um céu vasto, de nuvens prateadas,
Que nos fazem sonhar com possibilidades infinitas.

É nessa terra de horizontes largos,
Onde o sol brilha forte e inclemente,
Que a saudade às vezes aperta o coração,
Lembrando-nos dos amores distantes e ausentes.

Mas o céu, esse grande espetáculo,
De cores e formas em constante mudança,
Nos convida a seguir adiante, sem medo,
E acreditar que ainda há muito para alcançar.

E assim, mesmo que a saudade doa,
Nós olhamos para o horizonte sem temor,
Sabendo que o cerrado, a cidade e o céu,
São apenas o começo de um mundo cheio de amor.

E que, com coragem e perseverança,
Podemos superar as dificuldades e encontrar,
Novas possibilidades, novos caminhos,
E um futuro brilhante, que está por vir.

AS CORES VIVAS DOS IPÊS

Poeta Brithowisckys

Na secura do causticante de cerrado tom,
o chão ressequido se veste de marrom,
gramas secas clamam por uma gota,
imploram ao céu a dádiva da chuva.
das chuvas esparsas de Inverno

Eis que surgem onde as vistas alcança
os Ipês, milagres em pétalas coloridas,
roxos, rosas, amarelos e brancos,
pincelando de cores as avenidas,
W3, L2, e o Eixão interno, de lazer em festa.

Brasília se transforma em tela viva,
pintadas pelas mãos invisível do Criador
mesmo na estação mais triste e cruel,
os pássaros choram em cantos fervorosos,
um hino de esperança contra a aridez.
e os Ipês respondem com aromas e flores.

Meu Deus, que espetáculo é este!
A beleza exuberante e efêmera resiste,
floresce no deserto de arranha-céus urbanos,
entre vias e eixos vastos da capital.
E nos lembra até na seca sazonal
há poesia na brisa, há vida, há cores,
há esperança que pulsa e floresce…

BRASÍLIA
A flor do cerrado
não tem praia nem mar
mas tem lindo lago
de lábios rosados
e olhos azuis
que se prendem ao céu.
Tem pedra bonita
tem luz de pepita
e lua de cristal
Brasília é infinita
constelação de poderes
estrelas soberbas
que sobem e que caem
do alto da torre
à rampa do congresso...
Brasília é rock roll
da Capital Inicial
das Plbes Rudes
e Renatos Russos
de camelos e Para-lamas
do voo da gaivota
da Asa Norte à Asa Sul
Brasília é uma flor
que ainda desabrochou
da praça sem poderes
ao autódromo esquecido
governo falido
servidor ausente...
Brasília de presente
de passado distante
da fé do bandeirante
do padre sonhador
Brasilia ainda é menina
de laços de fita
que o poeta cantor.
Eu amo Brasília
em suas grandezas
e em suas carências
quem dera que um dia
o vale perdido
o dito paraíso
sem medo e sem culpa
assumisse a sua sina
de ser jovem menina
na paz entre os homens
na justiça e no amor.

Evan do Carmo

Poder
Quem tem?
O verdadeiro poder
Vem do alinhamento Divino..!




Poetisa do cerrado

Às vezes o meu coração ❤️ pesa mais do que bate


SsolSevilha
Poetisa do cerrado


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O meu Cerrado!


Não tinha concreto,
não tinha aço,
era só caminho,
era só espaço.


Corria livre
pelo cerrado,
buscando o céu,
o sonho alado.


Não tinha o aço,
não tinha a grade,
só céu infinito,
só liberdade.


Tudo era lindo,
era encantado,
o mundo inteiro
me foi dado.


Corria feliz,
sem ter direção,
seguia a trilha
do coração.


Não tinha preço,
não precisava,
porque a vida
era de graça.

Entre a Poeira e a Beleza

A beleza crua e selvagem
do Cerrado,
que está por todo lado...

Suas cores brilham na luz do sol,
na luz da lua...

É um grito silencioso
por ser visto.

É esta beleza que ninguém vê,
talvez, apenas nos ipês...

O Cerrado pede socorro
de todas as formas e maneiras...

E isso não é pela sujeira.
Ela é apenas mais uma decoração.

Não precisa asfaltar cada centímetro,
colocar calçadas em cada árvore...

A pureza continua ali,
intacta, por baixo da poeira.

Como a neve que cobre as plantas nativas
e as protege do rigoroso inverno.

É assim o nosso Cerrado:
cobre-se de cinzas,
de poeira,
faz até autocombustão.

Renasce do nada,
mais vivo, mais poderoso
e muito mais doce.

Seja na leveza ou na doçura,
cada fruto, cada folha
esconde a sua assinatura...

É o nosso Cerrado brasileiro,
entre a poeira e a beleza...

Cheio de fauna,
flora, calor e emoção.

Mas só será visto
com a leveza
do próprio coração.

⁠Se eu não tivesse cerrado meus ouvidos aos que não se atreveram a ir além das arquibancadas, talvez não tivesse sido exitoso na arena.


Existe um tipo de crítica que nasce da experiência, da boa intenção e do desejo sincero de contribuir.


Essa merece ser ouvida!?!


Mas há outra, muito mais comum, que vem daqueles que nunca aceitaram o desafio de entrar em campo.


Pessoas que observam de longe, analisam sem riscos e julgam sem se importar com consequências.


É confortável opinar quando não se carrega o peso da decisão.


Quem está na arena conhece o preço de cada tentativa.


Sabe que a vitória não elimina o medo, apenas demonstra que ele não foi suficiente para impedir o passo seguinte.


Também sabe que o fracasso não é um certificado de incompetência, mas uma possibilidade inevitável para quem escolheu agir em vez de apenas bisbilhotar.


Muitas oportunidades são desperdiçadas porque damos às vozes da arquibancada a mesma autoridade de quem (com)partilha o combate.


Permitimos que o ceticismo alheio se transforme em limite pessoal.


Esquecemos que quem nunca enfrentou a batalha dificilmente compreenderá o valor das cicatrizes.


Silenciar certas opiniões não é arrogância; é discernimento.


Nem toda voz merece ocupar espaço na nossa consciência.


Há momentos em que proteger a própria convicção é uma necessidade, não um capricho.


O êxito muito raramente pertence a quem agradou a plateia.


Geralmente pertence a quem suportou as vaias, ignorou os palpites vazios e permaneceu concentrado no propósito.


Porque, no fim das contas, a arena recompensa a coragem de quem entra para lutar, não a eloquência de quem escolheu permanecer sentado na zona confortável das arquibancadas.

⁠Talvez, se eu não tivesse cerrado meus ouvidos para as Arquibancadas, a Arena tivesse me Sucumbido.


Há momentos em que sobreviver exige uma espécie de surdez voluntária.


Não porque toda voz externa seja inútil, mas porque, quando estamos no centro da arena, há sempre quem torça pela nossa queda, quem exija espetáculo, quem confunda coragem com imprudência e quem, protegido pela distância, tenha certeza de como deveríamos lutar.


Às vezes, as arquibancadas são muito barulhentas.


Julgam sem carregar o peso da espada, aconselham sem sentir o golpe e comemoram tanto a vitória quanto a derrota — desde que o espetáculo continue.


Aprendi, então, que nem toda voz merece chegar até nós.


Algumas palavras esclarecem; outras apenas confundem.


Algumas críticas nos aperfeiçoam; outras pretendem apenas nos diminuir.


E há aquelas que parecem preocupação, mas são somente a expectativa de assistir ao nosso fracasso de um lugar confortável.


Cerrar os ouvidos, nesse sentido, não foi covardia.


Foi preservar dentro de mim um espaço onde ainda fosse possível ouvir a própria consciência.


Porque a arena não destrói apenas quem perde.


Às vezes, ela sucumbe quem passa tempo demais tentando corresponder aos gritos das arquibancadas.


No fim, talvez maturidade seja justamente isso: saber quando escutar, saber quando responder e, sobretudo, saber quando permanecer em silêncio — não por falta de argumentos, mas porque algumas batalhas terminam no instante em que deixamos de lutar para convencer quem já decidiu o que quer enxergar.


E talvez eu só tenha conseguido atravessar a arena porque, em algum momento, compreendi que o que gira em torno da minha vida não precisava ser um espetáculo para ninguém.

Morre a cada dia um pedaço do Cerrado e de onde vão surgir,o sabiá laranjeira, o beija-flor cantador, a onça pintada, o veado mateiro e a urutu cruzeiro? Quem contará a história do Cerrado brasileiro?

Inserida por butterflysacred

Obituário

Lacrado.
Ali jaz o amor
E aqui jaz o frio.
Cerrado.
Aqui jaz a dor
E ali jaz o brio.

E com minhas lágrimas se vai assim...
Faleceu ontem mais uma parte de mim.

Inserida por bruromero

BENQUERER

Tal qual a chuva no cerrado caída
Molha a terra: sedenta, e no estio
Coração ressequido: seca é a vida
E o sonho sonhado é ato sombrio

Feliz a quem pode curar a ferida
Da alma. Sem querer amor vadio
Fecundado de luz, e ter acolhida
Na ventura de um correto luzidio

É preciso mais que o só querer
Pra colher o bom fruto maduro
Não é ser... é ir além da fé ter...

Crer: que nos da visão no escuro
Saber é quem semeia benquerer
Pois benquerer, que colhe futuro!

© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Outubro de 2018
Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

Para desconstruir: repita em círculos a mesma mentira...
(poeta do cerrado)

Inserida por LucianoSpagnol

“SPLEEN”

O céu do cerrado, hoje, amanheceu plúmbeo
Sobre o espírito meditabundo, só e chuvoso
E, ungido toda a reta do horizonte, nebuloso
O dia virou noite, e o meu fausto olhar, ateu

Neste temporal escuro tal calabouço lodoso
Onde a vontade quer encontrar o êxito seu
Espavorido, o acaso coloca asas de fariseu
Em um voo infeliz, tão enfado e impetuoso

A chuva a escorrer as traças da melancolia
Imita as aranhas tecendo sua espessa teia
No beiral do vazio, numa angústia sombria

O trovão dobra, de repente, e furibundo
E a alma encarcerada em lúgubre cadeia
Chora o verso, suspirando e gemebundo

© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Outubro, de 2018
Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

A ALVORADA DO DIA

Vê-se no cerrado; e vê, pela janela
A beleza diversa na vida vespertina
Casto, nasce o sol. A noite termina
Outro raiar, luzidio, e a magia trela;

Outro espanto, no apreciar revela
Encanto feroz que a alma morfina
Presenteia-lhe o dia, prova Divina
Mais que seduçāo, ato de ser bela!

Fios dourados... Ouro... composto
Enche-a de luz, para despertá-la
No surgir que aí vem... Só dá gosto

A surpresa, na admiração enleada
Altiva, e a cintilar, no atônito rosto
Os primeiros raios da rútila alvorada...

© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Final outubro de 2018
Cerrado goiano
Olavobilaquiando

Inserida por LucianoSpagnol