Cerrado
Amnésia
Sempre que chove no cerrado
O passado é lavado pela chuva
Se esquece do mato queimado
Se esquece da secura sanguessuga
Diz a Palavra: “Tudo passa,
só Deus permanece” Jamais trânsfuga.
Quaresmeira lilás
No cerrado goiano
O céu e o sol por trás
Inspira e ilumina o cotidiano
Florida copa da quaresmeira
Colore o encantamento
Envolvendo a alma de maneira
Poética, num rebento
De poesia brejeira.
Lilás quaresmeira!Deslumbramento
Até mais!
O tempo é indefinição
Eu vim parar no cerrado
Onde não tem inclinação
O por do sol é encarnado
E a secura racha o chão
Também, é encantado...
Eu vim buscar a benção
E encontrei o meu fado
No amor outra direção
Na vida o meu real cais
No coração só devoção
Na poesia tantos anais
Daqui, levo a gratidão
Até mais!
Cerrado...
Onde não tem inclinação
O por do sol é encarnado
E a secura racha o chão
Aqui, no planato encantado
O cerrado é um gole d'água na secura
Amargo, após saciado, vê-se o cerrado
Em sua candura árida, em sua ventura
Melancolicamente torto e cascalhado
Horizonte do por do sol que se agiganta
Um poema desigual, igual ser amado
Cerrado, gole na admiração que encanta
Cerrado do Goiás
O cerrado é um desalinhado que espanta
Deixa maravilhado quem passa por aqui
Pois nem ele sabe o tanto que encanta
A todos que vem e provam do seu pequi
Ah! Se eu pudesse lhe dizer de tua beleza tanta
Todos quereriam ser daqui...
Maleta de viagem
O poeta veio pro cerrado
foi visto na meseta
em minas foi saudado
nas mãos poemas e uma maleta
Se és do cerrado
Quanto mais amado
O cerrado é admirado
Se és sem moradia
E vive em romaria
O cerrado é ousadia
E aqui tem poesia!
E desde então, sou cerrado
Desde quanto cá vim
sou árido, ressecado
Por servidão, assim
cá estou, sou, até o fim...
Se buscar bem terás achado
Não os galhos (ressequidos) do cerrado
Não o chão (cascalhado) do cerrado
Mas a diversidade (inexplicável) do cerrado.
(Parodiando Carlos Drummond de Andrade)
O relógio marca
12 horas no cerrado
não sei de qual arca
só sei que estou calado
quantas mais vou precisar
pra esquecer,
e novamente ser amado?
Quem viverá vai ver!
15/05/2016, 12'00"
Cerrado goiano
Que o cerrado
torne na saudade legado
Uma doce lembrança
recordação de vizinhança
Nesta breve despedida
que escreve
mais está etapa vencida
que seja a poesia ao poeta leve
