Cartas de reflexão

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⁠Democracia, uma visão distorcida.

Afinal, o que é democracia? De forma simples podemos dizer que é o governo do povo pelo povo. Que é uma forma de governo em que os cidadãos participam diretamente na escolha de seus representantes através do sufrágio universal.
Se partirmos do princípio de que a democracia é definida como o governo do povo pelo povo, já posso garantir na inicial que: devido as diferenças naturais de cognição, intelecto e inteligência existentes em todo ser humano, o termo em si, “democracia”, já expressa uma impossibilidade absoluta em qualquer tempo.
É contraditório dizer que com tantas diferenças essas mesmas pessoas possam ser ao mesmo tempo causa e efeito, governadas e governantes, e usando o entendimento Aristotélico: ele não pode estar “em ato” e “em potência” ao mesmo tempo e na mesma relação.
Por muito adotamos os significados das palavras sem a sua exata definição no mundo real em prática e em lógica, por isso maximizamos ou defendemos termos que nunca existiram no mundo real. E em nossa sociedade a palavra democracia que muitos defendem é uma destas palavras cuja ação é de fato inexistente.
Se observarmos a construção de nossa “democracia” veremos que a relação governante e governado, exige a presença natural de dois termos: O primeiro é claro, não há governos sem governados. E nesta linha sempre haverá disputas além do poder e dos interesses e pretensões de quem irá assumir o governo, sendo nada incomum, inclusive neste modelo de democracia, ascender governos ilegítimos para este fim. E o outro termo perpassa pela necessidade, pela habilidade das pessoas que estão no controle intelectual a serviço de uma “elite dominante” ao fazer as pessoas acreditarem que estão governando a si mesmas.
O “sufrágio universal” é uma das armas utilizadas por esta democracia, digo até que é a hipnose da escravidão aceita, pois, as pessoas são tão inclinadas a acreditar nas escolhas que podem fazer, que se tornam incapazes de refletir o suficiente para ver que está sendo vítima de uma manipulação em um enorme “teatro das tesouras”.
Nesta democracia a lei deveria ser criada pela opinião da maioria, mas o que passa despercebido é que essa opinião é algo que pode ser manipulada com muita facilidade; é sempre possível, através de sugestões adequadas, despertar correntes que se movam nesta ou naquela direção. Salutar lembrar que quando da instalação da República no Brasil, somente 2%, isso mesmo, dois por cento da população brasileira tinha direito ao voto; que somente em 1932 que a mulher teve direito ao voto, e que a dominação das massas através de todo este teatro revestida com o nome de democracia se faz necessária e se completa, através do sufrágio universal, com a Constituição de 1988.
Essa observação é necessária para entendermos o porquê os políticos mais proeminentes parecem ter uma importância apenas relativa, pois para esta democracia é importante e necessário que se crie a ilusão de que os políticos pareçam ter vindo da maioria, pois ela os faz em sua semelhança, e assim sendo, seja lá qual for a opinião pedida, esta será sempre composta pelos incompetentes, cujo número é muito maior do que o dos homens que podem dar uma opinião baseada em pleno conhecimento.
Como dizia Nelson Rodrigues: “A maior desgraça da democracia é que ela traz à tona a força numérica dos idiotas, que são a maioria da humanidade.” Dito isso, fica latente que é um erro pensar que a maioria seja capaz de fazer uma lei, ou tem competência para governar a si mesmo e a sociedade em que habita. A opinião da maioria não passa de uma demonstração de incompetência, seja por falta de inteligência ou por pura e simples ignorância. Somos capazes de acreditar até mesmo em liberdade.
Dentro das aberrações ditas democráticas, a opinião da maioria deve se fazer parecer e prevalecer, inclusive no próprio reino intelectual, criando “critérios de verdades”, mas, que infelizmente não é nada senão o desejo e implantação das vontades de uma minoria que ao final o faz crer. E mesmo supondo que exista alguma questão na qual os homens estejam de acordo, sempre haverá pessoas que não tem opinião ou nunca pensaram sobre ela, mas, todos se escondem sob o manto do consentimento da maioria, e na verdade invisível de uma maioria limitada em espaço, tempo e pessoas.
Lembremos que impulsos emocionais prejudicam a reflexão, e fazer uso desta incompatibilidade é um dos truques mais desonestos praticados na política. Nem preciso dizer que o canto dos políticos se baseia nas necessidades existentes, mas, que raramente serão resolvidas a tempo e a hora.
Finalizo por ora dizendo que a democracia só pode nascer onde a pura intelectualidade não mais existe, razão pela qual somos dominados por uma elite, que nos faz acreditar que as nossas diferenças são nas urnas fatores de igualdade, ante a uma escolha feita por uma sociedade dominada e corrompida, usando para isso a crença do voto e da liberdade de escolha.
Pense e reflita enquanto pode.
Massako 🐢👽

Inserida por Massako

⁠ O bom é em si mesmo mau.

O mau, neste modelo de mundo, sempre vencerá. É utopia neste momento crer que o bem ou o bom sobrepujarão as coisas ruins no final.
Em nossa história o bem nunca venceu o mal, e a explicação é simples, o homem mau não respeita as regras, enquanto o bom, joga na esperança de que a regra por ele criada lhe traga justiça. Há neste caso um claro desequilíbrio.
Não se combate armas com flores, da mesma forma, não se combate o homem mau, com bondade. É necessário que as armas sejam equivalentes. Injustiça deve ser combatida com injustiça, e a maldade deve ser retribuída na mesma ou, em maior proporção. Somente assim, se alcança a paz. E a paz é conquistada pelo medo, pelo temor e não pelo amor.
Neste momento você deve estar achando que eu estou delirando, mas, colocarei algumas questões abaixo para vossa reflexão.
As pessoas ditas como boas, carregam um jargão que diz: “O que se faz nesta terra, será pago nesta terra”. Neste caso, está implícito uma espécie de praga ou maldição saída da boca das pessoas que se dizem “boas”, mas, vejamos: Coisas ruins também acontecem com pessoas boas. Ninguém, por qualquer qualidade, escapa dos infortúnios da vida. Pessoas boas ou más, adoecem, definham, morrem, sofrem acidentes, enfim...Não é exclusividade da qualidade.
Noutro ponto a história é recheada de feitos e fatos que muitas vezes não são a expressão da integridade moral e do bem que queremos que reine neste paraíso. Temos uma ideia manipulada e rasa, totalmente desfocada, somada a uma cegueira seletiva quanto aos fatos que acreditamos que sejam “bons”, pois, sendo bons estes justificam a nossa própria ignorância acerca do mau. Por exemplo, quando falamos da Segunda Guerra Mundial, em que a turma do Eixo (o mal), foi vencida pela turma da Aliança (o bem), não levamos em consideração as bombas atômicas lançadas, os massacres, estupros, assassinatos, sequestros, e outros crimes ocorridos em massa que foram cometidos pela turma do “bem”, em nome da libertação do “mal”, sendo que ao final foram julgados inclusive pela história, somente a galera do “mal”. O “bem” venceu o “mal”.
Neste caso, o da guerra, é impossível negar que houve um equilíbrio macabro, ou seja, a agressão foi combatida com agressão, mortes com mortes, massacres com massacres e, a história sempre contada pelos vencedores definiu de um lado a vítima e de outro lado um agressor, e a faixa da vítima será sempre dada aos vencedores, a fim de justificar as atrocidades praticadas por esses. Se é vítima, haverá sempre defensores da violência justificável. Isso é ser bom? Ou o bem é relativo?
Tragédias justificáveis não tornam as ações boas, e nem nos tornam melhores pessoas, pois dessas ações sempre resultará sofrimento. O ponto aqui é que acreditamos piamente que tais crueldades são justificáveis. Mais uma vez, o “bem” vence o “mal”.
Sem o mal é improvável ver ou vivenciar o bem. Só damos valor à saúde, quando ficamos doentes, só damos valor às pessoas quando as perdemos, só reconhecemos o valor de um alimento quando passamos fome.
Nossas ações positivas são letárgicas porque somos seres que adormeceram cobertos pelo manto do pacifismo mórbido, e neste caso, ineficiente ao combate do mal. Se algo de ruim acontece, tomarei uma providência que ao tempo e para a sociedade que me cerca, pareça a mais justa e moralmente aceita, o que é em muitos casos, ineficaz.
Afirmar que a essência do ser humano é boa, é navegar na hipocrisia do próprio ser.
A hipnose coletiva do bem encobre a nossa maldade, pois a maioria dos seres humanos tem como qualidades o altruísmo sem sacrifício, a fé sem credo, a humildade vaidosa, a caridade abastada, a coragem dos covardes e o heroísmo dos fracos. Estas situações ocorrem rotineiramente e são positivadas pela sociedade.
Em nome da fé, da moral, dos costumes, da liberdade, matam-se. Mas...está tudo certo, é pelo “bem”.
Assumirmos que o mau sempre vence, não é ruim, é na verdade um choque de realidade necessário para a construção de um mundo melhor e de uma sociedade mais justa e equilibrada. Aquelas pessoas cujas visões estão sempre nos benefícios celestiais dizendo que os humildes e os bons herdarão o reino celestial, não entenderam que é necessário para este fim, morrer.
Não quero dizer que tenhamos que ser maus em ações, ao contrário gostaria que entendesse que a tão sonhada paz entre os seres humanos, só se consegue pelo entendimento da força e do medo. E neste caso, assim como sempre ocorreu nesta humanidade, somente os fortes podem falar de paz.
O bem que conhecemos e aplicamos, em muitas vezes ele é mais danoso e maléfico aos seres humanos do que o próprio dano inicial sofrido por este, pois, a ineficiência da ajuda se contrasta com a necessidade que urge e, a esmagadora maioria das pessoas são tão boas e generosas quanto aos seus próprios esforços e interesses.
O símbolo cristão do Pelicano no ninho, alimentando sua prole com a própria carne, retrata o altruísmo que deveríamos ter, mas, que não possuímos. As ideias e os ideais de bondade sempre existirão, da mesma forma, a eterna lenda de que o bem vencerá o mal, sempre deverá ser contada para enganar a nossa essência covarde que sem forças para lutar, prefere se deleitar na ideia de um futuro que chegará trazendo luz, leite e mel, para aqueles que forem sem luta, sob o falso nome de humildes, subjugados. O amanhã a ser vivido é o hoje, pois o amanhã nunca chega.
Até as histórias em quadrinhos retratam estas ideias. Os vilões são sempre os mesmos, porque não foram mortos pelos heróis, e continuam fazendo maldades e matando pessoas, até serem presas novamente pelos heróis, para depois fugirem e continuarem com o pacote de maldades, e o ciclo não se finda. Não há evolução.
Embora acredite que o mal domine, vivo na utopia de que o bem ao final vencerá. Não verei isto acontecer pois já terei partido deste plano, da mesma forma acredito que ninguém verá isso acontecer brevemente. Mas... o bem vencerá! Afinal se conseguimos fazer do paraíso o nosso inferno. Quiçá possamos reverter.
Paz e bem.
Massako 🐢

Inserida por Massako

⁠Passado: por que ele afeta nossas escolhas?

Poderia dar resposta à própria pergunta com a seguinte observação: O passado afeta nossas escolhas porque somos o passado, vivendo no presente.
Mas vamos além. Somos a nossa própria construção, porém, não somos nós que nos moldamos, somos moldados! Imagine uma criança que acaba de vir ao mundo, seu primeiro molde será dado pelos pais, que projetarão suas expectativas e frustrações no rebento que acaba de nascer. Com o desenvolvimento desta criança, esta começará a receber informações prontas sobre os mais diversos aspectos de vida que o cerca. Estas informações lhe darão base para viver na sociedade que agora ela pertence.
Ora, se as informações lhe são postas, posso afirmar que quase nada é seu. E me desculpe, sua construção pode ser um projeto falho, pois o objetivo da construção é dar forma a algo, presumivelmente bom. E não se consegue dar esta forma, sem as ferramentas necessárias, dentre as quais, a capacidade de entender o que realmente está acontecendo à sua volta, sem a influência do famoso “gaslighting”.
O passado como citei só tem importância se pudermos aprender com ele. Devemos lembrar que o tempo é linear, ou seja, não se é possível retornar ao passado. Mesmo assim e não raras vezes, nós nos pegamos fazendo aquela famosa pergunta: E se eu pudesse voltar no tempo, mudar o passado? Não poderia, porque como eu disse o tempo é linear. No entanto, muitos ficam presos a esta pergunta, demonstrando insatisfação ou arrependimento, afinal, por que você mudaria algo que está bom?
Se teu presente está bom ou ruim, isso é consequência das escolhas feitas no pretérito que te levaram a este ponto, aliado a uma série de circunstâncias das quais você não tem e jamais terá controle. Lembre-se que você só controla neste mundo seus pensamentos, nada mais. Agora, se sua forma de pensar é moldada a partir de outrem, me desculpe, nem isso você controla mais.
As experiências que passamos na vida nos moldam, isto é uma afirmação simples, mas ela terá o molde e força que dermos para ela. Se nosso molde for bom, em qualquer situação conseguiremos extrair algo de positivo da situação vivida. E se for mal, do mesmo jeito tiraremos algo de ruim da mesma situação. É como a experiência do copo meio cheio ou meio vazio, dependerá da perspectiva, alguém positivo poderá falar que o copo está meio cheio, alguém negativo poderá falar que o copo está meio vazio, e o realista saberá que alguém terá que lavar o copo.
Pelo pouco dito, já podemos entender o porquê o passado afeta nossas escolhas. Nossas experiências, influências recebidas, aquilo que cultivamos e cultuamos, tudo isso faz parte de nosso ser e em razão deste conjunto acumulado, desta construção é que faremos nossas escolhas. Elas poderão mudar no futuro, sim, dependerá daquilo que começarmos a cultuar e cultivar agora.
É perfeitamente possível que alguém mude de opinião ou se liberte de uma visão encrustada, mas dependerá de uma autoavaliação, afinal, estas mudanças somente ocorrem em mares tempestuosos, pois também é característica nos estabilizarmos em nossa própria zona de conforto.
Sair de nossa visão atual nos amedronta, mas é necessário aprender a olhar para o passado e identificar se nossas ações foram acertadas ou não, repensar sobre isso dentro de uma visão mais clara e libertadora, sem culpa e sem julgo, entendendo que tua ação, ou o reflexo dela, por mais deletéria que seja, pode sim servir como alerta para que no futuro, tal situação não se repita.
O passado sempre ecoará em nossas ações presentes e futuras, impactando em nossas escolhas, se não conseguirmos fazer as pazes com ele.
Ao findar este texto, este já terá ficado no passado. Lições aprendidas ou não, jamais mudarão um fato, o tempo é linear e você caminha por ele, sempre em frente, então de nada adiantará arrastar os fardos do passado para o seu presente, pois isso apenas o cansará para a próxima etapa em sua vida, ao contrário, faça as pazes com teu passado, lave sua alma e aprenda o máximo que puder. Somente assim, suas decisões no presente e no futuro mudarão.
Gratidão.
Paz e bem.
Te amo, obrigado, me desculpe.
Massako.🐢📖

Inserida por Massako

⁠A pedra e o rio.

Em um lugar distante, afastado da civilização, havia uma montanha e no topo dela uma grande pedra. E esta pedra por estar integrada a natureza, era capaz de perceber, interagir e ouvir tudo ao seu redor. No começo a pedra a tudo questionava, de sua forma a sua imobilidade, tudo era motivo para questionamentos e muitas vezes, não obtinha uma resposta que lhe agradava. A montanha a qual ele ficava la em cima, lhe dizia que a natureza era assim e que tudo tinha um propósito, mas que a eles não lhe era revelado, e que a imobilidade a qual estavam submetidos, faziam parte de um plano maior.

Para a pedra isso não era o suficiente.

Porém, um belo dia antes do nascer do sol, percebeu que uma pequena formiga subiu nela e lá em cima, ficou.

A pedra perguntou a formiga:

- Ei! O que você está fazendo aí em cima?

- Estou aqui para apreciar um dos maiores espetáculos da vida.

- E qual é? Perguntou a rocha.

- O nascer do sol!

- E que beleza há nisso? Vejo-o todo os dias e não me encanto.

- Psiu! Retrucou a formiga, silêncio, será agora.

E a formiga ficou alí imóvel, olhando o nascer do sol, sentiu os primeiros raios de sol e agradeceu. Em silêncio fez uma pequena prece e um sentimento de júbilo lhe tocou. Ela ficou imóvel tal qual a pedra, e quando o sol, se tornou mais alto, ela agradeceu a pedra pela oportunidade de poder apreciar tal maravilha e desceu.

A pedra intrigada com o que havia acontecido, pediu a formiga explicações maiores sobre o que ela havia sentido e o que tinha alí acontecido.

A formiga pacientemente lhe respondeu: A vida tem muitos barulhos, e muitos barulhos são criados a partir de nossa própria perspectiva, credo ou pensamentos sobre algo. As coisas são simples, não é necessário estrondo ou barulho sobre qualquer assunto. Basta somente ver, ouvir e aceitar ou não aquela condição. Mas de qualquer forma o barulho que vem de fora, se em silêncio ficarmos, este retornará a quem o enviou. Saibamos apreciar o silêncio e aprender com a observação. E... pedra, você é de grande sorte, em sua imobilidade você melhor que qualquer coisa é capaz de ter um senso maior de observação, e tempo para reflexão. Meu tempo ante a ti é curto, eu passarei com pouca sabedoria, e espero que você adquira esta sabedoria e que o seu exemplo possa inspirar outros seres.

A pedra ao ouvir tudo que era dito pela formiga, entrou em profundo questionamento. Suas dúvidas naquele momento aumentaram, queria questionar mais a formiga, mas ela já ia embora. Ficou a pedra novamente sozinha com seus pensamentos.

Mas ela lembrou que a formiga lhe falara sobre o silêncio e a contemplação, sobre uma reflexão mais profunda sobre as coisas sem o julgo que carregamos.

E já era tarde quando a pedra pela primeira vez, de forma mais contemplativa observou o pôr do sol. Neste momento a pedra, entendeu a finitude da vida, com a escuridão que se aproximava. Durante a noite, refletiu sobre os mais diversos assuntos como: a escuridão, as estrelas, o universo que a cercava, a criação que tanto ouvira. E pela manhã ao nascer do sol, sentiu pela primeira vez o poder do sol, da claridade, da ampliação de sua visão pela luz do dia.

A pedra se transformara em outro ser. De questionadora implacável a um ser que procurava em si e ao seu redor todas as respostas sem barulho fazer. Aprendeu o poder do silêncio contemplativo e sua aceitação, entendeu que o barulho alheio era do outro e não seu, e que não carregaria para si, este ruído.

Em seu silêncio tornou-se sábia e começou a responder somente ao que sabiamente lhe era perguntado. Se as perguntas tivessem que ter um esclarecimento maior além da compreensão de quem perguntava, ela respondia; mas se as perguntas eram somente os gritos e os desejos do ser alheio, mergulhado em sua própria visão, a pedra ficava em silêncio, pois aprendera com o tempo que quem grita para si mesmo, não permite a si nenhuma palavra.

O tempo passou e em dia chuvoso, a pedra se deslocou da montanha, vindo a cair dentro de um rio com fortes correntes. O rio, por sua natureza, fazia muito barulho e ao sentir que a pedra caíra em seus domínios, questionou à mesma: O que fazes aqui? Quem te enviou? Por que me atrapalhas? Por que queres bloquear meu fluxo?

A pedra pacientemente pediu-lhe desculpas e disse que a natureza, através da chuva, a tinha feito cair no rio, e como não tinha condições de se mover, pediu que aceitasse tal condição.

O rio porém, não a aceitava e via na pedra somente algo a se questionar o por que? Por que me atrapalha? Por que me incomoda? Por que não responde? Por que não pergunta? Por que não faz nada? Por que o silêncio?

A pedra entendendo que os questionamentos eram somente os gritos internos do rio, nada respondia, ficando em silêncio. E isso incomodava ainda mais o rio, que começava muitas vezes, perguntar e dar respostas as suas próprias perguntas, chegando a conclusões muitas vezes equivocadas.

A pedra por sua vez, entendendo sua condição, apenas aceitou o seu destino, e ali, junto ao turbilhão de perguntas que o rio fazia, aprendeu a silenciar ainda mais a sua voz e a contemplar a beleza e a força que as águas traziam para a vida. Sentiu a extensão do rio, e a sua união com o mar, sentiu o quanto ela nutria a terra e saciava a sede dos seres vivos. Sentiu a sua grande importância.

Mas o rio, embora grande, ficava preso ainda a situação da pedra, aquela pedra pelo seu silêncio a incomodava. Gritava com a pedra todos os dias e nada de obter uma resposta.

Com o tempo, a pedra foi se desgastando pela força da água, foi ficando lisa, cada vez mais lisa, e diminuindo em seu tamanho, fragmentando aos poucos ela foi se findando, mas mesmo findando ela mantinha sua sabedoria, e quando seu último pedaço iria partir, ela finalmente levou sua voz para o rio: Tú és e sempre foi maior do que eu, eu estarei fazendo parte de ti agora e agradeço.

O rio sem muito entender e ainda gritando começou a lhe dizer: eu sempre soube que eu era melhor que você! Você é que esteve sempre errado! Você que foi um intruso em minha vida! Você! Você! Você! E naquele momento, a pedra sorriu e partiu.

Pense e reflita.

Obrigado, me desculpe, te aceito.

Massako 🐢



Inserida por Massako

⁠A intolerância dos tolerantes.

O mundo está repleto de saberes rasos, sem profundidade, sem referentes.
A cada dia surgem novas ideias e com elas novas expectativas. Se as perguntas e as respostas movem o mundo, então posso afirmar que é natural que a cada resposta criada, novas perguntas e dúvidas surgirão.
A grande questão é: Será que estamos preparados para sorver tanto conhecimento? Será que o saber, na velocidade existente, é benéfico ao ser humano?
Para que possamos entender o âmago das perguntas acima elencadas, temos que, a priori, ter a visão de que todos nós nascemos em tempos diferentes, favorecendo o choque de gerações. A geração que está partindo, não é capaz de acompanhar a que está vindo e da mesma forma, esta não acompanhará a futura.
Como exemplo, posso citar o desenvolvimento da comunicação nas últimas décadas. Hoje seria improvável a remessa de uma carta aos familiares, amigos e amantes pelo correio, a utilização de um telegrama para as mensagens mais urgentes e outras questões que estão naturalmente sendo substituídas pelas tecnologias agora existentes.
Porém a cada etapa do desenvolvimento tecnológico, um novo desafio surge. Em uma sociedade mista e temporal a capacidade de absorção das coisas existentes é lenta. Conhecimentos não se transformam em saberes, pois não há o tempo necessário de maturação e experimentação destas ideias, e o resultado disso é uma sociedade acelerada, e consequentemente doente. E o pior, doentes criando e cuidando de doentes.
A tecnologia é algo positivo? Sim! Ela é. Porém a sua utilização inadequada e o seu mau uso, trazem mais problemas que solução. A exemplo a peniafobia (medo de ficar pobre), já é algo que permeia os jovens desta geração, visto que é comum as redes sociais estarem abarrotadas de pessoas com estilos de vidas alegres, vibrantes e luxuosos. Pergunta: Se nas redes sociais, víssemos somente mazelas, pobrezas e pedidos de auxílio, você participaria? Acredito que não.
E aqui um novo problema surge, grupos se isolam, pessoas com a necessidade de aceitação se desdobram pelo like e pela visualização de seu conteúdo. Se o normal não basta, apela-se. E vale tudo, de vídeos expositivos a tragédias recém acontecidas. Em um território em que tudo vale, a única regra é a consciência de quem publica, e muitas vezes, este está doente.
Sou imune a isso? Não! Mas tenho a consciência de que somos a construção daquilo que absorvemos, se vejo e vivo maldades há uma possibilidade de replicar maldades. E toda essa informação impactará na formação do ser. Se fossemos tão bons, diferentes e evoluídos, por que não conseguimos fazer a sociedade evoluir acabando com as misérias que hoje assolam o nosso cotidiano? É simples, muito discurso lindo e poucas ações.
Devemos entender que o ser humano não é programável, embora seja um grande alienado das convicções alheias que lhe agradam, e dentro deste sentimento de agradabilidade, acaba buscando pessoas que se assemelham em pensamentos e atitudes, montando uma bolha e vivendo dentro dela. Cria-se o tipo em que este é tolerante com os seus, rejeitando as ideias alheias.
Estas pessoas são fortes e convictas dentro dos limites estabelecidos pela bolha em que vive, e esta se expande. E logicamente, quanto mais dinâmico, quanto mais pessoas aparecem defendendo seus pontos de vista, mais convicto este fica de que suas atitudes são e estão corretas. Falta o contraponto, tão odiado pelos defensores da bolha.
Em algum momento a utopia virtual enfrentará a realidade, sobreviverá aquele que tiver sanidade. E em um mundo que caminha para a necessidade constante de um diagnóstico, de um laudo psicológico ou psiquiátrico, penso que a utopia vencerá, pois para muitos é preferível matar a realidade e viver na ilusão.
Uma reflexão somente.
Massako 🐢

Inserida por Massako

⁠Ano 2525.

O ano é 2525, e o ser humano se tornou apenas um produto, nada mais. Um mero operador de um sistema pré-programado no qual ele apenas acompanhava, apático, as funções previamente agendadas e na sequência exigida.
O ser humano desta época se resume a um pedaço de carne, equilibrado em seu esqueleto mambembe, sem opiniões, livre arbítrio e sem capacidade de tomada de decisões. Ainda pensa, mas teme não ser seu o próprio pensamento.
Nesta época, governos tais quais se conheciam em 2025 deixaram de existir, mudaram seus status, já não há linhas ideológicas ou partidos políticos, a geopolítica mudou drasticamente. Se antes os governos ditavam as regras, agora as grandes corporações controlavam o mundo, e com ele, a vontade de toda uma população.
Mas tudo tem um começo e nada acontece ao acaso. Para que possamos entender o que aconteceu e o porquê desta “evolução” temos que voltar aos hábitos dos antigos que moldaram e deram forma a este mundo.
O presente é escrito com a caneta do futuro, e o grito do passado é apenas um fraco eco daquilo que deveria ter sido mais bem desenvolvido. E as grandes corporações entenderam isso, perfeitamente.
Dentro da tecnologia existente à época, começaram os experimentos sociais. Programas de TV que colocavam pessoas por um determinado período em uma casa, e eram monitoradas 24h, virou uma febre. Pessoas comuns discutiam ou assistiam com um olhar que beirava o voyerismo, as pessoas que ali estavam.
As corporações entenderam o cliente, e a partir daí, criaram redes sociais mais dinâmicas. Acessíveis a todos, todos ganharam voz e vídeo. Qualquer pessoa poderia se tornar uma personalidade meteórica, e a fórmula era simples, vídeos curtos, mensagens rápidas, até porque quase ninguém já assistiria ou leria algo que demandaria um tempo superior a cinco minutos.
E de cinco em cinco minutos, horas se passavam.
Paralelamente era necessário que o próprio governo alimentasse estas redes, afinal, nada como uma boa polarização para criar personagens a gosto de uma bolha qualquer. Criavam todos os dias pontos de dissenso, e quando a imaginação era terra arrasada, resgatavam algum assunto “polêmico” que nunca tiravam da cartilha.
Com o tempo as pessoas começaram a acreditar mais na mentira rasa do que na verdade dos fatos, afinal, buscar a verdade exigia comprometimento e tempo, e o povo com o cérebro entorpecido por piadas de IA, dancinhas ridículas, exposição do corpo de forma lasciva, preconceitos criados e modas ingeridas, não tinham interesse em saber algo que pudesse desagradar seus conceitos pré-implantados.
A inteligência artificial evoluiu, começou a andar, não lado a lado, mas dentro do ser humano. Os aplicativos de atividades físicas e de saúde, tão comuns naquela época, começaram a ser incorporados junto com identidades digitais que sob o manto do avanço e simplicidade de uso, na verdade serviam como um informante para o governo e para as grandes corporações.
Havia em 2025 o dinheiro de papel, coisa que foi substituída pela moeda digital, e tudo em nome do desenvolvimento e do bem-estar do ser humano. Várias profissões e instituições que existiam naquela época, simplesmente se extinguiram. Caixas de supermercado, frentistas de postos de combustíveis, postos de pedágio, advogados, escolas, bancos e tantos outros, foram devidamente substituídos pelas “modernidades” que agora eram implantadas de forma digital em sua identidade e no seu ser e pronto.
O ser humano se transformou em um ser totalmente digital e quanto maior a dependência digital para resolver dois mais dois, maior era a decadência do pensar.
Ganhar o pensamento é fácil, basta aquecer o coração que o pensamento amolece, e esses aquecimentos vinham através das manipulações, que de tão sutis faziam com que o ser humano creditasse como sua e seus tais ideias e pensamentos. Ledo engano.
Ocorreu então a Quarta Revolução Industrial que teve como principal mercadoria o controle das pessoas e dos seus pensamentos. Privacidade já não é algo que importava, pois, a partir do momento que toda nossa vida está exposta aos grandes conglomerados digitais e seus parceiros, nada é oculto, inclusive suas vontades.
Levados nesta esteira os relacionamentos se tornaram frágeis, líquidos, sem substância, o escambo sentimental era a regra, e em consequência disso, a população começou a procurar substituir o ser por coisas, por qualquer coisa. Plantas e pets foram os primeiros a ocupar este espaço, seguiu-se então por algo com menor probabilidade de danos e responsabilidades, veio os bonecos e depois os bonecos com IA.
Consequentemente, ficou mais difícil e complicado o relacionamento com outros seres humanos, afinal, seres humanos são controversos, e muitas vezes não atendem sequer a sua própria vontade, o que dirá da vontade alheia.
Mas a IA já havia previsto que a raça humana entraria neste torpor, e desenvolveu o ser humano livre. Criado em laboratório, sem pai e sem mãe, nutrido por uma máquina e tendo como tutor deste neófito o mundo digital. Cresceu sem amarras, livre, desprovido de conceitos e pré-conceitos, sua fé e seu credo são binários, 0 e 1, e apesar de ter a oportunidade de desenvolver seu intelecto de forma surpreendente, compreende de forma inequívoca como apertar um botão.
Bem-vindo ao futuro que começou a ser construído lá pelos idos de 2025.
Massako 🐢👽🤖

Inserida por Massako

⁠Só quero um pouco de paz. Só quero menos ruído e mais melodia. Só quero menos agrura e mais doçura.
Só quero...
É...sonhar não faz mal, pena que se tenha de esconder dada a incompreensão e o receio do que a força do pensamento, da vontade, da persistência, das ideias, da criatividade, da diferença, incomode tanto.

Teremos de voltar a memorizar livros para que a cultura se transmita de geração em geração, para que a história não se esqueça, para que se mantenha alguma da nossa identidade e dignidade, para nos sintamos gente viva e capaz de pensar com alguma liberdade...é que os livros foram queimados,... De uma forma simples e clara, para que não nos convençam de que uma maça é uma laranja, e por aí fora.

A liberdade não é garantida, nada é garantido, a luta tem de ser constante e contínua, a atenção te de ser aguçada, os olhos tem de se manter bem abertos e com um olhar atento, os ouvidos precisam escutar e não só ouvir, o silêncio a reflexão e nunca a indiferença.

Obrigada aos que não temem a verdade e que a fazem valer apesar dos custos que acarreta!

Inserida por celia_carracha

Redenção nas Palavras

Me perdoa, o meu eu de ontem já está morto,
Pelos erros cometidos, carrego um fardo,
Hoje, humildemente, estendo a mão,
Na poesia, encontro redenção.

No rio do tempo, o eu se molda a cada dia,
Ontem se desfez, como a luz que se esvai,
Hoje é a tela em branco, onde a vida se cria,
E no amanhã incerto, o amadurecer que aí vem sai.

As lágrimas de ontem, como chuva que cai,
Lavaram as feridas, para o eu se renovar,
As escolhas do agora, são a voz que nos guia,
No eterno ciclo de aprender, amar e recomeçar.

Assim, perdoamos o eu que já não persiste,
Abrimos as portas para o que há de vir,
Na dança do tempo, cada passo é um artista,
E o eu que se forma, é um poema a existir.

Inserida por WillCezar

⁠Nem toda curva da vida tem placa de aviso,
Nem tudo que se perde de fato é um prejuízo.
Há dor que desperta, há fim que liberta,
E sonho que nasce quando a alma está aberta.
Caminho incerto, mas cheio de lição,
Tropeço que forma o rumo da missão.
A ausência ensina o valor do abrigo,
E o tempo revela quem anda contigo.
Não temas o escuro, nem temas a queda,
Às vezes é no breu que a luz mais se enreda.
A vida é estrada sem mapa preciso —
mas todo desvio pode ser um aviso.

Inserida por malukpark22_1103133

Nethediaz: Quando o amor acaba. Quando a paixão...

Quando o amor acaba.
Quando a paixão acaba..
O fácil é..
Acomodar-se com a situação e fingir que tudo está bem.
O difícil é ..
Admitir e tomar atitudes.
E...
Partir para a resolução que se considera um comodismo.
Pelas vias de fato o homem na maioria das vezes não parte para uma decisão porque a situação torna-se cômoda para ele.
E, pelo fato, dele.. o 'homem' que, perante a sociedade, ser o macho e provedor, ter os seus direitos.
Ele tem nas mãos o poder para quase tudo.
Para a mulher a situação é bem mais difícil, ainda mais quando existem filhos no relacionamento e que depende desse homem.
E, o mais importante disso tudo é quando nesse relacionamento, vai-se o marido e amante para dar lugar ao amigo que fica.
Amigo, quase irmão e eterno.
Talvez soe estranho, anormal e incompreensível para o mundo, mas você tem a certeza que pode contar em todas as horas que você precisa e sem objeção, com esse amigo.
Se perde de um lado, mas por outro, ganha-se um amigo.
Um amigo de um amor grande e fraterno, inigualável como poucos.
E, só Deus pode compreender.
Uma compreensão que fica muito além da imaginação do ser humano..e onde muitos perguntam..
Como pode isso?
A resposta com certeza vem do alto.
É amor fraterno, divino..raro..
E o que é raro foge da compreensão do homem.
E, isso é raro.

Inserida por IvoneteDtagma

RESQUÍCIOS

Em determinado dia, notou e compreendeu que tudo o que tinha vivido até ali, no segundo instante que sua consciência gritava o que ele levou tempos buscando, parecia algo que desfecharia todo cenário anterior e calaria seus rumores pretextos para o futuro, no entanto, como já também sabia era que esse desfecho não estaria concluso até que sua segurança em dizer e afirmar algo que não tangia fosse verdadeira, de dentro pra fora e não o contrário, isso sim seria uma certeza. Acredito que ele queira se tornar limpo, verdadeiro consigo mesmo, em outras palavras, ele almejava ser o menos hipócrita possível, mesmo sabendo que por mais que neguem e digam que não, as pessoas sempre haverão de ser hipócritas, umas mais e outras menos, mas todas elas com manobras discursivas muitas vezes convincentes e originais, no entanto, a maioria quer esbanjar vaidade ao invés de humildade, soberba e "afins", o importante é convencer e não contribuir ou ensinar.
Sua conclusão até ali foi tão rápida e suntuosa que decidiu expor seus pensamentos, jogar pra fora, libertar o que ele achava valido e esperar uma retorica digna de reflexão, algo que tivesse um sentido contido, que agregasse mais e mais evidencias as suas insanidades. Na maioria das vezes essas idéias tinham valia para ele, acreditava que elas o levariam há auto realização, não carregava duvida quanto a isso, apenas queria compartilhar o que pensava para poder aguardar o remate de suas eventuais certezas, em contra partida, aguçava os seus sentidos ao imaginar um mundo de verdades absolutas, um mundo onde pessoas poderiam se entender apenas através do dialogo e palavras lançadas, se defender sem ter de utilizar arrogância ou qualquer que fosse o contra ataque depreciativo, essa vontade era maior que o próprio dono dela, afinal, quando se utiliza do bom senso para dizer o que pensa, esse pensamento não se pode causar estragos a alguém que os aguarda também com bom senso.
A medida que escrevia conseguia discernir suas metáforas antológicas que só tinha valia ali, de frente para ele, na sua tela de led de 20". Quanto mais prosseguia imaginava como seria o desfeche daquele que poderia ser uma de suas "obras primas" ou simplesmente mais uma de suas inofensivas horas perdidas delirando e explanando a sós consigo mesmo. Uma ironia, satisfazer a si próprio esperando um retorno melhor ou no mínimo compatível com seus argumentos, sendo que já estava terminado e aprovado pelo mesmo, no final, ele seria a maior autoridade nos seus pensamentos e uma opinião divergente talvez não o convenceria naquele momento.
No fim, lançou suas anotações e aguardou paciente uma retórica ao menos curiosa de algum interessado.

Inserida por danilohenrique

⁠Estamos no meio

Não se pode começar sem dizer algo que faça sentido assim como não se pode acabar sem que o sentido retorne ao inicio de uma reflexão.Vemos que toda história, conto, fato ou uma simples frase não tem inicio nem fim, todas as crônicas, bibliografias e tudo o que está por vir são meios de uma narrativa sem começo mas que aguarda um final que talvez nunca chegue... "A nossa historia não é um filme que assistimos na semana passada...", antes de te conhecer eu mesmo já tinha ido a escola e você já havia beijado seu primeiro amor. Na roda da existência não se pode prever inícios e quem nos dera saber o final, estamos apenas compondo algo que vem sendo juntado, usado e jogado. Mesmo que tenha inicio para você, pode ser o fim na vida de outra pessoa; o divisor de águas para um qualquer e por que não acreditar que o combustível para qualquer um.

Inserida por danilohenrique

Seus planos,
Nem sempre você os lidera.
Pois um dia, se encontrará atônito.
Sem que o tempo trace longos caminhos
De uma forma tão breve, quanto o agora.
O amor lhe preenche, e transborda.
Entrando em uma coleção de sintonias
Suas mãos esfriam,
Seu estomago embaralha,
Sua pele arrepia,
Sua pupila dilata,
Seu coração, paralisa
E subitamente ressuscita.
Perguntes a ti...
Já vivera este estágio?

Inserida por ShandyCrispim

Quem sou eu
Pra descobrir os pesos
Que essa bela alma um dia ja carregou
Em tuas fartas primaveras
Mas com toda certeza
Eu prezaria em ser aquele
Que escutaria todas suas historias
Todas aquelas que te deixa
Com o sorriso armado
Que te deixa com olhos semi abertos
Que te deixa com olhar ofuscante
Daquele que emite tudo
Tudo que há de lindo em você.

Inserida por ShandyCrispim

⁠Quinta-feira de Vênus

Ela acorda assustada com o despertador, por um instate acreditou que era segunda-feira e precisava ir para o trabalho. — desativou o alarme e percebeu que ainda era só o feriado de quinta-feira. Sorriu por ter esquecido de desativar o alarme na noite passada. — Bom, já que eu acordei, então vamos né?! — Disse ela sem o menor tom de queixa por acordar cedo em pleno feriado.

O dia começara breve, mas ela não tinha pressa, já teve urgência em sua vida e percebeu que avidez, nunca te satisfez. – Aprendeu a ter calma, a sentir cada passo, dos físicos aos metafóficos. Já teve sonhos engavetados, sonhos em rascunhos, sonhos falidos e sonhos realizados. Mas a vida não assustara, não tinha medo da única coisa que a vida tem a oferecer — viver — e assim seguia seus dias. Aprendera que sua paz era mais importante do que manter um status. Na escola da vida, era uma boa aluna, levava como podia, ajudava como podia, sofria só pelo que deveria, não prolongava o que não deveria — mas o mais importante, sorria, sempre que podia.

Mulher decidida, de carater marcante. Se fosse poema, seria como a Divina Comédia escrita do Dante Alighieri - se fosse MPB, Relicário da Cássia Eller - se fosse filme, não seria uma obra concluída - ela é muito para caber em tão pouco. — Moça sorridente, com que fosse sorridente — tinha passos leves pelo feriado da sua quinta-feira. Colocava música para ouvir, andava pela casa, em sua distração entre canções e tarefas diárias, cantava e esquecia que o tempo passava — esquecia a vida lá fora — lembrava apenas dela, rodopiava entre cômodos enquanto dançava. Cantava melhor a cada taça de vinho que tomava.

A tristeza se perdia
em suas ravinas,
fazia da vida teu teatro,
aprendeu a nunca
se arrepender
de nenhum ato.

Se tivesse nascido em outra época, faria parte do Panteão de Roma — talvez a chamariam de Vênus — já era quinta-feira a noite, o dia passara, mas não sua vontade de viver ele, a noite também era sua, não temia pelo desconhecido, continuava deliciando seu vinho para afogar sutilmente algumas saudades misturada com vontades — sabia das suas prioridades, mas naquela noite so precisava de uma pausa, não queria raciocinar, não queria se policiar, seu juizo já havia dormido — no fim daquela noite, na sua banheira ela queria relaxar, no final daquela noite, ela só queria se amar.

Inserida por ShandyCrispim

⁠Eu, reflexiva!

Como você analisa as pessoas?
Pelos seus bens materiais? Pelo seu caráter? Pelos dois?

Há algum momento em que você "acredita" que é melhor do que os outros? Sério? Isso não é bom, exige reflexão.

Verdade! Às vezes somos escravos da nossa arrogância e "vomitamos" grosseria por onde passamos. Pra quê, né? Desnecessário.

Certa vez li o trecho de um livro que queria passar essa mensagem: Quando você cruzar com alguém que "acredita" que é melhor do que você, imagine essa pessoa sentada no vaso sanitário. Obs: Não lembro do texto na íntegra, mas a mensagem era essa.

Viram só? A imagem seria algo até constrangedor, né? Pois é, achei bem interessante e prático.

Queridos, precisamos urgentemente semear empatia pelo mundo.

EMPATIA, gosto muito dessa palavra!!!

Beijos.

Inserida por TATISISA

⁠(...) Em dezembro de 1983, nascia uma afável de uma deleitável criança, cuja vida não lhe foi tão propícia aos anseios inocentes de sua inflorescência infância.

Pertencente a uma origem humilde, ele recebeu uma educação doméstica e acadêmica sigilosamente rudimentar, porém, eficaz.

O seu caráter cortês foi moldado precocemente por ironia do destino, deixando-o parcialmente inibido ao seu mundo interior propriamente dito, ou seja, o seu “eu”.

O tempo passou, e naturalmente o menino de olhos claros, a cor da natureza, de cabelos castanhos e de uma estrutura emocionalmente épica, tornou-se num dócil homem sensivelmente inclinado a uma dimensão gerada nos corações poéticos, de seres meramente apaixonados pela arte de escrever.

Apresentando ser um mancebo convencido (o que não era) por ter um semblante austero, era um jovem bem-humorado e eufórico na área da comunicação.

As suas decepções amorosas deixaram o centro das suas faculdades glacialmente petrificadas, no entanto, maduras, sem esquecer que o universo, por um todo, conspirou propositalmente a favor de uma coesão ilibada de sua simplória dignidade masculina.

Mesmo tendo como experiência, diversas desilusões sentimentais, esse probo sonhador, nunca deixou de acreditar na força cândida do casto amor, concebendo assim, uma personalidade definitivamente singular e assaz para uma patente óptica horizontal da sua vital existência.

Aos 19 anos, tornou visível a imagem latente duma película revelação artística no seu desvanecido âmago, da qual se espargiu pelas fronteiras exteriores do universo clássico da literatura coeva.

Anos mais tarde, um ser magnificamente metafísico, chamado transcendentalmente de EL (Deus), une grandiosamente a sua alma ao core de uma linda mulher, que se tornou para ele num límpido baluarte moral e afetivo, pela qual discorre o início de uma triunfante história que não terá um ponto final escrito por mim, mas futuramente pelos seus áureos filhos, que serão eternas e importantes estrelas de uma era não muito distante ou por nobres companheiros, que o auxiliaram com bálsamo no período bélico da sua rústica jornada.

Enfim, esse fidalgo ser não foi nenhuma celebridade, nenhum fenômeno heroico e muito menos um mito greco-romano, ele foi simplesmente ele, Diogo Oliveira, mais conhecido e respeitado carinhosamente pelos seus veros amigos de: macjhogo,
"o escritor".

Inserida por macjhogo

"Não desperte inveja no sucesso dos outros, nem alimente sentimento de desânimo, frustração ou incapacidade por ver seus amigos progredindo, e você parcialmente paralisado por alguma dificuldade involuntária, se sentindo preso em incertezas numa situação de estagnação.
Não entre em competição com o próprio tempo. Cada pessoa tem seu modelo e ritmo de sucesso, você não tem que sabotar o seu, só precisa respeitar o seu processo."

Inserida por macjhogo

⁠"Estava aqui pensando com os meus botões... Para ser mais exato, estava refletindo como expressaria sobre o que aconteceu comigo
no coliseu da vida... Sob o efeito colateral do
espaço-tempo, que
subjetivamente, finalizou ao nocautear-me com um choque paralelo de realidade, ao êxtase da minha imaginação."

Inserida por macjhogo

⁠"A anáfora de minha alucinação periférica, adormecida pela tese de um neurótico insight, desencadeia um zênite embate dialético... Filtrado como causa de uma antítese ortodoxa dos meus primitivos pensamentos, gerando uma síntese
retórica de ciclos decrépitos, num sentido antagônico ao niilismo existencial
de moléculas, aleatoriamente traçadas numa deriva calopsia do universo.
Sobretudo, resiliente ao paradoxo de uma dispneia psicogênica de uma prospecção assertiva. Catalisando, no que lhe concerne, o protagonismo complexo de uma alexitimia ipseidade."

Inserida por macjhogo