Cansei de ser Alguma coisa que não sou
Enquanto o resultado não chega, a mente cria cenários.
"E se for alguma coisa?"
"E se der errado?"
"E se eu não conseguir?"
A mente odeia espaços vazios. Quando não possui informação, muitas vezes tenta preenchê-los com possibilidades.
Sem ter por onde começar, eu comecei assim mesmo. Sem conhecer o caminho, apenas caminhei em alguma direção. Nunca parei para pensar em quantas pessoas eu faria sofrer durante esse percurso, nem em quanto mal eu seria capaz de causar sem jamais ter a intenção de fazê-lo.
Antes eu podia sentir. Hoje, nem esse direito me permito mais. Não posso me sentir triste, cansado, sozinho ou desamparado, porque a dor que carrego acaba se tornando muito mais intensa na mulher que amo.
E, apesar disso, sou inundado por todos esses sentimentos.
Não encontro forças para lutar por coisa alguma. Tudo o que eu queria era deitar ao lado dela, sentir sua mão deslizando pela minha cabeça e o perfume dela preenchendo o ar ao meu redor. Queria sentir seus cabelos tocando meu rosto e acreditar que fui perdoado por todas as vezes em que a magoei. Queria apenas ter a certeza de que ela ficaria bem, para que eu, enfim, pudesse voltar a sentir alguma coisa.
Mas eu não posso.
A vida tem uma estranha maneira de arrancar tudo que poderia me fazer bem. E, pouco a pouco, ela vem levando tudo de mim.
É inevitável em que alguma fase a gente nunca tenha comparado nossa vida com a de outras pessoas e isso te fez se sentir atrasado e sem sorte, por outro lado em alguma fase outras pessoas já compararam a vida delas com a sua e de alguma forma queriam estar em seu lugar, assim é a vida, sempre haverá algo em nós em que as pessoas irão querer ter ou ser, portanto seja grato pelas coisas que tem, seja material, seja uma qualidade, um talento, um diferencial, é seu, todo mundo tem algum tipo de riqueza.
A vida é feita de escolhas. Quando você da um passo para frente, certamente alguma coisa fica para trás. A vida pode até te derrubar, mas o controle sempre esteve em suas mãos. E é você somente você que escolhe a hora de se levantar!
Quando dizem que fulano não merece minha amizade, eu concordo! Ninguém merece! Mas de alguma forma temos que ser punidos!
Entre ganhar ou perder,
Minha escolha é estar ao seu lado,
Em alguma eternidade,
Onde possamos amar
Sem medo de que isso, um dia, acabe.
Tem gente que olha para mim hoje, tomando café, rindo de alguma bobagem da vida, e pensa que eu sempre fui assim, meio serena, meio resolvida, como se tivesse nascido pronta. Eu quase rio sozinha porque, se a vida fosse um livro, o pessoal só está vendo a última página, aquela em que a protagonista aparece com o cabelo arrumado e a alma aparentemente organizada. O que ninguém imagina é o capítulo inteiro de infância e adolescência que parecia mais um teste de resistência do que uma vida de verdade.
Eu cresci com meus irmãos dentro de um ambiente que não era casa, era uma espécie de clima pesado que andava pelos cômodos como se tivesse endereço fixo. A gente era criança tentando entender o mundo enquanto lidava com dois adultos completamente desequilibrados emocionalmente. Um pai violento que tinha uma habilidade curiosa de transformar qualquer coisa em culpa nossa. Se chovia, era culpa nossa. Se o dia estava silencioso demais, também. Existia sempre uma justificativa pronta para gritos, ameaças e aquelas situações que fazem a infância envelhecer antes da hora.
Do outro lado estava uma mãe que, em algum ponto da história, deixou de ser só alguém com medo e acabou virando parte do problema. Isso é uma coisa que a gente demora anos para compreender, porque criança sempre tenta salvar a imagem dos pais dentro da própria cabeça. Só que chega um momento em que a realidade se senta na mesa e diz com toda calma do mundo que o silêncio também machuca. Ela teve chances de sair, teve ajuda, teve portas abertas. Mas o medo e uma certa doutrina rígida que dizia para suportar tudo acabaram fazendo com que ela se juntasse a ele de um jeito que doía ainda mais. A gente deixou de ser filho e virou inimigo dentro da própria casa.
É estranho contar isso hoje porque, quando as pessoas nos veem, veem adultos que trabalham, conversam, seguem a vida. Não existe marca visível na testa dizendo sobrevivente de um caos familiar. Mas nós sabemos. Entre nós, irmãos, existe um tipo de olhar que dispensa explicação. A gente sabe exatamente de onde o outro saiu. Crescemos quase como quem atravessa um campo minado emocional, aprendendo a sobreviver antes de aprender coisas simples da vida.
Houve momentos em que parecia que aquilo ia nos transformar em estatística, em mais um daqueles casos que as pessoas comentam na televisão com cara de surpresa e depois esquecem no intervalo comercial. A pressão psicológica constante, as agressões, as ameaças, tudo isso cria uma sensação estranha de viver dentro de um lugar que não deveria existir para crianças. Era como estar preso em um tipo de campo de concentração familiar, onde o objetivo parecia ser nos quebrar por dentro até a gente acreditar que realmente éramos os vilões que eles diziam.
Só que existe uma coisa curiosa sobre o ser humano. Às vezes a tentativa de destruição acaba criando exatamente o oposto. Hoje, quando olho para mim e para meus irmãos, vejo pessoas que conseguiram sair das amarras de dois narcisistas que fizeram de tudo para controlar nossas vidas. E não foi uma fuga cinematográfica, cheia de trilha sonora heroica. Foi lenta, silenciosa, cheia de decisões difíceis, medo, noites pensando se aquilo tudo realmente estava acabando.
Quem nos vê agora não imagina metade das batalhas que aconteceram antes desse momento. Mas nós sabemos. E existe uma dignidade muito silenciosa em sobreviver a algo que quase nos apagou do mundo. A gente não virou o que eles diziam que viraríamos. Não nos transformamos na história distorcida que tentaram escrever sobre nós.
No fim das contas, quando sento para pensar nisso tudo, percebo uma coisa curiosa. Sobreviver não é só continuar respirando. Sobreviver é olhar para trás e perceber que, apesar de tudo que tentaram plantar dentro da gente, ainda existe humanidade, ainda existe vontade de viver, ainda existe futuro. E isso, sinceramente, é algo que ninguém que viveu uma infância tranquila consegue entender completamente.
Mas nós entendemos. E isso já diz muita coisa.
ALINNY DE MELLO
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Uma dica para enxergar o mundo de outra forma: sempre que perceber que concorda com alguma coisa, pergunte a si por que concorda.
Para conseguir alguma coisa, o mal precisa de uma ajudinha dos 'mocinhos'. É aí que o caos veste um terno, posa de paladino da verdade e promete a salvação. O golpe tá aí: uma armadilha perfeita para atrair a futilidade, o interesse próprio e toda a superficialidade de quem ama viver de aparências. Afinal, nada vende mais do que o combo clássico de disfarce: em nome da honra, da família e dos tradicionais bons costumes."
AS HORAS QUE SE RECUSAM A MORRER
Não durmo.
Não porque exista alguma coisa
que valha a pena vigiar,
mas porque até o sono
parece ter desistido de mim.
A madrugada é um animal velho
deitado sobre o peito.
Respira devagar.
E eu escuto.
03:12.
O relógio continua funcionando
com a obscena fidelidade
das coisas que não possuem alma.
Nós somos assim:
inventamos máquinas para medir o tempo
e depois descobrimos, tarde demais,
que era o tempo
que estava nos medindo.
03:47.
Penso na infância.
É estranho chamar aquilo de infância.
Havia paredes,
havia nomes,
havia pessoas que deveriam ter ficado.
Mas algumas ausências
nascem antes das pessoas morrerem.
Talvez essa seja
a primeira forma de abandono:
descobrir que alguém pode estar vivo
e ainda assim
já não existir para você.
04:06.
Acendo um cigarro.
A brasa ilumina meu rosto
por alguns segundos.
É quase uma oração.
Depois vira cinza.
Como tudo.
O amor também foi assim.
Primeiro, uma pequena chama
que prometia aquecer a casa.
Depois, fumaça.
Depois, cheiro.
Depois, nada.
Tenho uma coleção inteira
de coisas que acabaram
sem nunca terem começado direito.
Amores.
Amizades.
Promessas.
Versões de mim mesmo
que morreram sem funeral.
04:33.
A cidade permanece silenciosa.
Milhares de pessoas dormem
sem saber que existir
é apenas uma maneira elegante
de adiar a própria decomposição.
Talvez o sono seja misericórdia.
Talvez seja apenas
a morte ensaiando.
Eu nunca soube diferenciar.
04:51.
Há algo profundamente humilhante
em continuar.
Você acorda.
Come.
Trabalha.
Ama.
Perde.
Finge.
Repete.
E chama isso de vida
porque a palavra "prisão"
parece pessimista demais
para caber numa conversa civilizada.
05:17.
O céu começa a clarear.
Que ironia.
Até a luz parece cansada.
Ela atravessa as janelas
como um funcionário público
cumprindo uma obrigação antiga.
Nenhum milagre.
Nenhuma redenção.
Apenas mais uma manhã
chegando para cobrar
o preço de ontem.
Olho para minhas mãos.
Ainda estão aqui.
Essa é a única vitória
que consigo reconhecer.
Não sou feliz.
Não estou curado.
Não encontrei Deus,
nem sentido,
nem uma razão suficientemente bonita
para justificar tudo aquilo
que precisei perder.
Mas ainda estou aqui.
Talvez seja isso
o que mais incomoda o vazio.
Ele passou anos tentando me convencer
de que eu não significava nada.
E eu, miserável,
continuei respirando.
Não por esperança.
Esperança é uma palavra
que os desesperados inventaram
para tornar o sofrimento suportável.
Eu continuo
por uma razão muito mais simples:
ainda não terminei
de transformar minhas ruínas
em alguma coisa que se pareça comigo.
06:02.
O mundo acorda.
Eu permaneço sentado
entre a noite e o dia,
com os olhos vermelhos,
o coração em ferrugem
e a alma cheia
de quartos abandonados.
Não dormi.
Mas sobrevivi à madrugada.
E talvez seja isso
que ninguém nos conta:
às vezes, viver
não é encontrar uma razão para continuar.
É simplesmente olhar para o abismo
até que ele perceba
que você também
aprendeu a encará-lo.
Nem dá para dizer que Porto Alegre está mal administrada! Não há gestão alguma! A cidade foi entregue à própria sorte!
Rosas
Não me dou com rosas;
elas, de alguma forma, me cortam.
Por que me ferem?
Sempre me certifico de não haver espinhos.
Só apresentam suas lindas coroas vermelhas.
Seriam as pétalas finas, afiadas o suficiente para me machucar?
Pode ser que um espinho tenha passado, mas não há de ser, pois os checo incontáveis vezes.
Por que fazem isso?
Sempre cuido de suas pétalas tão bem, para que nunca fiquem sem;
mesmo assim, tornam-me a sangrar.
Quando a água se esconde, dou-lhes de beber aquilo que elas derramam; no entanto, ao se darem por satisfeitas, deixam de mostrar suas pétalas.
Por que não cuidam de mim?
Meu sangue é salgado?
Sou indelicado?
Sempre lhes proporcionei cuidado e atenção, a fim de crescerem em segurança; talvez o que lhes entrego não seja o que procuram.
Elas me cortam, e me remendo toda vez.
Elas me machucam; eu lhes dou amor.
Derreto-me em lágrimas, com todo o fervor do meu coração, pela alegria de suas vidas; as rosas, alegres e sorridentes, bebem daquilo que salta dos meus olhos e retornam àquilo que antes faziam.
Por que me negam?
Rosas, o que hei de fazer para vosso amor merecer?
Se nunca as poderei ter, para que hei de viver?
Vós, rosas lindas e amáveis, por que sois tão indelicadas comigo?
Eu vos amo de todo espírito.
Queria que me ameis, mesmo que por apenas um terço de segundo.
Estou remendado da cabeça aos pés.
Por que cochicham entre si?
Contai-me!
Fazei-me rir, rosas, para que me esqueça da dor que sinto!
Rosas, amai-me, pois vos amo.
Rosas, cuidai-me, porque vos cuido.
Rosas, alegrai-me, pois vos alegro.
Rosas, desculpai-me por vos escrever isto.
Apenas amo, porque não sei ser amado.
No dia em que eu escrever algo que nunca foi lido e que ensine alguma coisa a alguém, aí sim vou me considerar um escritor. Escrever o repetido, aquilo que todo mundo já sabe, é extremamente fácil.
Benê Morais
Não fique dizendo 'eu não consigo', seu cérebro lembrará disso sempre que tentar fazer alguma coisa.
Expostos
Raros são os desejos que não foram conquistados sem deixar alguma sequela,
Dói tanto imaginar sem ter o domínio,
Brigar no escuro é a mesma coisa que decifrar uma sombra no meio de uma caverna profundamente escura,
Voar até um sonho faz as vezes a alma se sentir livre e sem medos, porque tudo aqui neste mundo é pura essência é o mais puro despertar sem a caneta da culpa, mas sim com a precisão da lógica,
Aquilo que suga pode ser controlado, se a dívida for com a razão, então te acalma!
Agora, ser leve com as emoções exige um colete a prova de balas no coração e uma fome insaciável de viver o único sem ser devorado por aquilo que é vulnerável.
Se a oração realmente mudasse alguma coisa, os hospitais estariam vazios e as igrejas milionárias teriam que inventar outra desculpa para pedir dízimo.
