Jean la bruyère
VERÃO NO CERRADO (soneto)
Lá fora o vento em agonia e rebeldia
Redemoinhando o taciturno cerrado
Do silêncio carrascal, fez-se agitado
Sob a chuva nua, acordando o dia
Na vastidão do chão, o tempo arado
Da sequidão para o sertão em urgia
Molhado da tempestade em romaria
Empapando o alvorecer enovelado
E neste, porém de tão boa harmonia
O horizonte na ventura é amansado
Enxurrando na procela a melancolia
Assim, vai-se avivando o árido cerrado
Do acastanhado que ao verde, barbaria
Ao rútilo encarnado do verão variegado
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Janeiro de 2017
Cerrado goiano
Sinto uma necessidade de partir
Para lá dentro da minha alma
Desvendar os meus anseios
Desta vida personificada em minha visão.
É difícil entender as pessoas que lotam os hospitais, pois que muitos lá foram para escapar da morte, outros tantos porque tentaram escapar da vida.
Assim como na física, na política é imperioso que se tenha referencial, porque até a pulsante Via Láctea, dependendo 'aonde' é vista está parada.
_Seus segredos estão em seus lábios...
enquanto meu coração está vazio,
me lembro quando minhas lagrimas secaram,
diante ao seu olhar estava morto,
em um mar que se abriu e me dragou,
ainda estava sorrindo...
quanto sentia a dor de estar vivo...
lamentei muito por ainda te amar,
o meu mundo era puro caos...
nos verso apenas o fim...
A Biblia diz lá em Rute capitulo 1 versículo 14
Que Noemi se despede de Orfa e Orfa segue o seu caminho.
Existe momentos que as pessoas apenas passarão por um tempo em nossas vidas mas elas não permanecerão.
Existem outras que estaremos perto mas a observaremos de longe ao mesmo tempo.
E existem aquelas que partirão pra sempre.
Quando alguém te der sinais que deseja sair da sua vida, deixe ela ir. No começo pode doer, você sentirá saudade, mas logo a dor da perca, do abandono vai passar.
Não queira manter na sua vida quem não quer ficar.
Precisamos entender que há tempo de abraçar e tempo de deixar de abraçar.
Quando alguém quiser ir embora, não espere esse alguém voltar, entenda que chegou um novo tempo para ambos e agora é momento de seguir.
Descanse! Deus é infinitamente misericordioso e sempre colocará pessoas novas na nossa vida.
Ele sempre coloca alguém como Rute em nosso caminho que estará sempre ao nosso lado.
Ele sempre coloca pessoas que nos amarão do jeito que somos.
Pessoas que nos respeitarão, pessoas que somarão ao nosso lado.
Pessoas que não fugirão o tempo todo mas sempre arranjarão tempo pra conversar, pra nos ver, porque pra elas o tempo que passar junto conosco será um prazer.
É tempo de seguir, deixe ir quem tiver que ir.
O casal mais preparado compartilha suas ideias, seus planejamentos, e suas discórdias filtrando e lapidando-se afim de prever um futuro sudável.
A Liberdade nos proporciona o sofrimento de sempre vê-la a frente de nossos esforços por alcança-la?
A Poesia
E foi no cerrado,
veio a poesia pra me buscar
Me trouxe do mar, de lá cheguei
verão, inverno, do chão
comigo emoção, contigo chorei
Não sei de onde pariu
se do silêncio ou comoção
só sei que nunca mais saiu
Não, não eram visões
nem palavras enfileiradas
nem a lua nas suas estações
Nem tão pouco inação...
pois, não mais ficaram caladas
desde então, só submissão
e no papel estão estacadas
E fui ficando ao teu lado
e ela balbuciando sentido
e eu de olhos fechado
nos sonhos me vi perdido
Alucinação? Ou asas da meditação?
E daquele vazio o mistério
se fez constante, pura sabedoria
escrevi a primeira linha, galdério
crivada de flechas, dor e arrelia
e assim me levou a sério...
E foi nessa idade,
chegou à poesia para me buscar...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
2017, junho
Cerrado goiano
Paráfrase Pablo Neruda
CÉLERE (soneto)
E lá se vai o tempo, portentoso
Onde não vai a lentidão do fado
E de longe, eu distante, saudoso
Envio suspiros daqui do cerrado
Para os teus anos, eu já anoso
A pressa não é, certo ou errado
É tão a sorte no estado zeloso
Rio a baixo no leito apropriado
E, então, pelo espaço untuoso
Desliza cada sonho ali alado
Dando a vida agrado piedoso
Assim, os amores, encantado
Flores dadas, gesto impetuoso
Matizam o gozo ao ser amado
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Agosto de 2017
Cerrado goiano
Para gostar de poesia...
Não basta apenas lê-la. Buscar sentir o que sente o poeta no momento da criação da obra é quase impossível. O que leva o poeta (ou poetisa), a escrever versos que nos emocionam? Que momento é esse o da criação, da construção da obra? Introspectivo, quase sempre sem atenção às métricas ou rimas, sem o desejo pleno de muitas vezes, ser entendido ou compreendido... o poeta escreve para si, entrega, sem segredos, o que rasga-lhe a alma ou a alegra, mesmo que passageira, traduz nas letras de sua virtude, não raro, o que se identifica com o desejo silencioso do outro que não consegue exprimir um sentimento gêmeo, mas o sente... e o que lê, admira, sereno e profundamente tocado!
A maior desilusão do pobre e sabe que no pais tem vários lugares bonito no pais e não poder ir la visita por falta de dinheiro
Solidão foi o primeiro sabor que eu provei na minha vida, e estava sempre lá, escondido dentro das fendas da minha boca, me lembrando.
A vida é sua. Você é quem deve comanda-la. Você decide. E ninguém tem nada com isso. Sobretudo se você está no exercício pleno de sua maioridade. Então, o que fazer, como, quando, de que forma, o que escolher, como agir, como falar, como pensar, como sentir, como se manifestar enfim, é com você. Acertar ou errar é um direito seu. Colecionar defeitos ou virtudes é uma opção sua. Você é dono absoluto de sua vida e problema de quem não gostar disso. Você pode plantar livremente, a vontade, sem restrições, como quiser. Então, tudo certo. Só não se esqueça que a colheita é obrigatória, e que toda ação gera uma reação. Seja sim como você quer ser, mas sem se esquecer disso.
