O que te move
A Teia Invisível
Em uma pequena cidade cercada por montanhas, vivia Ana, uma jovem que sempre prezou pela independência. Desde cedo, aprendeu a confiar apenas em si mesma, acreditando que depender de alguém seria sinal de fraqueza. Construía sua rotina com disciplina, evitava pedir ajuda e mantinha as pessoas à distância, como se pudesse controlar tudo ao seu redor.
Certo inverno, uma tempestade inesperada atingiu a cidade. As estradas ficaram bloqueadas, a energia caiu e o frio apertou com força. Ana, sozinha em sua casa no topo da colina, percebeu que sua reserva de alimentos estava quase no fim. Tentou sair para buscar suprimentos, mas uma queda a deixou com a perna machucada, impossibilitada de andar.
Imobilizada, Ana sentiu pela primeira vez o peso da solidão e da vulnerabilidade. O orgulho que a acompanhava parecia pequeno diante da necessidade urgente de ajuda. Foi então que ouviu batidas na porta. Era João, seu vizinho, que havia notado a tempestade e decidiu verificar se todos estavam bem.
Sem hesitar, João entrou, cuidou da ferida de Ana, trouxe comida e companhia. Nos dias que se seguiram, ele ajudou a limpar a neve, a consertar o aquecedor e a reacender a esperança na jovem que tanto temia depender dos outros.
Ana entendeu que a força verdadeira não está em ser invulnerável, mas em reconhecer que, às vezes, a vida nos entrelaça em uma teia invisível de apoio e confiança. Depender de alguém não diminui a nossa coragem; pelo contrário, revela a coragem de aceitar que juntos somos mais fortes.
E assim, entre montanhas e tempestades, Ana aprendeu que a verdadeira independência nasce do equilíbrio entre o cuidar de si e o permitir-se ser cuidado.
“Canto à Aurora de Delfos”
( Gilson de Paula Pires)
Nas montanhas sagradas de Delfos ergui-me,
Ao som do sopro do oráculo em brumas,
Ecos de Apolo, com lira em chamas,
Despertam a alma em antigas plumas.
Na pedra o fogo dança em silêncio,
O templo canta verdades ao vento,
As sacerdotisas, de olhos fechados,
Revelam o fado em sutil movimento.
Oh musa Calíope, guia minha voz,
Nos versos que tocam o tempo dos deuses.
Que minha palavra seja como o bronze,
Ecoando firme entre os altos penhascos.
Nascemos do caos, moldados por mitos,
Homens e heróis em lutas eternas,
Mas cada cicatriz é um poema vivo,
Inscrito no peito das almas modernas.
Que Zeus me escute lá do Olimpo,
E Poseidon acalme os mares do ser.
Sou filho do barro, irmão das estrelas,
Mas canto, e por isso, me torno poder.
GILSON DE PAULA PIRES.
Eu sempre gostei dos portadores. Na chuva gelada e no vento cortante, através de rios, montanhas e desertos sem fim, eles chegam para entregar algo precioso. Um vislumbre de uma vida que nunca conheci.
Eu declamo o arrebol,
os montes, vales, montanhas...
Eu declamo as tamanhas
alegrias de um dia de sol.
Faço da rima um anzol,
pra pescar conhecimento.
Sou um nordestino isento
do que não traz harmonia.
E quem mal me avalia
é folha seca ao vento...
Enfrentei grandes tempestades, subi várias montanhas e até cheguei à me deparar com a tão temida morte. Não imaginando que fazendo tudo isso não me levaria à (lugar) nenhum.
Por vezes sou amanhecer
Faço das areias
Minha praia
Por hora almejo as montanhas
Escaladas emocionantes
Vistas deslumbrantes
Sou o verde
Na rotina aproveito a cidade
Arquitetura, história
Pedaços do passado
Busco o futuro
De repente quero tudo
Me encontro urbanamente
naturalmente
natureza
Tudo junto e misturado
Também sou por do sol
Visto o anoitecer
Incorporo a vida
E quando o hoje me consome
A felicidade invade
A escalada da solidão
Para que eu chegasse no topo, tive que escalar montanhas sozinha, muitas vezes com coração em pedaços, joelhos ralados ou até mesmo com facadas que perfuraram minha alma por alguém que dizia estar ao meu lado para me apoiar.
Por instantes, parei de subir para ajudar quem me acompanhava, cuidava, impulsionava a prosseguir e continuava meu alvo. Subi mesmo sangrando, quantas vezes exausta pensava em desistir, mas quando olhava montanha a baixo, via que já tinha percorrido uma larga distância e não podia sucumbir agora. Olhava para o lado e via pessoas passando na minha frente, uns estavam com ferramentas certas para escalada pois tinha quem os apadrinhava, outros com uma corda envolta do corpo , subindo confortavelmente, pois lá no topo alguém o puxava.
Enfim confesso que ainda faltam algumas milhas, mas já posso sentir a brisa batendo no meu rosto, não vejo tantos desafetos tentando me fazer desistir, porque aqui onde estou são poucas pessoas que conseguem chegar, e os gritos de quem está lá embaixo já não consigo mais escutar. Ainda estou subindo, algumas cicatrizes expostas, mas muitas delas já cicatrizadas com o tempo. Meu corpo já não é o mesmo, está mais forte, calejado, quase não sente mais dores, pois a escalada me fortaleceu. Durante a subida paira uma solidão pois são poucos os que conseguem estar ao seu lado, mas sabe, não tenho mais medo dela, pois quando eu estava no fundo do poço eu também estava só e foi lá que aprendi que a solidão tem suas vantagens.
A solidão me ajudou a refletir e a fortalecer minha identidade, desenvolvi novas habilidades, explorei novos interesses e expandi minha visão.
A solidão fez eu chegar onde muitos não chegaram, e cá estou eu me preparando para mais um grande vôo.
A rainha noite flui como um manto, cobrindo as montanhas dando seu ar de superioridade mais uma vez. Um misto de passado, futuro e incertezas se reúnem para atormentar a tranquilidade frágil que se cria na mente. Pensamentos insanos da loucura que se aproxima da genialidade. Sei que vivo entre mortais sinto suas dores mais nunca serei como eles. Assim a noite segue: longa vazia e profunda. Em um profundo abismo que se atira a pedra e não se encontra fim. Mais não te preocupes abra seu coração e espere o amanhecer para sua luz volta a brilhar. Pois nunca houve noite, que pudesse impedir o nascer do sol e da esperança. Boa noite.
Haverá dias em que você será um sopro de vento tentando mover montanhas.
E encontrará olhares que não compreendem, corações que se fecham, mentes presas a padrões tão rígidos que parecem feitos de pedra.
Haverá quem se irrite com o novo, quem tema o desconhecido,
quem veja ameaça onde existe apenas convite.
Mas não se engane: o conflito não é sinal de erro, é sinal de movimento.
Toda transformação incomoda.
Toda luz cega, no início, aqueles que viveram tempo demais na sombra.
Apresentar um novo caminho é, inevitavelmente, confrontar velhas estruturas.
E a rigidez sempre resiste, porque teme se desfazer.
Evoluir, porém, é um chamado da alma.
É recusar-se a viver repetindo velhos ciclos que adoecem o espírito.
É ter coragem de desaprender, de romper as correntes invisíveis,
de abrir espaço para o que ainda não existe.
Você não veio ao mundo para caber nos moldes antigos.
Veio para criar caminhos onde antes só havia muros.
Veio para tocar consciências, mesmo quando isso gera ruído,
mesmo quando isso gera desconforto.
Pois o verdadeiro crescimento não é linear,
não é suave, não é sempre aceito.
Ele exige coragem para lidar com a rejeição,
paciência para enfrentar resistências
e fé para permanecer quando tudo pede que você desista.
Lembre-se: a água só encontra o mar porque ousa fluir,
mesmo quando pedras tentam barrar o seu caminho.
Evoluir é isso — não lutar contra a resistência,
mas continuar indo,
com leveza, com verdade,
sabendo que o seu movimento inspira outros a despertarem também.
No fim, quem se abre para o novo expande a própria existência.
Quem escolhe fluir encontra a si mesmo.
E quem se permite evoluir descobre que o infinito sempre esteve dentro de si.
Com amor ♥︎
Tempo ao Tempo.
Montanha-russa
Admiro a coragem dos que utilizam as montanhas-russas dos parques de diversão ou "brinquedos" similares, cada vez mais arrojados e ousados.
Descidas e subidas sucessivas em altas velocidades de arrepiar, regadas com elevadas doses de adrenalina.
Equipamentos gigantescos minuciosamente projetados e instalados para diversão dos destemidos usuários, com elevadíssimo grau de segurança. Raríssimos acidentes ocorrem. Ainda bem!
No entanto, no sobe e desce e nas curvas inversas da montanha-russa da vida, por ironia, há um elevadíssimo grau de insegurança. Ainda bem!
A verdade quando está em nosso coração, é capaz de atravessar oceanos, desertos, montanhas, florestas e até constelações, contanto que a consciência não entre em devaneios e perca a razão.
MANHÃ NASCIDA
Nasce vergonhosa atrás das montanhas.
No fitar do meu olhar
Ao longe,
Parecem-me mamas tamanhas
Afagadas de par em par
Pelas mãos docinhas de um monge.
Vem de mansinho
Pela madrugada,
Como correio que não me traz nada
Na caixa deste meu ninho.
Nem sol, chuva ou nevoeiro
Ela me traz,
A senhora das manhãs,
Quando deixo o travesseiro.
Apenas, uma fome voraz
De dizer ao mundo
Mordaz
Que o dia não nasce
Nem se pasce
Necessariamente,
Realmente,
Pelas manhãs.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 12-10-2022)
Nada me assusta mais do que quem não aprende, mesmo que à própria custa. É uma escuridão que jamais vou entender.