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Damos voltas e voltas, mas, na realidade, sĂł hĂĄ duas coisas: ou escolhes a vida ou afastas-te dela.

José Saramago
Puente, Antonio. Saramago: ‘La ce, un eufemismo’. El Independiente, 29 ago. 1987.

A sexualidade sĂł Ă© atraente quando natural e espontĂąnea.

SĂł a necessidade que eu tenho me justifica.
Que seria de mim se eu nĂŁo precisasse?
Que seria de meu corpo se nĂŁo houvesse
o aviso da fome? Que seria de mim se nĂŁo
houvesse o futuro? Que seria de mim se eu
nĂŁo precisasse de Deus?

Clarice Lispector
Borelli, Olga. Clarice Lispector: esboço para um possível retrato. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.
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E Ă© sĂł o que posso dizer a meu respeito? Ser “sincera”? Relativamente sou. NĂŁo minto para formar verdades falsas. Mas usei demais as verdades como pretexto. A verdade como pretexto para mentir? Eu poderia relatar a mim mesma o que me lisonjeasse, e tambĂ©m fazer o relato da sordidez. Mas tenho que tomar cuidado de nĂŁo confundir defeitos com verdades.

Clarice Lispector
A paixĂŁo segundo G. H. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

A falta de definição, por si sĂł, define a vida. Tudo Ă© transitĂłrio, nossas manias, nossos pensamentos, nossos amores, nossos pontos de vista. Sabemos quem somos e o que sentimos, mas nĂŁo sabemos atĂ© quando. Estamos em trĂąnsito, e a definição sĂł virĂĄ quando nĂŁo estivermos mais aqui para entendĂȘ-la.

Quem vive só de esperanças morrerå de fome.

O meu amor

O meu amor
Tem um jeito manso que Ă© sĂł seu
E que me deixa louca
Quando me beija a boca
A minha pele inteira fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada, ai

O meu amor
Tem um jeito manso que Ă© sĂł seu
Que rouba os meus sentidos
Viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo
Ri do meu umbigo
E me crava os dentes, ai

Eu sou sua menina, viu?
E ele Ă© o meu rapaz
Meu corpo Ă© testemunha
Do bem que ele me faz

O meu amor
Tem um jeito manso que Ă© sĂł seu
De me deixar maluca
Quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba malfeita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita, ai

O meu amor
Tem um jeito manso que Ă© sĂł seu
De me fazer rodeios
De me beijar os seios
Me beijar o ventre
E me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo
Como se o meu corpo fosse a sua casa, ai

Eu sou sua menina, viu?
E ele Ă© o meu rapaz
Meu corpo Ă© testemunha
Do bem que ele me faz

O amor e a admiração só tem profundidade se forem
espontĂąneos,caso contrĂĄrio produziremos servos e nĂŁo pessoas livres para decidir.

SĂł nĂŁo se esqueça, que eu lutei mesmo sem forças. Que eu sorri mesmo sem motivo e que eu te amei, mesmo que vocĂȘ nĂŁo tenha me amado de volta.

Mas nada vai conseguir mudar o que ficou
Quando penso em alguĂ©m sĂł penso em vocĂȘ
E aĂ­, entĂŁo, estamos bem.

Eu só quero ser feliz e viver tranquila. Eu só quero fazer minhas coisas da melhor maneira possível e ter um moço bonzinho que me leve ver o pÎr-do-sol no fim de tarde.

E eis que sinto que em breve nos separaremos. Minha verdade espantada Ă© que eu sempre estive sĂł de ti e nĂŁo sabia. Agora sei: sou sĂł. Eu e minha liberdade que nĂŁo sei usar. (...) Quanto a mim, assumo a minha solidĂŁo. (...) Sou sĂł e tenho que viver uma certa glĂłria Ă­ntima (...). Guardo o seu nome em segredo. Preciso de segredos para viver.

E eis que depois de uma tarde de “quem sou eu” e de acordar Ă  uma hora da madrugada ainda em desespero – eis que Ă s trĂȘs horas da madrugada acordei e me encontrei. Fui ao encontro de mim. Calma, alegre, plenitude sem fulminação. Simplesmente eu sou eu. e vocĂȘ Ă© vocĂȘ. É vasto, vai durar. (...) Olha para mim e me ama. NĂŁo: tu olhas para ti e te amas. É o que estĂĄ certo.

Eu sou o antes, eu sou o quase, eu sou o nunca. E tudo isso ganhei ao deixar de te amar.

Escuta: eu te deixo ser, deixa-me ser entĂŁo.

Clarice Lispector
Água viva. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Nota: Quatro trechos do livro.

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Antes só do que muito acompanhado; esperar não significa inércia, muito menos desinteresse; renunciar não quer dizer que não ame; abrir mão não quer dizer que não queira; o tempo ensina, mas não cura.

Eu poderia permanecer assim, sĂł te olhando, sem dizer uma sĂł palavra. Para sempre! E sim, eu seria feliz desse jeito.

Nunca Ă© sĂł um jogo quando Ă© vocĂȘ quem estĂĄ ganhando

Vou tomar um banho antes de sair e perfumar-me com um perfume que é segredo meu. Só digo uma coisa dele: é agreste e um pouco åspero, com doçura escondida.

Clarice Lispector
Gotlib, Nådia B. Clarice: uma vida que se conta. São Paulo: Ática, 1995.

A ĂĄgua de boa qualidade Ă© como a saĂșde ou a liberdade: sĂł tem valor quando acaba.

MĂŁe, um dia pra vocĂȘ Ă© pouco. VocĂȘ merece todos os dias do ano sĂł por me aguentar dia e noite. Feliz Dia das MĂŁes!

NĂŁo sou eu. SĂŁo as mĂșsicas. Eu sou sĂł o carteiro. Eu entrego as mĂșsicas.

Bob Dylan

Nota: Bob Dylan fala com Robert Shelton. Melody Maker. Julho de 1978.

A verdade sĂł tem significado quando Ă© difĂ­cil de ser admitida!

Veronica Miller
A Última MĂșsica (2010)

Nota: Filme baseado no livro "A Última MĂșsica" de Nicholas Sparks

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