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Para o tempo ser o melhor remédio, só se durasse no måximo 2 minutos. Assim poderia ser um supositório que nem ligava.
Não quero alguém que morra de amor por mim. Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.
Sou sĂł e tenho que viver uma certa glĂłria Ăntima que na solidĂŁo pode se tornar dor.
Nasci sujeito como os outros a erros e a defeitos,
Mas nunca ao erro de querer compreender sĂł com a inteligĂȘncia,
Nunca ao defeito de exigir do Mundo
Que fosse qualquer cousa que nĂŁo fosse o Mundo.
E o mundo a me exigir decisÔes para as quais não estou preparada. DecisÔes não só a respeito de provocar o nascimento de fatos mas também decisÔes sobre a melhor forma de ser.
Eu quis fazer um mundo nosso
Um tempo nosso pressentido
Numa troca de olhares
Mas vocĂȘ sĂł quer os bares
O imprevisĂvel dos lugares
Perdidos sem mim
A ESTRANHA
"(...) Ela sĂł quer que eu sinta, que eu pense, que eu respire, que eu disque aqueles nĂșmeros mais uma vez, mais uma vez, mais uma vez.
(...) O mais estranho da estranha é essa felicidade plena em que vivo. Esse estado de graça. A estranha encheu meu estÎmago de borboletas coloridas. Encheu de suspiros a minha alma. Me encheu de rendição.
Ă uma dessas alegrias de dar pulinhos e de murmurar alegria no semblante mais sĂ©rio. Ă uma dessas alegrias tĂŁo abençoadas por Deus que Ele Ă© quase cĂșmplice de esporĂĄdicas baixarias e mentiras.
Ă uma dessas alegrias desconfortĂĄveis mas que tem cara de cama quente e travesseiro fofo.
(...) Ela nem me liga, ela dança linda e vermelha no meu tórax. Eu perco o ar, esbugalho os olhos.
Ela nem me liga, formigando cada parte do meu corpo, transformando meu desenho em pontilhado. Depois me instiga a chamå-lo para que forme minha imagem, me faça existir.
(...)Ela apenas me sorri irĂŽnica e por piedade aquieta-se alguns segundos. Depois, eu mesma nĂŁo agĂŒento e a procuro: estranha por estranha, negar uma paixĂŁo Ă© muito mais louco do que aceitĂĄ-la dentro da gente."
Saudade
Ă uma palavra
Saudade
SĂł existe na lĂngua portuguesa
Saudade de Val vendendo pĂł na esquina
Saudade do que nunca vai voltar
E dos amigos que se foram
Eu hoje estou com saudade
Na noite quente e no calor
Que sobe do asfalto
Saudade quente
Saudade da roda de cerveja
Dos amigos da madruga e
Saudade de nadar no mar
E um dia ter sido mais puro
Saudade da primeira namorada
E namorado também
Saudade, principalmente
Da irresponsabilidade
Saudade, meus amigos
Daqui a pouco vou estar com vocĂȘs.
Amar Ă© cansar-se de estar sĂł...
Nota: Trecho que pode ser encontrado no "Livro do Desassossego", de Fernando Pessoa (pelo heterĂŽnimo Bernardo Soares).
...MaisMas se eu gritasse uma sĂł vez que fosse, talvez nunca mais pudesse parar. Se eu gritasse ninguĂ©m poderia fazer mais nada por mim; enquanto, se eu nunca revelar a minha carĂȘncia, ninguĂ©m se assustarĂĄ comigo e me ajudarĂŁo sem saber; mas sĂł enquanto eu nĂŁo assustar ninguĂ©m por ter saĂdo dos regulamentos. Mas se souberem, assustam-se, nĂłs que guardamos o grito em segredo inviolĂĄvel. Se eu der o grito de alarme de estar viva, em mudez e dureza me arrastarĂŁo pois arrastam os que saem para fora do mundo possĂvel, o ser excepcional Ă© arrastado, o ser gritante.
Vou deixar vocĂȘ procurar em todas o que vocĂȘ sĂł vai achar em mim, mas nĂŁo vou te esperar. Quando vocĂȘ perceber, serĂĄ tarde demais. Mas eu deixo vocĂȘ olhar, porque vocĂȘ Ă© lindo calado e eu falo para um plateia inteira. Se algum dia Manequim for objeto de palco, a gente se encontra.
