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Nunca e sempre sĂŁo duas palavras que sĂł deviam existir nos contos de fadas. SĂŁo palavras que fazem parte de promessas geralmente impossĂveis de serem cumpridas. Mas como Ă© bom ouvi-las, nĂŁo Ă© mesmo? Graças a elas, nĂŁo sentimos tanto medo e insegurança quando o futuro parece tĂŁo incerto.
Do sabor das coisas
Por mais raro que seja,
Ou mais antigo,
SĂł um vinho Ă© deveras excelente:
Aquele que tu bebes calmamente
Com o teu mais velho
E silencioso amigo...
Eros e Psique
Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem sĂł despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, jĂĄ libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que Ă Princesa vem.
A Princesa adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela Ă© ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
à cabeça, em maresia,
Ergue a mĂŁo, e encontra hera,
E vĂȘ que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
PaciĂȘncia sĂł para o que importa de verdade. PaciĂȘncia para ver a tarde cair. PaciĂȘncia para sorver um cĂĄlice de vinho. PaciĂȘncia para a mĂșsica e para os livros. PaciĂȘncia para escutar um amigo. PaciĂȘncia para aquilo que vale nossa dedicação.
Determinada flor Ă©, em primeiro lugar, uma renĂșncia a todas as outras flores. E, no entanto, sĂł com esta condição Ă© bela.
Ăs vezes a gente sĂł precisa encontrar um ponto de partida e tudo que desejamos começa a acontecer.
SĂł que aĂ eu acabei mudando. E foi mudança aos poucos, porque atĂ© hoje me dou conta de coisas minhas que jĂĄ nĂŁo estĂŁo mais lĂĄ e, quem roubou, eu jamais vou saber. O sorriso mudou e a vontade de sorrir pra qualquer pessoa tambĂ©m, graças a Deus. Foi por sorrir tanto de graça que eu paguei tĂŁo caro por todas as coisas que me aconteceram. Ăs vezes me pego olhando ao meu redor e vendo tanta menina parecida comigo. Tanto sentimento gritando de bocas caladas e escorrendo de peles secas. Tanta coisa acontece com a gente. Tanta gente passa pela gente, mas tĂŁo pouca gente realmente fica. E eu sei que, talvez, eu tivesse que ficar triste. Talvez eu tivesse que continuar secando lĂĄgrimas, abraçando o vento e rindo no vĂĄcuo, mas o fato Ă© que eu nĂŁo consigo. Eu nĂŁo consigo mais ser triste sĂł para mostrar que um dia eu fui - ou achei que tivesse sido - feliz. Aprendi com os meus prĂłprios erros que sofrer nĂŁo torna mais poĂ©tico, chorar nĂŁo deixa mais aliviado e implorar nĂŁo traz ninguĂ©m de volta. Aprendi tambĂ©m que por mais que vocĂȘ queria muito alguĂ©m, ninguĂ©m vale tanto a pena a ponto de vocĂȘ deixar de se querer. Eu que gritei para tantas pessoas ficarem, hoje sĂł quero mesmo Ă© que elas sumam de uma vez por todas. E em silĂȘncio, que Ă© pra ninguĂ©m ter porque se lamentar.
A felicidade Ă© um perfume que nĂŁo podemos espargir sobre os outros, sem que caiam algumas gotas sobre nĂłs mesmos.
O universo sempre nos ajuda a lutar por nossos sonhos.Porque sĂŁo nossos sonhos, e sĂł nĂłs sabemos o quanto nos custa sonhĂĄ-los...
(...) se Deus existisse, sĂł haveria para ele um Ășnico meio de servir Ă liberdade humana: seria o de cessar de existir.
Quem não ama a solidão, também não ama a liberdade: apenas quando se estå só é que se estå livre.
NĂŁo importa se os animais sĂŁo incapazes ou nĂŁo de pensar. O que importa Ă© que sĂŁo capazes de sofrer.
Nada me prende, a nada me ligo, a nada pertenço.
Todas as sensaçÔes me tomam e nenhuma fica.
Sou mais variado que uma multidĂŁo de acaso,
Sou mais diverso que o universo espontĂąneo,
Todas as épocas me pertencem um momento,
Todas as almas um momento tiveram seu lugar em mim.
FluĂdo de intuiçÔes, rio de supor - mas,
Sempre ondas sucessivas,
Sempre o mar - agora desconhecendo-se
Sempre separando-se de mim, indefinidamente.
