Bicicleta
NINGUÉM PRECISA DE PESSOAS PERFEITAS
Adoro cicatriz de queda de bicicleta,
adoro quem você pode se enrolar em um cobertor,
e que te beija no nariz por pequenas vitórias.
Sim, ninguém precisa de onipotentes,
amo quem treme com o estrondo de trovão,
mas que se sente segura com meu abraço
Adoro as estranhas, um pouco teimosas, de risada idiota,
as que se ofendem com ninharias, quase como crianças,
as que perguntam: “como você dormiu?”
"Como você chegou lá?"
aquela a quem você pode dizer:
“Por que não te conheci antes?”
Amo quem brinca e xinga duramente,
canta horrivelmente no banheiro
e manda uma pequena mensagem de texto:
“como vai seu dia?”
Sim, não preciso de personagens perfeitos,
gosto de pessoas vivas imperfeitas.
Amo quem que realmente acredita em mim,
com quem você pode brincar sem pensar no que está por vir.
Gosto de quem, depois de brigas ridículas e histerias ruidosas,
simplesmente esquecem com um sorriso.
Sim, ninguém precisa de manequins frios,
rostos perfeitos, figuras de capas de revistas de luxo,
todo mundo precisa de quem não procura um substituto,
com quem é agradável não só para adormecer,
mas também acordar.
Amo com quem você pode simplesmente permanecer em silêncio.
E que, apesar das circunstâncias, estará sempre com você.
Tem gente que reclama da bicicleta...
Mas esquece que tem quem anda a pé.
Tem gente que reclama da moto...
Mas esquece que já teve dia que nem dinheiro pro ônibus tinha.
Tem gente que fala mal do próprio carro...
Mas esquece que um dia sonhou em ter um.
Tem gente que reclama da casa pequena...
Mas esquece que já morou de favor ou sem teto.
E assim vai...
A gente se acostuma com o que tem e para de valorizar.. tenso.mano
Só que tudo que temos hoje , por mais simples que pareça , um dia foi sonho.
Por isso, é preciso dar valor.
Valor no que se tem.
Valor no que se conquistou.
Valor na vida.
Mas mais ainda.
Valor no amor que recebe,
Nos amigos que estão por perto,
Nas pessoas que dividem o dia a dia com a gente.
Se liga . Porque bem ou mal, carro se compra, casa se faz...
Mas um amor sincero, um amigo leal, uma pessoa que está do seu lado de verdade isso não se acha em qualquer esquina.
Então valorize hoje.
Porque quando a gente perde, é que vê o quanto tinha.
Existem três etapas que o Pai utiliza para nos ensinar a andar de bicicleta:
Primeiro, com duas rodinhas, sendo sustentados continuamente.
Depois, com uma única rodinha, para nos ensinar a inclinar para o lado certo.
Por fim, apoiados apenas por Sua forte mão, com o objetivo de soltá-la quando menos esperamos.
Mas isso não é sobre andar de bicicleta!
A vida é como andar de bicicleta. Primeiro vem com rodinhas auxiliares. Depois você precisa se equilibrar sozinho, olhar para frente, manter-se em movimento, e, de vez em quando, dá até para soltar as mãos. Mas, estará sempre sujeito à queda.
"Viver é andar de bicicleta. É você quem escolhe a direção, basta segurar firme o guidom. Uma vez pedalando, você está sujeito a tombos e arranhões, mas vale a pena.
Considere a brisa no rosto, a liberdade. Pense no movimento das pernas que nunca param e em tudo o que irá descobrir pelo caminho.
Sim. Viver é andar de bicicleta. E é permitido, inclusive, levar uma companhia. Vem comigo?"
Vamos fazer uma campanha juntos: menos latinha e copo na mão, bicicletas e pedaladas de montão!!! Abraços fraternais.
Ninguém aprende a andar de bicicleta sem antes ser solto por alguém que ama. A dor da queda é parte do presente da liberdade.
O carroção e a bicicleta.
Meu pai, na década de quarenta, foi carroceiro. Trabalhava numa fazenda, aí em Santa Mariana. O serviço dele, conforme ele nos contava, consistia no transporte de cereais de Santa Mariana para Cornélio Procópio ou vice versa. A carroça ou carroção era tracionado por seis burros. Todos com nome. Muitos anos passados ele guardava o nome de cada um deles, Aquilo era um trabalho bastante pesado. Como ele dizia, cada "viagem" era uma aventura. Ele conduzia aqueles animais com um chicote que, dizia ele, tinha uns quatro metros de comprimento. Detalhe, estalava sempre próximo do animal, que respondia com mais força no trabalho. Ele nunca judiava dos animais.Uma vez, conforme a história dele, choveu o dia todo. A estrada praticamente deixou de existir, estava intransitável. A carroça já tinha atolado várias vezes, e como estava bem carregada de sacaria, chegava a encostar o eixo no chão. Naquela lida, barro, chuva,frio, trovões e raios, que não paravam, os animais já ofegantes, cansados e como dizia ele:. bufando fumaça, continuavam tentando tirar a carroça do atoleiro. Foi quando ele começou a escutar um barulho de alguém andando de bicicleta e o barulho foi chegando,mas dado a escuridão, um breu,dizia ele, nada se via, mas o barulho foi aumentando,e Quanto mais próximo, mais os animais ficavam inquietos e até zurravam, De repente um raio muito forte clareou grande parte do local onde ele estava e ele pode ver a bicicleta passando ao lado dele, normalmente, no barro e sobre ela um vulto todo de branco com umas luzinhas no lugar dos olhos. Bem difícil de pegar no sono,depois que ele contava essa história. Vai saber!
A Cabrita
Nada para mim, quando criança, foi fácil. Conseguir a minha primeira bicicleta foi uma luta. Tudo começou com a compra de um relógio Omodox na relojoaria do Sr. Pedro. Devo ter ficado com ele uns 10 dias. Em seguida troquei por uma espingarda de pressão e no mesmo dia por um relógio seiko. No dia seguinte troquei o relógio por uma espingarda de cartucho que fiquei com ela por uns 30 dias.
No lugar onde eu ia caçar; um sitio, nós, moleques, chamávamos de "os claudio", (era onde a gente comprava frutas para revender nos dias de chuva) o dono queria porque queria a espingarda. Dinheiro ele não tinha, mas tinha várias cabritas e me deixava até escolher uma. Não deu outra. Deixei a espingarda e vim para minha casa com uma cabrita. Imaginei que na minha casa todos iriam ficar feliz com a cabrita, ledo engano. , minha mãe quis me matar; me expulsou de casa com cabrita e tudo. Fiquei ali, na rua, olhando para a cabrita e ela para mim. Depois de um tempo a levei para pastar e tomar água no rio arara. Voltando para casa e sem saber o que fazer com a cabrita, porque, conforme minha mãe; em casa ela não entrava, fiquei, então, andando com a cabrita pelas ruas. De repente escutei uma voz dizendo --"ei, quer vender essa cabrita? Quando olhei, vi um menino, mais velho que eu, em cima de uma bicicleta, toda cheia de acessórios (buzina campainha, espelho retrovisor dos dois lados, fitas nas pontas do guidão e mais, uma luz que acendia pelo dínamo no pneu)., aquilo era tudo que eu queria. Respondi que não, mas podia fazer uma troca. Ele olhou para mim, pensou e perguntou: --
--"que mais que você tem, fora a cabrita?
--"tenho um canário belga e uma colerinha., respondi.
--"dobrando? (cantando) (
--"sim! Os dois."
--"me deixa ver
--"Negócio feito"
Depois de algum tempo, o menino que ficou com a cabrita, me disse que a cabrita não era ela, era ele, ou seja, era um bodinho, mas que foi até melhor. Me disse que ia fazer uma carrocinha e ensinar o bodinho a puxa-la. Acho que isso era gozação dele, mas sei lá..
E foi assim que eu consegui a minha bicicleta.//Ivo
Do que eu tenho mais medo? De estragar seu sorriso de menino ganhando a primeira bicicleta quando me viu. Tenho medo que você caia dela. Tenho medo que fiquem cicatrizes.
“Indo ao trabalho. Indo ao lazer. De bicicleta você transforma, teu deslocamento em um ato de prazer.”
