Beleza de uma Flor
A saudade é flor que só floresce na ausência. É nela que se dizem as orações suplicando dos deuses a graça da repetição da beleza. E é só para isso que existem os deuses: para garantir o retorno do belo".
(Do Universo à Jabuticaba - [3 ed] Planteta, São Paulo, 2015).
Flor Mulher
Uma flor toda em cor
revestida de delicioso odor,
Revela-se simples, mas ilustre,
Sua beleza não possui embuste,
Desabrochada como o sol de verão
Ou em botão como um coração,
Ela é toda ela: a planta mais bela,
Branca de Neve ou Cinderela
Inspira Charles ou Irmãos Grimm,
É Princesa em qualquer jardim,
É adorada nas festas e no lar,
É admirada em todo lugar,
Faz a alegria em todos os cantos
E emociona ao entoar seus cantos
Hoje não tenho medo de dizer:
Deus aprimorou-se ao lhe fazer
E disse: “É muito boa minha criatura
Esta obra atingiu excelente altura
Modelei a flor chamada mulher
Esculpi a flor do bem me quer”.
Aberio Christe
Deus nunca foi visto, nem por mim nem por ninguém. Nem nunca vi ou verei com meus olhos uma flor se abrindo. Jamais verei também aquela força que levou voando para além da fronteira, o meu chapéu. Nem ainda o súbito perfume que chegou até mim.
E a Beleza onde reside e a quem pertence?
Quantos signos ela tem? Você conhece um decodificador de Beleza?
Não tenho essas respostas e ninguém a tem!
Por isso não devemos insistir em desacreditar o indizível ao revés de contemplar as belezas e sentir a força invisível, criadora dos lírios do campo e sustentáculo das aves do céu que voam porque acreditam que voam.
Viva Flor. . .
Brotei na barranca, morada minha
À beira das águas, contíguo à vereda
Guardo secretos segredos findas verdades
Sou feita de brandura, atenta e avivada
Me falta a voz, mas não sou mouca
Assim, nada digo aos passantes
Minha existência é breve em seu durar
Exalo olor mágico, para sequestrar atenções
Sou f lor frágil, aguerrida à beira rio
Admiro águas que passam peixes
Não conto horas corridas, nem as lentas
Amo garoas, brisas e ventos leves
Somo os minutos de minha eternidade
Conto estrelas, umas, mais que outras
Que flutuam acesas nas profundezas etéreas
Quanta paixão ainda há na leveza dessa ação?
Me arrepio ao beijo do beija-flor
Meu corpo treme, se arrepia. . . e nada entende
Sinto em cada curioso olhar, ser ternamente rara
Vivamente incontida, explodindo em amor de flor
Mulher não tem receita
Mulher há de ser uma expressão de delicadeza,
muito mais pra flor do que para aspereza humana.
É um encanto que combina força e beleza,
pouco importa se coberta de rosa ou azul.
Ainda que tudo seja breve, se veste de graça,
se reveste de brilho que vem da própria alma,
e desabrocha na cobiça dos homens,
onde o olhar não é assédio, mas admiração,
e necessário, caso contrário, seríamos cegos.
Mulher é muito mais que um corpo em movimento,
é uma mistura das inquietações humanas,
um coisa tão serena e calma,
quanto um vulcão adormecido.
Mulher é como uma borboleta que pousa,
fica um pouco e parte e se quiser, pode voltar.
É como uma nuvem que cobre e arrefece o calor,
ou labareda que aquece e faz derreter o coração.
Mulher é um templo onde os olhos são as portas,
e tem por dentro um mundo próprio e infinito.
Mulher é acordo, discórdia, contradição,
é um porto, um mar, um lugar,
onde não há acordo, nem rendição.
É maldade inocente, astúcia, malícia,
interesse, cobiça, esperteza,
carícia e até manipulação.
Mulher é um universo,
um encanto, um desencontro,
e até um bosque ou um parque,
com lugares que dão até medo,
e outros que são pura diversão.
Mulher pode ser rude, áspera,
inquieta e até desajeitada,
mas não é insensível,
nem resiste à carícia e ao elogio.
Mulher é uma planície tão calma,
quanto a escalada de um desafio.
É um monte, um cume, um precipício,
um lugar de sonho pra jamais acordar.
Mulher é zelo, é cuidado, é mãe,
mulher é um ser misto,
metade anjo, metade humano,
talvez metade homem,
por erro de algum cromossomo.
Mulher, enfim é mistério,
não poderia haver receita,
não tem como ter bula,
nem manual de instrução,
se tiver sorte de ter uma,
terá que descobrir sozinho o caminho,
para extinguir os resquícios do homem,
e ter a sorte de sobrar um anjo.
Mulher é o princípio, o meio e o fim,
é a razão do homem existir.
Não é um destino, é um caminho,
um abismo ou um precipício.
É um poço ou um fosso,
onde um homem pode se lançar,
sem medo de se afogar.
Mulher é um perfume que embriaga,
com angustias, sorrisos e encantos,
como a perfeição da criação.
É uma fera solúvel em água,
que dá à vida um certo ar de graça,
e que me perdoem os homens,
mas a mulher é fundamental.
(Paródia à ‘Receita de mulher’, de Vinicius de Morais).
Se retirar uma flor do
Jardim logo ela estará
Murchando, mas se
Você apenas apreciar
A beleza das rosas,
Você as terá como
Um troféu até que
Brote uma nova flor.
A política é como flor artificial; não exala cheiro nem desabrocha; logo vão desconfiar que a beleza da rosa nunca será objeto de desejo; será sempre algo fugaz; uma realidade que não apraz nem desperta a essência do amor.
A abertura de uma flor ao primeiro raio de sol. Que a simplicidade revele sua grandeza, enquanto o universo sussurra lembretes eternos da beleza que permeia nossa existência.
"Foste Flor"
Foste flor. Mostraste as pétalas antes não desabrochadas. Transformaste as manhãs sem cheiro em perfumados amanheceres ajaezados. Amanheceres adornados pelo cheiro que tu exalavas, e embelezados pelo encanto que tu tinhas. Cada movimento teu era como o balançar sutil de uma pétala ao vento, e cada palavra que dizias florescia no ar, como se brotasse de um campo imenso de vida. Não havia jardim mais bonito do que aquele que os teus gestos criavam, porque em ti havia o poder de dar cor ao que antes era apenas paisagem apagada, de trazer à vida o que estava em estado de decesso.
Houve um tempo em que tu ainda te escondias, retraída, talvez com medo de revelar tua plenitude, mas aos poucos foste se permitindo abrir. Primeiro, o caule cresceu firme, e logo as folhas começaram a mostrar o verde que nunca se imaginava tão intenso. Mas as pétalas, ah, essas guardaste por mais tempo. Eram tuas, preciosas, e não se mostrariam para qualquer um. Até que chegou o momento, e no teu próprio tempo, uma a uma, elas foram surgindo. Delicadas, vibrantes, frágeis e ao mesmo tempo resistentes.
Recordo-me do instante em que percebi que já não havia volta. Não mais eras botão, mas uma flor em pleno vigor. E o mundo parecia mais bonito com tua presença, como se todo o resto ganhasse um significado mais profundo, mais verdadeiro. Caminhar ao teu lado, nesses dias, era como passear por um campo repleto de perfumes suaves e tons infinitos. Havia uma alegria que transcendia, que nos tocava de um modo único, mesmo nas coisas simples. O brilho do sol tinha outro tom, o vento soprava com uma leveza nova. O próprio tempo parecia moldar-se ao ritmo dos teus passos.
Quantas vezes desejei que aquele instante nunca acabasse, que aquele florescer fosse eterno. Como se o próprio universo, em sua imensidão, se dobrasse ao teu redor, reconhecendo em ti uma força que não era visível aos olhos desatentos. Não, tu não foste uma flor qualquer. Teu florescer foi um marco, um ponto de virada para todos os que tiveram a honra de te contemplar.
Havia algo em ti que não se podia descrever facilmente, como se cada gesto teu fosse impregnado de um significado que ultrapassava as palavras. Foste flor, mas não qualquer flor. Foste aquela que, em meio à secura, encontrou força para desabrochar. E não o fizeste apenas para ti mesma. Cada pétala tua era uma dádiva para os que te cercavam. Era como se, ao abrir-se, também revelasses o caminho para outros seguirem.
Eu, que te observava de perto, sabia que havia muito mais em ti do que a simples beleza. O perfume que exalavas era apenas um reflexo daquilo que carregavas dentro de ti: uma essência rara, quase intangível, mas que se manifestava em cada olhar, em cada gesto. E o mundo, por mais que tentasse, nunca poderia capturar completamente o que significava teu florescer.
Agora, ao rememorar esses dias, percebo que foste mais do que uma simples flor. Foste a estação inteira. A primavera em sua plenitude, e não apenas por causa das cores que trazias. Não, era a renovação que tu simbolizavas. A certeza de que, mesmo depois dos invernos mais rigorosos, há sempre algo novo pronto para surgir. E, de fato, surgiste. Com uma delicadeza que só quem conhece as durezas da vida pode ter. Foste forte na fragilidade, e tua beleza residia justamente nesse equilíbrio.
Sinto que, ao te recordar, revivo cada detalhe daquele tempo. Os dias corriam de um jeito diferente, como se, ao teu lado, o ponteiro do relógio tivesse outra função. E as horas, tão fugazes para tantos, pareciam se expandir, como se quisessem prolongar a experiência de estar contigo. Cada segundo era vivido com intensidade, mas pacientemente. Porque, no fundo, sabíamos que o tempo, contigo, não se media em minutos ou horas, mas em momentos. Momentos que, mesmo breves, carregavam uma eternidade dentro de si.
Hoje, quando penso em ti, é impossível não pensar no que teu florescer significou para mim. Não foste apenas uma presença que passou; foste a transformação. E agora, embora o tempo tenha avançado, o que deixaste continua aqui, como uma marca inextinguível. Teu perfume, embora sutil, ainda está no ar, lembrando-me de que há coisas que o tempo não consegue apagar.
E assim, foste flor. Uma flor que não apenas enfeitou os dias, mas os transformou. Foste luz, cor, perfume e, acima de tudo, foste o renascer de algo maior do que nós mesmos. E, por isso, permaneces viva, mesmo que os dias de florescer tenham ficado para trás. O que plantaste em mim e nos outros jamais será esquecido. Porque, ao desabrochar, ensinaste-nos o que é viver plenamente, e isso, por mais que o tempo avance, não se perde. Foste flor, e isso é tudo o que se precisa saber.
""Sempre haverá flores aos olhares sensíveis e poéticos, porque flor é poesia, é terapêutico, é o arco-íris da sorte, é o tema preferido das minhas fotografias, porque deixa a minha alma em festa."
(vrf14)
"Assim como uma flor solitária pode embelezar um jardim inteiro, um pequeno ato de bondade pode transformar o mundo ao nosso redor."
"Não subestime o poder de apenas uma flor. Ela pode alegrar um dia, inspirar um poema, despertar uma memória ou simbolizar um amor."
Uma flor nasce indiferente
É colhida e morre sem pestanejar.
Há alguma especial?
Há momentos especiais
Em que toda memória se faz rir
Ou chorar.
E as flores são boas para recordar
Para encantar
Porque indiferentemente belas
São símbolos fatais de amor e ódio.
As flores levam consigo segredos
Mensagens ocultas de pensamentos invisíveis
Enfeitiçam e cumprem suas funções
Sem ao menos falar a língua dos homens.
A flor é perfume, é beleza
É bem-me-quer, mal-me-quer
É cores, vaidade e vislumbre.
Porém, mesmo amassada
Mesmo despedaçada
Mesmo murcha
Ela representa luz no fim do túnel
É capaz de encantar eternamente.
As flores são veneno
Capaz de iludir qualquer mente
E amolecer qualquer coração.
Se flor pra ir. Vá!
E a flor
Que vence tudo sem ser vista
Só tem Deus como patrocinador
Ninguém que invista
Mesmo assim esbanja beleza
Eu, sentado na mesa no dia de domingo
Lutando contra natureza
Discutindo comigo
Meti mão na caneta
Chorei depois da escrita
Astúcia do capeta
Menina bonita
Levei a passeio o celular
No bolso do ladrão que veio me roubar
Dando risada da desgraça que veio me visitar
Coisa com sentido
Só escrevo quando sinto
Não estou mentindo
Todos sabem que não minto
Invento, aumento
Sente o vento
Todos sabem que eu tento
Medo pra carai por isso lamento
Talvez eu seja a flor
Ou Deus
Ou o patrocinador
Quem dera se eu fosse
Quando criança planejei futuro
Era criança não sabia que era escuro
Tentei mudar o mundo
O mundo me mudou
Me mudei
Vivo em outro mundo
"Pense sempre que uma flor não precisa da primavera para abrir, porque muitas mostram sua beleza no sol do verão. Abra seu coração e mostre a sua em qualquer estação"
Por que a flor é tão bonita? Porque sabemos que não durará para sempre. O efêmero tem sua própria poesia, nos ensina a apreciar o agora. O mesmo vale para a vida, para os encontros, para os momentos que nos transformam. Nada dura para sempre – e talvez seja exatamente isso que faz tudo ter tanto valor!
A LETRA ALIVIA MINHA DOR
Tenho certo fascínio pela flor da planta Dente-de-leão, pois entre meus mais secretos desejos está a ver minha letra ser distribuída por almas
sensíveis, assim como o vento distribui as sementes desta linda flor, para que faça aos outros o bem que me faz, porque tudo que escrevo é antes de tudo um lenitivo para minha própria dor.
