Sidney Silveira
"Em tempos de degradação moral, o grande criminoso político é louvado pela massa que finge adular, a qual na verdade despreza".
"O sinal de que uma pessoa perdeu a inocência – e entrou, decisivamente, no caminho da maldade – é quando ela passa a culpar o próximo por suas próprias falhas".
"A boa vontade está serenamente aberta a não se satisfazer; a má se fecha em si mesma e tende ao desespero, quando o mundo a contraria".
"A arte é algo difícil de fazer; o que se faz com facilidade, ou de qualquer maneira, não pode ser artístico".
"O procedimento habitual do soberbo para com os fortes é a hipocrisia; para com os fracos, a tirania".
"Quem recebe muitos talentos e os enterra acaba por nutrir um satânico e secreto rancor contra quem recebe poucos e os partilha.
Por soberba, uma pessoa neste deplorável estado pensa que os seus talentos não foram gratuitamente recebidos, mas adquiridos por intransferível e inalienável mérito próprio, e portanto a partilha não se impõe à sua consciência como um dever a cumprir. Por acídia, só admira o que lhe parece inalcançável e não suporta que outros, presumivelmente menos talentosos, almejem o bem que ela própria, do alto de sua suposta superioridade, se recusou a buscar e realizar.
É assim a repulsa à grandeza disfarçada de amor à grandeza".
"A credulidade do homem superficial é apenas um disfarce do seu ódio à excelência. Em breves palavras, crer que as coisas não vão mal, quando na verdade são evidentemente péssimas, é uma maneira astuta de fugir à luta, de preferir as sombras à luz.
Desde sempre, o covarde usa o escudo do otimismo para eximir-se de suas responsabilidades.
Um otimismo falso".
"O maduro envelhece sem perder o viço, a jovialidade; o imaturo parece velho mesmo antes da meia idade".
"Energúmeno, de acordo com o étimo grego da palavra, é alguém possuído pelo demônio. Contemporaneamente, nós o podemos tomar por pessoa vencida de maneira impetuosa por uma maligna força desagregadora, ao ponto de despersonalizar-se por completo. O energúmeno é, pois, alguém incapaz de testemunhar com segurança os seus próprios atos, pois lhe falta vida interior.
Eram verdadeiros energúmenos aqueles a quem Cristo ordenou que não se atirassem pérolas..."
