Sidney Silveira
"As pequenas provações, que são as da vida inteira, exigem-nos paciência e constância; as grandes, que são excepcionais, demandam coragem e fidelidade à verdade.
Quem se arma destas quatro virtudes morais se aperfeiçoa aos poucos e logra ter sólida fortaleza, virtude cardeal distintiva das personalidades maduras.
Ou isto, ou a paulatina degradação do caráter por ninharias, até se chegar à autocomiseração e desta à inclemência, pois quem tem pena de si mesmo não sente compaixão por ninguém e se faz implacável em seus julgamentos.
A pessoa de alma molenga é injustamente dura com o próximo, sempre".
"Não existe lealdade a pessoas, grupos ou projetos. Só existe genuína lealdade à verdade; o resto são formas de acumpliciameto mais ou menos deplorável.
Só os verazes são leais, e como a veracidade requer um conjunto de virtudes para deitar raízes na alma de alguém, como coragem e humildade, para citarmos apenas duas, entende-se o porquê de as pessoas leais serem tão poucas neste mundo.
Quem é leal por interesse, seja este qual for, é um Judas por vocação".
"Disseminar o pânico e propor soluções para resolver os problemas que dele decorrem é a maneira mais eficaz de hipnotizar as massas e, em seguida, manipulá-las.
O século XXI promete deixar no chinelo o monstruoso século XX".
"O inferno é a inviabilidade de redenção, ou seja: a pessoa está aprisionada na imanência de uma dor para a qual não há saída. Daí o desespero. Daí o ódio devotado a todos os que não se encontram em tal situação. Daí a inveja. Daí a língua pródiga em blasfemar contra tudo
Nesta vida, deparamos com vários exemplos de gente derrotada pela angústia, de gente decaída no desespero, de gente refém das próprias murmurações e detrações.
Deus nos livre de chegar a tal estado, arquétipo da esterilidade espiritual em que uma pessoa, com grave culpa, se fecha à possibilidade de reorientar o vetor de sua vida.
Tais criaturas nos mostram que o inferno é logo ali, e ai de nós se não estivermos vigilantes".
"O homem descatolicizado do século XXI tende a perceber a mansidão como covardia e a temeridade como coragem".
""O arrependimento não é outra coisa senão a luz da inteligência que põe a nu os erros cometidos no passado".
"A pessoa de baixa auto-estima é das mais capazes de ferir psicologicamente o próximo – sobretudo se este lhe quer bem. A sua insegurança a faz voltar-se de maneira instintiva contra quem acredita no seu potencial, quem a valoriza de verdade, pois isto lhe traz esperanças contrárias à maneira como se enxerga.
Em suma, para quem é viciado em desesperança, ser amado é uma afronta intolerável".
"Lisonjas geram solidariedades comprometedoras e estorvam, de maneira muitas vezes irreversível, a liberdade de espírito, seja a do lisonjeador, seja a do lisonjeado.
Rejeitar com veemência elogios aduladores é o primeiro dever moral de homens a quem o vulgo chama 'intelectuais'.
Quem não desconfia do aplauso está sempre a um passo de ser por ele fragorosamente derrotado".
"A nenhum homem convém ter contato com as coisas degradantes sem antes haver conhecido as sublimes".
