RosangelaCalza

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Penso silenciosamente


Penso em silêncio e toco levemente o invisível...
Seguro entre meus dedos a água fugidia da existência...
Sinto-a escorrendo pelos caminhos dos dias,
sua natureza é a de não parar,
segue como tudo aquilo que insiste em passar.
O tempo sussurra suavemente sua passagem.
Move-se com passos silenciosos...
Uma rotina a disfarçar um hábito cotidiano eternamente repetido,
um suave vento que mal se deixa ser ouvido.

Do que somos feitos?


Somos feitos de instantes que se dissolvem,
no ar... na água... na terra.
Chegadas: presenças que já começam a partir,
no instante exato que chegam nasce o momento de embora ir...
Vamos deixando pegadas frágeis no pó do agora...
Vem o vento e suavemente as apaga, e sem pedir licença...
Mas todos sabemos: ficar nunca foi promessa...
A promessa? Todo o que chega tem marcada a hora de ir embora.

Quando você sorri


Pode sorrir, se quiser,
pois esse sorriso encantador
é uma luz magnífica
desabrochando no rosto
e aquecendo o mundo ao redor.
Não permita que a tristeza
encontre abrigo em seu peito
quando seus lábios se abrem
e seus olhos revelam
a alegria pura
do verdadeiro amor.
Não se preocupe com mais nada:
a tempestade já passou.
Levou consigo as sombras,
os medos e as dores antigas,
deixando no caminho
um céu lavado e cravado de esperança.
Agora, há um novo dia a cada dia,
esperando por seus passos...
há um horizonte tranquilo
onde a vida recomeça
com cores mais suaves
e sonhos renovados, abençoados.
Sorria, mesmo devagar, mesmo de leve...
como quem descobre
ainda existir beleza
nas pequenas coisas:
no abraço, na presença,
na fé que insiste em eternamente florescer.
Porque seu sorriso não é apenas alegria:
é promessa, cura e abrigo,
é a prova de que, depois da noite, depois dos dias de escuridão,
o amor sempre encontra
uma janela aberta
para voltar a iluminar seu coração.

Nos caminhos da vida


Nos caminhos da vida...


eu sigo sem nenhuma despedida,
minha mochila é levinha, levinha,
não me pre-ocupo,
não tenho problemas,
do medo, arranquei as algemas.


Pelo mundo afora,
sem preocupação,
estou sempre no aqui e agora
pra bem viver é essa a solução...
ou não...


Talvez, vou pensar, quem sabe, pode ser...
não fazem parte do meu dia a dia
sim ou não - eis a solução:
sou sempre adepta ao 'sorria, sorria'.


Sou pura consistência, inocência...
paciência...
ou não.


Não tenho tempo pra esperar,
o mundo sempre a rodar,
o vento a mudar
e eu vou me calar?


Comigo... é tudo agora.
Pra depois? Já fui embora.


Então: sim ou não...
não demore pra decidir,
neste momento já estou pronta pra partir...
minha vida seguir.

Estou ficando velha...


Por que é tão complicado para a mulher dobrar a curva dos anos? É impressão minha que para os homens é diferente? Cabelo branco é charme... estar com mulheres mais jovens é demonstrar poder de rejuvenescimento...
Para nós mulheres... cabelo branco é sinal de desleixo... estar com homens mais jovens? É enfrentar olhares estranhos... é se arriscar a ouvir que se está sustentando um garotão...


O que ouço muuuuito agora que estou ficando velha:
durma muito bem...
cuide de sua alimentação...
exercite seu cérebro...
pratique atividades físicas, mas não precisa ser de forma intensa ou exaustiva...
quando acordar seja criativa: leia, faça palavras-cruzadas, socialize... - não fique parada esperando a morte chegar...
tenha um propósito...


e eu só ouço e penso: mas a maioria desses conselhos não servem pra quem não está ficando velho também?

Estou de partida,
cansei desta vida,
procuro, em silêncio,
na penumbra dos dias a porta escondida.


Levo nos olhos
o sal das marés,
um céu despedaçado
e muitos antigos porquês.


Fui ave ferida,
sem ninho, sem canto,
voando entre abismos,
bebendo o fel do pranto.


Mas há, sob as cinzas,
uma brasa acesa;
um sopro pequeno
de pura e doce surpresa.


Talvez a saída
não seja partir,
mas abrir as asas
e aprender a voar por caminhos opacos
me equilibrar entre os que realmente estão a existir.


Talvez o caminho a se fazer... se refazer...
comece no chão,
quando a própria queda
se torna impulso e mão.


Se a noite me cerca com seu véu profundo,
ainda há estrelas espiando o mundo.


E, mesmo cansada,
minha alma se atreve:
há vida escondida neste instante tão breve.


Não parto do mundo,
parto do que me dói;
deixo para trás um medo que me estrangula e me corrói.


Recolho meus cacos,
reaprendo a voar:
sou ave ferida,
mas posso pousar...
e, assim que curada, recomeçar.


Amanhã, talvez,
com o peito aberto,
descubra na estrada
um recomeço perto...
faça eu um voo certo.

Viva o agora! Viva-o já!
Amanhã!? Bem, amanhã...
posso ser displicente
ser diferente
ou talvez eu me reinvente...
mudando pra sempre...
afinal, já falei... sou consistente
e vivo o presente...
e cada dia é diferente... concorda?


Viva o agora! Viva-o já,
antes que o instante se dissolva
na esquina invisível do tempo,
antes que o sonho se esconda
sob a poeira dos dias.


Amanhã? Bem, amanhã
posso ser displicente,
posso ser diferente,
ou talvez me reinvente,
mudando para sempre,
como quem troca de pele
sem deixar de ser semente.


Afinal, já falei: sou consistente,
feito rio que segue adiante,
mas guarda nas margens
a memória de cada nascente.
Vivo o presente —
este milagre breve,
esta chama que arde
entre o que fui e o que serei.


E quando penso ter partido,
quando o passado parece distante
e o futuro se abre, gigante,
há uma voz, terna e persistente,
que atravessa o silêncio,
me alcança de repente,
e ainda insiste
em me chamar pelo nome.


Então eu paro.
Respiro.
Escuto.


Porque talvez viver seja isso:
não fugir do tempo,
mas abraçá-lo no instante exato
em que ele passa —
e, por um segundo,
também me abraça.

Viva o agora! Viva-o já,
antes que o instante se dissolva
na esquina invisível do tempo,
antes que o sonho se esconda
sob a poeira dos dias.

Pra você guardei


Pra você eu guardei
um amor inteiro,
dobrado entre silêncios,
como carta que o tempo
não conseguiu apagar.


E nem notei
que, enquanto eu procurava
respostas nas estrelas,
você florescia escondido
no jardim secreto do meu peito.


Não se preocupe com mais nada.
A tempestade já passou.
Levou as coisas ruins com ela,
varreu do caminho as dores,
os medos e as promessas quebradas.


Agora, o céu se abre devagar,
lavado de tristeza,
e a luz repousa mansa
sobre nossas mãos.


Tudo está novo para viver:
o primeiro abraço sem pressa,
o riso que nasce tímido,
a esperança aprendendo
a caminhar novamente.


Se ainda houver feridas,
deixe que o tempo as acalme.
Eu fico.


Fico para ouvir seu silêncio,
para proteger seus sonhos,
para amar sem exigir
que o amanhã seja perfeito.


Porque depois de tanta chuva,
há em nós uma primavera inteira—
e, desta vez,
eu não vou deixar
que o amor passe despercebido.

Talvez, o amar...


Nas inquietas noites, onde o silêncio pesa,
caminho por dentro de mim, sem direção,
como quem busca, entre ruínas e promessas,
um vestígio da tua antiga voz no coração.


Cada lembrança tua é uma chama acesa,
ardendo mansa nessa escuridão chamada saudade cheia de nostalgia;
ilumina o que perdi, revela a fraqueza,
mas também aquece a minha solidão tardia.


Há ainda o teu nome nas paredes do pensamento,
sussurrado pelo vento, pela chuva, pelo chão;
e mesmo quando tento calá-lo no tempo,
ele floresce, teimoso, dentro do meu coração.


Talvez amar seja carregar ausências,
guardar no peito aquilo que partiu,
reconhecer, entre tantas presenças,
o vazio que o adeus nunca cobriu.


Mas hoje, devagar, recolho os pedaços,
deixo a noite passar sobre a minha pele;
e descubro, entre lágrimas e abraços,
que também renasce quem um dia se perdeu.


Pois toda chama, mesmo quando fere,
pode ensinar o caminho de volta;
e o coração, cansado, ainda prefere
abrir-se ao amanhã, mesmo diante de uma fechada porta.

A paz


Há um tipo de pensamento que não faz ruído,
uma brisa escondida entre as frestas do dia.
Ele chega devagar, sem bater à porta,
vestido de sombra e luz,
como o entardecer quando toca portas e janelas.


Não traz respostas,
nem exige caminhos.
Apenas se senta ao nosso lado
e contempla, em silêncio,
o que fomos deixando para trás.


Por um instante, o mundo desacelera.
As horas, cansadas de correr,
deitam-se sobre os ombros da tarde
e respiram docemente conosco.


Então percebemos:
há silêncios que não são vazios,
mas moradas profundas,
onde a alma se encontra
sem precisar dizer seu nome.


E nesse breve intervalo
entre o ontem e o que ainda não nasceu,
o coração aprende a permanecer –
não como quem espera,
mas como quem finalmente escuta
a delicada música de existir.


Talvez seja isto a paz:
um pensamento sem ruído,
pairando dentro de nós,
como a última luz do dia
antes de partir.

Desesperança


Árido deserto,
ninguém por perto...
tum-tum, tum-tum...
bate sozinho um coração...


Desesperança...
errado está quem diz
'que quem espera sempre alcança'.


Sempre é certeza demais...
nunca é tempo demais...
olha pra frente,
deixa pra trás
o que ficou pra trás...


Pegadas apagadas,
palavras sufocadas,
caminho deserto...
só isso mesmo é 100% certo...
o resto é pura ilusão


Tum-tum, tum-tum...
por mais que se queira
só se tem um coração
a vida inteira....

Nos meus sonhos você sempre está


Te vejo nas brechas soturnas da noite vazia,
onde o silêncio aprende a chamar teu nome,
no vento que atravessa a janela
e traz, por um instante, o perfume da tua presença.


Te vejo na sombra que dança pela parede fria,
desenhando contornos que meus olhos conhecem,
na luz cansada da madrugada,
quando a saudade se senta ao meu lado
e me pergunta por que ainda espero... mesmo estando tão desolado...


Te encontro nos sonhos,
esses lugares secretos onde o tempo não alcança,
onde tua voz permanece inteira
e teu abraço não conhece despedidas.


Mas o amanhecer chega, impiedoso,
rasgando a delicada mentira da noite.
O dia te apaga lentamente de mim,
como chuva apagando palavras escritas na areia.


Ainda assim, guardo teu nome
na parte mais funda do peito,
onde nenhuma manhã consegue alcançar.
E, quando a escuridão retorna,
volto a te procurar nas frestas do mundo,
porque amar também é aprender
a perder alguém todos os dias
e, mesmo assim, continuar sentindo...
É continuar vivendo e pra si mesmo mentindo.

Minha vida


Minha vida quero viver
bem do jeito que eu quiser...
sem nenhum controle -
descontrole total...
ela é minha afinal.


Quem manda nela sou eu -
eis um fato beeemmm real!


Beleza, amigo...
segure as rédeas na sua mão,
escolha você a direção...
siga na mão...
ou na contramão...


Você é o piloto
sua própria vida pode pilotar,
seu próprio ar a própria hélice girar,
e deixa o mundo a rodar, a rodar, a rodar
e você com ele se entontear.

My friend,


Você pode espernear,
gritar... se rebelar,
descartar, desacreditar...
resistir...
mas há Alguém que - se Deus quiser -
não vai de você desistir...
vai insistir...
vai deixar você rodar, rodar, rodar...
até tontinho ficar
e cair.


Daí, irmão...
a solução cairá na sua mão...
seus olhos vão se abrir
e você saberá o que é sorrir.
perdão vai encontrar,
vai descansar...


Então, pode rodar, e rodar, e rodar...
se Deus quiser, o caminho de volta
Ele vai lhe mostrar...
Se Deus quiser,
eternamente você vai viver.

A vida que não tenho


Há uma vida que me chama
do outro lado dos dias,
onde os sonhos não se escondem
atrás de portas vazias.


Nessa vida, acordo leve,
sem o peso antigo no peito;
o sol repousa em meus ombros,
e o medo perde o direito.


Caminho por ruas tranquilas,
com as mãos cheias de esperança,
e cada passo que dou
tem o ritmo de uma dança.


Há abraços que não vivi,
palavras que não foram ditas,
janelas abertas ao vento,
noites menos infinitas.


Talvez eu more nessa vida
em algum lugar dentro de mim,
numa pequena luz teimosa
que se recusa a chegar ao fim.


Porque a vida que eu queria
não é apenas miragem:
é semente sob a terra,
é vontade, é passagem.


Mesmo que hoje eu não a tenha,
mesmo que doa esperar,
ainda guardo em meus olhos
o horizonte onde hei de chegar.


E, enquanto o mundo me atravessa,
aprendo, enfim, a respirar:
às vezes, a vida desejada
começa quando ousamos recomeçar.

Caminho por ruas tranquilas,
com as mãos cheias de esperança,
e cada passo que dou
tem o ritmo de uma dança.

Passos lentos...
que desalento.
Caminho desconhecido...
corações desunidos.
Cruzando olhos vazios
os sonhos todos por um fio.

Portas fechadas


Das portas fechadas,
ficaram ecos de passos
que nunca tiveram coragem de partir.
Nas janelas trancadas,
a luz se desfaz devagar,
como um sonho esquecido
atrás das cortinas.


Há portões escondidos
sob heras e silêncios,
guardando caminhos
que o medo inventou impossíveis.
E há medos sem sentido,
pequenos gigantes à noite,
crescendo no escuro
com a força que lhes damos.


Mas, dentro do peito,
uma chave ainda respira.
Talvez não abra o mundo inteiro,
talvez apenas uma fresta —
o bastante para que o vento
toque o rosto
e lembre ao coração
que viver também é atravessar.


Nenhuma parede é eterna.
Nenhum cadeado conhece
a insistência da esperança.
Um dia, as mãos cansadas
encontrarão a maçaneta;
os olhos, a manhã;
e os passos, enfim,
o caminho de volta
para dentro da própria coragem.

Das portas fechadas,
ficaram ecos de passos
que nunca tiveram coragem de partir.
Nas janelas trancadas,
a luz se desfaz devagar,
como um sonho esquecido
atrás das cortinas.

Quero movimento


Agora quero é movimento, ventania,
o rumor das folhas quebrando o silêncio,
a estrada abrindo seus braços de poeira,
o coração desaprendendo o medo.


Chega de monotonia,
de dias dobrados na mesma gaveta,
de sonhos esperando a hora perfeita
para nascerem — e nunca nascendo.


Quero o sal de mares desconhecidos,
a vertigem das pontes,
o riso solto contra o rosto,
a chuva lavando antigas promessas.


Que venham os ventos,
mesmo que desarrumem meus cabelos,
mesmo que levem retratos, certezas,
nomes que já não cabem em mim.


Quero passos, faíscas, horizontes,
a vida pulsando sem pedir licença,
o instante aceso como estrela cadente,
a coragem de seguir seu clarão.


Se o mundo é vasto,
não serei pequena por medo da distância.
Abrirei as janelas,
deixarei entrar o impossível,
e caminharei —
não para fugir de quem fui,
mas para encontrar quem ainda posso ser.

Agora quero é movimento, ventania,
o rumor das folhas quebrando o silêncio,
a estrada abrindo seus braços de poeira,
o coração desaprendendo o medo.

Domingo de sol


Domingo de sol,
assim é com você:
mesmo quando a manhã desperta
vestida de silêncio,
há uma luz secreta
nascendo em seu olhar.


Podem as nuvens o céu cobrir,
podem os ventos apagar
as cores suaves do dia,
mas o sol você consegue descobrir
nas pequenas frestas da esperança,
no abraço que aquece,
na palavra que chega
quando tudo parece distante.


Carrega em seus braços você uma primavera
onde o mundo vê inverno;
guarda você no peito uma chama
que nenhuma sombra consegue vencer.
E, quando a tristeza se aproxima,
não foge você da noite:
acende estrelas no caminho
pega-me em minhas mãos e ensina-me a continuar.


Por isso, domingo de sol
não é apenas um dia bonito:
é a certeza de que,
mesmo depois da chuva,
há sempre um céu esperando
para se abrir dentro de nós.


Assim é com você:
luz que permanece,
mesmo quando o mundo aos meus olhos escurece.

Domingo de sol,
assim é com você:
mesmo quando a manhã desperta
vestida de silêncio,
há uma luz secreta
nascendo em seu olhar.

Venço a dor


Lá no horizonte...
estou mais perto de você
assim que me convenço
pra sobreviver.


Do outro lado da tela...
estou mais perto de você...
assim é que a dor venço,
procurando não enlouquecer.


Do outro lado da tela,
estou mais perto de você;
entre pixels, suspiros e estrelas,
meu coração aprende a te ver.


Assim é que a dor venço,
costurando a noite em clarão,
transformando o silêncio imenso
em abrigo para a solidão.


Procuro não enlouquecer
quando a saudade bate à porta,
quando a distância insiste em dizer
que toda esperança está morta.


Mas seu nome acende a madrugada,
feito farol sobre o mar;
e, mesmo estando tão distante,
sinto sua presença chegar.


Talvez o amor seja isso:
uma ponte invisível, inteira,
ligando dois mundos feridos
pela luz de uma tela passageira.