Talvez, o amar... Nas inquietas noites,... Rosangela Calza

Talvez, o amar...


Nas inquietas noites, onde o silêncio pesa,
caminho por dentro de mim, sem direção,
como quem busca, entre ruínas e promessas,
um vestígio da tua antiga voz no coração.


Cada lembrança tua é uma chama acesa,
ardendo mansa nessa escuridão chamada saudade cheia de nostalgia;
ilumina o que perdi, revela a fraqueza,
mas também aquece a minha solidão tardia.


Há ainda o teu nome nas paredes do pensamento,
sussurrado pelo vento, pela chuva, pelo chão;
e mesmo quando tento calá-lo no tempo,
ele floresce, teimoso, dentro do meu coração.


Talvez amar seja carregar ausências,
guardar no peito aquilo que partiu,
reconhecer, entre tantas presenças,
o vazio que o adeus nunca cobriu.


Mas hoje, devagar, recolho os pedaços,
deixo a noite passar sobre a minha pele;
e descubro, entre lágrimas e abraços,
que também renasce quem um dia se perdeu.


Pois toda chama, mesmo quando fere,
pode ensinar o caminho de volta;
e o coração, cansado, ainda prefere
abrir-se ao amanhã, mesmo diante de uma fechada porta.