RosangelaCalza
Roleta russa
Forte você é...
Percebo você tremendo,
vacilando,
titubeando...
no caminho da vida se equilibrando.
Corda bamba...
Campo de guerra, barreiras fortemente armadas por sacos de areias sociais,
o frio da lápide... dias desnorteados, completamente imorais.
Não amedronta, e precoces lançam-se ao fim, à morte... pronta está desde agora sua lápide.
Roleta russa, desatino, jogam dardos envenenados em suas mãos frágeis
O ferro, o berro, o sangue...
o homem ainda menino
Vejo você sofrendo...
lutando...
se adaptando.
Roleta russa...
Cada dia uma agonia.
vida perdida, triste e vazia.
Forte você é...
a luz a cortar o escuro da janela...
na vida você está pro que der e vier...
pra tudo o que se esperar dela.
Isolou-se
Isolou-se...
como uma ilha no meio do oceano
isolada...
isolado...
nada em todos os lados...
Por todos os lados...
De todos os lados... desgarrado.
Decepção, dor...
dormência total,
torpor.
Dorme seu coração
só, sem ninguém,
sem nada no meio do nada.
Decepção, dor...
dormência total,
torpor que embala a alma,
silêncio que pesa no ar.
Dorme seu coração,
só, sem ninguém,
despido de esperança,
mudo em meio ao vento.
No vazio do nada,
ecoam memórias apagadas,
lágrimas que não caem,
feridas que se fecham em vão.
E nesse sono profundo,
onde o tempo parece quebrar,
o peito sente a ausência,
o frio de um mundo sem calor.
É isso que faz uma vida sem amor.
des...
faz...
se...
No meu limite
"No meu limite acabei de chegar."
... e você deve estar a se perguntar -
"E agora, é naufragar... ou naufragar?"
Amigo querido, o remédio
é a providência de Deus esperar.
E em Deus confiar... e confiar.
Para Abraão... a morte do filho
era só o que ele podia esperar...
Deus proveu um cordeiro no lugar.
Para Moisés, era sim no mar naufragar...
Deus o fez a pé atravessar...
E você... seja lá o que está a lhe limitar,
um milagre de Deus vai seu limite deslimitar ;)
Veja a luz no fim do labirinto...
E segue a vida
E a vida segue...
Depois de outro dia vivido... com suas tristezas, alegrias, vitórias, perdas, (in)utilidades)... a vida segue.
A vida segue como seguiu depois de tantas desumanidades já vividas... sofridas.
A vida segue... e segue diferente de antes...
com mais uma cicatriz...
A vida segue pra mim...
A vida segue pra você...
A vida segue pra quem escapou por um triz...
A vida segue... A vida segue pra mim, silenciosa e leve, como brisa que dança entre folhas ao entardecer.
A vida segue pra você, com seus passos firmes, entre risos guardados e sonhos que insistem em florescer.
A vida segue pra quem escapou por um triz, aquele instante frágil onde o tempo hesitou, oferecendo nova chance, novo olhar.
A vida segue, rima sutil entre o ontem e o amanhã, um verso contínuo que pulsa no peito, suave e envolvente.
E assim, seguimos—com a alma aberta, acolhendo o imprevisto, navegando mares de esperança, onde cada batida é promessa, cada respiração, renascimento.
Porque a vida, ah, a vida nunca para, nunca cessa... ela apenas segue, incessante, doce e profunda.
Porque é isto que a vida faz:
recolhe os pedaços, cola os cacos,
seca as lágrimas
e segue...
A vida segue na esperança
de um dia mais feliz.
Bem-vindo, amor
Bem-vindo, amor
que acalma...
traz paz pra alma...
A poesia fala por mim
testemunhada por ti...
Bem-vindo, amor
que acaba com o longo inverno,
traz o perfume da primavera...
O calor do verão que aquece meu coração...
Bem-vindo, amor
que faz acreditar
que sempre há uma saída,
que ainda vai chegar o melhor da vida.
Que abre caminhos...
Que constrói portas...
que conserta vias tortas.
Bem-vindo, amor
que faz entender todas as outras partidas.
“Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?”
Fernando Pessoa
Silêncio
Há um silêncio dentro de mim,
depois de você...
Um silêncio traduzido em inquietação...
Minha vida não pode ser dividida,
quero de volta a parte
que você pra bem longe levou...
Música sem melodia
é assim o meu dia
sem alegria.
É impossível bater pela metade o coração...
Silêncio dentro de mim,
onda suave que me acalma,
eco sereno na alma faz,
refúgio eterno, enfim, quero-lhe, amor meu, volta para ter novamente paz.
Palavras se desfazem no ar,
sussurros mudos a dançar,
no peito, uma paz sem fim,
o silêncio reside em mim...
Traz isso de volta pra mim!
Como brisa leve a tocar,
segredos prontos a revelar,
na quietude, encontro a luz,
silêncio que me conduz.
Você de novo aqui do meu lado... a tristeza que se desfaz...
Volta... eu sei que o caminho você sabe... eu sei que você é capaz!
O que é o amor?
Não sabe o que é o amor,
só conhece a dor.
A vida, nada generosa,
esqueceu-se de lhe mandar rosas.
Só lhe mostrou espinhos,
e segue ele seu solitário caminho,
deserto... nunca ninguém por perto.
Todas lágrimas derramadas,
todas as lágrimas choradas...
com a chuva misturadas
e ninguém notou nada.
A esperança... só por um átimo...
e sumiu, entre seus dedos...
desapareceu...
e no lugar deixou puro medo.
Vida sem amor, um silêncio profundo,
Um céu sem estrelas, vazio no mundo.
Caminhos desertas, corações sem cor,
Ecoa no peito o frio da dor.
Sem o toque suave que aquece a alma,
Falta o brilho terno, falta a calma.
Mas mesmo na sombra, uma luz a brilhar:
Esperança que um dia o amor vai chegar.
E ele é forte,
embora a dor quase não suporte,
segue... sabe que, no fim,
há um amor que a ele importe...
e, com ela, o doce fim de sua triste sorte.
Não, não tem graça
Não, não tem graça...
Você pinta meu céu negro,
de um negro mais negro que a escuridão
de uma noite eterna, que passa, que passa...
mas nunca passa.
No céu negro, nuvens pesadas se arrastam,
segredos sussurrados em rajadas de ventos que me sufocam...
silêncio sepulcral envolve minha noite em pesados véus,
o vento canta histórias misteriosas e graves.
Cada sopro é um toque, cada sombra, uma ameaça,
na vastidão escura, um manto de cansaço me arregaça.
E assim segue a terra, sem paz e em profundo mistério,
sob o céu que guarda o infinito etéreo... mas tenebroso e denso.
Não, não tem graça...
Você torna minha vida mais noite que a própria noite...
você passa
com seus açoites
é um vulto que passa
e por onde passa vai semeando desgraça.
Não, não tem graça..
Tá rindo do quê?
Da minha desgraça?
Olha que essa coisa passa.
Nada a perder
Não, você não tem nada a perder,
nem nada a ganhar...
a vida é só pra se viver,
dela nenhum troféu ninguém vai levar.
Na lida diária da vida, nada a perder, nem a ganhar,
somente o sopro do instante você tem pra lhe guiar.
Entre sombras e luzes, um navegar sereno, às vezes, puro veneno...
O tempo se desfaz em um instante dorido, sofrido ou deleitável, ameno.
Passos que não pesam, olhos que só veem a essência do agora que a alma consigo carrega... é tudo o que a vida pra você entrega
No silêncio do peito, um doce despertar, ou de um pesadelo com o amanhecer se livrar...
Na vida, nada a perder, nada a ganhar... apenas um eterno caminhar pra no nada um dia chegar.
Um dia de cada vez,
não importa o que você fez
ou o que deixou de fazer...
viva da vida o que dá pra viver,
viver de verdade não é pra valer...
até porque...
não fim todo mundo vai mesmo é morrer.
Pés perdidos
É tão difícil ser você mesmo?
Emoções falsas,
tanto esforço despendido em vão...
não, não adianta tentar esconder
o que vai em seu coração.
Seus olhos não mentem,
transparecem o que sentem...
o sorriso na sua boca costurado...
você nem percebeu: costurou errado.
Pés perdidos na direção incerta,
trilha que se esconde em névoa densa,
cada passo ecoa na alma deserta,
busca um rumo, uma luz intensa.
Caminho torto, vento a sussurrar,
segredos velados no chão jogados,
mas o coração insiste em pulsar,
na jornada de um ser obstinado.
Das sombras, um brilho pode surgir,
pés que se perdem, mas nunca cessam,
pois na perda, a força emerge,
e os sonhos na estrada se expressam caminhando em busca de um belo porvir.
Os pés... perdidos.... seguem qualquer destino,
machucados, buscam uma direção...
Quer saber a resposta pra tanta aflição?
É só você... você mesmo ser...
Sim... seja você mesmo, my friend...
se feliz - de verdade - quer ser.
Seu beijo
Feche os olhos,
pense nisto:
nossa vida se cruzou por um átimo.
Se descruzou por outro átimo...
Seu nome na areia a água do mar apagou.
Seu perfume rapidamente no ar se evaporou...
Suas palavras um clique deletou.
Seu beijo minha boca nunca tocou.
O nosso amor nunca se concretizou.
Sua imagem à minha mente voltar se recusou...
Abra os olhos....
Diga-me quem pode impedir isto?
A dor que em mim ficou...
A saudade que bate à porta...
O futuro incerto à minha frente...
A alma triste que se acamou: está tão doente.
Cores
"Cinquenta tons de cinza"
é o que ouço todo mundo a falar...
Nostalgia, agonia...
tristezas todo o dia... todo dia.
Bem lá atrás ficou o tempo todo que sorrir
era tudo o que você sabia.
Planos traçados em linhas tortas,
sonhos ao vento lançados, sem norte, reféns da sorte.
Caminho perdido, passos em vão,
rumo incerto, coração sem verão.
Promessas feitas na sombra do medo,
Esperanças pra outro rincão fugidas, silêncio e segredo... você completo refém do medo.
Entre ruínas, busca direção,
do caos espera nascer a força, uma nova vida, a nova visão.
Cada queda é um mapa desfeito,
mas no erro floresce um jeito.
No amanhã uma interrogação.
Sem rumo certo, navega por mares bravios... busca um porto seguro, um farol... um caminho claro deixando pra trás o escuro.
Pois acredita: há vida intensa mesmo em um caminho sem placas, sem sinal... há vida atrás dos muros.
Hoje são nuvens pesadas.
caras amarradas...
planos, projetos, sonhos
que acabaram em nada.
É hora de mudar
trazer de volta toda a alegria.
E é fácil a vida transformar...
Sabe como?
É só pro mundo você... com uma bela cor pintar!
Veneno
Veneno, do latim,
“poção mágica para se fazer amar, encanto e sedução”.
Veneno... de Vênus - da beleza, da sensualidade, livres de um padrão.
Veneno... de Vênus, que surge das espumas do mar sem fim.
...
Veneno... sufocando, corroendo, dilacerando...
lentamente, a vida anoitecendo...
o pensamento escurecendo...
o corpo se desfazendo.
Sentimento... escondido, disfarçado, mascarado?
...
Na quase consciência, inconsciência....na consciência
descaradamente escancarado?
Veneno que lentamente à vida vai dando cabo.
Veneno... onde ficou seu significado original?
Por que, em mim... está em dose mortal!
Coração quebrado
Bam!!!
Você saiu... a porta bateu
e deixou aqui deste lado
um coração quebrado.
Chorei de dor...
pra você liguei
e perguntei:
como está seu coração?
"Está bem... só um pouquinho amassado...
nada demais... que até amanhã ainda possa ser notado.
Continuo escrevendo
E eu continuo escrevendo
... e você lendo.
Cada dia nascem da minha imaginação
dezenas de linhas... algumas publicadas...
outras não.
Escrevo o que sinto...
não minto
Mas não limito
os quadros que pinto
aos meus sentimentos
à minha imaginação.
Algo lido aqui...
ouvido ali,
e junto as palavras:
olha só o novo texto que escrevi.
Se aos meus sentimentos eu me limitasse
pouco teria a dizer...
Se sentisse tudo o que escrevo
ia pedir que me internassem...
estaria pertinho de endoidecer... ;)
Gosto de gente
Gosto de gente
que não vive se olhando
no espelho do passado...
que ri do passo dado errado...
que não sofre com o leite derramado...
Gosto de gente que tenta novamente,
e novamente,
e novamente...
Gosto de gente que sabe que o sentido da vida...
... é pra frente ;)
Intocável
Intocável...
Não como um Dalit...
ou como um extraterrestre...
ou como algo que não presta.
Intocável...
ilibado, intacto, íntegro...
imaculado, puro, impoluto...
não por mim, nem por minhas obras...
não pelo meu presente... tampouco pelo meu passado...
mas, única e exclusivamente....
pelo sangue de Jesus por mim derramado.
Lego
Eu pego...
uma peça... duas peças...
três peças de Lego
e pra nós dois
construo uma vida bem colorida...
Se um dia chegarmos a um beco sem saída
Deixo tudo de lado... começo tudo de novo,
Faço tudo novo... e de novo... e de novo...
Viu!? Viver é fácil assim...
Basta comprar um monte de Lego...
a tudo remontar não me nego.
Diferente de antes
Quadradinho...
Tudo bem certinho.
Ontem, hoje, amanhã,
Vive tudo igualzinho.
Previsível, calculado
Sequer olha pro outro lado.
E eu!? Bem, eu
“prefiro ser esta metamorfose ambulante”.
Agora... já estou beeemmm diferente
... de antes
Quero descer
Para tudo...
quero descer.
Para tudo
antes de eu morrer.
Para tudo...
estou cansada de tanto sofrer
Para tudo
assim não há razão pra viver.
Para tudo...
quero esquecer.
Para tudo
não quero mais saber.
Para tudo...
chega de tanto anoitecer.
Para tudo
só quero amanhecer.
Para tudo...
quero voltar
dar voltas e voltas
sem parar...
Para tudo...
quero acordar,
abrir os olhos bem devagar,
e ver que tudo mudou de lugar.
Para tudo sempre há a possibilidade de mudar...
mas não pode parar ;)
Vida que segue
Deita e dorme...
primeiros raios do sol, já levanta,
engole o café,
paga conta.
Corre que corre... não para
vai e volta...
come... não come
chora e chora
e a dor não some...
Intoxica... desintoxica...
vai ou fica?
anda apressado
timer sempre ligado...
sonhos... esperanças...
viver... e viver... às vezes... cansa.
Olha pra frente,
olha pra trás...
vida afrouxa... vida aperta
no mundo perdido
o futuro lhe tira a paz.
Roda... roda... roda...
sorri sorridente
vida não é permanente...
chora que chora
a vida não volta atrás...
Embrulhado!
E está tudo acabado.
Do medo
Medo...
Esconde tudo em tudo o que é lugar onde não possa encontrar...
anda devagar, com medo de chegar,
não joga... assim, não corre o risco de não ganhar...
não dorme, com medo do que vai encontrar quando acordar...
não vive, com medo de ver a hora de a morte se aproximar...
Não se olha no espelho...
com medo do que seus olhos possam lhe revelar.
E a vida a passar...
e o medo tudo a paralisar.
Em Paris
"Meu Deus! Quanta beleza..."
exclama o poeta Castro Alves...
Meu Deus! Quanta tristeza...
horror, indignação
achar que a solução está...
nas próprias mãos...
Ou... pior... achar que É a solução.
Não sei
Tão cedo, tão tarde,
por onde andei?
Quantos passos dei?
Por quantos caminhos não caminhei?
Quantas vezes me reinventei?
Não sei...
Tão cedo, tão tarde,
tanto tampo faz,
de lembrar já não sou capaz...
quando comecei,
nem que caminhos tracei,
nem quantas vezes recomecei.,
nem o que me tornei...
Não sei...
O anoitecer,
No alvorecer...
começar no ponto final,
os primeiros raios do amanhecer,
os últimos do pôr do sol...
Quem sou eu afinal?
Insanos
Ideia mais insana
até profana...
ouvi hoje alguém dizer:
- Deus? Um enorme espelho que se quebrou,
em mil pedacinhos pelo Universo se espalhou,
Deus... em bilhões e bilhões de pedaços se transformou.
Um dos cacos peguei,
e o que vi é reflexo no espelho refletido
daquilo que tenho sido.
Isso é que pra mim faz o maior sentido.
Ideia perigosa essa...
você já pensou
que o espelho a sua mão pode cortar
e você não vai parar de sangrar,
e até sua vida todinha acabar...
não haverá um Deus pra lhe ajudar?
Diga-me, a quem vai você clamar?
Solução: destrone seu eu,
dê a Deus Seu devido lugar,
somente Ele pode de sua vida
cuidar...
consertar... e vida nova lhe dar.
