Quero movimento Agora quero é... Rosangela Calza
Quero movimento
Agora quero é movimento, ventania,
o rumor das folhas quebrando o silêncio,
a estrada abrindo seus braços de poeira,
o coração desaprendendo o medo.
Chega de monotonia,
de dias dobrados na mesma gaveta,
de sonhos esperando a hora perfeita
para nascerem — e nunca nascendo.
Quero o sal de mares desconhecidos,
a vertigem das pontes,
o riso solto contra o rosto,
a chuva lavando antigas promessas.
Que venham os ventos,
mesmo que desarrumem meus cabelos,
mesmo que levem retratos, certezas,
nomes que já não cabem em mim.
Quero passos, faíscas, horizontes,
a vida pulsando sem pedir licença,
o instante aceso como estrela cadente,
a coragem de seguir seu clarão.
Se o mundo é vasto,
não serei pequena por medo da distância.
Abrirei as janelas,
deixarei entrar o impossível,
e caminharei —
não para fugir de quem fui,
mas para encontrar quem ainda posso ser.
