Ricardo Maria Louro

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⁠Eu sou livre -

Eu sou livre como os pássaros
como as bandeiras ao vento
que trazem barcos e poetas
e na memória dos Bárbaros
é na passagem do tempo
que permaneço como brecha!

Eu sou livre como a morte
como dois apaixonados
que se amam e se destroem
e lembro-me, por sorte,
daqueles dias cansados
que por doerem já não doem!

Eu sou livre como a chuva
como as folhas ao vento
como a voz de uma criança
e como lágrimas de viúva
sou como o pensamento
livre que se alcança!

Eu sou livre de prisões
das prisões do sentimento
das memórias dolorosas
e nas minhas afeições
quando amei o sofrimento
fiz-me livre como as rosas!

Inserida por Eliot

⁠Toque Brando -

Eu não sei se morro ou vivo
quando o teu olhar toca no meu
- minha casa, meu silêncio, paraiso -
mas se o meu olhar toca no teu
sinto que o meu sonho está cumprido.

Talvez te prometa um toque brando
meu corpo frio, ágil, louco
minh'Alma de quando em quando
tudo o que trago, um grito rouco
talvez te prometa um verso branco.

Sonho-te a dormir num longo abraço
mar salgado de bruma e espanto
e prometo que passo a passo
te hei-de ser um doce canto
p'ra me aconchegar em teu regaço.

Não te prometo nada do que disse
meu pássaro de sangue, rio de medo
talvez se fosse outro o não sentisse
mas digo-te e digo-te em segredo,
não volto a repetir o que já disse.

Inserida por Eliot


Nos teus olhos há coisas que não leio
mar alto sem ondas nem maré,
fortuna, amor que quis mas nunca veio
e continuamente me tem tirado a fé.

Em mim há uma fadiga que se instala,
um lamento, uma agonia que se inscreve,
a musica por fim já não me embala
e a falta do teu toque não é leve.

Só penso no teu beijo amargo e quente ...
... ái ... aquele instante doce e morno
onde nada do que foi é já presente
e vive o pensamento ao abandono .

Se tu pudesses ver o que não vês
as lágrimas inundam a nossa cama
só lembram nossos corpos na nudez
entrelaçados em gestos de quem ama.

Fica entre nós algo vazio que nunca é
dois olhos que se tocam num enleio
a tua perna encostada no meu pé
a minh'Alma reclinada no teu seio.

Inserida por Eliot

⁠E conforta-me saber
que não Somos deste mundo
que há algo maior que o ter,
mais eterno, mais profundo ...

Se aqui a VIDA não começa
nem tampouco aqui termina
p'ra quê ter tanta pressa
em viver numa rotina?!

E se um dia Voltaremos
ao sitio de onde Somos
o que temos perderemos
já não pomos nem dispomos!

Mas quantas vezes pela dor
passará nosso destino
até voltarmos com Amor
a seguir esse Caminho?!

⁠Quero sentir -

Quero sentir os teus dedos carregados de luar
onde nenhum dos teus gestos é mais que permanência.
Quero sentir-te ... amar, correr,
voltar ... sentar à mesa dos momentos que não tivemos junto ao mar.
E à beira dos instantes de mãos dadas com a vida,
olhar p'ra dentro, contemplar a tua imagem contra a minha, numa só,
tu esperando por mim eu adormecendo junto a ti.
Quero tocar-te, 'inda que não estejas, seguir a voz do vento que galga horizontes, conduzindo a minh'Alma à tua. E quando finalmente te encontrar amar outra vez ... aqui, ali, na rua ...
Pudesse o tempo não agir no pensamento e o que há em nós jamais se esgotaria.
Nada passaria por passar!
E o que seria?! Nada! Apenas nada!
Breves instantes suspensos por aceitar!

Inserida por Eliot

⁠Memória -

A vida é um vai e vem
que tantas vezes vai e vem
e volta sem sentido.
Tantas outras, muitas,
é um jardim florido
cheio de rosas plantadas
à beira mar...

É um campo a Céu aberto
onde o rir e o chorar
nos invade o coração.
Hoje, a saudade, a solidão,
cae-me dos olhos
do rosto para a mão.

Horas que te embalei no berço,
te aninhei em meu regaço ...
Oiço-te a voz,
sinto o teu abraço.
Há um eco profundo no meu
coração de mãe,
um vazio austero que páira
pelo mundo.
Um címbalo de prata,
um vento frio,
uma ausência também.

Óh carne da minha carne,
sangue do meu sangue,
parte da minha Alma ...
Arde em mim o teu amor,
a palavra mãe na tua boca,
e a dor é tanta que me vejo triste e louca.
E na verdade a vida é tão pouca,
tão pouca ...

Não sei onde encontrar-te.
Haverá rios ainda que corram
em qualquer parte?!
Mães que amamentem filhos?!

Em mim não nasce nada.
Só a fé de quem está cansada.
E esta noite vou adormecer
na minha cama
pensando em ti
minha doce Mariana.

(Poema para uma amiga que perdeu uma filha.)

Inserida por Eliot

⁠Chave Partida -

E p'lo infinito silencio que brota aos molhos
das tardes soalheiras de quem vive à calma
há cansaços que caem dos olhos
p'la grandeza da imensidão da alma.

E há pessoas que trazem o céu na mão,
um vento frio, uma aragem, o âmago da cor,
mas por serem essa imensa vastidão
vestem-se de cansaço por amor.

E Trazem nos dedos gestos de poesia
em versos repetidos contra o vento
vivem de noite, dormem de dia
já não tem mão no próprio pensamento.

E o que fica depois de tudo terminar?!
... dor, saudade, noite e solidão ...
A promessa de seguir, a vontade de ficar,
a chave partida na porta do coração!

Inserida por Eliot

Testemunho -

⁠Nunca te canses de pedir a Deus
que te Guie na direcção certa!
Contra tudo e contra todos se preciso fôr,
sempre na recta de Deus,
salvaguardado a vida, esse Dom tão precioso ...

Inserida por Eliot

⁠Hora d'alba -

Não te esqueças, à hora d'alba, meu amor
quando me vires dormindo no silêncio da vida
que nunca vivi por mim mas por te amar
até àquele instante da nossa triste despedida.

E aqui, sem ti, não me resta nada mais,
mas se assim é, se assim vivi, agora,
todos vós que me assistis porque procurais
entre os vivos quem morre de hora a hora?!

A noite perdeu-se da madrugada
o dia reclinou amargamente frente á Lua,
ao fundo, já se vê o fim da estrada
e o movimento da casa continua ...

A hora d'alba vestiu de luto todo o corpo
ficou vida nas entrelinhas por viver
ergueu-se a solidão nos versos d'um poeta
e tudo o que ficou nas nossas bocas por dizer.

Inserida por Eliot

⁠Regresso a Casa -

Regressa a casa um homem de coragem,
pálido mármore sombreado pelo tempo,
perfil endurecido, severa imagem,
fria, cinzelada sem voz nem pensamento!

Um mágico silêncio carregado de virtude,
constância, altruísmo, um tão alto nivel
que por tal destino, por tal vicissitude
ficou de tantas memórias insensível ...

Homem de grandes causas, um mecenas,
uma Alma d'oiro que a Évora se abraça
como às aves se abraçam suas penas.

E passa o tempo, vai-se a vida, tudo é vão,
mas hoje, de regresso, bem vindo a casa,
Jose Maria Ramalho Perdigão.

Inserida por Eliot

⁠Inumeráveis -


Inumeráveis são os dias que te esperei
calado, vencido, prostrado no meu leito
horas de vida que da vida despojei
resignado a um peso sobre o peito!

Inenarráveis são as horas que te não vi,
em silêncio, fixando a luz da tarde,
passou o tempo e a vida que não vivi
sinto que na pele 'inda me arde ...

E d'olhos fixos na cor dessa paisagem
nem um adeus me deste à despedida,
fui despregado à luz da tua imagem
porque sei que fui demais na tua vida.

⁠Nem por sombras -

Nem por sombras se ouvem lobos a uivar
em madrugadas noites de Lua- Cheia
mas há silêncio pelas casas a pairar
quando as aranhas tecem suas teias.

Nem por sombras os mortos querem regressar
a vida é por certo mais profunda
lá longe deste mundo, em bom lugar,
onde a morte nos abraça e nos afunda.

Nem por sombras parecemos acordar
quando nos entregamos à dor da solidão
ninguém à volta nos consegue aliviar
e tudo o que nos dizem parece ser em vão.

Nada é verdade quando chega a depressão!
E a morte branca como as pombas
não vem tirar-nos da prisão
nem por sombras ... nem por sombras!

Inserida por Eliot

⁠Vinha aqui dizer -

Vinha aqui dizer tanto que te amei
mas reparei que era Dezembro
e aquilo que contigo combinei
era dizer-te até Setembro!

Lembrei- me da praia das maçãs
onde a maresia tinha o teu cheiro
corri, busquei-te todas as manhãs
mas a vida foi cruel ... era Janeiro.

As ondas traziam espuma e paixão
tocavam-me na pele, frias, hesitantes
na areia só vi Inverno, solidão
e não vivi Agosto como dantes.

Dos teus gestos senti sede, fome
a mesa estava posta para os dois
mas já não chamas p'lo meu nome
e Setembro diluiu-se no depois.

Afinal já não conto estar contigo
tudo o que era meu já não é nosso
vinha dizer que te amo mas não digo,
dizer quanto te quero mas não posso!

Inserida por Eliot

⁠No Céu da minha Aldeia -

Ha no céu da minha aldeia,
pesado na noite calma,
tanta estrela cintilante
que ilumina a minha alma.

E quando passo, ao passar,
em tristeza repetida,
tantas vezes que me lembro
do passar da minha vida.

Na verdade sinto-me perto
em cada passo errante
da alegria e dos sonhos
desse tempo tão distante.

E não há ninguem na rua
só eu e o céu aberto,
trago o corpo cansado,
sinto a morte mais perto.


Ao Outeiro em Monsaraz

Inserida por Eliot

⁠Minha avó morreu -

Num breve acenar ao pôr do sol
minha avó morreu
homens sem nome a levaram pela rua
e ficou minh'Alma num soluço ensurdecedor
esperando eternamente pela sua.

Inserida por Eliot

Minha avó ... minha mãe -

⁠Quando eu era pequenino
e me sentia triste e só
agradecia ao destino
ter-me dado aquela Avó!

Nas varzeas do caminho
adormecia nos seus braços
e os medos de menino
desfaziam- se em abraços!

Sinto o toque da sua mão
de quando era pequenino,
oiço o bater do coração,
ao colo - na pele - o carinho!

Hoje a vida é diferente:
já não sou tão pequenino
a Avó partiu p'ra sempre
quem me dera ser menino!

Meu poema, minha mágoa,
minha estrela, também,
a saudade fica, trago-a,
minha Avó ... minha Mãe!


Em memória da minha querida Avó Clarisse.

Inserida por Eliot

⁠Mistica Presença
(IN MEMORIAM)

Avó ... senti tua mistica presença
nesta noite de vigilia.
Noite em que o vazio do teu olhar
irrompeu calado nas vozes das gentes ...
E a morte, esse negro cortejo de sombras,
p'ra sempre se consumiu,
surgindo eleita como a outra face da vida.

A capela, o altar, a Senhora da Orada e eu
formámos em teu redor um elo de amor eterno
de onde brotava um poderoso halo de luz.
Permanecia a paz ... e no silêncio dessa paz
ecoava a Voz de Deus
Sagrada, divina, Intemporal ...

E assim ficámos, em meditação, calados,
p'la penumbra da noite ... Almas gemeas
nascidas antes de toda a divisão.
Tão fortes, tão doces, tão eternas ...
Já nada ali nos podia separar. Jamais veu algum
poderia surgir entre as nosssas almas!

Ambos nos situamos, avó e neto, num torpor
de emoções!

Assim nos revelámos em totalidade,
além de todas as palavras, além de toda a saudade,
além do silêncio da morte na serenidade da vida.
E quem sabe, cruzar-nos-emos um dia, por ai,
quiçá, na calha de uma "Nova Vida" ...


Em memória da queridíssima avó Clarisse
Esposa, mãe, amiga e avó extremosa.
1932-2024

Inserida por Eliot

⁠ Desespero -

Avó ...
minh'Alma parte distante
ao largo da solidão
e junto fica sepultada
no fundo do teu caixão!

Inserida por Eliot

⁠Reconhecimento e Gratidão ao Hospital S. João de Deus em Montemor -

Há espaços Geográficos que vibram como ninhos de águias, fontes de amor, pontos energéticos de Luz, âncoras de vida interior.
É assim o Hospital de S. João de Deus em Montemor.
O espaço, as gentes, os olhares, as vozes, o imenso coração com que se sente pulsar as paredes daquele edificio. Tudo ali é terno e profundo, tudo ali é vida, a ântecamara do Céu. Lugar onde a Voz de Deus soa e ressoa e o seu eco nos envolve o corpo e a Alma. Afinal há Céu na terra! Posso dizê-lo, posso afirma-lo. Porque vi, porque senti. Foi neste lugar onde a caridade e a fé, a esperança e a virtude habitam e convivem diáriamente e seguem de mãos dadas que a minha queridissima Avó Clarisse viveu e terminou o seu ultimo mês de vida neste mundo. A Paz e a tranquilidade com que partiu é espelho do lugar onde fez o seu término sobre a terra. Muito me doeu a distância entre nós neste final de vida mas sabia que era melhor assim - por ela. Enfermeira Rita obrigado pela generosidade, enfermeira Filipa obrigado pela resiliência, enfermeira Xana obrigado pelo imenso coração, as demais enfermeiras que acompanharam a avó, incluindo na hora da morte, muito obrigado. Obrigado pelo vosso altruismo. Seguranças, auxiliares, utentes, assistentes sociais, direcção administrativa, muito obrigado. Obrigado Dra. Isabel Lucas e a toda a equipa dos Cuidados Paliativas. Ainda tenho na minha cabeça o som da sua voz, de noite, a dizer-me ao telefone que a avó partiu. Voz doce, trémula, compassada, cautelosa. Viva eu mil anos não se apagará da minha memória. Obrigado Dra. Isabel por ter levado a avó pela mão no seu último mês de vida até Nossa Senhora para que Nossa Senhora a pudesse levar a Deus. Padre Alvaro obrigado pela orientação Espiritual. Deus falou-me sempre por si. Acho que nunca na minha vida senti tanto reconhecimento e gratidão por um lugar, por tanta gente. A Avó levou a todos no coração. Partiu a 17 de Setembro, a dez minutos do dia 18, para partir no dia em que completava 63 anos de casamento com o avô Louro. Tinha que ser. Seguiram-se dias dificeis, a saudade é a presença da ausência e diz o Reverendo Cónego Madureira que a Saudade é o amor que fica. E é real. Temos que aprender a gerir o amor que fica em nós depois da partida daqueles com que estabelecemos relações de amor. É dificil. A morte é a outra face da vida para quem parte mas também tem que ser para quem fica. Obrigado avó por tudo, por tanto. Ao Hospital S. João de Deus em Montemor e a todos que o habitam o meu reconhecimento e gratidão.

Ricardo Maria Louro
Um neto sensibilizado

Inserida por Eliot

⁠Disse-te adeus -

Nessa noite de Setembro
disse-te adeus, bem me lembro
noite fria, noite calma,
nunca mais nasceu o dia
e passou a ventania
pela tarde da minha alma.

Prendeu-se-te aos ombros
por silêncios, entre escombros
uma noite tão funda,
e porque ficaste tu assim
como se fosse o teu fim
mar parado que me inunda?!

Como se acabasses para sempre
o teu corpo já nem sente
que tudo é frio e nostalgia,
em mim não nasce nada
sou todo água parada
nunca mais nasceu o dia.


Completam-se hoje15 longos dias da sua ausência Avó. Dificil. Saudade. Muita. Tanta.

Inserida por Eliot

⁠Numa tarde sem coração
nasci pequeno e tão só
vestiram-me de solidão
caí nos braços de minha Avó...

Mas quem ganhou fui eu:
a desgraça concebida
a Avó entregou ao Céu
e salvou a minha vida!

Cresci tendo-a por perto
não me lembro de a não ter,
tendo-a, tive por certo
que nunca a iria perder.

Quando dissemos adeus
naquele istante tão só
tive que devolver a Deus
o Coração de minha Avó.



Hoje, 3 semanas de saudade, silêncio e ausência de uma Senhora insubstituível, uma personalidade Cristã cheia de caridade no coração.
Saudade sua Avó Clarisse.

Inserida por Eliot

⁠O Morgado da Golegã -

Lá vai o Senhor Morgado um antigo anfitrião
com calça de riscado, com modos de galã
e segue pelas ruas cumprindo a tradição
a trote p'la calçada da velha Golegã.

O Povo emocionado num grito em ovação
aplaude o Senhor Morgado um homem de virtude
e aquela alva figura marcada p'la paixão
recorda a tradição do seu tempo de juventude.

O dia é de festa, cavalos; cavaleiros
por toda a Golegã é feira de S. Martinho
e à luz do Sol ardente há flores nos canteiros
crianças pela rua brincando no caminho.

Nobrezas de carácter, brasões no dedo em riste,
famílias d'outros tempos pejadas de saudade
desfilam na clareira da praça branca e triste
alegres cavaleiros de antiga mocidade.

Há fumo pelo ar, castanhas pelo espaço
há fado em cada esquina é a voz do passado
e a trote ou a galope acenando com o braço
num puro Lusitano vai passando o Senhor Morgado.

Inserida por Eliot

⁠Fui neto de uma Avó -

Fui neto de uma Avó doce e inocente
tão branca como a neve pura
que muito amou a todos, humildemente,
e deixou em mim uma saudade que perdura.

Fui neto de uma Avó frágil e piedosa
cheia de verdade no coração e tanta gente
que as suas mãos a cada hora
ajudaram, sem pensar, cristãmente ...

Fui neto de uma Avó que já não tenho
e que alegria quando a tinha, que contente,
agora, procuro-a, ando, vou e venho ...

Fui neto de uma Avó que choro intensamente
e nessas lágrimas ponho todo o meu empenho
porque a vida é p'ra mim já indiferente!


Para a minha queridissima Avó Clarisse.

Inserida por Eliot

⁠Um modo diferente -

Quando eu partir
não penses que vais viver sem mim;
aprende a viver com o meu amor de modo diferente ...
Porque se me quiseres ver basta fechares os olhos!

Procura-me na tua sombra encostada à parede
ou no chão, quando o sol brilha, eu estarei lá...

Senta-te comigo no silêncio
e sentirás que não me fui embora.
Almas que se unem jamais se separam.

Quando eu partir,
não me queiras esquecer,
aprende a encontrar-me nos momentos.
Eu estarei lá...

"E quando um dia estiveres triste
fecha os olhos e sorri
lembra-te da tua avó
que gosta muito de ti!"

Porque afinal tu nunca me perdeste!

(Completam-se hoje 3 longos meses sem a presença deste ser humano especial e inesquecível. Que Saudades querida avó)

Inserida por Eliot

⁠Venho ver-te -

Venho ver-te ... assim, calada,
fechada num fundo que nao conheço.
Por vezes, ao tocar-te,
sinto que me reconheces,
que me abres a Alma numa maré
de profunda emoção.
E sinto, por instantes, a saudade de nós
brilharnos teu olhos cor das ventanias.
Mas é breve porque breve regressas
ao teu mundo.
Um mundo onde não há lugar para mim.
Onde não nos podemos abraçar.
Sei que não consegues.
Que queres mas não podes.
Sei que tentas com toda a força do teu ser,
do teu coração vires até mim.
Eu sei Avó... eu sei ...mas o amor não acaba
e dizer que te amoé o que temos.
É o que podemos ter. Aqui ... agora.
A vida revelou-se para nós
como um vidro partido.
Cruel, injusta, indiferente.
Tão longe da minha infância,
quando era menino de colo ... no teu colo.
Em ti não há voz mas há gestos, olhares, toques.
E o amor aumenta, prologa, multiplica-se ...
Minha Avó ... minha Avó ...



Para a Avó Clarisse
do Neto por si tão amado.

Inserida por Eliot