Paulo Ricardo Zargolin
Mãos de tesoura
Amai o próximo. Uma importante mensagem repetidamente difundida na sociedade e ignorada veementemente por grande parte dos indivíduos.
Tal mote é encontrado em sagradas escrituras, em diversas obras literárias, nas mídias e até mesmo no clássico filme da década de 90, cujo personagem-título, Edward, possui mãos de tesoura.
Na película, assim como na vida, somos confrontados com a diversidade, personificada no protagonista. Ao encararmos a incompletude, a "aberração", a anormalidade, vemo-nos diante de um espelho e - infelizmente - poucos refletem sobre as diferenças individuais que fazem cada um ser único e ímpar ante seus semelhantes.
Também observamos que as reações são inconstantes e controversas acerca das diversidades: uns são receptivos, compreensivos e inclusivos; outros, arredios, hostis e promotores da exclusão.
Por séculos e milênios, vivenciamos as consequências de lidar consigo mesmo e com o outro, travando batalhas campais fomentadas por valores, crenças e egos. E, talvez, as guerras, de travesseiros ou bombas, sejam gestadas pela dificuldade em nos relacionarmos uns com os outros.
Destarte, os modos de conceber e vivenciar as relações interpessoais, intrínsecas à humanidade, têm suas dificuldades acentuadas pelo inevitável convívio com alguém que tenha lâminas no lugar das mãos e que, por isso, machuque quando tenciona acariciar.
Há combinados que dependem de ações e responsabilidades compartilhadas por duas ou mais pessoas e, para que funcione, cada um deve saber exatamente o que lhe cabe.
A formação do professor também deve ser incrustada na atuação reflexiva, para que as veredas do ensino sejam enfeitadas com pensamentos construídos em parceria; deixando de lado a memorização, que não permite a beleza da caminhada nem a construção de pontes necessárias à continuação da trilha do saber.
Deveria ser óbvio que usar um recurso tecnológico disponível em favor da execução das tarefas de forma mais prática, rápida e com menor grau de sofrimento é uma escolha inteligente.
Para se chegar à almejada disponibilidade de ferramentas inovadoras e variadas, é preciso, antes, seguir a trilha da reflexão sobre o que e para que se deseja ensinar.
Ao se verificar a superação da informação em favor do conhecimento, infere-se que - evitando uma prática mecânica, numa visão tecnicista - com a valorização da consciência crítica diante das desigualdades e injustiças sociais, a escola poderá utilizar-se e beneficiar-se da tecnologia.
As relações entre educação e tecnologias de ensino, em que pese o conceito de tecnologia social, pretendem-se ressignificadoras da prática pedagógica e, portanto, transformadoras.
A tradução e a adaptação vão além das palavras, envolvendo um diálogo intercultural que ajusta a mensagem original para tocar de maneira mais eficaz o coração e a mente dos espectadores em diferentes contextos globais.
Constantemente, a arte e a vida (re)forçam a urgência para que repensemos nossas escolhas e a direção de nossa jornada coletiva.
CONTEXTO
Começaram a gamificar. Primeiro, o entretenimento. Depois, o transporte e a comida. Não me importei, pois eu trabalho na Educação. Maldito intertexto de Brecht!
Lucro certo é para aqueles que fabricam a tristeza e vendem garrafas com os dizeres "contém alegria".
Horóscopo nenhum pode prever o que somente um geminiano planeja e repensa num prazo de cinco minutos.
Tecnologias devem ser usadas por pessoas. Quando o contrário passa a ocorrer, a reflexão é a saída desse estado de hipnose.
Em um grupo, não importa quem dá o passo em falso; todos são parte do processo e, por isso, devem enfrentar juntos as consequências.
A cumplicidade não se trata apenas de compartilhar momentos de sucesso, mas também de assumir juntos os erros e aprender com eles.
A vantagem dos sonhos é que eles não sentem ciúmes entre si. Ao contrário, a cada sonhar, um contribui com a realização dos outros.
Máquinas do tempo já são uma realidade! Claro, não dá pra viver o passado em sua plenitude nem avançar para um futuro concreto. No entanto, em qualquer streaming, é possível vivenciar lembranças ou sonhos inerentes às histórias presas na memória.
Em alguns sertões, manhãs chuvosas representam a esperança, brilhante, em meio aos tons de gris do dia.
A natureza se mostra tão meiga quanto cruel. Entre brisas de outono e enchentes de verão, ela oscila na celebração de cíclicas antítesis.
