Northon Salomao
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Gratidão não é dívida de submissão; é reconhecimento sem renúncia à liberdade.
Quando o Direito agradece à sociedade, deixa de parecer uma técnica de poder e revela-se como uma forma de responsabilidade.
A lei mais nobre talvez seja aquela que transforma a gratidão pelo passado em dever para com quem ainda não nasceu.
Todo jurista é, em alguma medida, uma nota de rodapé escrita pela luta daqueles que o antecederam.
A Justiça talvez seja a forma mais elevada de gratidão: fazer pelo outro aquilo que um dia alguém fez por nós sem nos conhecer.
A Justiça começa onde a dignidade humana deixa de depender da conveniência do poder.
A verdade liberta o cidadão porque impede que a autoridade transforme a mentira em norma.
Não julgue pela aparência quando a prova ainda não revelou a realidade.
Trate a dignidade alheia como gostaria que o Direito protegesse a sua.
Ao Estado pertencem apenas os poderes que a ordem constitucional legitimamente lhe confere.
Nenhuma autoridade pública pode ocupar integralmente o espaço reservado à consciência individual.
Antes de condenar alguém, lembre-se de que também é humano aquele que julga.
A investigação jurídica começa quando a aparência deixa de ser suficiente.
A vida humana é o primeiro limite que o poder não pode ultrapassar legitimamente.
A propriedade é protegida pelo Direito, mas não pode converter-se em instrumento de dominação absoluta.
A mentira perante a Justiça corrompe não apenas o processo, mas a própria possibilidade de justiça.
A paz jurídica é superior à vitória que deixa uma sociedade permanentemente dividida.
Uma democracia revela sua qualidade pela maneira como protege aqueles que possuem menos poder.
Quanto maior a autoridade, maior deve ser a responsabilidade de exercê-la sem arrogância.
A humildade institucional é uma das formas mais sofisticadas de poder legítimo.
Punir é atribuição do Estado; vingar-se não é finalidade da Justiça.
Uma democracia demonstra sua força quando protege inclusive aqueles de quem a maioria discorda.
A reciprocidade é uma das raízes mais profundas da igualdade jurídica.
Nenhuma sociedade deve permitir que a acumulação de riqueza produza acumulação ilimitada de poder.
A distribuição da riqueza revela, muitas vezes, a verdadeira hierarquia de valores de uma sociedade.