Northon Salomao
Quando o cidadão precisa conhecer alguém para obter aquilo a que tem direito, o Direito já começou a falhar.
O jurista não deve perguntar apenas qual lei foi violada, mas que estrutura tornou possível violá-la.
A grande vitória do Direito não é punir os corruptos; é construir instituições nas quais a honestidade deixe de depender de heroísmo.
O Direito que não dialoga com a filosofia torna-se mero tecnicismo. O Direito que não dialoga com a vida torna-se formalismo. O Direito que não dialoga com o futuro torna-se obsolescência.
Quando o Direito ignora o clima, a natureza transforma a omissão jurídica em consequência histórica.
A maior prova de que uma geração compreendeu o Direito será aquilo que ela deixou habitável para a seguinte.
O planeta não precisa de direitos escritos contra a natureza, mas de leis que compreendam que a natureza é condição de todos os direitos.
A natureza não comparece aos tribunais, mas todas as futuras gerações comparecerão para julgar nossas decisões.
A emergência climática é também uma emergência jurídica: quando o tempo da ciência acelera, a lentidão da lei torna-se uma forma de risco.
A justiça climática começa quando compreendemos que quem menos contribuiu para o aquecimento pode ser quem mais paga por suas consequências.”
“O verdadeiro patrimônio da humanidade não está no que acumulamos, mas no que impedimos que desapareça.”
A crise climática revelou uma verdade antiga: a natureza não é propriedade da humanidade, é a condição material de sua existência.
O Direito ambiental não protege apenas árvores, rios e oceanos; protege a possibilidade de haver alguém amanhã para exercer direitos.
Toda política pública que aumenta a vulnerabilidade climática transfere uma dívida que ainda não venceu para pessoas que ainda não nasceram.
A responsabilidade ambiental começa onde termina a ilusão de que nossas escolhas desaparecem sem deixar rastros.
