Northon Salomao
A mudança climática converteu a distância temporal em proximidade jurídica: o amanhã tornou-se parte do presente.
Nenhuma geração deveria exercer sua liberdade de modo a confiscar a liberdade das que ainda não podem responder.
A justiça ambiental não pergunta apenas quem causou o dano; pergunta quem tem capacidade, dever e oportunidade de evitá-lo.
A história julgará nossas leis não pelo tamanho dos códigos, mas pelo tamanho do mundo que elas conseguiram preservar.
Talvez a mais profunda função do Direito climático seja ensinar à humanidade que poder sem limite é apenas outra forma de vulnerabilidade.
Quando o último argumento jurídico encontrar o primeiro silêncio de um planeta irreversivelmente alterado, restará uma pergunta: por que o Direito não chegou antes?
O perigo da inteligência artificial não está em ela pensar como o homem, mas em o homem deixar de pensar por causa dela.
A inteligência artificial aprende com o passado; o Direito existe para impedir que o passado determine inteiramente o futuro.
A máquina não precisa de consciência para exercer poder; por isso o Direito precisa de consciência para limitá-la.
O maior risco da inteligência artificial talvez não seja uma máquina sem humanidade, mas uma humanidade sem responsabilidade.
