Northon Salomao
Quando a lei protege a violência do poderoso, ela deixa de ser escudo da sociedade e se torna sua arquitetura de medo.
A justiça começa quando a vítima deixa de ser apenas alguém que sofreu e passa a ser alguém cuja palavra importa.
O verdadeiro teste de uma Constituição não está no tratamento que reserva aos fortes, mas no limite que impõe contra eles.
Nem toda violência quebra uma porta; algumas entram pela linguagem, assinam documentos e aguardam que a história as absolva.
Toda democracia precisa de tribunais capazes de dizer “não” quando o poder aprende a dizer “sim” a si próprio.
Uma sociedade mede sua maturidade jurídica pela distância entre o poder de punir e o desejo de punir.
O abuso começa quando alguém descobre que pode ferir outro ser humano sem precisar responder por isso.
O Direito falha não apenas quando condena o inocente, mas também quando ensina o poderoso que certas vítimas não contam.
A justiça não é a vingança da sociedade contra o indivíduo; é a sociedade impondo limites à própria capacidade de vingança.
A violência destrói o adversário; o Direito deve preservar até mesmo aquele que o adversário representa.
Uma sociedade verdadeiramente livre não é aquela sem violência, mas aquela em que ninguém precisa tornar-se violento para ser ouvido.
O maior triunfo jurídico não acontece quando o culpado é castigado, mas quando a próxima vítima deixa de existir.
A lei civiliza a força quando consegue dizer ao poder: até aqui você pode ir, daqui em diante começa o outro.
