Northon Salomao
O poder mais perigoso não é aquele que obriga alguém a se calar, mas aquele que o convence de que nunca teve nada a dizer.
A última fronteira da liberdade é o instante em que deixamos de precisar que o mundo concorde com a nossa existência.
Toda civilização cresce quando aprende a responder; amadurece quando descobre quais perguntas não deveria ter deixado de fazer.
A mentira mais resistente não é a que substitui a verdade, mas a que ensina gerações inteiras a considerar desnecessário procurá-la.
Talvez morrer seja desaparecer do futuro sem desaparecer de todas as consequências que deixamos nele.
A eternidade talvez não seja durar para sempre, mas dizer, em um único instante, algo que continue verdadeiro depois que todos os seus autores tiverem desaparecido.
Compreender a necessidade de alguém acreditar é conhecer parte de sua humanidade, não demonstrar a verdade daquilo em que acredita.
Uma experiência religiosa pode ser absolutamente real para quem a vive sem que sua interpretação sobrenatural se torne universalmente demonstrada.
A sinceridade de uma testemunha revela sua convicção, não elimina a possibilidade de erro, memória falha ou interpretação equivocada.
Uma revelação pode reorganizar uma existência inteira sem, por isso, adquirir validade probatória para todas as outras.
O consolo não prova a verdade de uma crença, assim como o desconforto que ela provoca não prova sua falsidade.
A religião pode revelar as necessidades mais profundas da humanidade sem que essa revelação resolva a existência daquilo que ela anuncia.
Explicar psicologicamente uma crença não basta para refutá-la; é preciso examinar também as razões que pretendem justificá-la.
A fé pode preencher o vazio existencial sem demonstrar que o universo reservou, para cada vazio humano, uma resposta transcendente.
O sagrado pode ser objeto de devoção e, simultaneamente, fenômeno histórico, psicológico e cultural sujeito à investigação.
Sentir a presença do sagrado é um acontecimento da experiência; determinar a natureza dessa presença é uma questão ainda distinta.
A diversidade religiosa revela a extraordinária capacidade humana de produzir sentidos e a dificuldade de transformar convicções incompatíveis em conhecimento universal.
Quando crenças mutuamente excludentes são defendidas com igual sinceridade, a sinceridade deixa de ser critério suficiente para decidir entre elas.
O agnosticismo não precisa humilhar a fé; basta recusar que a fé seja confundida com uma demonstração que não apresentou.
Criticar uma doutrina não é condenar quem nela encontra abrigo; ideias podem ser examinadas sem que pessoas sejam despojadas de dignidade.
A bondade não possui proprietário religioso, assim como a descrença não constitui certificado automático de lucidez moral.
