Northon Salomao

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A ciência é poderosa não porque seus praticantes sejam infalíveis, mas porque seu método permite que a falibilidade seja corrigida.

Há explicações que satisfazem a imaginação porque oferecem sentido e fracassam diante da investigação porque não oferecem demonstração.

O extraordinário pode existir além de nossas expectativas, mas não além da necessidade de justificar suas alegações.

A ausência de explicação para um fenômeno não constitui a presença comprovada de uma explicação alternativa.

O território daquilo que ignoramos pode ser imenso; sua vastidão não autoriza que o preenchamos com respostas escolhidas por conveniência.

Uma teoria que não corre o risco de ser desmentida talvez tenha conseguido proteger-se da realidade em vez de explicá-la.

A ciência progride quando o mundo recebe o direito de contradizer até mesmo aqueles que melhor aprenderam a descrevê-lo.

A honestidade intelectual começa quando distinguimos aquilo que observamos daquilo que nossa interpretação acrescenta ao observado.

A hipótese mais reconfortante pode ser a menos provável; o coração não é um instrumento de medição da realidade.

A natureza não precisa de nossa compreensão para obedecer às suas regularidades, nem de nossa admiração para existir.

A explicação científica não extingue necessariamente o espanto; retira dele a ignorância e acrescenta novas profundidades.

A razão não dissolve todos os mistérios, mas impede que chamemos de mistério aquilo que já foi explicado ou de explicação aquilo que apenas nos consola.

A dúvida metódica investiga as próprias razões; a suspeita indiscriminada apenas troca uma cegueira por outra.

Uma alegação extraordinária não deve ser rejeitada apenas por sua estranheza, mas sua estranheza tampouco lhe concede qualquer privilégio.

O conhecimento amadurece quando estar errado deixa de ser uma humilhação e passa a ser uma possibilidade indispensável à descoberta.

Uma conclusão provisória, sustentada por razões, pode ser mais digna do que uma certeza definitiva sustentada pelo medo.

A ciência não precisa explicar tudo para distinguir uma explicação fundamentada de uma afirmação sem evidências suficientes.

Reconhecer os limites da ciência é um exercício de lucidez; ignorar suas conquistas em nome desses limites é um exercício de conveniência.

Nos portais do Amanhecer, o flautista faz a luz florescer em melodia, mas é a ausência de quem desejava ter ao lado que transforma cada nota em saudade e o silêncio em eternidade.

Foram tantos anos de calmaria, florescimento e caminhos que se abriram sem que eu precisasse desenhá-los por inteiro. O tempo, esse jardineiro silencioso, passou depressa, e a vida me ofereceu muito mais do que um dia eu ousaria imaginar ou planejar. Não tenho do que me queixar. Talvez agora seja tempo de colher, agradecer e contemplar o que floresceu. Aos poucos, meus pensamentos se voltam menos para os caminhos que ainda posso percorrer e mais para a serenidade de preparar a saída, fechar o ciclo com gratidão e permitir que o futuro tenha a leveza de não precisar mais ser conquistado.

Você não governa os acontecimentos que atravessam sua existência, mas pode governar os juízos com que os interpreta; pois, entre o que lhe acontece e o que isso significa, reside a liberdade possível da consciência.

Você não tem poder sobre os acontecimentos externos, mas tem o poder de escolher como sua mente os interpreta e como você reage a eles.

Os séculos não se lembram de quem mais falou, mas de quem encontrou, entre o ruído de seu tempo, uma verdade que o tempo não conseguiu silenciar.

O tempo não leva apenas aquilo que amamos; leva também a pessoa que éramos quando aprendemos a amar.

A consciência é o universo que, por um instante, deixou de ser apenas imenso para saber que existe.