Northon Salomao
A tragédia da investigação não está em uma hipótese fracassar, mas em o investigador preferir a sobrevivência da hipótese à descoberta da verdade.
A fé reivindica adesão; o conhecimento exige justificação. Confundir essas exigências é transformar convicção subjetiva em autoridade epistemológica.
As palavras podem organizar o pensamento, mas não têm o poder de revogar os fatos que contradizem aquilo que pretendemos dizer.
Nenhum conhecimento é intelectualmente desprezível apenas porque sua utilidade ainda não se revelou; a ignorância também desconhece o valor daquilo que lhe falta.
O saber mais fecundo nem sempre é aquele cuja aplicação se prevê, mas aquele cuja descoberta amplia o campo do que se torna possível compreender.
Educar o intelecto é ensiná-lo a reconhecer as regularidades da natureza sem confundir os limites de sua compreensão com os limites da realidade.
A qualidade da educação não se mede pela quantidade de informações acumuladas, mas pela capacidade de examinar evidências, corrigir erros e resistir a conclusões precipitadas.
O agnosticismo não é uma doutrina sobre o que deve ser acreditado, mas um método para limitar as afirmações àquilo que suas evidências permitem sustentar.
A razão não perde sua dignidade quando encontra um limite; perde-a quando esse limite é ocultado por uma certeza artificial.
Uma proposição não se torna conhecimento pela repetição, pela antiguidade ou pela autoridade de quem a enuncia; precisa responder às exigências de sua justificação.
A dúvida metódica é uma conquista civilizatória porque interrompe o mecanismo pelo qual a familiaridade de uma crença se disfarça de evidência.
A amplitude intelectual exige transitar entre diferentes campos do saber sem confundir a superficialidade da acumulação com a profundidade da compreensão.
Ciência e religião só podem ser comparadas com rigor quando se distinguem seus métodos, seus objetos de investigação e os tipos de afirmação que cada uma pretende justificar.
Os fatos não falam por si mesmos: é preciso interrogá-los, interpretar suas relações e submeter as interpretações ao risco permanente da refutação.
A grandeza de uma sociedade não depende apenas dos recursos que possui, mas de sua capacidade de converter conhecimento em discernimento, instituições e responsabilidade.
A certeza sem justificação é uma pretensão da consciência; o conhecimento começa quando a pretensão aceita submeter-se ao exame das razões e das evidências.
O agnosticismo não é um credo, mas a disciplina de não transformar os limites do conhecimento em fronteiras da existência.
A ausência de evidência não prova a inexistência; apenas impede que a existência reivindique, sem fundamento, o estatuto de conhecimento.
Não posso decretar a inexistência de Deus, assim como não posso converter sua possibilidade em presença demonstrada.
Um milagre pode desafiar nossas expectativas; não pode, apenas por desafiá-las, reivindicar o privilégio de ser verdadeiro.
