Northon Salomao

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Não conseguir refutar uma afirmação não obriga a realidade a confirmá-la nem transforma quem a enuncia em guardião do verdadeiro.

A razão não precisa converter todas as perguntas em certezas; precisa impedir que a ausência de certeza seja explorada como se fosse uma resposta.

Entre o altar e o abismo permanece uma pergunta que não pertence a nenhum deles e que nenhuma autoridade pode encerrar por decreto.

Não sei se Deus existe; sei apenas que minha necessidade de uma resposta não constitui evidência de que ela seja verdadeira.

Prefiro a vertigem de uma pergunta honesta à segurança de uma eternidade cuja existência eu precisasse fingir conhecer.

O infinito não se torna propriedade da consciência porque a consciência encontrou uma palavra para nomeá-lo.

Não transformo minha ignorância em divindade nem minha inteligência em absoluto; reconheço que ambas as tentações nascem do desejo de encerrar o desconhecido.

O agnosticismo é a disciplina de não confundir o desejo de saber com o privilégio de saber, nem a ausência de resposta com uma resposta negativa.

Se o universo guarda uma verdade definitiva, ainda resta descobrir se a inteligência que a procura possui os meios para encontrá-la.

Não tenho obrigação de negar aquilo que não posso refutar, nem de aceitar aquilo que não posso justificar; entre essas recusas, preservo a liberdade de investigar.

A grandeza do pensamento não está em abolir todos os mistérios, mas em impedir que a ignorância vista as roupas da verdade e se sente no trono do conhecimento.

Diante do universo, não afirmo a certeza de que Deus existe nem a certeza de que não existe; reconheço apenas que a verdade não tem obrigação de coincidir com os limites daquilo que sou capaz de conhecer.

Todos os homens conhecem a morte, mas poucos descobrem, antes dela, o que significa estar verdadeiramente vivos.

Todos os homens caminham para a morte, mas poucos escapam da tragédia maior: chegar ao fim da existência sem jamais terem despertado para a vida.

Um homem talvez não conheça em vida a dimensão de suas ideias, nem alcance o mundo que imaginou; mas, se ensinar outras consciências a questionar o que parecia definitivo, sua existência não terminará com seu tempo: continuará na liberdade daqueles que aprenderam a pensar por si mesmos.

A forma mais sofisticada de excluir alguém é mantê-lo dentro da instituição, mas fora de tudo o que realmente importa.

Há instituições que não precisam silenciar ninguém: basta-lhes construir um mundo no qual determinadas vozes jamais sejam ouvidas.

A invisibilidade institucional começa quando a presença de alguém é necessária ao funcionamento do sistema, mas irrelevante para suas decisões.

Nem toda exclusão produz vítimas visíveis; algumas produzem pessoas que continuam trabalhando enquanto desaparecem aos olhos de quem decide.

O poder mais difícil de contestar é aquele que exclui sem declarar a exclusão e hierarquiza sem admitir a hierarquia.

Uma instituição pode reconhecer todos os direitos de um indivíduo e, ainda assim, negar-lhe o direito informal de existir dentro dela.

Quando o mérito não encontra reconhecimento, a instituição transforma capacidade em desperdício e silêncio em aparência de normalidade.

A invisibilidade não é necessariamente a ausência de um lugar, mas a impossibilidade de fazer diferença no lugar que se ocupa.

O esquecimento institucional raramente precisa de um autor: basta uma sucessão de decisões pequenas demais para parecerem injustas e grandes demais para não produzirem exclusão.

Toda instituição revela sua verdadeira natureza não apenas pelo espaço que concede aos protagonistas, mas pelo destino que reserva àqueles que aprendeu a não enxergar.