Northon Salomao

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O limite da linguagem não é necessariamente o limite do ser, embora seja frequentemente o limite daquilo que conseguimos afirmar sobre ele.

Há respostas que encerram uma pergunta sem jamais terem tocado o problema que a originou.

O mistério da origem não autoriza qualquer explicação; torna ainda mais necessário distinguir a hipótese da descoberta.

Não transformar o desconhecido em Deus é uma forma de cautela; não transformá-lo em nada é outra.

O consolo de uma crença pode explicar sua permanência na alma, mas não determina sua correspondência com o universo.

A descrença também se torna dogma quando esquece que negar uma hipótese não equivale a conhecer toda a realidade.

As vitórias me acomodaram e as derrotas me elevaram.

A pergunta sobre Deus sobrevive às respostas porque nenhuma convicção humana pode, por decreto, encerrar o horizonte do ser.

Conceber a transcendência é um acontecimento da mente; demonstrar que ela existe é uma exigência de outra ordem.

A esperança pode iluminar o futuro imaginado, mas não possui autoridade para determinar o futuro real.

O inexplicado é uma fronteira do conhecimento, não uma escritura em branco na qual qualquer resposta se torna legítima.

A mente humana consegue conceber o infinito sem que essa capacidade lhe conceda a posse intelectual da eternidade.

Há dignidade em deixar uma pergunta aberta quando fechá-la exigiria mentir sobre o que sabemos.

A incerteza metafísica pode ser menos uma fraqueza da inteligência do que uma recusa em fingir onisciência.

Se o absoluto existe, nossas palavras sobre ele ainda precisam atravessar a distância entre a convicção e a demonstração.

A necessidade de uma causa última pode nascer da estrutura de nosso pensamento sem garantir que o universo obedeça à mesma necessidade

Talvez a resposta mais rigorosa sobre a origem de tudo seja admitir que a pergunta permanece maior do que nossas certezas.

A certeza que proíbe perguntas não protege a verdade; protege o poder que reivindica falar em seu nome.

Todo dogma começa a perder sua inocência quando transforma a dúvida em culpa e a investigação em ameaça.

Uma crença não se torna verdadeira por sobreviver aos séculos, assim como um erro não se torna verdade por envelhecer.

A convicção habita a consciência; a verdade, se a alcançamos, não precisa de nossa convicção para existir.

Milhões de vozes repetindo a mesma crença podem produzir uma multidão de certezas, mas não necessariamente uma única evidência.

A unanimidade encerra a discussão social; não possui autoridade para encerrar a questão ontológica.

Nenhuma ideia se torna invulnerável à crítica sem que seus defensores confundam a fragilidade de suas razões com a importância de sua causa.

Quando uma crença exige imunidade à investigação, a imunidade torna-se parte do problema.