Northon Salomao
Regular a cascata não é decidir o que é verdade; é impedir que a verdade dependa de quem teve o primeiro filtro favorável.
Uma teoria que não pode falhar é opinião com bibliografia; a cascata se oferece ao teste: se k for zero, ela cai.
A seletividade em cascata não é censura, nem sigilo, nem conspiração: é a rotina produzindo o efeito da intenção.
O sigilo é o primeiro dos seis filtros; a seletividade em cascata começa nele, mas não termina nele.
Perder informação é próprio de toda seleção; a seletividade em cascata é a perda que uma etapa herda da outra.
O que define a cascata não é quanto se perde, mas quanto se perderia a menos se os filtros fossem independentes.
A seletividade em cascata designa o processo pelo qual a informação atravessa filtros institucionais sucessivos e interdependentes — abrangendo a classificação, o acesso e custódia, a corroboração, a priorização, a credibilidade e o reconhecimento público — de modo que a exclusão produzida nas primeiras etapas condiciona as seguintes. Este encadeamento não decorre de censura ou conspiração, mas sim de decisões rotineiras e individualmente defensáveis que geram um equilíbrio de baixa informação. Face à lacuna jurídica na regulação dos filtros a jusante, o ensaio propõe medidas como a certidão de busca diligente, a indicação do detentor do registo e a distribuição dinâmica do ónus da prova, visando assegurar a controlabilidade sem comprometer o sigilo legítimo.
Na seletividade em cascata, a ausência de provas é a assinatura do caminho, não necessariamente do conteúdo.
O que não foi buscado não foi indexado; o que não foi indexado não foi sabido; o que não foi sabido foi dado por irrelevante. Eis a cascata em quatro passos.
