Northon Salomao
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A educação não apenas informa o indivíduo: ela modifica sua estrutura decisória e, com isso, altera sua capacidade de produzir consequências morais e sociais.
A felicidade pode ser compreendida como uma forma de estabilidade interior diante da instabilidade exterior.
Quem procura exclusivamente fora de si aquilo que depende de sua própria ordenação interior transfere ao mundo uma competência que pertence à própria consciência.
A natureza fornece disposições; a educação transforma essas disposições em hábitos, competências e responsabilidades.
O acaso frequentemente representa apenas o limite provisório do conhecimento humano acerca das relações causais.
Aquele que necessita de pouco possui maior independência perante aquilo que possui.
O número representa a possibilidade de converter multiplicidade aparentemente caótica em estrutura inteligível.
A harmonia não elimina os contrários; estabelece entre eles uma relação capaz de produzir ordem.
A seletividade em cascata é a única injustiça que se comete sem cometer nenhum erro.
Cada filtro responde pelo que decidiu; ninguém responde pelo que a soma decidiu.
Na cascata, a responsabilidade se dilui na mesma proporção em que o efeito se concentra.
A cascata não tem autor, só herdeiros.
Censura é um ato; seletividade em cascata é um clima.
Todo filtro é inocente; culpada é a sequência, e a sequência não tem endereço.
Perder é do mundo; herdar a perda é da cascata.
Seis decisões razoáveis podem compor um resultado que nenhuma razão assinaria.
A seletividade em cascata é a forma institucional do "ninguém fez nada".
A verdade raramente é suprimida; é posta em filas que não andam, até que a espera pareça inexistência.
Na cascata, o vazio não é o contrário da informação; é o seu produto final.
Todo acervo é um sobrevivente; tomá-lo por amostra é estudar a guerra só pelos soldados que voltaram.
O que a cascata apaga, apaga também a lembrança de que havia o que apagar.
A ausência fabricada por filtros é lida como ausência do mundo: uma fraude sem fraudador.
Quando o sistema esvazia a prateleira e conclui que ninguém a quis, a cascata completou seu ciclo.
A prova mais difícil de apresentar é a do que se perdeu antes de ser notado.
A cascata converte o "ainda não" em "nunca houve".