Northon Salomao

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Entre absolver um culpado e condenar um inocente existe uma assimetria moral que nenhuma conveniência jurídica deveria ignorar.

A liberdade de pensar é para o espírito aquilo que o ar é para o corpo: sua ausência pode não ser imediatamente visível, mas sua falta o sufoca.

A civilização não extingue necessariamente a barbárie; às vezes apenas lhe oferece instituições, linguagem e tecnologia para ocultar seus dentes.

Quando o absurdo deixa de ser questionado, a crença pode transformar o impossível em ordem e a violência em dever.

O homem começa a tornar-se livre quando percebe que nenhuma autoridade externa pode pensar em seu lugar.

A opinião pública pode ser uma força legítima de correção do poder, mas também pode transformar a maioria em tribunal e a unanimidade em tirania.

Onde a superstição incendeia certezas, a filosofia introduz a dúvida necessária para que o pensamento não se transforme em fogueira.

O fanatismo transforma a convicção em febre: já não procura compreender a verdade, mas destruir tudo aquilo que ameaça sua certeza.

A tolerância é uma das formas mais difíceis da humanidade: exige permitir que o outro exista sem exigir que ele pense como nós.

Cultivar o próprio jardim é reconhecer que nenhuma filosofia substitui a responsabilidade concreta de transformar aquilo que está ao alcance das nossas mãos.

As perguntas que abrem o pensamento costumam ser mais fecundas do que as respostas que encerram prematuramente a investigação.

O homem não foi lançado ao mundo apenas para contemplá-lo, mas para agir dentro dele e responder pelas consequências de seus atos.

A leitura amplia a alma porque permite que uma consciência atravesse o tempo e converse com consciências que nunca conhecerá.

Quando a razão abandona a dúvida, ela deixa de ser pensamento e começa a procurar súditos.

Inserida por northon_salomao

O poder teme menos a mentira do que a inteligência capaz de demonstrar, juridicamente, que a mentira lhe é conveniente.

Há verdades que não precisam de censura para morrer: basta entregá-las a uma sociedade que desaprendeu a perguntar.

A liberdade começa onde termina a obrigação de acreditar naquilo que o poder considera conveniente.

Toda certeza absoluta é uma pequena ditadura instalada dentro da consciência.

O fanatismo transforma convicções privadas em fronteiras públicas e, depois, chama de virtude aquilo que nasceu como intolerância.

A ciência não humilha a fé; humilha apenas a pretensão de transformar uma crença em evidência e uma evidência em dogma.

O homem inventou deuses à sua imagem e, depois, passou séculos perseguindo aqueles que tiveram a insolência de desenhá-los de outra maneira.

A lei pode impedir o crime; somente a educação pode impedir que a injustiça se torne moralmente respeitável.

Quando uma sociedade precisa proibir perguntas para preservar suas respostas, já transformou a ignorância em instituição.

A inteligência incomoda porque não respeita fronteiras construídas pela autoridade entre aquilo que pode ser pensado e aquilo que deve permanecer acreditado.

O preconceito é uma sentença proferida antes do processo; por isso, talvez seja a forma mais primitiva de injustiça.