Northon Salomao

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Quanto mais acumulamos para facilitar a vida, mais complexa parece ficar a arte de simplesmente viver.

O senso comum tornou-se tão raro que passou a parecer uma forma de genialidade.

Um absurdo repetido por milhões de pessoas deixa de parecer absurdo e começa a parecer tradição.

Nada é mais perigoso que uma certeza quando ela encontra dinheiro, poder e uma plateia disposta a aplaudir.

O trabalho não necessariamente dignifica ninguém; às vezes apenas oferece uma agenda cheia o suficiente para impedir perguntas incômodas.

Quem aprendeu a fazer boas perguntas já percebeu que muitas respostas são apenas maneiras sofisticadas de encerrar uma conversa.

Reconhecer os limites do conhecimento científico não significa rejeitar a ciência. Significa, justamente, levar a sério a distinção entre evidência, hipótese, interpretação e aquilo que permanece desconhecido.

A ciência deve ser respeitada por sua capacidade de produzir conhecimento verificável, mas não deve ser utilizada para responder, por decreto, perguntas que pertencem a outros domínios epistemológicos.

A ciência investiga aquilo que pode ser demonstrado; a sabedoria começa quando reconhecemos aquilo que ainda não pode.

O Direito procura a justiça entre os homens; a ciência procura evidências sobre o mundo. Confundi-los é tão perigoso quanto separá-los completamente.

A ciência desconfia das certezas; o Direito deveria desconfiar das certezas com poder.

Onde a evidência termina, o agnóstico não inventa uma resposta: preserva a pergunta.

A ciência pode explicar como uma crença se forma sem precisar decidir se aquilo em que se acredita é metafisicamente verdadeiro.

O Estado laico não precisa ser ateu; precisa apenas não transformar uma hipótese sobre o absoluto em obrigação jurídica para todos.

A liberdade de consciência começa quando o Estado reconhece que nem toda verdade religiosa pode ser convertida em verdade jurídica.

A ciência não destrói Deus; apenas se recusa a colocar uma hipótese metafísica onde uma evidência empírica é exigida.

Entre o dogma religioso e o dogma cientificista existe uma fronteira preciosa: a humildade epistemológica.

O agnóstico não necessariamente duvida de Deus; duvida da pretensão humana de possuir uma resposta definitiva sobre Deus.

A ciência pergunta “como sabemos?” antes de perguntar “no que queremos acreditar?”.

O Direito deveria proteger tanto a liberdade de acreditar quanto a liberdade de não transformar crença em prova.

Uma sociedade racional não precisa eliminar o sagrado; precisa impedir que o sagrado elimine a dúvida.

A fé pode habitar a consciência; a lei precisa habitar o espaço comum onde consciências diferentes possam coexistir.

A ciência muda quando a evidência muda; o dogma muda apenas quando deixa de conseguir impedir a mudança.

Talvez a maior contribuição da ciência à filosofia tenha sido ensinar ao homem que sua intuição não é uma autoridade sobre a realidade.

O cérebro fabrica certezas com extraordinária facilidade; a ciência existe, em parte, para interrogá-las.