Northon Salomao
Levar a vida excessivamente a sério talvez seja a forma mais sofisticada de não perceber que ela está passando.
Quando alguém realmente pensa diferente, a primeira reação da maioria não é compreender: é procurar uma maneira de enquadrá-lo.
Todo mundo possui virtudes ocultas. O problema é que os vícios costumam encontrar a ocasião primeiro.
Um livro raramente ofende uma mente aberta; normalmente é a mente fechada que transforma páginas em ameaça.
A verdade pode entrar em uma sala cheia de pessoas, mas dificilmente sai dela sem ferir alguma vaidade.
Quem se acostuma a dizer a verdade economiza uma quantidade impressionante de memória e uma quantidade ainda maior de desculpas.
O ser humano é o único animal que inventou maneiras sofisticadas de esconder aquilo que todos sabem sobre ele.
A vida distribui oportunidades de maneira curiosa: alguns recebem privilégios e chamam isso de mérito; outros recebem obstáculos e chamam isso de destino.
Talvez o maior talento humano seja transformar nossas próprias contradições em uma narrativa suficientemente convincente para continuar dormindo em paz.
O trabalho não apenas ocupa as mãos: ele disciplina o espírito, afasta o tédio, contém o vício e transforma a necessidade em dignidade.
Quando o absurdo conquista a consciência como verdade, a violência encontra na crença uma autorização para agir.
Há momentos em que estar certo diante do poder é mais perigoso do que estar errado diante dos homens.
A dúvida inquieta o espírito, mas a certeza absoluta o aprisiona; entre ambas, a razão constrói sua liberdade.
Quando o pensamento deixa de questionar, a obediência passa a ocupar o lugar reservado à consciência.
O senso comum talvez seja a mais celebrada das virtudes e uma das menos distribuídas entre os homens.
A história muda seus cenários, seus impérios e suas bandeiras; o homem, entretanto, insiste em repetir os próprios abismos.
A medicina muitas vezes cura o corpo enquanto oferece à esperança o tempo necessário para que a própria natureza faça seu trabalho.
Nada envelhece mais depressa uma conversa do que a necessidade de dizer tudo; o pensamento também precisa conhecer o silêncio.
Há uma forma silenciosa de culpa: possuir a possibilidade de fazer o bem e escolher, deliberadamente, não fazê-lo.
