Northon Salomao
Uma multidão raramente perde a razão; ela simplesmente distribui a responsabilidade pela irracionalidade entre seus integrantes.
Há pessoas que defendem suas escolhas com tanta intensidade que parecem mais interessadas em proteger o passado do que em viver o presente.
O amor continua sendo a experiência mais sofisticada que temos de perder temporariamente o controle sobre nós mesmos.
Muitas pessoas não temem a verdade; temem a versão de si mesmas que precisariam abandonar depois de conhecê-la.
Quem passa muito tempo combatendo monstros deveria verificar se não começou a usar os mesmos métodos deles.
A verdade costuma ser ofensiva quando ainda ameaça interesses e banal quando já se tornou inofensiva.
O destino talvez não tenha plano algum; somos nós que odiamos tanto o acaso que transformamos coincidências em narrativa.
A solidão começa quando descobrimos que estar acompanhado não significa necessariamente ser compreendido.
Quanto mais conhecemos o mundo, mais difícil fica acreditar que ele foi desenhado especificamente para nossa satisfação.
O casamento tenta transformar uma emoção imprevisível em instituição permanente. A burocracia sempre teve uma relação curiosa com o amor.
Talvez a humanidade não esteja perdida; talvez apenas esteja ocupada demais para perceber onde está indo.
A vida é importante demais para ser levada a sério: breve, absurda e irrepetível, exige a lucidez de quem compreende sua finitude sem precisar encontrar sentido em tudo, e a leveza de quem aprende a sorrir diante do abismo.
Algumas pessoas desejam tanto a nossa felicidade que ficam profundamente incomodadas quando descobrem que nossa tristeza também pode ser legítima.
Se a vida não possui sentido pronto, pelo menos nos poupa do constrangimento de descobrir que escolhemos o sentido errado.
Quando não conseguimos resolver um problema, inventamos uma narrativa suficientemente bonita para fingir que o compreendemos.
Resisto facilmente às tentações que não me interessam. Meu caráter começa a ser testado justamente pelas outras.
Perdoar alguém não significa esquecer; às vezes significa apenas retirar essa pessoa da administração da nossa memória.
Experiência é o nome que damos aos nossos erros depois que eles envelhecem o suficiente para parecer sabedoria.
Algumas pessoas levam felicidade para qualquer lugar. Outras conseguem melhorar o ambiente simplesmente quando vão embora.
