Northon Salomao
O caráter de um homem revela-se menos naquilo que proclama do que na distância entre suas palavras e suas ações.
Exigir dos outros aquilo que não somos capazes de exigir de nós mesmos é transformar a moral em instrumento de julgamento, e não de aperfeiçoamento.
Não imponha ao outro aquilo que sua própria consciência rejeitaria se estivesse submetida à mesma medida.
O conhecimento amadurece quando a informação encontra a reflexão; sem reflexão, até a erudição pode permanecer intelectualmente estéril.
Ao encontrar alguém virtuoso, examine o que pode aprender com ele; diante daquele que erra, examine primeiro aquilo que seu próprio comportamento ainda precisa corrigir.
O homem verdadeiramente superior não constrói sua dignidade diminuindo os outros; constrói-a pela disciplina com que governa a si mesmo.
Saber aquilo que se sabe e reconhecer aquilo que se ignora é uma das formas mais rigorosas de honestidade intelectual.
Uma sociedade não se transforma apenas pela quantidade de conhecimento que transmite, mas pela qualidade das pessoas que esse conhecimento consegue formar.
As grandes transformações raramente começam com grandes gestos; muitas vezes começam com a pequena disciplina de alguém que decidiu não permanecer exatamente onde estava.
A palavra revela intenção; a ação revela caráter. Entre ambas, a verdadeira medida do homem está quase sempre naquilo que ele faz.
Um Estado que pretende governar pela virtude começa pelo exemplo de quem exerce o poder; nenhuma autoridade consegue exigir legitimamente aquilo que ela própria despreza.
Quando a conduta de quem governa é justa, a lei encontra autoridade no exemplo; quando não é, até a melhor norma pode parecer apenas uma ordem imposta.
A virtude não permanece solitária por muito tempo: quando é verdadeira, transforma o indivíduo e cria ao seu redor possibilidades de convivência.
Errar é uma condição humana; transformar o erro em identidade é uma escolha. A verdadeira correção começa quando a consciência deixa de proteger o próprio equívoco.
Corrigir um erro não diminui a autoridade de quem o cometeu; demonstra que a consciência ainda possui autoridade sobre o próprio orgulho.
A ordem social não começa nas instituições; começa no indivíduo que aprende a reconhecer que seus atos possuem consequências sobre a vida dos outros.
A busca pela excelência não consiste em vencer os outros, mas em tornar-se suficientemente consciente para não permanecer prisioneiro da própria versão anterior.
Governar é também corrigir a si mesmo: aquele que pretende ordenar a sociedade sem submeter a própria conduta à mesma exigência transforma autoridade em privilégio.
Penso, mas quanto mais rigorosamente penso, mais percebo que existir não basta: é preciso investigar as razões daquilo que acredito ser verdadeiro.
Para alcançar a verdade, é preciso ter coragem de colocar em dúvida até aquilo que durante muito tempo pareceu indiscutível.
Toda dificuldade intelectual se torna mais compreensível quando deixamos de enfrentá-la como um bloco e aprendemos a submetê-la à análise de suas partes.
Nenhuma afirmação merece o estatuto de verdade apenas porque foi repetida, ensinada ou aceita; antes da certeza deve existir o exame da razão.
Quando o pensamento encontra um problema complexo, a razão deve procurar primeiro aquilo que é simples, evidente e intelectualmente verificável.
A inteligência rigorosa não confia apenas na primeira conclusão; revisa o caminho percorrido para descobrir aquilo que a própria confiança pode ter ocultado.
A dúvida não é a ausência de pensamento; quando disciplinada pela razão, ela é o instrumento pelo qual o pensamento se protege contra o erro.
