Moacir LuÌs Araldi

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Prefiro o grito

Prefiro o grito ao silêncio.
O grito da dor ao bater da pedra.
O grito do espinho furando a pele.
O grito de resistência apoiado na inocência.

O grito do muro de alma pichada.
O grito do sapato furado no solado.
O grito dos pés pisando brasas.
O grito da ressaca mesmo sem ter bebido.

Prefiro o grito da justiça,
Que na noite extrapola a razão.
Prefiro o grito, mas por covardia,
Ou por bom senso, calo-me.

Moacir LuÌs Araldi
Inserida por Moapoesias

Mãos atadas.

Ainda que do olho salte a ilusão.
Que da boca verta a fragilidade.
Mesmo que só voe a imaginação.
A busca é constante pela saciedade.

Ainda que a nuvem esconda o sol.
Que na sombra não se veja vulto.
Conserva-se a alma em formol.
Mata-se o corpo em um minuto.

Ainda que o galho balance o canto.
Dos Uirapurus tão festejados.
O mato permanece à beira do pranto.
Ficam os terrestres voam os alados.

Ainda que o fermento negue crescimento.
A levedura esta depositada.
Mesmo que a mente aceite o consentimento
Não se guia só e de mãos atadas.

Moacir LuÌs Araldi
Inserida por Moapoesias

SUBLIME

O mais elevado grau de beleza.
O maior indicativo de perfeição.
Excelência em natureza
Uma sinfonia musical em execução.

Tons musicais de requinte elevado
Momentos considerados divinais.
Ambiente lindamente decorado
E uma plateia sem igual.

Orquestra é sintonia ajustada,
Arranjos e melodias arrojadas.
Músicos perfeitamente entrosados.

Suave para meus sentidos
Agradáveis para os ouvidos
Ao final, todos recompensados.

Moacir LuÌs Araldi
Inserida por Moapoesias

TEMPOS

Foi um tempo de bravura
Tentando naquela altura
Não desistir de buscar.
Tomava o ônibus de ida.
Pra voltar era aventura.
Sem paga não pode andar.
A pé sempre retornava,
Uma hora de caminhada
Marcado passos na madrugada.

O calcanhar machucado.
O joelho inchado,
O jeans velho já surrado.
Batia a fome malvada
Muito mais ele desejava
A situação mudar.

Á Deus pedia saúde.
A mão Ele estendia
Conformado,
Dormia de barriga vazia.

Riqueza não interessava.
Tudo o que ele buscava,
Pra mesa a própria comida.

A vitória pouco importava.
Mas diante das injustiças
Não podia se calar.

Hoje no céu batalha.
Com certeza me ilumina.
Não és de jogar a toalha.
Acredite, aqui continuo a tua sina.

Moacir LuÌs Araldi
Inserida por Moapoesias

FINJA
Se não é real. Finja.
Se há muitos iguais. Minta.
Diga que sou demais,
Você sabe como se faz.

Diga que nunca foi tão intenso.
Que ninguém faz como eu faço.
Diga que o prazer é imenso.
Que te mato no cansaço.

Inventa que beijo bem.
Que tenho bela pegada.
Que te satisfaço como ninguém.
Que nunca se sentiu mais desejada.

Que estava morta de saudade.
Que sentia um calorão.
Que sou tua felicidade.
Que por mim morre de excitação.

Eu finjo que acredito.
Vendo teu olho brilhar,
Que esse amor é infinito,
Até o instante em que acabar.

Moacir LuÌs Araldi

BARBA

Hoje não quero emoções de barba feita.
Antes as migalhas do pão amanhecido.
Servido na fétida e úmida sarjeta
Gastronômica de um viver já morrido.

Hoje no café não quero açúcar.
Quero gotas de sangue nos versos da poesia.
Com gosto de fel sem adoçar.
Morre uma vida quando acaba a fantasia.

Hoje amor não trago em mim.
Prefiro a morte a ficar sem teu pão.
De longe vejo a luz chegando ao fim.
Como ondas foi-se o emocional da razão.

Moacir LuÌs Araldi
Inserida por Moapoesias

Patas do mundo

Gigantes patas movem o mundo.
Pesadas fazem tremer.
Um passo a cada segundo.
Sobe uma pra outra descer.

Pisadas que esmagam se dó.
Afundam a argila da felicidade.
Marcam de uma vez só.
Ignoram as dificuldades.

Fincando estacas lascadas
Mesmo tenazes se desmancham.
Rosto que respiram em mordaças
Vida dos vermes que avançam.

Enterra com tuas pegadas
Toda esperança contida.
Ficam todas sepultadas
Sem sonho. Sem vida.

Moacir LuÌs Araldi
Inserida por Moapoesias

Ao mar.

Joga-te ao mar,
As ondas vão te beijar.
Joga-te ao mar,
Na areia do mar.
Escreve teu nome e o meu.
Joga-te ao mar,
No leito lindo do mar.
Nos dias de maresia,
Teu cheiro em minha fantasia
Fico louco pra te encontrar.
Joga-te ao mar,
Mergulha este corpo escultural.
Sou pescador vou te pescar.
Joga-te ao mar,
Molhe seus cabelos e
Balance-os ao levantar.
Joga-te ao mar,
Quero mais ainda te desejar.
Joga-te ao mar,
E quando eu chegar,
Ainda molhada,
Corra na areia.
Corra pra me abraçar.

Moacir LuÌs Araldi
Inserida por Moapoesias

Singular.

Quanta das nossas perguntas à vida deixa sem respostas.
Quanto amor tentando convergir na mesma direção.
Quanto perfume do corpo entorpecendo fantasias expostas.
Ilhado no banho de espumas vê-se o amor em formação.

Placas do caminho meus olhos negam.
O roteiro que leva é o mesmo que traz a flor-formosa.
Que seja a pureza do amor que regam.
Sensível como o ar para os liquens cor de rosa.

E no mais improvável querer
A sombra da árvore não nega abrigo.
Desperta o coração para ver.
O amor que suspira a beira do trigo.

A vontade de te conduzir pela mão
Abrindo caminhos para o sorriso passar.
Longe da rota da solidão.
Palpite de sonhos desejosos de amar.

Abrace-me, oh minha paixão.
Não tema seus pés pisando rochosas.
Penetre com a força de um turbilhão.
As pedras deste caminho são todas preciosas.

O poeta silencia diante da romântica e viva poesia.
Tira dos versos a musa sonhada
Confunde o real com sua alegria.
De amor preservado a imaginação é formada.

Moacir LuÌs Araldi
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Descompasso

Olhos brilhantes na beleza do mar.
Descalços pés de amantes apaixonados.
Esperanças no horizonte a se renovar.
Infantilmente mariscando desejos guardados.

Um carinho sentindo a brisa.
Mesmo pisando na água fria.
É desejo que se realiza.
É sonho de alegria.

À noite nos incandesce
De um salutar querer,
Em silêncio peço a Deus em prece
Pra nunca sem você amanhecer.

Vendo-te acordar pensei com esmero
Naquele momento o que eu mais queria,
Ouvir um eu te amo sincero
Junto com teu beijo de bom dia.

A emoção não te convence
Isso da tua boca não sai,
Calo num abraço comovente
Enquanto uma lágrima sorrateira cai.

Mesmo que em palavras sonegas
Escuto teu coração palpitar.
No descompasso, sem querer entregas,
A tua vontade de também me amar.

Moacir LuÌs Araldi
Inserida por Moapoesias

Duas e meia.

Não vou atribuir à má sorte este ardor.
A beira da estrada o sol queima sem pesar.
São apenas duas e meia e calor,
Piso solo quente pra a areia me castigar.

Pra alma não há árvores sombrias
Nem portas pra ventilar.
Prevalecem às tristezas sobre as alegrias
E tempestades dignas de penar.

Elevo-te ao ponto mais alto vida,

Sorria-me ao menos em alguns segundos.
Vejo a esperança tingida
Afundando sonhos e mundos.

Azula-me céu límpido de raios acalorados
Este sol perpassa meus íntimos desejos.
Onde estão as nuvens densas enamoradas,
Que trarão chuvas abundantes de festejos?

Moacir LuÌs Araldi
Inserida por Moapoesias

Conta-me

Conta-me como foi o teu dia.
Fala se a saudade te maltratou.
Se algum cheiro de comida lembrou o cardápio que degustamos.
Se você procurou meu rosto olhando na rua para um desconhecido.
Diga se pensou em algum momento ter escutado a minha voz.
Se, ainda que apenas um segundo, lembrou-se do quanto amo você.
Se o cheiro de algum perfume te fez respirar fundo pra tentar sentir o meu.
Se uma lágrima esteve em teus olhos ao lembrar-se das minhas.
Se você contemplou perdidamente o nada e se viu com um sorriso no rosto pensando em nós.
Se em algum momento riu das brincadeiras que fizemos juntos.
Se estive em teu sonho na última noite.
Se o toque do lençol em teu corpo te fez lembrar meus carinhos.
Se o desejo de amar te fez pensar em mim.
Se ao acordar tocou a colchão buscando meu corpo.
Conta-me.
Eu ficarei feliz em saber.
Pois nunca escondi o quanto eu amo você.

Moacir LuÌs Araldi
Inserida por Moapoesias

MIX


1-Nunca diga ao seu subconsciente que não quer perder. O “não” vai prevalecer. Diga apenas que quer vencer. E vencerá.

2-Tentei fingir que chorava demonstração de sentimentos, quando me avisaram que era eu o morto.

3-Armei uma bomba no meio do mundo e quando explodiu parti-me em dois.

4-Tranquei as portas com chave, com tranca, mas esqueci de algo lá fora.

5-Nada pior do que encontrar a porta aberta e não ter vontade de entrar.

6-É melhor ouvir um sim de quem sabe, também, dizer não.

7-Quem aborta um amigo, furta um ideal.

8-Deixei o que fui pra viver o que sou.

9-Diga não, mas me deixe agir.

10-Do guerrilheiro: Silêncio! Acho que ouvi um tiro.

11-Um dia esta leoazinha vai se transformar em gata e, mansamente, deitara a cabeça, em minha coxa para eu acariciá-la. Será?

12-Quando temos tempo de tirarmos pétalas de uma rosa, temos a sensibilidade de sermos verdadeiramente, homens.

13-Do solitário:(Não falei solidário) repartiremos o meu sanduiche.

14-Não escrevo. Apenas grafo no papel as dores da minha alma.

15-O que eu quis dizer com isso? Como saberei.

16-As pessoas perguntam por que, na minha idade, ainda escrevo sobre o amor. Deve ser pela incerteza se terei netos.

17-O sucesso tá ali, a um passo. Vai desistir agora?

18-Se ela soubesse a falta que me faz certamente me deixaria.

19-Conheço, basicamente, dois tipos de mulheres na minha vida: as que amo e as que amo ainda mais.

20- Ainda que fosse por um momento eu gostaria de ser exatamente como sou.

Moacir LuÌs Araldi
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Um dia

Um dia eu estive lá.
Vi você correndo alegremente
Com os cabelos soltos cheirosos
Radiante feliz e sorridente.

Um dia eu vi você.
Pular em meus braços.
Apertar-me tão forte
A mais não poder.

Um dia eu estive lá.
Incontido em tudo.
Desejoso de me afundar
Na meiguice do teu olhar.

Um dia eu vivi lá.
Passeamos abraçados
Vontades e desejos entrelaçados
E ao fundo... O mar.

Um dia contemplamos juntos
O mais lindo entardecer.
Te fizeste tão minha.
Fiz-me tão você.

Um dia eu tive que voltar,
A tristeza foi tanta que me corroeu.
Enquanto meu eu doloria ao retornar
Imagino que você também sofreu.

Moacir LuÌs Araldi
Inserida por Moapoesias

Dê-me.

Não me negue teu beijo.
Ainda que não seja o último
Dê-me agora.
Entenda minha vontade
Por favor, não demora.
Dê-me você neste momento,
O horizonte nos contempla.
Faremos tudo muito intenso.
Beijo amor e sentimento.
Tenho em você mais do que um par.
Mais do que o silêncio no olhar.
Dê-me, pois tenho e não nego,
Um jeito único de te amar.
Dê-me, não quero mais esperar.
Dê-me teu olhar.
Dê-me o sonho.
Dê-me a vida e aceite tudo o que tenho pra te dar.
Dê-me teu amor pra eu te amar.

Moacir LuÌs Araldi
Inserida por Moapoesias

CRIMINAL

Se maduro ou imaturo
Se te faz santificar ou pecar,
Ainda assim eleva-te e te sinta seguro.
Em nenhuma circunstância se permita errar.

Se o amor um dia nos matar,
Ele é que vai ficar mal.
Poucos irão tolerar.
Ele é que será criminal.

Suspenda o que te faz impuro.
Abrace, beije se entregue.
Não adianta socar o muro.
Só com o ódio pegue leve.

A mente que te movimenta
Controla-te sem cessar
Não leve tudo tão a sério, não esquenta,
Só não deixe, de aos outros, amar.

Moacir LuÌs Araldi
Inserida por Moapoesias

Cabernet.

Li no sorriso que pulsava em você.
A alegria de sentir-me chegar.
O brilhante olho denunciava teu querer.
Exalava de você o sinônimo de amar.
Atravessei teu olhar mapeei tua alma
Com calma fui despindo teus desejos,
No mesmo instante que me cobria de você
Laçamos nossos instintos anoitecidos
E o brinde feito para podermos nos entender.
Que vibrante é sonhar colorido,
Sem pensar se um dia vai amanhecer.
Brindamos as horas que de tão nossas
Acabamos delas esquecendo.
Nossas vidas misturadas
Em meio a elas nos perdemos.
Do vinho vertia o cheiro do amor,
Dos corpos a vontade de ser
Embriagante sensação no corredor
Dois copos em um único prazer.
Tão doce momento vivemos
Eu você e um delicioso tinto Cabernet.

Moacir LuÌs Araldi
Inserida por Moapoesias

Gota de Mundo.

O calor do sol aos poucos desmancha
A gota de mundo pingada em meus cabelos.
E provoca no couro uma nova mancha
Onde não cresce novos pelos.

Que motivos temos para viver,
Se a frieza mata a esperança.
Se os sonhos cultivados tentam se esconder
E de tolice destruímos as marcas da presença.

Dentro de mim cultivo tudo com o mesmo ardor
Mas isso quem vai querer saber?
Morro, mas não mato o amor,
Um dia quem sabe o mundo possa entender.

Aos que dizem que de amor não se morre,
Quero um desafio proclamar,
Certamente suplantam o amor que nas veias corre,
Não sabem a intensa maneira que tenho de amar.

Moacir LuÌs Araldi
Inserida por Moapoesias

Estraçalhado.
É tempo de vidraça.
Felizmente o tempo passa...
© Moacir Luís Araldi - Direitos autorais reservados.

Moacir LuÌs Araldi

Inesquecível mamãe.

Nem sei como começar. Não tenho prática.
Nestes quarenta anos nunca te escrevi. A senhora sabe como é: correria, muito trabalho, compromissos diversos e afinal, ninguém é de ferro né mãe.
Mas hoje, parei de encontrar desculpas e resolvi te escrever. Talvez eu tenha algumas novidades pra te contar.
Saiba a senhora que já não sou mais aquele menino que tinha vergonha de te beijar, de te abraçar, que não sabia o quanto é maravilhoso dizer e ouvir um “eu te amo”. Cresci mãe, passei e passo meus momentos de dificuldades. Não só eu, os irmãos também.
Pena que não te abracei mais, que não te beijei mais, que não demonstrei mais o meu amor por você. Eu não sabia que você partiria tão rápido. Talvez se soubesse teria feito diferente ou morreria antes para não sofrer esta perda.
Mas estou sobrevivendo, lutando, buscando sempre acertar. Você sabe o quanto é difícil tocar em frente. Eu tento facilitar, pode acreditar, mas ás vezes desabo. Não vou negar que tenho minhas fraquezas e culpas, mas também vivo momentos ótimos, inesquecíveis e lindos.
Puxa!
Estou escrevendo e me dou conta que até meus cabelos estão parcialmente brancos.
Lembro como se fosse hoje o dia que você teve que ir. Nossa. Tanto tempo, mas a memória não se esquece de nada. Todos me deram uma especial atenção, tentaram me distrair. Eu era tão menino, tão inocente, mas sabia o que significava aquele momento.
Eu sabia que meu melhor pedaço de doce ficava ali. Por muitos anos não consegui falar em você sem chorar. Agora também estou em lágrimas. De saudades, de vontade de te ver, de saber que se você estivesse comigo poderia ser mais fácil. De saber que no caminho, por vezes, encontramos mais espinhos do que flores.
Naquele inicio de ano de setenta e dois, nos afastamos para nunca mais eu ver teu rosto. Não sei se, em algum momento, viste o meu.
Estou diferente agora. Perdi aquele sorriso, perdi parte do brilho dos olhos desde aquele dia e agora ainda mais.
Acho que pra aliviar um pouco comecei a escrever. Assim, despretensiosamente. Nos anos 80 fiz algumas crônicas para jornais. Depois fui escrevendo algumas poesias. Em 87 participei da primeira antologia. Hoje são várias participações.
Participo de um site literário, tenho recebido até elogios. Acredita mãe? Verdade. Pena que você não pode ver.
Este ano tenho um projeto mais ousado, conto com teu apoio materno para que dê tudo certo.
Confio no teu amor. Confio na tua intercessão.
A parte triste é que não poderei te enviar, sequer, esta cata.
Você promete me ajudar mesmo assim?
Saiba que eu escrevo com o coração, com a sensibilidade e a saudade de um filho que não te esquecerá jamais. Quem sabe você, com teus poderes de mãe consiga ler. Tomara. Tomara mesmo.
Se não for possível me deixa, ao menos, sonhar que lerá.
Por hoje era isso mãezinha. Beijos.
Ainda amo você muito mais do que a mim mesmo.
Feliz ano novo pra você.
Feliz ano novo para todos.


*Mamãe faleceu em 03/01/1972. Completaria 52 anos em 01/03/1972

Moacir LuÌs Araldi
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ADORNOS

Você,
Corpo...
Em deleite.
Perfume de estrelas
Em adornos de enfeite.
Eu,
Espádice,
Copo-de-leite.
Dependente do teu aceite.
© Moacir Luís Araldi - Direitos autorais reservados.

Moacir LuÌs Araldi
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Águas nascidas na mesma fonte, invariavelmente chegam ao mesmo destino.
© Moacir Luís Araldi - Direitos autorais reservados.

Moacir LuÌs Araldi
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Excluir: Expulsar, retirar, rejeitar. Ações que humilham e acabam com a autoestima.
Deixe de lado o orgulho e pratique a inclusão. Todos serão mais felizes, principalmente você.

Moacir LuÌs Araldi
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Fácil
Amar é fácil. Qualquer um pode.
Mágico, no entanto, é receber amor.
Isso é pra poucos.

Moacir LuÌs Araldi
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Tie-break
Chegamos ao destino já no final de um dia de muito calor. De cara já percebi certo aspecto medieval na região.
Maria Luiza que dominava espanhol e se aventurava no inglês se encarregava de pedir informações. De Francês nenhuma palavra. Nem ela nem eu.
A ideia era vencer o percurso em trinta dias. Mas já no primeiro dia de caminhada sentimos que seria preciso muita resistência para buscar este objetivo.
À medida que subíamos em relação ao nível do mar parecia que ficava mais cansativo.
Eu olhava para a Malu, e lembrava-me dela reclamando do ponto que eu perdi no tie-break da final do campeonato de vôlei da liga.
Há muito nos tornamos amigos.
E nesta condição viajamos juntos. Mas nunca deixei de ter uma forte atração por ela.
Morena alta, cabelos longos, olhos claros e com a pele bronzeada chamava ainda mais minha atenção.
Falávamos para todos que éramos irmãos para facilitar as coisas. E, convenientemente, nos comportávamos.
Encontramos, naturalmente, gente de todas as partes do mundo.
A cada um dávamos a atenção possível. Era meio desconfortável ver as insinuações e os olhares pra cima da Malu. Mas ela sempre foi desenvolta e tirava até uma onda com os mais abusados.
Mulher decidida, bem resolvida, sabia que estávamos ali para fazer o percurso que dois anos antes começamos a planejar. Jogávamos na mesma equipe e trabalhávamos na mesma empresa isso tornou possível este planejamento sem muitos atropelos. Negociamos férias no mesmo mês. Verdade que não foi fácil à negociação, pois o setor ficou meio desguarnecido nestes dias.
Agora ali, vendo as paisagens lindas, apoiado pelo cajado e suportando a mochila nas costas estávamos felizes. Nestas horas percebe-se que dá pra viver apenas com o essencial. Era o que carregávamos nas mochilas, pois quanto mais leves melhor se suporta. Questão de resistência mesmo.
Terrível são as bolhas que se formam nos pés. Tínhamos esta informação e tomamos todos os cuidados, mas ainda assim não conseguimos evitar. O jeito era medicar sempre que estávamos nos albergues. Aliás, ficávamos nos públicos por uma questão de custos. Ainda assim eram melhores do que se podia imaginar. A diversidade de cultura acaba ajudando na aceitação de situações diferentes a cada dia, a cada hospedagem, a cada conversa. Tudo muito diverso que chega a encantar. É preciso despir-se de valores preconcebidos para poder entender a grandeza deste momento que também é cultural.
Tinha dias que eu via a Malu meio cansada. Olhar contemplativo. Olheiras enormes, contudo sempre bem humorada. Ela conseguia me manter equilibrado emocionalmente. Um feito para poucos em situações assim.
O mais interessante é que a cada momento eu me sentia mais atraído por ela. Às vezes parecia que ela também estava gostando um pouco mais do que só estar comigo e da minha companhia. Por outro lado a insegurança me impedia de tentar qualquer aproximação amorosa. Afinal éramos amigos que agora se apresentavam como irmãos. Uma coisa meio embaraçosa.
No final do primeiro dia, em St Jean Pied e Poit, ainda na França, ela tinha me dado um beijo no rosto que me marcou muito. Era um agradecimento por estarmos ali. Uma retribuição pelo carinho e atenção que eu dedicava a ela nesta viagem.
Mas confesso: Não esqueci o beijo.
O perfume dela me enchia de desejos. Mas nunca externei. Melhor não colocar em risco tudo o que projetamos curtir.
Trinta e cinco dias e oitocentos quilômetros depois, emagrecidos e meio exausto, finalmente avistamos a chegada. A ansiedade que aumentava a cada dia ficou ainda maior.
Foram incontáveis passos irmanados nestes dias. Visivelmente emocionada, Malu se aproximou e estendeu-me os braços e eu perguntei a ela com lágrimas nos olhos e voz embargada:
Quanto vale a realização deste sonho?
Chorando ela me abraçou e respondeu:
- Não sei, mas muito mais do que o ponto que você desperdiçou no tie-break.
Risos e choros se misturaram. Ela me apertava cada vez mais forte e gostosamente senti um arrepio percorrendo o meu corpo todo.
Inesperadamente beijou-me a boca.
Foi apenas o primeiro, mas entendi que valeu a pena cada metro feito no cansativo caminho de Santiago de Compostela.

Moacir LuÌs Araldi
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