Carolline Milici

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Ritmo novo, nunca sentido. Riso fácil, mundo incoerente. Não fui convidado para nenhuma festa. Hoje em dia para onde olho só vejo gente estranha e esquisita. Essa droga de século nos faz sentir autossuficientes para tudo. Realidade sucumbida, desejo explícito e ilícito. Desvantagens em ser meramente moralista, ativista, passivista. Eu vou procurar quem quando precisar correr? Estamos presos nessa cela ilusória onde a inteligência é um prêmio de consolação. Os sábios estão cada vez mais calados, enquanto os estúpidos não param de querer espalhar sua opinião contaminada pelo mundo. Inversões de papéis, pequenos fiéis, sinônimos valendo meros vinténs. Segundo uma pesquisa recente estamos chegando ao fim e, não é do universo que estou falando.

Inserida por caaamilici

Em um rancho do Mississípi, eu me perdi. A estrada era longa e o número das placas se embaçavam na neblina do outono. E, mesmo que se continuasse a doer eu percorreria milhas e milhas até naufragar num pedacinho de terra abandonado. Eram vários modelos de couro legitimo nas botas, os cinturões refletiam as luzes dos lampiões e “Bette Davis Eyes” tocava. Um banjo me envolvia numa dança nada rítmica, mas mesmo assim tudo me divertia. Era maravilhoso começar a passar por mudanças, já estava na hora da minha vida dar um salto, e não digo um salto daqui-ali, digo um salto dos grandes. Sentia cheiro de lavanda e ao fundo uma garotinha perseguia alguns vaga-lumes. O coração sempre dá um jeito de recomeçar e encontrar uma razão nada racional para tentar de novo. A vida é como uma ampulheta, as coisas acontecem, num determinado tempo, e tudo que vai…volta. Valia a pena morar naquele lugar, e valia a pena lutar mesmo que eu tivesse que percorrer mais um milhão de milhas até encontrar você.

Inserida por caaamilici

Fiz tanto barulho que já não se ouvia mais palavras saindo do meu pensamento, porque não sou de gritar com a boca e sim com a alma. É nojento se expor assim. Eu teria me reprogramado se pudesse, e contado até quarenta se quisesse. Eu me perco no oco ímpeto do espírito, mas sou achada facilmente em um dos subúrbios de SP. Não há nada demais em regredir uma etapa ou outra, ninguém disse que precisa seguir à risca. Vai de cada um sentir ou experimentar o âmago de sofrer, para todos os efeitos criaram os analgésicos. Foi-se o tempo onde os lunáticos eram elite, onde se tornavam os donos do incomum. Agora é tudo muito igual buscando tudo muito diferente, e ninguém se toca em como todos são os mesmos. Se ao menos eu fingisse ser heroína, minha mente eclodiria e eu finalmente poderia gritar. Talvez, minhas dores, meus medos, minhas aflições se revelariam. E, se eu realmente fosse forte, por menos que conseguisse, não esqueceria de mim assim, não me deixaria morrer.

Inserida por caaamilici

Eu consigo me arrastar para fora de Nárnia que são minhas cobertas e em dois pulos calço meus sapatos. Não falta amor, falta pessoas dispostas a se arriscarem mais. A maioria se esquece que não é todo dia que temos a chance de recomeçar mais de uma vez. Eu não escuto mais o telefone de casa tocar, a não ser é claro, se for cobrança. Ainda sinto falta dos meus amigos dizendo “Alô? É da pizzaria? Vem pra cá que o dia tá lindo!”
Já faz algum tempo…
Na verdade, as coisas não mudaram tanto assim, fomos nós que deixamos de lado esse tipo de coisa, que hoje é insignificante. Bebo um gole de coragem e sorrio, afinal existe melhor remédio do que esse? Às vezes, queria que alguém me compreendesse, mas mesmo assim não tivesse a necessidade de jogar cada coisa que faço na minha cara. Eu lembro dos VHS sendo rebobinados e as crianças indo lavar as mãos antes do almoço, porque o ratinho do “castelo” cantou: “Lava uma mão, lava a outra…”
Eu tenho uma vida maravilhosa, mas sinto saudade de quando as pessoas se olhavam nos olhos e mesmo tímidas se cumprimentavam. Você ouve um “Bom dia” vindo do seu vizinho? Ao, menos você conhece alguém da sua rua? Você mora ali há dez anos…
Eu ia nas festas da escola com àquela ansiedade porque, volta ou outra, eu encontrava aquela paixão e a gente ficava a festa inteira rindo. Não tinha impressora e sim fax, nunca entendi como aquele negócio funcionava. Nem o disquete, por sinal! Lembra quando acabava a luz? Ah, todo mundo corria pro mesmo cômodo e com a vela a gente inventava alguma coisa pra fazer, ali mesmo. Olha, eu não tô reclamando de tudo! Eu sou uma adepta a tecnologia, vivo nesse século, aproveito a facilidade e gosto como tudo dá um jeito de se unir. É, só que nós não nos unimos com a alma, entende?
Alto índice de mortalidade, famílias vivendo em apartamentos pequenos que nem jantam juntas, divórcios mais famosos do que casórios, crianças abandonadas, maus-tratos à todo tipo de ser.
Dói, porque eu só vejo gente arrependida, gente amargurada e sofrida, perdendo as chances de ter aproveitado os momentos. Só consigo ouvir lamentações, “Ah, mas se eu falasse com a minha mãe/ Se eu não tivesse brigado com meu avô/ Eu deveria ter dito que amava minha irmã antes e agora é tarde”.
Nunca é tão tarde se não se sabe que dia é hoje, mas há certas oportunidades na vida que não têm volta. Vivemos no ano 2000, mas (a maioria de nós) somos dos 1900 e bolinha, então somos a geração que pode salvar o resto do mundo.

Inserida por caaamilici

Faz parte da minha alma aleatória ser divergente. As vozes das pessoas trazem a sensação de um devaneio marítimo. Me sinto afundar no mar e, a sensação que me pressiona para o submerso me faz refletir. “E, agora?” - eu digo a mim mesma, o que faz meu coração vibrar e minha mente pirar? Pelo menos duas vezes ao dia, a vida repousa sob mim. Sem pressão, sem drama, apenas uma dama passageira que me mostra que ela é muita mais do que eu vejo, é muito mais do que qualquer um pode ver. A pupila dilata e aos poucos a areia da ampulheta se mistura com os ponteiros do relógio. O que é o tempo senão um método ilusório para nos manter no círculo que controla nossas ações? Na realidade, não há passado, presente nem futuro. Somos escravos do que criamos e donos do que levamos… As vozes das pessoas ainda me tocam a alma e, assim consigo contornar a forma como o mundo quer que eu seja. A alma é a única livre.

O que eu descobri sobre o amor é o que eu não descobri ainda…

Eu procurei tanto que acabei me perdendo, por aí. Queria tantas respostas que acabei com inúmeras perguntas vazias. Quanto mais eu corria mais eu ficava para trás, como uma criança que se perde dos pais. Não sei ao certo o que eu estava fazendo de errado, só sei que aquilo me fazia rodar em círculos. Acabava comigo. Eu leio por aí teses sobre o que é o amor, como acontece, quais seus sintomas, só que ele não é uma doença como a paixão que precisa de receitas médicas.
Ele é o que é!
Amor é amor, e ao longo do tempo percebi que isso é um amontoado de coisas, como uma bagagem prestes a estourar de tanto conteúdo. A ficha tinha atolado, uma em cima da outra, dando pane no sistema. Agora me perco nas palavras, meu pensamento já saiu do lugar e, outra vez eu perdi a linha do raciocínio, porque amar não é fácil, e não é pra qualquer um.
Me deixei levar pela quietude da incerteza e não me importei, sabe? Alguma coisa tinha mudado e eu senti uma plenitude gigantesca. Dizem que você tem que amar como se ama a Deus, era bem complicado tentar distinguir o que era - e até hoje não sei muito bem quando tentam me explicar, mas a diferença é que agora eu sinto. Pense assim, imagine que sua mãe tenha cometido um crime, certo? Ela está errada e você sabe, e mais do que isso você é justa e diz o que ela fez, mas mesmo assim a perdoa e fica do seu lado, porque mais do que tudo ela é sua mãe, e mais do que isso: você a ama incondicionalmente!
Acho que o amor é isso, sabe?
Ele é infinito (palavrinha clichê a minha, mas é a que se encaixa mais) porque ele não acaba, pelo contrário se divide em milhões de pedacinhos e compartilha com o mundo. Ele é você refletido, seu eu verdadeiro, àquele que você é na sua casa e que se espelha sem medo no outro. É justo porque seu coração deixa quem você ama partir e mesmo assim o continua amando; é isso que querem dizer quando falam: “Se você o ama, deixe-o”, isso não é da boca pra fora - é o sentimento que faz com que você ame e fique feliz pela pessoa mesmo assim, que você vá ao seu casamento, que você escute com atenção seus problemas no relacionamento, que você sempre deixe um espacinho no seu coração para quando essa pessoa voltar. O amor perdoa e não é cego! Aliás, acho que o amor é bastante observador, ele conhece todos os defeitos e não finge que não vê, não tapa o sol com a peneira, fica furioso com os erros e com as mancadas, não deixa barato, mas no final ele fica, como eu disse é como amar seus pais, você deixa de amá-los porque gritam ou te magoaram uma vez?
Ele não se ilude, não se corrói, não se desespera, não enjoa, não sofre, não é….fútil. Essa parte é complicada, bem pior do que o resto, porque não acho que muitas pessoas sabem diferenciar o amor da paixão, e até então eu não sabia. Só sei que sei, não sei explicar bem isso, mas sabe quando seu coração dói, começa a enxergar coisas que você fingia que não existia, se decepciona, se envergonha, se irrita fácil? Você percebe que só aquilo não segura alguma coisa e que sempre falta algo? A paixão sempre vai querer mais e mais; ela nunca se satisfaz e sempre te deixa com um sentimento vazio. Eu não sou uma especialista em nada, nem cientista, muito menos guru do amor, só encontrei a paz num assunto tão inexplicável e questionável para mim.

Inserida por caaamilici

Que tipo de pessoa eu seria se deixasse os meus caprichos afetarem a pessoa que amo? Que tipo de pessoa eu seria se colocasse a frente do que é certo minhas necessidades?
Sei que não sou a melhor pessoa do mundo, muito menos alguém que se deixa de lado, mas eu não posso fazer isso.

Não dá pra simplesmente chegar e dizer: " - Olha cara, eu te amo. De verdade, tá? Só pensa nisso, de vez em quando, ou toda vez antes de dormir".
Não dá, não dá.
Porque quando se ama alguém você o deixa livre, o quer feliz, mesmo tentando juntar os cacos despedaçados dentro de si.
É que viver é assim, é sofrer uma vez para ter duas alegrias no futuro. Eu preciso abrir mão das coisas de vez em quando, mas não me entenda mal, sei que sou egoísta quando o assunto é você.

Inserida por caaamilici

Prefira amadurecer a crescer. Ninguém diz quando se precisa ser forte, não temos um manual passo-a-passo, mas não interessa. Ou nos arriscamos ou pecamos. Achei que seguraria a barra por mais tempo, pelo visto me enganei. A impulsividade é instalada em mim, e a paciência já criou asas e partiu há muito tempo. Deveria ter sido mais cautelosa, afinal eu pude evitar muita coisa, mesmo sem saber o que estava por vir. Fui teimosa, fui desatenta, e agora? Bom, vou pular essa parte. Eu pensei que nós daríamos um jeito nisso, só que vi que essa é uma via de mão única, e não se pode ir e vir quando bem entende. Eu sou frágil, não do tipo frágil como um vidro, mas frágil como alguém vulnerável ao outro. Não sou capaz de me expor, nem que seja por uma causa nobre. Não sou assim! Sofro em silêncio, abro mão das minhas vontades, odeio aparentar força e na verdade ser fraca. Continuo insistindo nessa besteira de fingir que sei lidar com sentimentos. Não sei e ponto! Só, que às vezes precisamos encarar de frente a vida, e agora a vida está me dizendo: “- Chegou o momento de deixar seu eu anterior, para começar a lutar como alguém que já amadureceu o bastante para não desistir”.

Inserida por caaamilici

O ponto de vista dela

Ele não entende como me sinto.

Não entende nada sobre mim. Não entende que quando me afasto, quero ser procurada, e que quando sorrio de lado, choro por dentro. Ele não sabe como odeio ter que ser grossa e estúpida, quando só quer conversar. Eu não sei lidar com isso de um modo calmo, só o fato de tentar me explicar já me enlouquece.
Não dá!
Quando vejo que só me enrolei e não expressei meus sentimentos, já começo a ter raiva de mim mesma.

Ele não sabe…

Como saberia?
Eu faço o máximo para parecer sensata, para não dar uma de neurótica. Digo o contrário do que penso, ou muitas vezes prefiro me calar, porque não tenho o direito de agir como nada além de amiga. Se eu pegar no pé, ir atrás, chorar ou discutir, estarei ocupando um posto que não é meu. E, tudo que eu não quero é me enganar achando que tenho esse direito, porque não tenho.

Mas, dane-se!

Como amiga eu tenho direito de cuspir, de um jeito grotesco, tudo que venho notando há anos.
Ele não vai me deixar nem começar e já vai dizer que sou dramática e que tudo é criação da minha imaginação, mesmo assim, quem avisa amigo é! Tem coisas que finjo que não vi, para não parecer intrometida ou alguém que só aponta o dedo pro outro, mas ele muda quando está com os amigos, e essa não é a primeira vez. Custei lembrar que esse sempre foi o motivo para gente se separar. Ele se afasta como um gato sorrateio pela noite achando que ninguém vai notar sua ausência. Ele é reservado e prefere o seguro ao incerto, mas deixa transparecer tudo com o olhar. Ele se envolve como quem se apaixona por brigadeiro num sábado a tarde, se doa para, talvez, as pessoas erradas. Não quero julgar as atitudes e sentimentos dos outros, é só que quem o vê despedaçado sempre sou eu, quem fica para ajudá-lo a recolher os cacos sou eu, e isso não é fácil.
Ele nunca me decepcionou, muito menos me magoou, então não é agora que vou enxergar as coisas ruins, porque tenho muita culpa no cartório e não tenho direito de exigir nada de ninguém. Eu sinto sua falta, mesmo não estando há cinco quilômetros de distância. Deveria ter dito como me sinto há muito tempo, só que tenho a mania de me certificar de tudo antes de agir.
Talvez, esse tenha sido meu maior erro. Não tenho medo de mudanças, mas prefiro saber se estou pisando em chão firme antes de pular.
Eu poderia ter xingado. Eu poderia ter gritado. Eu poderia ter dito todas as coisas que odeio nele. Eu poderia ter sido uma vaca…

Mas não fui.

Não fui porque o amo, e porque quando se ama alguém, o ama por inteiro. O ama como um pai ama o filho. O perdoa. O aceita como ele realmente é, apenas uma pessoa que comete erros como todo mundo.
E, mesmo com tantas mancadas, com tantas decepções, com tanta falta de importância, prefiro escutar seus motivos, um tanto quanto medíocres e infantis de como e porquê me deixou de lado, mesmo dizendo que nossa amizade era, e sempre foi algo importante pra ele.

Inserida por caaamilici

Count one, two, three.

A song can be a poem, and a poem may well be a song.
I don't know what point I was left behind,
And I don't know how I turned remembrance,
How I come history.

If you discover the truth behind me, still be able to love me?
She doesn't cry, doesn't argue, doesn't irritate, doesn't despair, isn't a neurotic.
She is not real.
I mean, why would you choose a porcelain doll instead of a real woman?
I mean, you may be surprised.

I wanted to show the world that I didn't want be unforgettable.
I didn't want mark the life of anyone,
Just wanted be someone's life.
That was too much to ask?

If you discover the truth behind me, still be able to love me?
She doesn't cry, doesn't argue, doesn't irritate, doesn't despair, isn't a neurotic.
She is not real.
I mean, why would you choose a porcelain doll instead of a real woman?
I mean, you may be surprised.

If you write a song that makes your life more delightful,
Than to see how it really is,
Then the only solution is turn relic.

Inserida por caaamilici

Ela não serve para ser simples, muito menos delicada. Isso não é com ela. Ah definitivamente não, mas só de sentir aquela risada e ouvi-la dizer que sua barriga até dói de tanto rir, eu esqueço que muitas vezes ela parece um garoto. Já fez tanta coisa naquele cabelo - agora, cor de ferrugem, que nem ao menos sei como aquilo ainda não caiu de sua cabeça. Eu não a entendo. Depende da ocasião, ela se veste como uma rockstar decadente, sempre com aquelas botas de couro, outras vezes parece uma hippie, que ela chama de bohemia. “- Não é hippie, é bohemia chic, sua anta!”. E, lá vou eu mais uma vez fingir que entendo, enquanto penso que ela é linda naturalmente, ela é linda de qualquer jeito e isso é uma droga. Meu Deus, como ela complica as coisas! Nossa, ser complicadinha é um modo de ser fofa, mas ela ultrapassa os limites possíveis da galáxia. É uma mimada irritante, que me olha com bico e faz birra, sério! Não sei se amo isso, acho que detesto. Ah, e como detesto, ela não podia ser simples? Mas, aí lá vem ela - vez ou outra, me provar o contrário, com o mais calmo semblante de quem sabe que é extremamente complicada e, se sente envergonhada por isso. Eu não nasci ontem, sei que estou numa situação delicada no momento, eu amo essa doida varrida, mas estou apaixonado por outra. Ela já disse que me ama e eu respondi que também a amo, mas ela sabe que não é do mesmo jeito . Talvez tenha razão. Talvez, dessa vez tenha se tornado uma mulher racional e entendido o recado. Apenas, fico me perguntando como seria a vida com ela do meu lado? Fico querendo descobrir se valeria a pena largar a amizade para termos mais. Só sei que se fosse com ela, com certeza, cresceríamos juntos e garanto que nem um dos nossos dias seria sem graça, mesmo essa idiota fazendo piadas irônicas sem sentido.

Inserida por caaamilici

Querida Valarie, eu não sei muito bem como dizer, depois de tantos anos, que te amo. Sei que muitas vezes agi com imprudência, não pensei na hora, não medi esforços para escolher a parte mais fácil, mais apaixonante da vida. Eu cometi muitos erros, mas agora sei, que foi tentando acertar. Nós somos amigos há décadas e, você me conhece como ninguém. Você é um tanto quanto irritante, manhosa, e dramática. Ri de tudo e isso me deixa nos nervos, mas mesmo assim é um raio de luz em pessoa. Você é a chama das esperanças, você me ensinou a correr atrás dos meus sonhos, a nunca desistir, a tentar ser grande quando tudo que eu queria era ser pequeno. Nós crescemos juntos, nós brigamos juntos, nós gritamos um com o outro, nós ficamos em silêncio por horas, nós desistimos e lutamos pelo que a gente tinha. Digo, que nós fomos testados ao limite. Choramos, rimos, cantamos, contamos histórias, dançamos, brincamos na chuva, xingamos, cuspimos, lutamos (literalmente). Cara, como isso é complicado. Eu não sei descrever o que é o amor, muito menos se o que eu sinto vai durar a vida inteira, mas eu só sei que encontrei você quando ninguém mais estava te vendo. Sei que você não queria me amar e, eu também não, porque já fiz isso, lembra? Você me disse que a gente não pode procurar alguém que nos complete, precisamos ser completos sozinhos para assim sermos infinitos com o outro. Você odeia promessas, mas eu quero te prometer que não posso te prometer nada. Quero que dessa vez, você acredite em mim. Eu sei que dói, Val, sei disso. Só que dessa vez eu sei como fazer dar certo, eu sei como lidar, e se eu fizer alguma besteira também sei como concertar. Eu quero que seja com você, porque nós somos melhores juntos, e é com você que quero tentar. Eu quero uma chance e, nada mais. Preciso dessa chance para te provar que sou capaz de transformar duas crianças em dois amantes.

Inserida por caaamilici

Eu não quero ser mais a metade de ninguém. Não quero ser a metade da laranja, a parte que falta. Não quero ser uma paixão marcante, a garota que beijava bem, a mulher estupidamente incrível que não pega no pé, que não reclama, que não briga. Não quero ser um robô, nem uma boneca inflável, tão menos quero ser uma relíquia. Não quero ser oito ou oitenta. Não quero ser 1/3 ou 1/8 ou meio ou dois quartos. Não quero nada disso! Não quero ser o primeiro amor, o primeiro beijo, o primeiro abraço, a primeira decepção. Não quero marcar as pessoas. Eu não quero ser uma lembrança, um momento inesquecível, uma memória boa. Não quero ficar guardada, não quero ficar presa, não quero virar mágoa ou decepção. Eu não quero ser um capítulo, não quero ser história, não quero ser um livro. Não! Não, eu não quero nada disso! Eu já fui tantas coisas. Já fui amiga, já fui irmã, já fui a garota dos sonhos, já fui um desejo, já fui o deleite de alguém e já fui princesa num cristal. Já fui metade, menos do que isso, já fui mais, mas ninguém quis. Já fui interessante, quieta, misteriosa, delicada, engraçada, muleca, aspirante a stripper. Já fui tantas coisas, mas nunca fui inteira. Nunca fui tudo. Não faço parte de nenhum presente, muito menos pertenço a algum futuro. Sou filme, mas não vida. Sou canção, mas não poema. Sou memorável, mas não passo disso. Eu não quero ser isso ou aquilo, eu quero ser uma pessoa, ou melhor, eu quero ser A pessoa. Eu quero estar viva na vida de alguém, eu quero estar presente, eu quero ser inteira, eu quero ser aceita, eu quero poder mostrar quem eu sou sem ter que virar apenas uma boa recordação, uma aventura inesquecível.

Inserida por caaamilici

Eu me libertei daquela atadura mundana. Já não sabia mais ver, nem sentir, muito menos ouvir. Como alguém era engolida pelos próprios temores? Se comportar já não bastava. Era projetada para uma realidade alternativa, onde o silêncio era lei. Os sábios vivem pouco e, os estúpidos uma eternidade. Vantagem para aqueles que buscam a vitória sem nenhum esforço. Tudo que vinha fácil, ia fácil, mas ninguém nunca fazia questão de se lembrar disso. As coisas da vida são passageiras e, ainda sim algumas dão um jeito de se tornarem eternas. Apenas a pureza distinguirá a brisa leve de um monte rochoso. Seu reflexo no espelho se racha antes mesmo de você se procurar. O mundo precisa ser salvo por quem quer ser salvo, não o contrário. Eu acredito que vou voar quando estou caindo. Talvez, eu busque demais algo que talvez não exista, mas e daí? Continuo procurando mesmo assim. Correndo em busca dos pedaços que me faltam, da grande batalha contra mim mesma. Foi errando que busquei acertar e, foram nos tropeços que me levantei. A solidão nunca foi minha amiga, sempre tive alguém guiando meus passos tortos. Não posso esperar viver para sempre, mas espero sempre estar viva nas lembranças dos que passam por aqui.
Carolline Milici

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Tudo que fiz foi como amiga. Tudo que venho fazendo até agora é pela amizade. Uma relação, independente do nível de intimidade, continua sendo uma relação e, não tem como isso ser uma via de mão única. Eu não quero brigar, já cansei de ser assim. Agora, faço questão do silêncio e, não pelo fato de ser orgulhosa ou egocêntrica, é só pelo simples fato de me sentir desgastada. Eu me sinto devastada, mas ninguém vê, não tem uma pessoa que perceba que quanto mais eu tento aparentar força, mais eu desmorono de fraqueza. Eu só queria conversar, eu só queria colocar tudo em pratos limpos, esclarecer as coisas, mas parece que não é tão fácil assim. Tenho a mania de ser dramática, de ser manhosa, de complicar as coisas, só que dessa vez eu queria que fosse simples! Eu tentei, eu juro que tentei todos os jeitos possíveis que minha mente achava, porque eu queria contornar a situação, eu não queria ver... Eu quis fingir, eu quis fugir, eu quis me iludir, eu quis mentir, mas acontece que eu não posso mais mascarar a vida desse jeito. Sei, que amizades verdadeiras não viram pó da noite pro dia, sei que amigos não são orgulhosos quando a falta do outro é gritante ao coração e, sei também, que tudo se resolve na base da conversa, na base do perdão, na base do amor. Então, mais uma vez não vou acabar com nada que já tenho (para sempre), porque para sempre é um termo muito forte, mas para o bem do meu coração, para o bem da minha alma, eu não quero mais isso pra mim, não no momento, não enquanto tento gritar com uma melancia no pescoço e um mega fone na mão na tentativa desesperada de ser vista, por alguém que está na minha frente e parece que não consegue me ver.

Eu escrevo e, escrevo e, escrevo. Eu escrevo até doer os dedos e, queimar minha alma. A sensação de asfixia é grande, é exorbitante. A garganta pigarreia e o corpo desmorona. Eu tento, eu tento, mas eu não consigo libertar minhas dores. De escritora amadora, passei a ser o buda no caminho do nirvana. A minha cabeça pede trégua, meus músculos pedem trégua, meu coração pede trégua. Tudo em mim levanta a bandeira branca, mas só consigo ouvir o sopro do vento lá fora, não tem ninguém para responder. Não tem ninguém com vontade o bastante para fazer com que eu pare com isso. E, eu escrevo e, escrevo e, escrevo, mas o nó continua entalado em mim. Eu escuto músicas reflexivas que me ajudam, naquele dó escravo do piano, eu me sinto um pouco melhor, mas volto a escrever. Não me falta inspiração, me falta dedicação. Me falta ser viva assim fora do papel, fora dos meus textos. Todos os dias a caminho do trabalho, pegando o transporte público, eu me transporto dentro da bolha e, fico lá. Fico lá, observando as pessoas a minha volta, escuto suas conversas, eu rio em silêncio, tiro minhas conclusões e, as vejo partir. E, é assim que me sinto, uma espectadora observando a vida das pessoas, observando o resquício de vida que parte, sem eu me dar conta. A cada dia, um dos meus suspiros leva mais um sopro da minha vida. E, eu continuo a escrever e, escrever, para que assim me sobre alguma coisa. Eu não queria ser lembrada, não queria marcar a vida de ninguém, não queria me tornar passado ou futuro, sempre quis ser presente, quis ser vida, quis ser alegria, quis ser luz, mas acontece que escritores deixam sua marca no mundo. Escritores são lembrados depois de suas mortes, depois de terem vivido suas vidas mesquinhas. E, eles escrevem e, escrevem. E, eu não paro de escrever e; escrever, porque minha vida se tornou um labirinto cheio de caminhos que me carregam de volta para o ponto de partida. De todas as minhas escolhas, nada parecer mudar, nada parece dar certo, nada parece seguir o rumo do mundo. Me arde o peito correr e, perceber que corri em círculos, apenas. Minha cabeça me arrebenta os neurônios. E, eu quero chorar para isso acabar, mas o sofrimento é insistente. Se ao menos alguém lesse meus textos, a dor seria menor, mas não é. E, os meus temores começam a se tornar realidade, porque as coisas nunca mudam. O meu relógio biológico estagnou no tempo e, agora eu me sinto presa. Eu estou presa. E, eu continuo a escrever; eu continuo, porque isso é a única coisa que não acaba, porque é a única coisa em mim que é capaz de mudar o curso natural das coisas.

Inserida por caaamilici

Todos os erros que cometi foi na busca de acertos incessantes, gritantes. Quanto mais quis ser surpreendida, mais me decepcionei. Não estava vendo. Não estava percebendo. A maioria das pessoas agem como se eu fosse um objeto que se compra na seção de jóias, de artefatos raros que precisam ser deixados na prateleira, apenas para apreciação. A gente sempre quer muito do outro, o ser humano nunca se sacia. Somos todos um bando de egoístas disfarçados de humildes. Claro, tentamos sempre ir contra essa lei, mas infelizmente é um martírio ao qual temos de viver. Me idealizam e me julgam, antes mesmo de eu me apresentar, a maioria tem uma ideia na cabeça como querem que eu seja, não como eu sou. É difícil ser meramente humana, já que na maioria das vezes sou forte até mais, insensível(só por fora) e cabeça-dura. Não tem como entender que tudo isso é apenas uma proteção contra esse mundo desgastado repleto de sanguinários a espera de uma presa desesperada? Correm, fogem, se amedrontam - esse ritual sempre se repete comigo, inúmeras vezes - mas, pra tudo na vida se tem um jeito. Eu não estava vendo. Não tinha percebido que a questão não é o que os outros pensam de mim e, sim o que eu sou. Dá pra entender que eu sou espírito, alma e não carne? Tudo isso é supérfluo, morre, se degrada e vira pó, apenas. "Do pó viemos, ao pó retornaremos?" Eu ainda erro muito e, vou continuar errando, mesmo tendo amadurecido e crescido com muitos tombos e tropeços na vida. É, só que me deu vontade de poder conversar por horas e horas com alguém que tentasse me compreender e percebesse que sou uma simples humana brincado de ser gente grande.

Inserida por caaamilici

Sabíamos exatamente no que aquilo ia dar, mas apesar dos apesares, tínhamos fé que a insegurança iria nos deixar, um dia. Nós nos seguramos no ar, ou melhor, na falta dele. Já estávamos cansados, queríamos algo diferente. Alguma coisa que trouxesse felicidade misturada com calmaria. Tinha chegado a hora que seguiríamos caminhos diferentes, nossas jornadas seriam opostas e, nossa vida andaria para frente. Porque nós dois sabíamos que a magia tinha acabado. Agradeço por ter sido na hora certa, assim temos boas coisas a recordar e, muitas risadas a repassar. Durou o suficiente para se tornar lembrança, história e recordação. Não doeu tanto assim, não nos matou, não nos deixou desamparados e, foi a vida que nos fez entender que nós tínhamos um prazo de validade. Ainda posso ver seu sorriso de lado numa visão embaçada do quanto ela se parecia com a natureza, enquanto me dava dores de cabeça. Nos vemos - vez ou outra - conversamos e, até irritamos um ao outro, só que não é mais como era. Nós queremos mais e, não é porque somos egoístas, mas porque nosso rumo agora é amadurecer e crescer e, isso significa nos separarmos. Separação não significa dizer "nunca mais", não é um adeus. Só tenho a agradecer a ela por todos os momentos bons, por todas as brigas e desentendimentos, por todas as gargalhadas profundas, por todo o medo que tivemos desse dia chegar, por todos os abraços que nos tiravam do chão, por todas as surpresas e por todas as decepções, por todos os passos que dávamos juntos. Ela me transformou, me fez ser alguém melhor, mesmo que indiretamente. Ela fez meu mundo cor de arco-íris. Ela marcou vários capítulos da minha história e, é por isso que temos que nos deixar partir, para que um dia nos encontremos numa esquina qualquer dizendo o quanto foi bom termos nos esbarrado ali, há alguns anos atrás.

Inserida por caaamilici

- Alô?

- É, eu tô diferente. Tô mudada, tô drasticamente alterada e, não...não há mal nenhum nisso. Não quero mais uma ficada, uma balada, uma acariciada. Não tenho mais paciência para ser quem eu era, àquela garota impulsiva que era tão garoto quanto, que fazia seu próprio manual de "como não parecer idiota e cadela abandonada". Claro, que agradeço muito por todas as coisas que vivi nessa época, foram experiências marcantes que me fizeram chegar a esse ponto. O ápice da certeza. Já perdi minha inocência (mental) há um bocadinho de tempo, mas isso não quer dizer que não quero fazer tudo nos conformes. Eu quero seguir a risca o guia, quero dar um passo de cada vez e, isso não incluí ficar com alguém de primeira e trocar apenas uma palavra ou outra, beijar vários, ser aquela que não pega no pé e se deixa levar, se der deu senão tchau. Pode me chamar de careta, de old, de puritana, de arcaica, foda-se! Não importa! Pela minha experiência própria, descobri que essas coisas não valem a pena, hoje levam em conta tudo que é trivial como um cálice da salvação! Eu quero troca de olhares, bom dia e obrigado, educação e modos, quero que me emprestem a blusa quando sinto frio e abram a porta do carro pra mim, quero conversar por horas e horas, quero construir alguma coisa. Quero o que é verdadeiro, o sentimento, a doçura e a delicadeza. Desejo ser o primeiro pensamento e o último, a mão dada antes do abraço, e o beijo tímido no final, afinal de que adianta ter tudo e não ter nada ainda assim? Desejo a amizade, o companheirismo, a irmandade, a cumplicidade e que possamos crescer e amadurecer juntos. Espero que leve o tempo necessário para não pular nenhum degrau, que o relacionamento sério se basei em nós refletidos um no outro, não nas manifestações das redes sociais e, que haja amor verdadeiro a ponto de planejarmos o futuro com a cabeça e os pés no chão, com o realismo de que nada que vem fácil é verdadeiro, com a noção de que teremos que trabalhar duro todos os dias de nossa vida para fazermos dar certo. Ah, era só isso.

- Até mais, então.

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Às vezes, me sinto parte de outro mundo, é quase como se a realidade a qual eu vivo agora, não fizesse mais sentido, não tanto assim. Há tantas coisas as quais se viver, tantos mundos aos quais conhecer, tantas pessoas que podemos ser, que fica difícil escolher. Prefiro não escolher, prefiro ter um milhão de opções e mesmo assim não ter escolhido nada. A cada lugar que eu vou me sinto diferente e, não quero mais voltar, mas mesmo assim não consigo me deixar para trás, não tenho a vontade de abandonar minha vida como ela é agora. É estranhamente confuso. Tenho sentimentos que jurava que estavam mortos, desfalecidos, enterrados. Eu consigo sentir a vida, consigo pegar a luz do sol que passa pela minha carne e, quase sou materializada com o próprio vento. Conheci um mundo que o preço não é nada comparado ao valor e, que não importa o que você vista ou o que já tenha feito na vida, mas sim quanta educação e respeito cabe no seu bolso. Nós temos a chance de recomeçar, reconstruir, realizar, basta querer. Não sei quantas pessoas há dentro de mim, quantos jeitos se pode viver, quantas alegrias e sofrimentos eu aguento, ou quantas pessoas posso fazer feliz, só sei que as possibilidades são infinitas e, se esse desejo que tenho dentro de mim for tão grande quanto àquela vida que eu sinto há quilômetros daqui eu poderei ser mil e umas em uma só.

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O Robin Hood do seu coração

Foi no dia sete de setembro - o mesmo sete de setembro que se comemora a independência - que me vi dependente de algo, ou melhor, de alguém que nunca fora meu. No meio de toda àquela poeira que os pneus da minha motocicleta arrebataram, sua silhueta já era evidente. "Como crescera", eu pensava. E, não tinha crescido só o cabelo, os olhos, as coxas (agora, tatuada), as mãos, mas O SORRISO - com direito à letra maiúscula e tudo. Ah, ela sorriu quando me viu e, num pulo já estava de pé me abraçando, eu mal soube reagir. Tudo cheirava a morango e shampoo para cabelos tingidos, meu coração me sufocava e diminuía a cada batida, até ela me soltar. Você sabe...ela sabe que eu não sou muito bom com as palavras, mas como era bom revê-la. Ao total, se passara sete anos, o mesmo sete desse dia nostálgico, o mesmo sete que o universo fora criado. Para mim, era mais que um feriado, deveriam multiplicá-lo em dois, porque ela era a razão de todos os corações apaixonados dos dias quentes de verão. Ela fora minha paixão de verão, de férias, de mundos que - cientificamente - não podem se misturar. Eu não dou a mínima! Talvez, ela tenha sido minha primeira paixão, ou eram só borbulhões em meu estômago, enfim, só sei que a sensação era a de sapos nas tripas. Da parte dela era difícil esconder a animação de ter me visto. Da minha parte...àquilo era inesperado. Quem fica tão empolgado em me ver? Ela foi até o meu quarto e me encheu de perguntas aleatórias - na hora não percebi, mas estava tão nervosa quanto eu - e, acabei respondendo à todas monossilabicamente. Eu sentia seus olhos penetrarem minha carne, meu vulnerável corpo exposto à rainha que matara milhões com seu sorriso cheio e sua diversidade estampada. Ela não brincava em serviço, mas eu sempre fui um cara simples, e rainhas não se casam com plebeus. Se passara sete anos e, ao total não chegaram à dez visitas da parte dela, era uma pessoa muito ocupada, se é que me entende. Não quero entrar em mais detalhes, só quero dizer que o dia sete de setembro me fez ser - novamente - um bobo da corte com esperanças de - um dia - me tornar o Robin Hood do seu coração.

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Dentro da caixa eu enlouqueço. Aos poucos meu autocontrole vai se dissolvendo. Agora não penso, tão menos ajo. Petrifiquei como estátua conduzida por medusa. Há tantas opções, só não sei qual me salvará e qual me afogará. Apodreço na minha própria indecisão, minha alma envelhece na imensidão e, eu estou mortificada. As palavras saltam da caixa, mas meu mecanismo sonoro emperrou permanentemente. Sei lá, querer resultados fáceis não é o mesmo do que ter resultados eficazes. Devo pedir demais e fazer de menos porque não sei em qual questão me embolei. Eu quero muito recomeçar, quero poder escolher a vida que quero levar e, dessa vez não estou fugindo. Não, muito pelo contrário. Estou decidindo! E, decido conciliar o que eu tinha com o que tenho, meu passado com meu presente, acho que meu futuro deve ser uma via de mão dupla. Antes + Agora = Futuro. Não facilitou quando decidi fugir, isso só fez com que eu ampliasse minha visão da bagunça que estava fazendo. Tive que quebrar a cara uma centena de vezes, confesso que ainda quebro a cara. E, eu não sou mais a mesma, tão pouco quero o mesmo. Preciso entender - antes, pra mim mesma - que mudei e, nada será como antes. Desejos, sonhos, vontades, como fazia, como reagia, minhas opiniões, minhas opções. Quando passo a pensar em um futuro longínquo eu emperro, me deixo levar e não tomo nenhuma decisão, porque a ideia do longe me faz esquecer o quão perto me incomoda. Pelo menos, já sei o que não quero. Lembrando a todo instante que meu futuro próximo não é como quero levar a vida, me faz chutar o medo e criar coragem para fazer a maior burrada do mundo. Desistir desse agora e, reiniciar. Com um novo hoje.

E, pra todo mundo...eu continuo aqui!

Eu me sinto sozinha estando rodeada de pessoas.

Pessoas as quais eu amei a vida toda. Tomar uma decisão que parece simples nem sempre é tão fácil como pensamos. E, algumas vezes as pessoas que você mais ama e confia te dão as costas. Se voltam contra você pelo simples fato de você escolher como quer levar a vida.

Eu me sinto presa…

Sinto como se estivesse acorrentada a vida toda, impossibilitada de fazer algo por conta própria. Uma marionete perfeita.
Ouvia, obedecia e fazia tudo que ditavam. Desde como eu tinha que lavar a louça, até qual futuro eu deveria escolher para mim. Sim, uma perfeita marionete. Criada, educada, feita para satisfazer os desejos alheios.

Hoje, eu não sei o que fazer. Nem sei ao menos o que pensar… Me sinto perdida.

Eu escolho continuar atrás da vida que quero ter um dia ou escolho trazer essas pessoas de volta? Porém, se eu escolher tê-las novamente, escolho me submeter às suas vontades. É fácil falar “escolhe o que você quer” não sentindo um rombo imenso no peito. Minha família me abandonou. Meus amigos eram só meus amigos quando eu fui o que eles queriam que eu fosse. Todo mundo só era comigo se eu retribuísse seus caprichos. Hoje eu enxergo o abuso! Era falso. Tudo sempre foi uma mentira.

Eu depositei toda minha confiança nessas pessoas. Todo meu amor. Todo meu eu.
E, de uma hora para outra tudo desmoronou, foi abaixo… derrubando finalmente as máscaras dessas pessoas. Tanto fingimento. Tanta mentira.

Como pude ser tão burra? Percebo que deixei de ser “egoísta” pra mim para deixar o outro ser egoísta comigo. Cadê minha autonomia? Cadê minha liberdade? Cadê a minha vida, hein? Eu me tornei a vilã de uma história que para começar nem é minha, já que foi escrita por outros e não por mim. Eles têm raiva. Me abandonaram porque sabem o quanto eu os amo, e sendo ingênua e com um coração assim não ia aguentar muito tempo. Pois bem. Eu tenho morrido por dentro a cada palavra dita ou a cada silêncio. Tenho morrido por dentro a cada dia que passa e vejo minha vida mais longe de parecer com meu sonho. Tenho morrido por dentro com a falta de empatia e compreensão comigo.

Mas, eu tô aqui! Firme, mesmo cambaleando.

Eles acham que eu vou ceder. Que eu vou cair. Que eu não vou aguentar mais… Eles acham que eu não tenho forças para suportar. Pois bem! Eis que lhes digo apenas uma coisa: JUST WATCH ME!

Só vejam eu conquistar o mundo enquanto dou adeus para vocês. Eu não sou mais a menina que corre para saia da mãe quando algo não sai como o planejado. Eu não sou mais a criança que chora e fica no chão. Eu não sou mais a filha que se culpa por não satisfazer os desejos dos pais. Eu entendi que mesmo quando eu dava tudo que eles queriam de mim, ainda sim não era o bastante. Ainda sim não era o suficiente E, nunca foi.

Então, me aguardem. Porque se vocês fazem chover, eu faço nevar.

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Eu faço silêncio, fico quieta. Eu me calo e só escuto. Escuto até doer meus tímpanos e, quando me perguntam se está tudo bem, respondo que está. Alguém entenderia meus motivos caso eu respondesse o contrário? Bem, a resposta está implícita na pergunta. Quem está de fora não é capaz de perceber, afinal escondo muito bem. Não suporto a ideia de me lamentar apenas para receber atenção, enjoo só de pensar que isso passaria a ideia de pena. Pra quê ter pena de mim? Só quero que me entendam! Só quero que me deem a palavra que poderá justificar meu fim. A ideia de ser forte, talvez seja isso, passar as impressões erradas. Fazer com que as pessoas achem que sua vida é perfeita, que nada de tão ruim pode te acontecer ,que você sempre foi estável e nunca perdeu o controle. Nessa altura, não sei se fiz muito bem, ou muito mal. Quando eu dou um pio, não tenho o direito de me sentir como me sinto. Não posso ter meus motivos, afinal eles são banais. São dramáticos, são fantasiosos, são infantis. Juro, que tento conversar, eu tento. Tento dar o melhor para não me irritar, para não perder a calma. Calo a minha boca para não ferir ninguém, para que minhas palavras não se direcionem ao meu interlocutor. Faço de tudo para a situação ser imparcial. Eu penso no outro. Hoje sou cega, surda e muda. Desisti de tentar me comunicar. Não faz diferença, já que não posso opinar sobre nada.

"Se você não entende o meu silêncio como entenderia as minhas palavras, minhas razões?"

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Eu até que curto seu sorriso, mas sou admiradora fiel do seu olhar. Um labirinto sem saída me suga para longe e parece que me tornei tola - outra vez. Faço um tremendo esforço, quebro a cara e explodo meus neurônios, mesmo assim não descubro nada. Nem um brecha você me dá e, olha que sou fera nesse negocio de ler os outros. É como se você dissesse uma coisa e o seu corpo outra. Devo tá com sérios problemas de ilusão e demência, porque não paro de querer provar o contrário. Dá vontade de te desmascarar aqui e agora, só que não tenho certeza alguma de nada. Não acho que minta, mas também não acho que diga a verdade. Sou a favor do "esconde bem" ou do "não-sabe-finge-que-não-sabe". Aí, me diga - por favor - que preciso ser internada urgentemente, porque isso de ter esperanças está acabando comigo.

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