Audrey Cullen
Desculpa se as vezes te afasto ou demoro a sentir saudades ou se tenho mil tons do frieza, é que eu estava acostumada com migalhas de amor até te conhecer , com um pouquinho de amor as cada seis meses mais ou menos . Dessa forma eu ia economizando sentimentos , me retraindo , construindo uma armadura para possíveis desilusões . E aí você chegou com esse amor açucarado, com cheiro de outono e sabor de domingo , me cobrindo de amor , um amor tão forte e tão presente sempre que acabo por me perder e confundir , como se eu não soubesse amar , como se eu nunca tivesse sabido amar verdadeiramente antes de você chegar .
Estes são meus versos que criam asas e voam até você. Não sei se você vai entendê-los, mas a poesia nem sempre é feita para ser entendida, as vezes ela só precisa ser sentida, como o sopro do vento no rosto.
E agora eu me renovo, eu lavo minha alma, eu me liberto...E eu quero você, quero acordar com você em um domingo de manhã, quero te beijar na chuva, quero filmes bregas em um sábado a noite, quero suas crises de ciúmes e seu riso acolhedor. Quero você. Hoje. Amanhã. Sempre.
Meu coração estava em pedaços, mas o mundo não tinha culpa,e apesar de doer, eu era feita de amor e queria que o mundo sentisse as coisas boas que o amor proporcionava, mesmo que ele doesse de vez em quando. Eu queria organizar festas,queria crianças sorrindo, queria reuniões de família e felicidade. Porque a felicidade realmente era a coisa mais fugídia e importante do mundo.
Hoje eu percebi que não te amo mais,que eu estou curada e pela primeira vez em anos, eu não te amo, não dói, não sangra e eu posso dizer que essa coisa tóxica e doentia acabou! Eu já não penso em você e você não faz mais parte da minha vida.E eu estou aqui agora, sem tristeza nem com a saudade dilatada em cada um de meus poros e não levo nem raiva nem tristeza, dor ou mágoa, levo apenas paz.E como Gonzaguinha, eu estou soltando a minha voz, coração na boca, peito aberto, mas diferente da música, eu não estou sangrando, eu estou respirando, eu estou sorrindo, eu estou vivendo.
Eu sou bossa nova da cabeça aos pés. Sou Elizete Cardoso com a canção do amor demais, explodindo de sentimentalismo, sou João Gilberto cantando a Insensatez que você fez, semeando amor e colhendo saudade. Sou a consequência inevitável de você em cada música de amor, em cada poema, em cada frase minha, em cada corte no " T" e em cada pingo no " I" . Sou a poesia viva e sobretudo o amor, que é 200% de mim.
Se você me perguntar sobre meus versos, se são para você ou para ele confesso que não sei.Antes eram para você, agora são para ele, mas quem sabe no fundo meus versos não sejam para nenhum de vocês e sejam para mim mesma...ou quem sabe sejam de outro, alguém que o destino colocará na minha vida mais cedo ou mais tarde...E quem é que sabe o dia de amanhã? O amor pode ser um buquê de rosas ou uma cicatriz que corrói, hoje se ama, amanhã não se ama mais, depois de amanhã é sexta- feira e ninguém sabe o que pode acontecer.
Eu só tenho eu mesma, ,uma bagagem excessiva de livros e uma ânsia de amor que só os poetas mais loucos poderiam entender e eu te ofereço minha prosa e poesia, que você pode achar pouco , mas que na verdade corresponde a 90% de mim
Acontece meu bem que houve lágrimas , um balde delas, mas houve risadas também . E após dez meses que você me deixou eu percebi que estava bem , estava melhor do que quando estava com você , mais viva, mais corajosa , mais mulher. Eu tinha sofrido um bocado mas depois de um tempo parou de incomodar tanto e depois de um tempo você tinha perdido tanta coisa : os amigos que fiz , os livros que li , as festas que fui , as experiências que adquiri. E após expandir meu mundo para tantas outras coisas mais importantes você foi ficando desimportante demais para caber nele .
Te amei em versos brandos, em versos cálidos sob um sol de verão. Te amei em versos tristes e lamuriosos sob tempestades de inverno. Te amei sob flores incessantes da primavera e sob um tapete de folhas amareladas de um outono doce. Te amei em todas as estações de jeitos inteiramente diferentes.E agora me perdoe se estou cansada, me perdoe se lutei sozinha, me perdoe se estou sendo amada, e por alguém que não é você.
Eu dizia "oi" como quem diz "eu te amo", você não conseguiu perceber isso nem uma vez? Não conseguiu perceber meu olhar devastadoramente apaixonado ou o amor dilatado em cada um de meus poros? Então por que não lutou por mim? Por nós? Parecia muito difícil ao meu ver, mas hoje eu percebo que era tão fácil! Era só você lutar por mim, era só você dizer que me amava e eu era sua.
Seus crimes contra minha pessoa prescreveram há muito tempo . Sua sentença já transitou em julgado e não cabe mais recurso , nem para instância superior .Então não me apareça em uma festa , na farmácia ou na fila do mercado , simplesmente desapareça, mude de cidade , país ou região , eu estou vivendo a minha vida e você não está convidado a participar dela .
Com o tempo falar com você foi ficando mais fácil e as vezes eu tinha a impressão de que podia te contar tudo . Mas não podia . Não podia te contar como depois de falar com você ficava toda boba e vendo flores no ar, nem que ficava com aquele frio na barriga que parecia que ia me consumir mas não consumia e nem que você me tirava o sono e me deixava acordada por horas e horas pensando em você . Eu não podia te falar nada disso que você ia sair correndo assustado pelo excesso de sentimentos que havia em mim , como que para compensar a falta que havia no resto do mundo .
Então não se espante se na próxima vez que me vir eu tiver um sorriso largo demais no rosto , um perfume diferente ou uma aura radiante . Não ache estranho minhas risadas espontâneas demais ou um jeito de ser novo que você não conhecia e que até mesmo eu desconhecia. Sobretudo não estranhe eu passar por você e te tratar não com muita atenção , não com frieza, mas com a mais pura normalidade e desatenção como se você fosse uma pessoa comum , a mais comum das criaturas. Tudo isso é sinal de que estou sendo amada, e por alguém que não é você.
Eu prometi, jurei até que não iria lhe escrever, que ia deixar a saudade me matar, me sufocar por dentro, ir me matando um pouquinho a cada dia ao invés de lhe escrever. Só que eu também avisei que após escrever a primeira carta está tudo perdido: aí escrevo a segunda, a terceira, a quarta e isso se torna um ciclo viciante do qual não posso fugir. Escrever faz parte de mim, e infelizmente, te amar também.
Na primeira semana só chovia, amor, dentro e fora de mim, com relâmpagos incessantes e trovões arrasadores; e eu não comia, não dormia, não conseguia respirar! Na segunda semana deixei a ansiedade e a agonia me roerem por dentro e por fora, e na terceira eu entrei em uma rotina exaustiva, tomando saudade de café da manhã, dor de almoço e agonia de jantar, levando para cama sua ausência, algumas lágrimas mal contidas e gotas e mais gotas de rivotril para conseguir dormir.Porém nessa quarta semana eu só sinto paz... Chame de conformismo se quiser, chame como preferir, mas eu chamo esse novo e elevado estado de espírito de paz.
Queria te contar tanta coisa ! Contar o quanto doeu, o quanto eu sofri todo esse tempo, te contar de como minha melhor amiga teve que aguentar meus choros e dramas, contar da festa surpresa que fiz para minha mãe. Queria que você entendesse Shakespeare e Vinícius, queria te contar do primeiro dia de aula, de minhas expectativas e frustrações, de como uma música funk começou a tocar no meio da aula, fazendo todos caírem na gargalhada, até o professor. Mas acho que estou perdendo a noção de ridículo de te escrever ainda, de sentir saudades e de te amar.
E olhando o ipê florido dava para perceber a renovação que era a primavera, era como uma segunda chance para a natureza, as folhas caíam no outono, morriam no inverno e na primavera renasciam, davam flores. Era como se a natureza quisesse dizer que todos mereciam uma segunda chance. Mas será que essa segunda chance se aplicava a todos, independentemente dos erros? E até onde ia o orgulho que me impedia de perdoar? Até onde ele valia a pena? E se a direção correta fosse o caminho do amor? E se fosse necessário o perdão? Talvez o amor fosse necessário, porque a vida era simplesmente tão bonita e tão passageira e ninguém sabia como ia ser o dia seguinte. Amanhã a gente morre e não viveu, não lutou, não amou, tudo por orgulho. O orgulho é bom, mas, em excesso, envenena o coração.
E ao ler aquela mensagem e vê-lo ali, eu quase morri, quase derreti igual manteiga, quase desmaiei ali mesmo na rua. E estava tão fraca, frágil, e eu era tão dele e ele nem sabia, nem sabia o que se passava em meu coração, eu era como flor levada pelo vento, sendo eu a flor e ele a ventania que me levava pela noite.
É um jogo esse que estamos jogando, e o estamos jogando com amor e orgulho, ciúmes e sedução, frieza e amizade, desejo e ilusão, manobras impensadas e estratégias. E em meio a todas essas disputas, antíteses e paradoxos, amor e orgulho, o meu medo é somente quem vai dar o xeque-mate no final.
Meu amor, mais do que qualquer coisa hoje,eu quis te escrever. Quero, mais do que quero, anseio, necessito escrever o que sinto, o que sufoco mas não demonstro, o que me rói e não me destrói por completo, o que se passa nessa confusão que é minha cabeça. A primeira carta foi de amor, a segunda de saudades e essa terceira eu intitulo de "dúvida". São tantas as dúvidas que nos cercam, não é mesmo? Como posso saber se o seu amor não é de papel, que pode se desfazer com a primeira tempestade ou ir embora com a ventania? Como confiar em você de novo?
E se me perguntar o porquê de dar um tapa nele eu nem sei dizer. Foi resultado de ele ter me deixado, foi resultado de ter vindo atrás e pedido perdão, foi o fruto de meu orgulho venenoso que se misturou a uma saudade traiçoeira. Foi o amor gritando para ser ouvido nas trevas que eram o meu coração.
Eu sou tão fria, tão centrada em mim mesma, focada em meus objetivos, séria, e aí chega essa pessoa que magicamente me faz meiga, me faz doce, quebra minhas barreiras,e isso tudo vindo me dar um simples "oi", vindo dar "oi" com o sorriso mais escandalosamente lindo do mundo.
Tudo era tão simples e podia dar tão certo!Eu e ele, isso bastava para dar certo, o resto do mundo não tinha nada que ver com isso. A gente conversava,a gente brigava, a gente ria e isso bastava para dar certo.Não importava a opinião dos outros, não era preciso orgulho, nem disputas, nem ciúmes.O amor de verdade é simples, as pessoas é que são complicadas...
Começou a tocar "por você"na voz de Frejat no rádio e se eu já estava derretida, eu caí, eu mergulhei, eu me afoguei nas calmarias arrasadoras do amor. Eu o beijei com doçura e ele correspondeu, e eu segurei o "eu te amo" para não explodir em palavras, em versos insanos e em sentimentalismo. Segurei porque a menor demonstração de sentimentalismo poderia estragar tudo, podia fazê-lo nunca mais me querer, já que o mundo é dos que não sentem, não amam,praticam a lei do desapego como se fosse essencial para a sobrevivência da espécie humana. O que eu queria mesmo era gritar que eu o amava, que ele era minha fraqueza, meu delírio, minha droga preferida, que por ele eu faria todas as coisas que Frejat dizia na música e ainda mais, que devíamos ser felizes agora porque amanhã ninguém sabe...Mas só o que consegui foi deitar a cabeça no ombro dele e ficar sufocando com as palavras que eu não disse.
