Antonio Montes

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BEIJO TEMPORAL

Seus beijos são ardentes
assim, como aguardente quente...
Evoluem como chuvas de temporal
formando corredeiras, cachoeira...
ventos assoviando no varal.

Correntes de água correntes
brisa de aconchego,
sob laranjeiras do quintal
... Arrastão de sentimentos
inebriando paixão...
Deixando o coração contente.
Antonio Montes

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SORRIO E TREMO

Eu te vejo e ao te ver...
tenho empenho
tenho medo,
sorrio e tremo
inebrio no desejo, desse querer
e também me perco,
me perco no labirinto da vontade
e no medo de perder você.
Antonio Montes

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MOTORISTA FOQUE

Certos motoristas, se acha...
Anda e esculacha por ai.
De noite, não dá luz baixa,
de dia, ultrapassa na faixa...
Não esta ai, para atenção
e quando o pior acontece
então, reclama da situação.

Motorista...
A sua luz alta , me encandeia,
é uma peia para minha visão
... Se sabe dirigir, dirija...
Dirija para mim,
que eu, dirigirei para ti
e assim, vamos todos dirigir.
por ai.

Motorista, foque enfoque
Não se esqueça do bodoque
e que... Um dia é da sorte
o outro, poderá ser da morte.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

MURO DE PEDRA

Mãe, eu não sabia... Que eu era
tão pequeno!
Não no tamanho é claro,
mas na posição social.
É mãe... Crescendo eu descobri
que sou pequeno... Talvez,
talvez menor que um animal.
Descobri que existe um muro
que me separa dos grandes...
Não um muro qualquer!
Mas, um muro intransponível de pedra...
Pedra que separa os pequenos dos grades.
Mãe eu quero ser grande e morar
do lado de lá do muro...
Eu vou crescer, servir o exercito
defender o País para ser respeitado
Se possível, morrer pela pátria...
Assim quem sabe mãe!
Se quando eu morrer, terei uma
lapide de pedra, com inscrições,
do meu nome! Quem sabe se essa
não será a única forma para me
lerem e saber de mim, através
de gerações e gerações desse mundo
... Saber que... Eu, mesmo pequeno
eu morri defendendo os grandes
do lado de lá do muro.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

A FALIDA CERTEZA

Então você acha que em vida
já é santo, que tem a cura e o poder de
salvar, e de condenar a nação...
Você acha, que pode mandar as almas
para Deus, ou para o cão?! Hum!!!

Então, você acha que é dono
do caminho da vida e da grande porta!
E que você tem as passagens,
as quais pode vende-las para os seus...
Em nome de Deus e da promessa
da eternidade? Hum!!!

Então você acha que os outros seres
é inferior a você, e que você pode
sugá-los em sua fé, alegando dizimo...
Tirar o pão em troca de salvação, no
mesmo tempo que você auto se propaga,
mais salvo que o resto do mundo? Hum!!!

É... Você faz isso, tudo para agregar
riquezas tendo muito mais do que precisa...
E vive surrupiando bens e vida!
Em que dimensão esta aquela parte
do camelo e agulha? Hum!!!
Porque tem o poder de salvar e a certeza
da salvação, de vida eterna... E mesmo
com todo esse poder, tem tanto medo
de morrer?! Você não acha, que achando
você nunca achará o que acha?! Hum!!!

Antonio Montes

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TOMA TOMO

Eu tomo...
Enquanto não me toma...
Essa dona, essa goma,
que adorna a minha redoma.

Eu tomo,
enquanto não me toma...
Essa bomba que me estronda
essa onda, esse andar...
Essa paina enfadonha,
que desanda a minha banda.

Antonio Montes

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VIDA GANGORRA

Não lave, não corra...
Não beba, não morra.

O tempo é uma vida
a vida é uma gangorra...
A gangorra arrasta os passos
os passos arrasta a zorra.

Antonio Montes

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CHOÇA OCA

No terreiro da minha oca,
não tem coca...
Não tem coca, não tem choça,
não tem pó que coça...
Mas tem a brisa fina,
que entra pela porta e importa.

Tem o tempo, tem o vento...
Que sopra sonhos que passa,
em vontades que empossa...
As poças e passos e passadas
que surgem na minha roça
e me deixa arfando o ar.

Antonio Montes

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IGNIÇÃO DA ILUSÃO

Passageiro inteiros
com destino a saudade
e o diagnostico da vaidade
prove, do amor,
e se comova com a dor...
Viva as margens do sonho,
essa ignição da ilusão.

Antonio Montes

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MUDADO

N'aquela antiga rua,
quase tudo mudou...
Mudou, novos, mudou velhos
os rabiscos nas paredes
mudou cadeira de balanços
e os cabides das velhas redes.

As cores cheias de mistérios
os palavras dos homens sérios
os olhares dos transeuntes
algum mudou para longe
outros para o cemitérios.

N'aquela rua...
As portas e as janelas,
mudou, mudou os passos d'ela...
Os postes das velha calçadas
o jeito das falcatruas
e as velhas saias rodadas.

Os brinquedos das meninas
bonecas e as cordas puladas
o carrossel da vida e da sina
Os brincos da molecada
e as magias de todas as fadas.

Mudou a musica ouvida
o riso da gargalhada
as manobras mais queridas
para o rumo antigo do nada.

Antonio Montes

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GOLPES DO TEMPO

O tempo, é tal qual uma canoa
com seus remos sob as águas
cutucando, para galgar as margens
que d'outro lado afaga.
O tempo, precisa de golpes para galgar
a lamina do futuro, impulsionando
as águas e as amarras...
Estrebuchando sob suas cordas e travas.

O tempo nos golpeias como remo n'água,
golpes e golpes, sucessivamente...
Esses dias que nos golpeia como reio,
nos demonstrando seus choros,
suas lagrimas, seus risos suas asperezas
suas dores e suas tristezas...
Assim como seus terrores, e seus
eternos, amores.

Antonio Montes

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MEIO A MEIO

Eu tenho vivido pelos meios
que creio...
Pelos santos que não creio
a cada passo, um começo...
A cada suspiro, um meio.
Meu meio, meu recheio.

A cada manhã, amanheço seco
e a cada tarde, anoiteço cheio.

Eu tenho vivido... Seco, cheio
... Cheio, meio... Meio cheio.

Antonio Montes

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MEU ADEUS

Não me lembro, que disse adeus
p'ra ser levado, com esse olhar...
De olhos chorados.
Nem disse adeus pra ficar,
com esse olhar de arco esticado...
Essa flecha pontiaguda
de caminho enterrado.
Não me lembro, que disse adeus
aos olhos seus
aos olhos meus...
Aos olhos blues do branco Deus...
Adeus meu... Adeus meu...
Adeus meu, meu Deus!

Antonio Montes

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MEU DESERTO

Deserto?!
Deserto é o meu certo incerto...
Que as vezes me desacerto,
sem água e sem caneco...
Penso esta no caminho certo
mas nem de perto eu acerto
e quando em meu ímpeto desperto
estou perdido no meu deserto.

Antonio Montes

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UMA ONDA

Onda... Onda... onda...
Tantas ondas que ouvi falar!
Ondas curtas que falam
Onda da onda...
Uma onda que desanda,
ondas que salgam, as ondas do mar.

Onda, onda... É uma onda...
Essa onda por ai
que ronda a onda do camarim
e enfada os camaradas...
Deixe de onda!
É uma onda, toda essa fada
é essa onda, não é nada.

Antonio Montes

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SEU REDOR

Se você não me quer
então me entregue...
Entregue-me a mim mesmo,
desate esse nó.
Desamarre essa amarra
que me amarra em ti...
Devolva-me ao meu existir!
Se você não me quer...
Me ensine a ficar só
pois tudo que você tem feito,
foi fazer eu ficar ao seu redor.

Antonio Montes

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PARTIR P'RA EXISTIR

Eu vou sair por ai...
Vou daqui, e vou sumir!
eu , vou, partir...
Vou existir! Vou existir!
sem mim, sem ti.
Em fim... Antes que,
chegue a minha hora,
vou embora...
Vou embora desse mundo,
vou-me ir disso aqui!
Vou viver sem apavora,
de tudo que me faz ouvir.
Eu vou partir,
mesmo sem rir
Eu vou partir, p'ra existir.
Vou lhes tirar da tomada,
desequilibrada
desligar-te dos volts dos choques
e se a bússola não dê norte,
então pego o meu capote
e vou existir, longe daqui.

Antonio Montes

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ACABADO

Sem dinheiro, estou solteiro
absolvido do meio...
Vou marchando,
sob o peso do meu arreio.
Sem dinheiro... Sou um jogo,
um jogo desprovido dos ouvidos,
entre sopapo, e sinal destecido.
Sem dinheiro...
Sou um tiro p'ra escanteio
passos descalços,
sentimentos baixos
imprensados, sob peso de saco.
Sem dinheiro, sou...
Barriga colada nas costas
fome comandando um tic-tac
de uma fraca horta.
Sem dinheiro...
Vou pelo caminho em passos fracos
ventos espanando minhas lagrimas
galgando a minha sombra,
que a tarde se distancia de mim...
Levando meu saco de esperança
me aproximando do fim.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

O poeta
é um costureiro
dos sentimentos
e suas letras...
São os pespontos
da vida.
Antonio Montes

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LEVÍSSIMA

Leve... Levíssima leve
Leve a culpa breve
do bonde do tempo,
da linha que alínea e arrepia,
pegue e leve-me como for
avia! Avia... Espia a passagem
sem motor ou engrenagem
sem amor, sem calor.
Leve se for leve... Leve
a flor as pétalas do caminho
a poeira o pó dos paralelepípedos
os tipos e aerotipos múltiplos
os bullyings e seus insultos
os vultos do futuro caduco
os brutos... Marrucos malucos
e os eunucos da esperança,
judeus da dor...
O fungo dos frutos... E a
corda bamba, de uma criança.

Antonio Montes

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CELA DE SALA

Enclausurado em minha sala
eu vejo TV
vejo TV e me acorrento na tela
... Sou um preso dessa esparrela
que me atrela em cadeados
e correntes , d'essas mentes
que mentem...
Desses olhos que sentem, e
essas bocas que se dizem crentes.

Enclausurado em minha sala
recebe palmas do nada
e continuo preso...
Nessa cela espalmada,
entre quatro paredes e um ar
um sofá para imaginar...
E a vontade doida de voar.

Antonio Montes

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CARTA COM ASA

Uma carta esferográfica, cruza
os mares o céu é as estradas
atravessando o mundo
para demonstrar as palavras,
que no fundo...
Nunca foi, não é, não será nada.

Fala, avisa...
Improvisa um recado manso
impõe o seu bocado
presente, futuro, passado.
A carta sem asas, propaga risos
derramando lagrimas
especifica prejuízos de tudo aquilo
que nunca será nada.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

REPETECO DO SOL

O sol em seu crepúsculo
morre a tarde
para se enterrar de noite
... E todo dia sedo!
Nasce de novo e de novo
iluminando o dia
aquecendo o povo
demonstrando a galinha
o horário do ovo.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

DESANEXA

Como cometa,
se meta...
Se meta, se mecha
de cabelos e mexa
ou de a deixa e desça
d'essa caixa de ameixa.

Desça na terça
pela terça de ferro
ou da semana...
Prometa a sexta
que desanexa a manga
ou essa gente bacana.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

DEMANDA NÔMADES

Existe um navio no mar
... Água sem doce
onda com sal
gemido no porão...
As gaivotas dão voltas
e reviravoltas, e se voltam
com seu revoar!
E saem rumo, norte e sul
conforme a demanda
da imigração do seu procriar.
Somos nômades...
Já viajamos no passo
nos astros nos sonhos
um dia andamos nos trilos,
n'outro...
Velejamos nas águas do mar.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes