Antonio Montes
ESCURO DA SOLIDÃO
O lobo no lodo, escorregou...
Bateu a munheca na pedra
o cotovelo desmunhecou...
Desmanchou-se, do mesmo medo
que seu pelo amaciou.
Alua chorou pelo lobo...
E o lobo, no morro, urrou
deslumbrou com a velha noite...
sentiu o açoite dos ventos
depois com seus sentimentos
o velho lobo lacrimejou.
Se quer chorar, então chore,
chore por esse escuro de solidão...
Verta água, molhe e se molhe,
ensope esse peito, de infinita paixão.
Antonio Montes
VELHO VINHO
Afaste de mim, esse vinho, esse sangue
esse cálice cheio de demência...
Essa flecha gananciosa, essa brecha aberta
sem sol, esse falso blue, esses fanks gêmeos
... Essa terra vendida, a burrice do milênio!
Afaste de mim, esse véu vermelho de Venus.
Afaste de mim, esse lixo com lagrimas...
Essas lagrimas gagas, esse zoom da esperança
essa fé viciada, afaste de mim esse elo, essa
corda, esse olhar sem rumo, esse nó que nos incomoda...
O fogo sobre esse verde, a velha
poluição a falta d'água, essa sede, a pedra
cega... Desse duro coração.
Afaste de mim, esse vão troglodita, essa dita
editada, o sonho do sonho, essa emenda
assassina, essa sina esfarrapada! Afaste de
mim... O mundo que se diz mundo, no mundo
mudo dos rumos, mudando p'ros mundos
sem fundos, afaste de mim, esse time sem jogo,
esse rogo em desuso, esse fuso sem pena, essas
crenças homogêneas com a prensa que não pensa.
Afaste de mim, esse fim sem começo, o inicio
sem preço, esse meio sem pago, esse pago sem
endereço... Afaste de mim, tudo aquilo que eu
caduco esse trilho maluco essa dor que eu padeço.
Antonio Montes
JUVENTUDE
Um guarda-chuva no tempo... Goteiras
sobre o cume da cumeeira, pingos
d'água sobre os ventos... Enquanto
o pintor faz seu patinado em sua parede...
O menino patina pela chuva das tardes
dos seus dias, patina, escorrega sobre a
lama, uma vez ou outra, cai, cai abraçando
a poça d'água... Tudo é vida! A juventude
tem lá, seus meios de felicidades, e vive
os efeitos de suas saúdes e suas alegrias.
Mãe... Estou adentrando no meu casulo,
quem sabe se um dia eu possa quebrar
os cascos da minha armadura e voltar
a viver aquilo que não vejo, sob a
lamina fria do meu espelho.
Antonio Montes
RESSUSCITO
Alua, caiu n'água...
Caiu n'água, abraçou seu corpo
e refletiu a silueta da sua aventura,
para minha trepida vontade...
E eu... Eu fiquei tenso, ao ver, a lua e a água
envolvendo os tic's tac's da minha felicidade.
Diante do fulgor da sua chama
fiquei sem fala, pasmei...
Rodopiei sob a minha centelha,
e nos relâmpagos do meu tremor...
O meu corpo em tempestade, trovejou,
e o meu sangue ferveu,
enquanto meu eco de voz gogo...
Gaguejou sob os timbres da volúpia
envolvendo ali, você e eu.
Encantado me queimei,
emaranhado nos laços dos meus sonhos...
Vaguei pelos trancos do seu labirinto
foi quando, acordei sob o escuro da minha noite...
Ressuscitando as palavras, do meu pensamento
e a, desenvoltura d'aquele sentimento escrito.
Antonio Montes
NO ASFALTO
Morre no asfalto...
Anta, lobo e gato
onça, bode e sapo
galinha, galo e galo.
Morre...
O cachorro e o dono do pato
a mala o cadeado o saco
morre, jegue, cavalo e gado
jacaré cobra e cagado...
Gente boa e os safados.
Morre no asfalto...
Alegria, dia e noite
sedo meio dia e tarde
tino, sino e badalo.
Morre...
A felicidade, verdade e gabo
montante de hoje e ontem
noite horizonte e fado,
a ponte para o futuro...
A flecha atirada ao monte.
Morre no asfalto...
Combustível, fumaça, embalo
lembrança distancia malho...
Todo tipo de aero tipo
toda grife, todo ralo.
Morre no asfalto...
Toda cor e todos embalos
ritmos, som e seus estalos
todo peso e todo fardo,
as sentenças com seus mandos...
E os encargos com seus horários.
Morre no asfalto,
todas as falas
e todos tiks dos gagos...
Silencio e afretamento
sonho de fé e plano,
e os segredos de fulano.
Morre no asfalto...
O homem a mulher o prado,
e o ritmo do velho diabo.
Antonio Montes
PEDRAS DO MUNDO
Tantas pedras nesse mundo...
Assim, velho insano, fundo
que nem sei, qual pedra minha
que um dia me apedrejou...
O que sei, é que nasci
do outro lado do mundo
d'onde nasceu o senhor.
Quando criança fui rei
vagabundo e tempestade
hoje sigo esse endereço
onde na esperança padeço
e adormeço na saudade.
Tantas pedras nesse mundo...
Sobrou para mim pedregulhos
trincados pelos entulhos,
que o mundo, proporcionou...
Ando atrás da verdadeira
aquela pedra da pirambeira!
Que um dia rolou por amor.
A minha pedra é de barro,
assim como foi Adão
deixado no jardim do éden
para cumprir a paixão...
Mas seu amor serpenteou
e ainda deitou-o pelo chão...
A pedra atirada ao vento,
nunca foi a protetora
como a pedra das oliveiras
ou as pedras da manjedoura...
Pirâmides, castelos e totens
os bustos da ilha de páscoa
e os monumento de Stonehenge.
Tantas pedra por ai,
no caminho do poeta
eu só quero a minha pedra
que seja dura... Mas seja a certa.
Antonio Montes
DELINQÜÊNCIA
O jornal, anunciou...
A bala se perdeu, mais um descaso
em primeira vista. Caiu um santo lendo,
noticias de horror.
Estava sentado no banco da praça
e o destino lhe perfurou.
A vida esvaiu-se em sangue
findou mais um distinto doutor.
Mais um filho se transformará em numero
de estatística.
Um menino pedinte na rua
sem pai, sem estudar...
A mãe, perdeu a senha da escola
e esse menino será forte candidato,
a delinqüência.
Novas balas voarão sem rumo.
Cadê o futuro do mundo?
Mundo, vasto mundo... Que mundo?!
Antonio Montes
ULTIMA TOMADA
Adeus amor...
Mesmo contra o meu querer,
estou tirando tudo o que é meu da tomada.
do guarda-roupas e da cômoda...
Peguei também, a nossa carta guardada.
Não deixo nada alem de ti!
Não levo nada além de você.... Nem mesmo
o sorriso, que sempre sorriu feliz.
Vou sozinho, vou contigo alem de mim,
e só por não te ter na minha vida...
Vou chorando, com minha alma ferida.
Aos trote sobre a cela desse coração
estou caindo, caindo, na poça da saudade
lambuzando na lama d'essa paixão.
Sinto que, agulha desse amor
tatuou seu nome, sob o peito meu...
Esse adeus esta sangrando! Não sei, não sei
... Não sei se um dia, eu consiga viver
sem os tenros carinhos seus.
Antonio Montes
ESSE TORPE AMOR
Se você, me aperta e me beija...
E eu te amasso com meus braços,
e ai, enquanto minhas narinas te cheiram
... Minhas entranhas te arranham, e te
roçando, inundaremos o delírio insaciável
dos nossos desejos.
Vamos inundar nossa anciã de prazer
seremos um só no arfar d'essa volúpia
... Dançaremos sob o chamego teso
e inerte, suspiraremos o pecado molhado.
Venha... Vamos aninhar no colo dessa
paixão, doaremo-nos, aos afagos do nosso
corpo e aterrissaremos sob o frenesi
desse amor torpe e louco.
Antonio Montes
RECICLÁVEL
Já estas vivendo no futuro da modernidade
e não se deu conta, o mundo robotizado
esta ai, todos... Mas todos e tudo! Logo será
substituído pela maquina, robô ou cyborg.
Isso, se já não foi e ainda, não se deu conta!
Se já não foi, e não sabe, ou se sabe que foi
até acredita, mas finge não acreditar.
Robôs, não precisam de curso ou formação
acadêmica, não tem gripe nem febre diarréia
coração, Não sorrir, nem chora... Mesmo
assim, tomarão o seu lugar. E quando não
prestarem mais... Não receberá seguro
indenização. Eles não precisarão de nada
disso para se aposentar nada de cama, rede
quarto, casa vara de anzol, ou área de laser.
Não precisam de asilo, não sofrem pressão
não terão, derrames nem ataque cárdico
Não darão gastos funerário... Em prol do
seu fim, o dono ainda receberá din-din
pela sucata reciclável.
Antonio Montes
ASSADO DE CADA DIA
O padeiro, cheira o cheiro do pão
cheira a tabua o moinho e a farinha
o mel, a pimenta o sal o açafrão
e as vasilhas que tem na cozinha.
Cheira o cheiro mesmo dormindo
e os sonhos que te levam aos dias
trabalha a massa, amassa sorrindo
o pão nosso, assado de cada dia.
O padeiro em seu zelo tagarela...
Tricota os desvios do parlamento
e vive a vida, com luz, a luz de vela
e segue seu sonho no sentimento.
Com sua munheca, bate e rebate
perdeu lugar p'ra maquina sapeca
foi p'ra fila disputar o seu impasse
assim ficou, sem o café na caneca.
Antonio Montes
LABIRINTO DA SOLIDÃO
Sem nem um passo para suar o tic-tac
sob seus paralelepípedos, pontiagudos,
as calçadas encontravam-se sozinhas...
As ruas movidas por suas tenras solidão,
nem denunciavam, vultos a se esgueirar
pelas sombras das suas tristezas.
Não tinha ventos, não tinha lagrimas
os rostos denunciavam choros em seus
semblantes pálidos... Enquanto o sol
caia pelo desuso da tarde, as luzes
pendulas em seus soquetes, anunciavam
suas amarelas chegadas. Em fim, descia
a noite e essa se fazia fria, a esperança
agora, era apenas um fio invisível a
perambular pelo labirinto do sonho.
Antonio Montes
MEU SONHAR
Eu estava melhor quando dormia...
Dormindo eu sonhava contigo, é verdade,
mas pelo menos dormindo, eu te via!
Eu te tinha... Eu te tinha, muito além da
minha saudade! Agora, ao acordar em
meio a essa escuridão horripilante...
Sou como pássaro sem asas debatendo
sobre o espaço vago, onde esse tenro
medo de viver sem teus braços, me castiga.
Essa terrível solidão me judia, judia como
chibata açoitada por mãos de mil carrasco!
Essa ausência, esse silencio de você, me faz
gemer. Meus olhos estão vertendo, lagrimas...
A minha alma, chora a sua falta.
Hoje dormindo, outra vez sonhei contigo!
Eu queria acordar para te ter... Te abraçar,
assim tendo-te, como te tenho em meu sonhar.
Mas quando acordo, não te tenho alem
do meu pensar. Quero voltar a dormir
e nunca mais despertar! Se acordado eu não
posso te abraçar... Quem sabe se assim
dormindo, eu te carregue p'ra sempre
nos braços do meu sonhar.
Antonio Montes
BRAÇOS DO ALENTO
Hoje, eu me peguei olhando a janela
do tempo. E nesse pega, pega eu me vi,
menino, sorrindo, pequeno. Vi o meu
sorriso, simples atirado aos ventos, me vi
escorregando pela lama alegre da infância
meu esboço sob poças d'águas, e eu...
Jorrava deslizando pela felicidade da juventude.
Olhando a janela do meu tempo... Eu pulava
amarelinho sobre a minha calçada, enquanto
atirava flechas de sonhos sob o arco
multicolorido do meu arco-íres. Eu corria
pelas chuvas do terreiro e assistia a minha
felicidade voando através das nuvens brancas
como paina algodão. Quando menino...
Eu observava os relâmpagos e corria pelas
chuvas molhando o meu ser inocente.
Hoje aqui, olhando a janela, do meu tempo
me vejo criança, cheio de esperanças e
sonhos, me pego rodopiando ciranda... E me
vejo sentado sobre as margens do meu rio,
flutuando cisma nas águas da saudade.
Olhando a janela do meu tempo...
Eu me pego, admirando os chilrear dos
pássaros e todo abestalhado com o revoar
das borboletas, as quais giram como se
estivessem desenhado os anéis de saturno
sob o ar. Aqui, quando me vejo menino, me
pego andando descalço sobre as areias
observando os reflexos do sol, os quais se
projetam desenhando as arvores sobre as
sombras e o frescor da velha estrada.
Da janela da minha vida, eu me perco sob o
labirinto do meu tempo, para logo me pegar
absolto nos braços dom meu alento.
Antonio Montes
UM PEDIDO BOM
Oi amor... Se não te estorva
pega ai, p'ra mim,
o din-din n'aquela cômoda,
depois sem bronca,
pague as contas de...
Lixo, luz, gás e água,
... E, enquanto esta na moda...
Compra p'ra ti,
aquela, linda roupa nova.
Avia, avia bela minha...
É p'ra hoje, avia!
A cômoda é aquela que,
fica ali, nas proximidades
da cozinha.
Antonio Montes
EXPLICAÇÃO DA PARADA
A vida é uma incerteza de confundidade
um horizonte cego...
Um barco, sobre o oceano de indagação
sentimentos, sensações...
Esperanças em meio as, atrocidades.
Nascer sob o tempo... Suspiro!
Tic-tac movido por um pedaço de carne.
E a alma? Que alma, que nada!
Vem a vida, estou vivo, vivo!
A parada explica o ser,
eu você... Nós todos vivemos aqui!
E a morte esta, vivendo por ai,
para com seu desencanto...
Explicar o inicio, a tecelagem,
e a malha furada do fim.
Antonio Montes
BOLHA DE GOTA
Para que, esse olha,
não olha...
Esse molho, esse olho,
olhe o malho... Alho orvalho
Tire a toalha do varal!
a chuva esta vindo, veja o temporal!
Ainda é tempo...
Não pense na gota,
na bolha...
A moldura da sua calçada,
pode esta zarolha,
enquanto, não molha as rolhas!
Recolha.
Antonio montes
LOUVOR & HORROR
Os dados foram dados...
Mesas postas, apostam com louvor
e na contrafeita, apostas feitas,
agora... Tudo é questão de jogo
de um piscar, de um vacilo...
Eu fico com tudo aquilo que
você nunca falou!
Do que adianta esse amor...
Se o poder por aqui é abrasador...
As orações estão fazendo sucesso
e pela fé, pobres estão enriquecendo.
Vamos para a igreja, vamos orar
a esperança nos espera com show business
os aliados então contracenando
e os nossos pastores...
Estão pregando horrores,
e até chora para enricar.
Antonio Montes
BRILHO DA INOCÊNCIA
Passos dados, dados jogados
a mesa esta coberta de horror
Você aposta eu aposto
esperamos que as ofertas
abra a nossa, trancada porta.
Eu vou sorrir para ludibriar...
Eu vou chorar para você cair,
eu só quero ganhar!
Se possível chorarei por você
farei de tudo para me propagar,
nos degraus do seu tre-le-le.
Vou ofertar p'ra te pegar!
Me fingir de bom...
Assim como doce bombom
o qual, primeiro você sente o gosto...
depois, perderá o brilho do seu batom.
Antonio Montes
CARA TORTA
Há um sinal atrás da porta,
piscar de uma cara torta
uns entram, outros entortam
Psiu! Você ouviu?
Será uma voz ou,
corrente macia de um rio...
Rio, sem elo, sem velo
sem linha, sem novelo...
Seria melhor telo.
Cadeado sem cuidado
passos, alinhados sem fado,
vamos marcar a musica...
Rodopiando no quadrado.
A noite assim é pequena
como uma menina serena,
sereno de uma brisa fina
lua cheia, noite rima...
ouça o pio da coruja
enquanto a estrela brilha
junto a lua, lá em cima.
Antonio Montes
CONGELO DE FELICIDADE
Eu vou tirar, a foto do seu rosto,
um prisma, meigo, contente, rindo...
E d'essa forma, eu congelarei a sua
alegria. Quem sabe assim, eu terei
a sua imagem de felicidade, tal qual
um arco-íres, escancarado só para
mim. Eu vou colocar, a sua foto
na moldura, e logo, pendurarei, na
parede do meu quarto. E quando
lá eu me achar só... Eu tenho certeza
que minhas lagrimas caindo se
levantarão só para fitar na parede...
O sorriso da minha paixão.
Antonio Montes
QUA, QUA, QUA
Nem que, que, qui
nem, cá qua, qual...
O que p'ra que?!
aqui acolá, de quem?
P'ra que vão, onde não cabe,
p'ra que ficar p'ra bailar,
se a zica é covarde...
Compadre, deixe rolar.
A noite densa, se faz crua
soluço lagrima na rua
promessa aos pés da lua
na encruzilhada... sarava.
Se o rio se faz corrente
canoeiro passa remando
e o amor de lá, de cá, dá li...
Qua, qua, qua!
Antonio Montes
ALARIDO
Lá vem a boca da noite...
Vem de baixo, vem de cima
vem para eles, vem para elas...
vem tecendo a sua, fúnebre rima.
Mandíbulas abertas, sem trela...
Rápida arisca, como se fosse uma gazela.
Ela vem mordendo o tempo,
sem seus dentes, mascando vida...
Toda banguela! Vem...
Dando dentadas pelas ruas escuras
espreitando figuras, de agruras,
sombras que assombram, almas inseguras.
O bêbado, de bafo azedo, cospe,
e fala grego, todo abobado...
O menino no lixo, chora congelado
ladrar de cão, frio de lua...
Ninguém viu nada!
Todos estão na casa, na sua.
Mendigos? Estão perdidos, largados
como se fossem descarte de mercado.
Assovio estridente, de um beco qualquer...
arrepios, desencadeia um aviso
Mulheres vagam pelas áreas de riscos
balas sem nome, nem código de barras
saindo, sem asas com seus estampidos!
Mais um projétil esta perdido.
um caso para o seu doutor, espanto, alarido...
Mais uma fêmea sem marido.
Antonio Montes
DORES DA VIDA
A dor passa pelo quarto,
pela calçada da velha rua...
pela praça do abstrato
de uma vida toda crua.
Passa por entre os dentes
e pelas famílias dos outros
pelos meus e seus parentes
e o futuro d'aquele garoto.
A dor passa pelo seu corpo
na viagem do além
trespassando cães e loucos
e o sopro dos santos também.
Passa lá pelos jardins
campos de guerra e concentração
por aqui e pelos confins
d'aquela triste paixão.
A dor passa pelos trilhos
dessa vida toda torta
passa por aquelas janelas
e pelos trincos dessas portas.
Pela cama da saudade
nos quatro cantos do mundo
por mentira e por verdade
e por aquele amor profundo.
No frio da noite, a dor
passa pelos vagabundos
no lixo o choro do horror
no escuro olhos do mundo.
Passa a dor n'aquele voou
e na carreira da ambulância
no choro que hospital chorou
e no tapa dada à criança.
A dor passa pelos ventos
com a arte da poluição
pelo verde todo sedento
e pelas válvulas do coração.
Passa lá pela atitude
e ao ataúde fúnebre
necrosando a velha saúde
com bactérias e febre.
Passa, a dor já a cavalo
pelos ventos do destino
careta moldando embalo
em artimanha de menino.
A dor passa pela juventude
de um viver e tempo passado
pela vaidade, liberdade, grude
e sentimentos desconfiados.
Passa, querendo voltar
ao alicerce de todas as linhas
aos bilros de todas as rendas
e aos novelos das contendas.
A dor passou pelos currais
mourões chibata de couro
passou pelo povo de ontem
e hoje, passa de novo.
Quanta dor passa calada...
Sem suspiro choro ou vela
seca sem nem uma lagrima
dor minha d'ele ou d'ela.
A minha dor, passou e passa
assim como passa a sua
passa triste ou com graça
com belo sol ou com lua.
Antonio Montes.
DEPOIS QUE TE VI
Oi amor...
Estou lhes enviando o meu coração,
todo apertado,
N'uma caixinha de peito...
depois que eu te vi,
todas as vezes, que visualizo você!
ele pulsa satisfeito.
Oi amo, ao te ver descobri...
Que sem ti, não tem felicidade
e que meu coração,
não bate mais por mim,
e essa minha vida, virou saudade.
Depois que eu te vi...
O meu coração,
anda por ai, todo perdido...
Aonde quer que estou!
Ele esta contigo.
Tenho certeza, que eu estou aqui,
por esse vasto espaço...
Sem asa sem chão
vagando, remando até você!
apenas seguindo o desespero
d'esse coração que abraça...
Essa tensa e loca paixão.
Antonio Montes
