Autonomia
O Direito privado nasce da tensão entre a autonomia do indivíduo e a necessidade de tornar previsíveis as relações entre vontades livres.
Na arquitetura conceitual proposta por Carlos Eduardo Balcarse, autonomia não significa ausência de influência, mas capacidade de regular o peso atribuído às diferentes influências.
Autonomia não exige ausência de influência. Exige calibração discernitiva: reconhecer as influências e decidir, de modo consciente e revisável, quanto peso cada uma merece receber.
Carlos Eduardo Balcarse
POR QUE DUVIDAR DE SI MESMO PODE SER UMA FORMA DE AUTONOMIA?
Normalmente associamos autonomia à confiança.
Uma pessoa autônoma sabe o que pensa, sustenta suas decisões e não se deixa levar facilmente pelos outros.
Tudo isso pode ser verdadeiro.
Mas existe outra dimensão menos confortável da autonomia: a capacidade de suspeitar do próprio julgamento.
Não para viver em insegurança permanente.
Mas para reconhecer que autoria não produz infalibilidade.
Ser autor de um pensamento não o torna verdadeiro. Sentir uma emoção não transforma sua interpretação em fato. Ter vivido uma experiência não garante que compreendemos todas as suas causas. Estar convencido não elimina a possibilidade de erro.
Por isso, duvidar de si mesmo pode ser profundamente autoral.
A dúvida cria espaço.
Entre aquilo que pensamos e aquilo que decidimos continuar pensando.
É justamente nesse espaço que situo o discernimento.
Não como paralisia. Como intervalo funcional.
Um lugar cognitivo no qual o pensamento pode ser observado antes de receber autorização para continuar comandando a interpretação.
Para pensar não basta pensar. É necessário duvidar do que pensamos.
Mas a dúvida também precisa de limite.
Duvidar de tudo impossibilita agir. Nunca duvidar de nada impossibilita aprender.
Discernimento talvez seja justamente aprender quando a dúvida merece entrar e quando já cumpriu sua função.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
A autonomia começa quando a influência deixa de ser invisível e passa a ser PESADA.
Carlos Eduardo Balcarse
Conhecimento transmitido sem autonomia pode aumentar repertório e diminuir autoria.
Carlos Eduardo Balcarse
A nova sexualidade no vigésimo primeiro século da Era Comum é regida pelo princípio da autonomia da vontade, não mais cabendo o intervir da personalidade. Existe enfim a liberdade das escolhas, acima da anatomia de gênero no que se refere à pressuposta identidade adotada imaturamente ou baseada comumente de forma simples na educação seguida por seus genitais, suas respostas psicológicas ou seu formal papel imposto pela célula familiar na sociedade onde cresceu.
O Direito privado revela, em escala cotidiana, os grandes conflitos entre autonomia, responsabilidade, segurança e justiça.
A sucessão familiar rural está diante de um impasse diretamente relacionado aos graus de autonomia que os jovens possuem na unidade de produção e no retorno econômico que angariam com o trabalho na propriedade.
(Redin, 2019, p. 59-60)
A condição juvenil que busca realização social, autonomia e emancipação são expostas para a sociedade sem a necessidade de negar sua condição camponesa, seu modo de vida e suas formas de reprodução social.
(Redin, 2019, p. 64)
Não busque a riqueza para exibir poder, mas para ter autonomia e capacidade de servir a propósitos maiores.
"Prefiro ser julgado por tentar algo que oferece autonomia do que viver frustrado por medo de arriscar."
Praticar maldades e zombar do esforço alheio não é um ato de autonomia, mas sim a expressão mais baixa da libertinagem desprovida de qualquer valor moral.
Quem confunde a autonomia da liberdade com o vale-tudo da maldade demonstra um caráter falho que desconhece o peso da consciência e a linha que separa o certo do errado.
O verdadeiro respeito à autonomia humana jamais se confunde com o caos da libertinagem e a perversão que destroem os valores fundamentais do convívio.
Confundir autonomia com libertinagem é abrir espaço para a desordem e para atos absurdos que nada têm a ver com o verdadeiro direito de escolha.
Reduzir a autonomia humana a comportamentos desregrados e pornográficos é desvirtuar o verdadeiro sentido da escolha, transformando a liberdade em uma ferramenta de destruição do caráter.
O conhecimento econômico dá ao jovem a autonomia necessária para tomar decisões conscientes sem pressões externas.
"Exigir autonomia sem oferecer apoio é pedir para uma planta florescer sem se dar ao trabalho de regar."
