Asas
Nasci com gestos que nunca fiz, nasci com asas, mas nunca abri os braços. Com sonhos que me foram tarde. Senti o mundo e fiquei por um triz. Entre o querer e o que me guarde. Fui poeta antes da palavra, artista no silêncio vão. Cada cor que em mim se lavra, não passou da intenção. Não fui por medo, ou por costume, ou porque era cedo ou já era. A alma é chama, mas sem lume, é só cinza que espera. Nos dedos tive a arte pura, mas escondi-a por amargura. Quantos como eu vivem assim, inteiros no que não fizeram? São vultos que, dentro de si foram tudo, e não se deram. O mundo quer som, luz e dança, o resto somente rascunho de ser. Mas há quem, por pura esperança, aprenda a se esconder. Não verá meu quadro, meu canto. Não verá meu verso, meu traço. Tampouco saberá do meu cansaço. Nem saberá do quase em mim. Sou o talento que, de tanto, ficou calado até o fim. Por ser demais a madrugada fui grande em mim, somente em mim.
A inteligência Artificial veio para dar asas para quem quer voar, muletas para quem quer andar e orelhas de burro para quem não quer pensar.
MISTERIOSO
Sou tal pássaro misterioso...
Que vive de asas abertas
Temendo ataque raivoso
Surgido em horas incertas...
Não fico no tempo parado...
Viajo de minuto em minuto
Buscando o verso travado
Tornando-o mais resoluto...
Misterioso como todo ser...
Cercado de luminescência
E que nem todo mundo vê
O que há em minha vivência...
Cada poema é um enredo...
Que delineia a minha vida
E nele, resguardo segredo
A mantê-la mais protegida...
(MISTERIOSO - Edilon Moreira, Dezembro/2022)
MARAVILHOSO
Havendo amor no coração...
O corpo cria as suas asas
E com elas faz a levitação
Visitando as tantas casas...
O amor em própria energia...
Não discrimina a ninguém
Se propagando ao dia a dia
A quem ainda não o tem...
Cada vez mais é aumentado...
Cada vez mais tão poderoso
Se ganha quando é doado
Tornando tudo maravilhoso...
(MARAVILHOSO - Edilon Moreira, Junho/2023)
AINDA SOBRE O AMOR
O amor é luz — mas eu sou mariposa.
Sou feita de asas frágeis, de voos que tremem, e mesmo sabendo do incêndio, eu fui, seduzida pela luz...
Te busquei como quem desejava o fim, mas desejava ainda mais o instante de calor.
Você foi clarão — farol, estrela, chama.
E eu, tão pequena, ao seu redor,
embriagada pela promessa do brilho,
mesmo ciente que me mataria, você me chamou, me atraiu, me deduziu.
O amor, dizem, é abrigo, é flor, é casa.
Mas pra mim, é vertigem.
É precipício vestido de sol.
Mas ainda assim, eu ficava, hipnotizada pelo seu encanto tão brilhante, a luz dos meus olhos, o motivo do meu respirar...
Porque há em mim esse destino triste de mariposa —
amar aquilo que pode me destruir
e achar nisso… beleza.
Eu não sei amar de longe.
Meu peito não entende fronteiras,
minha alma não teme queimaduras.
Só queria luz.
Só queria você.
Mesmo que, no fim,
o que tenha sobraso de mim
seja apenas sombra e pó.
Raísa Sousa
Bati o martelo, partirei daqui e avançarei contra o mundo, hora de abrir as asas e sair do ninho indo de encontro com a dureza da vida adulta. Após tanto esperar, tanto deixar para amanhã, amanhã pode não existir e nunca realizar esse desejo, devo agir, mesmo não sendo o momento perfeito.
Porque nos contentamos em viver como lagarta se podemos criar asas de borboleta e, voar?!
Doctorstrangelove
O Voo da Borboleta
Ela é borboleta, essa mulher que emerge,
Transformada, criando asas para o voo que urge.
Voa onde a coragem um dia lhe faltou,
Planando nos sonhos que o desejo calou.
Porém, um tempo houve, de temor e esconderijo,
Nos instantes mais íntimos, sem um alívio.
Presa em si, sem rasgar o casulo que a prendia,
Perdeu o balé da vida que tanto queria.
O tempo, mestre, a fez amadurecer,
O deslumbre, o desgaste de não mais querer.
Mas a paixão, a força de um amor a chamou,
E, enfim, a fez voar.
Hoje, na leveza que os pássaros exibem,
Nas asas de borboleta, ela flutua,
Onde e como quer, livremente vive.
Em sutis tons, ou sem cor, a vida se perpetua,
Ela faz de seus momentos o que há de melhor,
Em um voo sem fim, no seu próprio primor.
"Voar com leveza ao som dos bandolins"
Voar… não com asas, mas com a alma acesa,
no instante suspenso em que tudo silencia,
e só resta o som — sutil — da natureza
tocando os bandolins da melancolia.
É nesse fio invisível entre o tempo e o vento
que o espírito se desfaz de seus espinhos
e se veste de luz, de música e sentimento,
como se a vida coubesse em poucos dedinhos.
Oh, bandolim que chora, tão pequeno e tão imenso!
Em ti há mares, luas, lembranças e alvoradas.
Cada nota tua é um verso que eu lanço, intenso,
ao céu que me abriga em suas madrugadas.
Voar com leveza... é despir-se do mundo,
desatar os nós das dores que se calam,
é entregar-se ao som, profundo e fecundo,
que os bandolins, com ternura, embalam.
E, nesse voo que não conhece altura,
onde o corpo não pesa e a alma é verbo,
descubro que a música é forma de ternura
e que amar... é tocar o invisível, sem reserva.
Ah, se todos soubessem do milagre escondido
no instante em que a nota vibra no vazio,
veriam que o som é um gesto adormecido,
e o voo… é um poema escrito no brilho.
Brilho do céu, brilho da terra, brilho da eternidade,
um chamado mudo que só o sensível entende.
Voar com leveza é tocar a imensidade
sem jamais perder a alma que se estende.
E quando finda o som, quando se cala o mundo,
ainda ecoa, dentro, o que jamais se explica:
a certeza de que o voo mais profundo
é aquele que nasce da nota mais lírica.
“Depois da Queda, Asas”
Já chorei por quem não viu,
Já dei tudo a quem partiu.
Confiei de alma aberta,
E encontrei porta deserta.
Doeu…
Como só dói o que é real.
Mas até na dor mais cruel
há algo essencial:
A decepção não é o fim,
É um início camuflado.
É o corte que ensina o sim,
É o chão que firma o passo.
Aprendi que nem todo abraço
vem com amor de verdade.
Que nem todo sorriso sincero
é sinônimo de lealdade.
Mas também aprendi a mim mesma.
A me ouvir, me acolher, me bastar.
Descobri que a dor é professora,
Mas que eu posso levantar.
Hoje, sigo com menos peso,
com mais fé e coração em paz.
Não esqueço o que me feriu,
mas não deixo que isso me desfaz.
Resiliência é isso:
ter sido partido e ainda ser inteiro.
É olhar pra trás com coragem
e dizer: “Eu cresci primeiro.”
E se vier outra decepção,
que venha… já aprendi:
Não me perco por quem vai,
me reencontro em mim — e prossegui.
COM VOCÊ
Com você sou criativa
Tenho asas, não tenho limites.
Com você não tenho medo, nem pudores
Tenho planos, ouso sonhar.
Com você faço e aconteço
Corro riscos, quebro regras, me reinvento.
Com você voltei a sorrir
Passei a valorizar os minutos do dia.
Com você preciso ir além
Quero sempre mais e nenhum porém.
Com você voltei a acreditar na felicidade
E a agradecer pelo milagre do amor!
O pardalzinho voava livremente
Com suas asas recém-descobertas
E no lago de sandália celeste
Encontrou o mundo dos ronaldinhos
Um lugar especial, de beleza única
Onde o amor era a moeda corrente
E os fogos brilhavam intensamente
Transmitindo a paz e a alegria
Sete anéis de poder e sabedoria
Sete escolhas para a vida inteira
Caminhos a serem trilhados
Com coragem e determinação
O pardalzinho sorriu feliz
Por ter encontrado esse lugar
Onde poderia voar alto
E ser livre para amar.
Que Deus nos dê asas! Para voar bem alto, vencer as forças de atração da terra e enxergar o mundo sem divisões e fronteiras.(Walter Sasso)
