Árvores

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Ode de despedida


As árvores da minha terra
já não morrem em pé…

morrem nas manhãs frias de nevoeiro,
morrem numa paleta policroma desbotada,
morrem num tempo esculpido por uma soturna melancolia,
morrem no ocaso da memória continuamente vivida,
morrem na toponímia de um corpo consumido,
morrem 
morrem as minhas raízes
silenciadas dentro de mim.

"Quantos de nós teríamos que aprender também dessa rota vertical do tronco das árvores, e aprender a dar sombra e abrigar sem perguntar a quem nem quando."

Quando o machado entra na floresta, as árvores acreditam que o cabo, feito da mesma madeira, irá defendê-las.
Mas a dor vem justamente daí: nem sempre quem está ao nosso lado está, de fato, do nosso lado.

Em campos onde o silêncio se estende,
o lobo caminha entre árvores,
alma selvagem em paz, até que mãos rudes
rejubilam no aço, no fogo da agressão.Provocam-no com o veneno do medo,
arrancam-lhe a calma, rasgam o seu manto,
e quando a fera solta o uivo da dor,
rotulam-no de mau, titãs do juízo cego.Não veem o açoite que partiu seu chão,
não ouvem o grito sufocado em seus olhos,
só julgam o rugido que brota da dor,
escondendo a origem, negando a razão.Assim, o lobo é julgado pela reação,
mas quem planta o tormento colhe a tempestade,
e no eco da defesa, nasce a verdade:
a fera não escolhe ser, é feita pela opressão.

⁠Sob o céu, o mar bramia.
O vento sussurrava nas pradarias.
Sobre as árvores, pássaros cantavam uma linda melodia.
No outono frutíferas, na primavera floridas, as árvores embelezam a vida.
É a onipotência do Criador.
A Ele toda glória e louvor.

Hoje, ao amanhecer, os passarinhos deixaram as copas das árvores e voaram como em qualquer outro dia, leves, confiantes, donos do céu.


Entre o fim da manhã e o início da tarde, algumas árvores do condomínio foram cortadas. Troncos ao chão, galhos silenciados, sombras desfeitas.


No cair da tarde, já na beira da noite, eu os vi outra vez. Voavam em círculos, inquietos, como se procurassem no vazio aquilo que, horas antes, era abrigo. As árvores eram suas casas, seus ninhos, talvez o berço de futuros filhotinhos.


É espantoso como tantas coisas podem mudar em poucas horas.


E eu fico aqui, pensando nos passarinhos — e na delicadeza frágil de tudo o que chamamos de lar.

O farfalhar das árvores no bosque
lembra o arrepio da pele
ao encontro do teu abraço.


O suor que me escorre
recorda as lágrimas que te descem,
e o vosso peito
que em silêncio se fere.


Na penumbra da noite,
o sol ainda permanece.
No amanhecer da manhã,
a lua também estará.


Tudo aquilo que recordo
não se perde —
permanece.


Em algum lugar,
em alguma coisa que ainda fala,
mesmo quando já não se vê.

Pequeno Pintor
Uma tela pintada de azul,
Com árvores murchas e frutos azedos,
Os quais não conseguem ser segurados nem pelos dedos,
Um lugar que quem viu mentiu.
Uma moça com olhos cor do âmbar adentrou,
E, no cenário, tudo revirou
E, para a sua surpresa, nada de bom encontrou.
Olhando tristonha aos arredores,
Onde secos eram os rios,
Onde nada tinha fantasia,
Muito menos alegria.
Surpreendeu-se ao ver um jovem pintor segurando o coração
E começou a pensar sobre o que fazer nessa situação.
Carregando toda a meiguice, deu-lhe a mão
Onde o rapaz depositou todas as suas esperanças.
Tirou do peito aquilo que segurava e entregou-lha.
Nesse instante, era ela a sua crença.
A dama indagou-lhe: “Meu pintor, quem te magoou?”
Relutante, devolveu: “Como a notícia te chegou?”
Com simpatia, respondeu-lhe: “No momento em que me entregaste as tuas
crenças, havia proclamado também que desacreditaste da paixão.”
O pintor apenas suspirou: “Oh, não...”.
Os dias se sucederam;
Os pigmentos azulados se perderam.
Desde a chegada da jovem, o Sol tornou a ficar amarelado;
Depois de ele por ela ser amado.
Os luares, agora, teciam a sua felicidade;
Os risos abertos e barulhentos compunham parte do seu dia,
Enquanto, de perto, a via.
A esta altura, já estava familiarizado com a nova realidade.
A sege desenhada os levava perdidamente.
Ambos não tinham lugar destinado.
Finalmente, soltou-lhe aquilo de diferente.
A amada, moldada pela alegria, disse que, por ela, era amado.
No dia seguinte, encostou-se no Pintor
E tirou-lhe a dor.
Para ela, o mundo prosseguiu,
Enquanto, para ele, parou.
Acordado, encontrava-se sem a deusa da sua benção.
Próximo ao chão, chorava as lágrimas de Adão.
Arrastando-se, tentou pegar-lhe o pé,
Mas, dela, só recebeu um pontapé.
Berrando, clamou pelo vulto do espírito;
Porém deste já estava restrito.
Pobre coitado.
O azul reapareceu;
Sua amada desapareceu,
E ele, por ninguém mais, era amado.

Plantem árvores, pois são delas o ar que respiramos.

A sabedoria se aproxima dos diligentes,
como vento que acaricia as árvores despertas.
Ninguém a prende, ninguém a detém;
vem e vai segundo o seu querer,
abençoando os corações atentos,
e deixando os distraídos na sombra da ignorância.

Árvores frutíferas sempre fazem sua própria sombra em meio ao sol bravio.

Onde o primeiro Adão nos escondeu de Deus entre as árvores, o Último Adão nos revelou a Deus pendurado em um madeiro!

"As árvores rígidas, muitas vezes se quebram nas tempestades. Também as pessoas rígidas, se quebrantam nas crises da vida. Seja flexível e maleável."

Casa comigo!
Sem anel, sem religião.
Sem juras, nem promessas.
Casa comigo,
como as árvores que
casam seguras e livres.
Casa comigo
até aos ossos,
até despirmos os corpos
e ficarmos alma com alma.
E no fim, não haverá fim
porque não morreremos
seremos músicas,
brisas outonais,
beijos de inverno,
biodiversidade primaveril,
estiva dos poentes
e imortais poemas
nos corações
do mundo.

Quero ir contigo a um lugar
onde as árvores suspiram
e escrevem nos solos
a caligrafia do outono.

⁠Observe as Aves, os Animais e as Árvores.
DEUS usa as autoridades,
para proteger a natureza e punir quem faz mal a
essas maravilhas. ELE veste e cuida
de cada espécie na natureza... imagine nós
que somos a imagem DELE!

🌬️ Ode à Ventania 🌪


O vento chegou de improviso,
veloz e potente,
balançando as árvores do quintal
como se as chamasse para dançar
em seu impulso frenético...


As folhas, dispersas, formavam
um corpo de balé no ar,
seguindo a cadência rítmica
do vento...


Ó ventania!
Às vezes tão cruel,
arranca e destroça
tudo o que encontra em seu percurso;
outras vezes, com maestria,
ensina que há momentos
para parar e observar,
para entender que é necessário deixar ir
e acolher o que deve vir...


Ó ventania!
Chegaste como fera solta,
rasgando o silêncio do quintal,
fazendo das árvores tuas parceiras
numa dança insana de poder e vertigem...


As folhas,
oh, as folhas!
eram fragmentos da vida
voando sem destino,
sopradas por tua fúria caprichosa...


Ó ventania,
cruel como quem ama demais,
que arranca raízes,
derruba o que resiste,
e ainda assim
traz o sopro que renova,
o caos que purifica...


Ensinas, sem palavras,
que o que parte
também ensina a ficar,
e que só o que se entrega
conhece a leveza do ar...


Ó ventania!
O vento veio de repente,
como quem tem pressa de viver,
trouxe em si o rumor do tempo
e o perfume das lembranças antigas...


As árvores se inclinaram em reverência,
e as folhas, desprendidas,
dançavam como almas libertas
sob o toque invisível da ventania...


Ó doce e brava ventania,
que às vezes fere,
mas também consola,
tu me recordas
que tudo o que parte
abre espaço para o novo respirar...


Há beleza no que se despede,
e quietude no que permanece...
assim como o vento
que passa, mas deixa a alma...
✍©️@MiriamDaCosta

De certa forma,
eu sempre me senti
completa e serena
nos lugares onde eu pude
ver as Árvores e o Mar...


Afinal...
A minh'alma
tem as cores e os olores
da Mata Atlântica
e do Oceano Atlântico...


E o meu Lar
é a Região Oceânica de Niterói...


✍©️@MiriamDaCosta
@miriamdacostamiry

Primeiro derrubam as árvores 🌳🌳🌳
depois constroem condomínios,
bairros ( alguns até chamados de “bairros ecológicos”)...
E no fim, nomeiam as ruas
com nomes de árvores em via de extinção
ou que já não existem...


✍©️@MiriamDaCosta

Hoje durante a minha caminhada
na Serra da Tiririca, entre árvores 🌳 🌴, plantas nativas 🌾🌿, flores 🌼🌺
e frutos 🥭🍌🍒🥑🥥 ...
oxigenei o meu olhar
com o ar puro da mata🌳🌳🌳
e a minha alma de silêncio e serenidade.

No caminho, voltando para casa 🏠
observei casas com muros altíssimos, câmeras de segurança em cada ângulo dos muros e nos portões... em todas!

Da mata aberta para os muros fechados,
a paisagem mudou, e com ela, o jeito de viver...

Lembrei de um tempo, onde as casas disputavam serem as que tinham o jardim mais bonito...
com varandas cheias de vasos pendurados com samambaia chorona, renda portuguesa, dólar, dinheiro-em-penca , lambari roxo e tantas outras espécies de plantas que pendem dos vasos... os canteiros do jardim com rosas vermelhas, amarelas, brancas, rosas🌹 ... dálias de todas as cores🌸... jasmim, margaridas, girassóis 🌻flores de todos os tipos e cores🌼⚘... era um verdadeiro arco-íris... cores e aromas...

As vezes, na ida para a escola, a gente "roubava" uma das flores para presentear a professora ... ou na volta para casa para agradar a vovó, a mãe, a madrinha ou a tia...
a família , quase que toda, morava na mesma rua ou bairro...

Onde foi parar o cenário de um tempo?
Nas cercas floridas dentro do recinto amarelado das memórias.

✍©️@MiriamDaCosta