Árvores
Observe as Aves, os Animais e as Árvores.
DEUS usa as autoridades,
para proteger a natureza e punir quem faz mal a
essas maravilhas. ELE veste e cuida
de cada espécie na natureza... imagine nós
que somos a imagem DELE!
O que há na copa das arvores?
Em algum momento a vida nos convida a observar atentamente as pequenas coisas que não estávamos olhando e Hirayama aceitou o convite. Ele contempla, não há pressa.
Começamos a assistir e esperar que a introdução passe, não há introdução, há o filme, contemple. Não tem diálogos, existem cenas, os fatos e a sua atenção.
Todos os dias iguais, uma leitura, silêncio, dia nublado, chuva fina. No começo você pode até estranhar, mas depois você se acostuma e segue aquela paz com o Hirayama. Quando sua sobrinha aparece, ela te tira do seu confortável mundo, da sua cama, seus livros etc. Interagir não é o forte. O passado está na mente em preto e branco. Um pai, uma irmã e ele. Aparentemente a irmã tem boa vida e ele limpa banheiros.
Hirayama ama a música, ama os livros e seu mundo. Quando o passado vem à tona, o som do filme aumenta, é perceptível que há mais ruído. Hirayama está em agonia e nós também.
O filme segue, as coisas aparentam voltar ao enredo original. Faz sol. Hirayama ouve sua música, “i’m feeling good”, está se sentindo bem Hirayama?
Ele sorri enquanto lagrimeja, as coisas voltaram ao normal, mas Hirayama tem bagagem, tem história... ele se sente como um peixe no oceano, pássaros voando alto, sol no céu, é um novo amanhecer, é um novo dia, é uma nova vida, é o que diz a música.
Hirayama sabe disso, está tão feliz que não podemos distinguir de uma tristeza.
Um colar floresceu.
Vida gerando vida.
Anunciam os pássaros,
Nas árvores frondosas,
Num canto unificado,
A celebração do Paraíso,
Sem dor,
Sem choro,
Sem morte.
Apenas um sonho realizado.
Além do rio da vida.
Sentado numa lotus, ventos chocoalham as árvores emulando os véus de Lakshmi, logo o céu amarelado vai emergindo sua fortuna, as cores em gradiente enriquecem o jardim, borboletas douradas aparecem, a decretar a liberdade e a beleza do vale.
O amor não cresce em árvores, nem é comprado no mercado. Mas, se alguém quer ser amado, primeiro deve saber amar de modo incondicional.
"Continue pedindo conselhos a uma mula sobre como subir em árvores. Quem sabe, no final, você não termine com uma sela nas costas."
Hoje, ao amanhecer, os passarinhos deixaram as copas das árvores e voaram como em qualquer outro dia, leves, confiantes, donos do céu.
Entre o fim da manhã e o início da tarde, algumas árvores do condomínio foram cortadas. Troncos ao chão, galhos silenciados, sombras desfeitas.
No cair da tarde, já na beira da noite, eu os vi outra vez. Voavam em círculos, inquietos, como se procurassem no vazio aquilo que, horas antes, era abrigo. As árvores eram suas casas, seus ninhos, talvez o berço de futuros filhotinhos.
É espantoso como tantas coisas podem mudar em poucas horas.
E eu fico aqui, pensando nos passarinhos — e na delicadeza frágil de tudo o que chamamos de lar.
Onde o primeiro Adão nos escondeu de Deus entre as árvores, o Último Adão nos revelou a Deus pendurado em um madeiro!
Eu vi a morte uma vez.
Quando eu tive meu primeiro sonho.
Era escuro, frio, cercado de árvores.
Mas eu seguia o caminho, descalça.
Até que eu vi ela, brilhante, quente, familiar.
A morte é uma mulher.
De manto e véu branco.
Ela é alta, sem rosto, e me tirou da escuridão.
Me levou pra um quintal com a grama vibrante.
E uma casa branca de madeira.
A casa onde eu cresci, a casa a qual pertenço.
Eu vi a morte uma vez.
Ela era linda.
Deixe-me morrer entre as raízes das árvores, na inclinação do terreno florido, onde os pássaros beijam as flores e o vento abraça o que foi esquecido.
A natureza é um presente sem igual,
Com árvores que enfeitam cada lugar.
As flores espalham perfume no ar,
E os pássaros cantam ao amanhecer.
Os rios seguem seu caminho a correr,
O vento traz paz e faz as folhas dançar.
Devemos cuidar de tudo com carinho,
Pois a natureza nos dá vida e esperança.
Preservá-la hoje é garantir um amanhã melhor.
Se você ama os passarinhos, não os prenda. Plante árvores e cuide do jardim para que eles sempre tenham onde pousar.
Tempos difíceis revelam nossa verdadeira natureza assim como tempestades mostram quais árvores possuem raízes profundas e quais são apenas aparência superficial.
Eu fico olhando as árvores.
Elas perdem as folhas como quem perde dinheiro no bolso furado — sem drama, sem explicação. O vento leva, o chão recebe, e mesmo assim elas continuam de pé. Não imploram. Não negociam. Não fazem discurso sobre “resiliência” em rede social.
Elas sabem.
Sabem que não é perda. É troca.
A gente é que esquece disso e chama tudo de fim.
O homem se agarra no que já morreu dentro dele. Relacionamentos, ideias, versões antigas do próprio nome. Segura com força, como se a mão fechada pudesse impedir o mundo de girar.
Mas a árvore não.
Ela deixa ir.
E talvez seja isso a coisa mais próxima de liberdade que existe: não confundir queda com morte. Não confundir mudança com derrota.
As folhas caem e ninguém pede desculpa.
O tronco continua.
E de algum jeito que ninguém explica direito, isso ainda é vida.
